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Invasões holandesas no Brasil

História do Brasil

As invasões holandesas no Brasil aconteceram entre as décadas de 1620 e 1630 e constituíram o principal conflito armado do Brasil Colônia.
Frota de navios holandeses durante o cerco de Olinda, em 1630 *
Frota de navios holandeses durante o cerco de Olinda, em 1630 *
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Após o desencadeamento da Reforma Protestante na Europa, a partir de 1517, diversas tensões e reviravoltas políticas passaram a ocorrer em diversas nações. Sendo algumas dessas nações também impérios ultramarinos, as suas respectivas colônias também passaram a sofrer o impacto dos distúrbios político-religiosos entre os séculos XVI e XVII. O Brasil, então colônia portuguesa, foi palco de um desses impactos: As invasões holandesas.

As invasões holandesas consistiram no maior conflito político-militar do período da Colonização do Brasil, tendo ocorrido de 1624 a 1637. Em 1637, os holandeses conseguiram estabelecer-se no nordeste brasileiro, tendo como governador o príncipe Maurício de Nassau. Tais invasões ocorreram na fase da chamada União Ibérica, iniciada em 1580 pelo rei Felipe II, da Espanha. Essa união foi promovida após a morte do jovem rei Dom Sebastião na Batalha de Alcácer-Quibir em 1578.

Antes de Portugal unir-se à Espanha, a relação comercial que os portugueses mantinham com os holandeses era amistosa e sem grandes confrontos. Com a União Ibérica, a Espanha, que, como nação católica, era uma ferrenha opositora política do protestantismo holandês, passou a determinar o modo como os portugueses passariam a gerir seus engenhos de açúcar e a comercializar esse produto. Entretanto, antes, o refinamento e a distribuição do açúcar português produzido no Brasil eram feitos pela Holanda.

A rixa entre Espanha e Holanda provocou a reação violenta dessa última. Os holandeses, entre o fim do século XVI e o início do XVII, começaram a invadir e a pilhar as regiões da costa ocidental da África, então pertencentes a Portugal, bem como a colônia americana desse país, o Brasil. O historiador Boris Fausto, em seu livro História do Brasil, assim descreveu a primeira tentativa de invasão entre os anos 1624 e 1625 e a respectiva resistência de portugueses e brasileiros:

As invasões começaram com a ocupação de Salvador, em 1624. Os holandeses levaram pouco mais de 24 horas para dominar a cidade, mas praticamente não conseguiram sair de seus limites. Os chamados homens bons refugiaram-se nas fazendas próximas à capital e organizaram a resistência, chefiada por Matias de Albuquerque, novo governador por eles escolhido, e pelo bispo dom Marcos Teixeira. Utilizando-se da tática de guerrilhas e com reforços de 52 navios e mais de 12 mil homens juntou-se, a seguir, às tropas combatentes. Depois de duros golpes, os holandeses se renderam, em maio de 1625. Tinham permanecido na Bahia por um ano.” [1]

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Após essa tentativa rechaçada de dominar a cidade de Salvador, os holandeses tentaram mais uma vez estabelecerem-se no nordeste brasileiro, mas, agora, na região de Pernambuco. Essa região era cobiçada principalmente em razão da sua ampla estrutura erguida em torno da economia açucareira. As novas investidas holandesas começaram em 1630, com um ataque contra a cidade de Olinda. Até o ano de 1637, portugueses e brasileiros procuraram de todas as formas resistir à pressão dos holandeses. Foi nesse período que se destacou a atuação de Domingos Fernandes Calabar, que foi morto pelos portugueses sob a acusação de tê-los traído ao fornecer informações precisas aos holandeses.

De 1637 a 1644, Maurício de Nassau governou a região de Pernambuco e realizou transformações grandiosas na infraestrutura e no sistema de produção açucareira. Data dessa época uma grande efervescência de atividades artísticas e científicas, sobretudo com a vinda de naturalistas europeus, patrocinados por Nassau, para estudar a fauna e a flora do Brasil. O “Brasil Holandês” teve fim após as “guerras de reconquista”, que caracterizaram o período entre 1645 e 1654.

NOTAS:

[1] FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2013. p. 75.

* Créditos da imagem: Commons


Por Me. Cláudio Fernandes

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

FERNANDES, Cláudio. "Invasões holandesas no Brasil"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/historiab/invasoes-holandesas-no-brasil.htm. Acesso em 19 de julho de 2019.

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Lista de Exercícios
Questão 1

(FUVEST) Foram, respectivamente, fatores na ocupação holandesa no Nordeste do Brasil e na sua posterior expulsão:

a) o envolvimento da Holanda no tráfico de escravos e os desentendimentos entre Maurício de Nassau e a Companhia das Índias Ocidentais.

b) a participação da Holanda na economia do açúcar e o endividamento dos senhores de engenho com a Companhia das Índias Ocidentais.

c) o interesse da Holanda na economia do ouro e a resistência e não aceitação do domínio estrangeiro pela população.

d) a tentativa da Holanda em monopolizar o comércio colonial e o fim da dominação espanhola em Portugal.

e) a exclusão da Holanda da economia açucareira e a mudança de interesses da Companhia das Índias Ocidentais.

Questão 2

Durante a primeira fase de ocupação da Capitania de Pernambuco, de 1630 a 1637, os holandeses procuraram fazer um reconhecimento do lugar para melhor instituir as estruturas de exploração da cana-de-açúcar na região e, ao mesmo tempo, combater de forma mais eficaz a resistência de portugueses e nativos. Entretanto, os holandeses receberam a colaboração de nativos nessa empreitada. Um desses nativos destacou-se e entrou para a história como traidor dos portugueses. Quem era ele?

a) Maurício de Nassau

b) Domingos Jorge Velho

c) Bartolomeu Bueno da Silva

d) João Pessoa

e) Domingos Fernandes Calabar

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