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Para mim ou para eu?

Gramática

Para empregar corretamente as expressões “para mim” ou “para eu”, é preciso ficar atento às diferentes situações de uso.
Na modalidade escrita, a norma padrão deve ser preservada. Por esse motivo, a colocação pronominal deve ser empregada corretamente
Na modalidade escrita, a norma padrão deve ser preservada. Por esse motivo, a colocação pronominal deve ser empregada corretamente
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Pra mim brincar

Não há nada mais gostoso do que o mim sujeito de verbo no infinito. Pra mim brincar. As cariocas que não sabem gramática falam assim. Todos os brasileiros deviam de querer falar como as cariocas que não sabem gramática.

As palavras mais feias da língua portuguesa são quiçá, alhures e miúde.

(BANDEIRA, Manuel. Seleta em prosa e verso. Org: Emanuel de Moraes.4. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1986. P. 19)

Manuel Bandeira, um dos maiores escritores da Literatura brasileira e integrante do movimento modernista, brincou, em seu texto, com o uso dos pronomes. Isso aconteceu porque uma das características do modernismo foi justamente registrar no texto literário os diversos falares do povo brasileiro. Na linguagem literária, o poeta pode utilizar aquilo que chamamos de licença poética, mas em nosso dia a dia e nas diversas situações nas quais é preciso redigir um texto, é preciso saber a modalidade padrão.

Afinal, qual é a forma correta, “para mim ou para eu”? Bom, o emprego de cada uma das expressões dependerá da situação de uso, pois ambas existem e estão corretas. Sendo assim, a expressão “para eu” deverá ser usada quando “eu” assumir a função de sujeito. Já a expressão “para mim” será empregada quando “mim” exercer a função de objeto direto. Observe os exemplos:

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Quando usar “para eu”:

Preciso de férias para eu descansar. (certo)

Preciso de férias para mim descansar. (errado)

Faltam quinze dias para eu viajar. (certo)

Faltam quinze dias para mim viajar. (errado)

 

Dica importante: “Para eu” deve ser utilizado sempre que o sujeito for seguido de um verbo no infinitivo que indique uma ação.

 

Quando usar “para mim”:

Você pode comprar o ingresso para mim? (certo)

Você pode comprar o ingresso para eu? (errado)

Aquele convite é para mim, não para você. (certo)

Aquele convite é para eu, não para você. (errado)

 

Dica importante: “Mim”, que é um pronome pessoal oblíquo tônico e deve estar sempre precedido por uma preposição, só será utilizado quando desempenhar a função de complemento em uma oração.


Por Luana Castro
Graduada em Letras

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

PEREZ, Luana Castro Alves. "Para mim ou para eu?"; Brasil Escola. Disponível em <https://brasilescola.uol.com.br/gramatica/para-mim-ou-para-eu.htm>. Acesso em 23 de outubro de 2018.

Assista às nossas videoaulas
Lista de Exercícios
Questão 1

Complete as lacunas com “eu” ou “mim”:

I. Eles partiram antes de _____.

II. Eles partiram antes de _____ partir.

III. Há alguma coisa para _____ fazer?

IV. Para _____, a seleção brasileira é a favorita.

V. Preciso de férias para _____ viajar.

a) mim – eu – eu – mim – eu

b) mim – eu – mim – mim – mim

c) eu – mim – eu – mim – mim

d) mim – mim – mim – eu – eu 

Questão 2

Pra mim brincar

Não há nada mais gostoso do que o mim sujeito de verbo no infinito. Pra mim brincar. As cariocas que não sabem gramática falam assim. Todos os brasileiros deviam de querer falar como as cariocas que não sabem gramática.

As palavras mais feias da língua portuguesa são quiçá, alhures e miúde.

(BANDEIRA, Manuel. Seleta em prosa e verso. Org: Emanuel de Moraes.4. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1986. P. 19)

Sobre o texto de Manuel Bandeira, é incorreto afirmar que

a) O poeta desconhece a correta colocação dos pronomes “mim” e “eu”.

b) Poeta cuja obra situa-se cronológica e ideologicamente no movimento Modernista, Manuel Bandeira, assim como outros colegas modernistas, pensava a língua portuguesa como um instrumento a favor da construção da identidade cultural brasileira.

c) Apesar de conhecer as normas que regem a colocação pronominal, prefere o português que emprega o “mim” como sujeito antes de um verbo no infinitivo por acreditar que essa construção seja mais eufônica.

d) É possível observar que o poeta conhece a sintaxe dos pronomes quando ele relaciona o erro citado (mim antes do verbo no infinitivo) às cariocas que não sabem gramática.

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