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Esporotricose

A esporotricose é uma micose que afeta tanto seres humanos quanto outros animais, principalmente gatos. No Brasil, houve um aumento de casos de esporotricose nos últimos anos.

Ilustração em 3D do fungo Sprothrix schenckii, uma das espécies causadoras da esporotricose.
O fungo Sprothrix schenckii é uma das espécies causadoras da esporotricose.
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A esporotricose é uma infecção fúngica causada por espécies do gênero Sporothrix. Esses fungos são encontrados principalmente no solo e em materiais em decomposição, sendo característico de climas tropicais. A esporotricose pode afetar tanto seres humanos como outros animais, principalmente gatos. A transmissão ocorre quando há contato de ferimentos da pele com o fungo por meio de espinhos, galhos e outros materiais contaminados ou por meio de arranhões ou mordidas de animais doentes. O principal sintoma é um quadro de múltiplas lesões cutâneas, tanto em seres humanos como em outros animais.

A doença é tratável em humanos e felinos com o uso de antifúngicos, cuja duração do tratamento depende da gravidade da infecção. Para prevenir a doença, é aconselhável usar roupas de proteção ao manipular materiais do solo, plantas e materiais em decomposição, bem como isolar animais doentes para evitar a disseminação. O aumento de casos está principalmente relacionado ao abandono de gatos e à falta de políticas de controle populacional, como a castração, e de tratamento para os animais doentes.

Leia também: Mucormicose — a doença do “fungo preto”

Tópicos deste artigo

Resumo sobre esporotricose

  • A esporotricose é uma micose causada por espécies do gênero Sporothrix, fungos encontrados principalmente no solo e em materiais em decomposição.
  • Há duas espécies responsáveis pela maioria dos casos no Brasil: Sporothrix schenckii e Sporothrix brasiliensis, a última correspondendo a cerca de 90% dos casos no país.
  • A infecção ocorre através do contato de ferimentos na pele com o fungo. O contato com o fungo pode ocorrer por meio da manipulação do solo e de materiais em decomposição contaminados. Ocorre também por mordidas ou arranhões de animais doentes.
  • Gatos são os principais vetores de transmissão para seres humanos da esporotricose causada pelo fungo Sporothrix brasiliensis.
  • A forma mais comum da doença se caracteriza por lesões cutâneas, tanto em seres humanos como em outros animais.
  • O tratamento em seres humanos e felinos envolve o uso de medicamentos antifúngicos. A duração depende da gravidade da doença e das condições do paciente.
  • A prevenção inclui o uso de roupas de proteção ao manipular materiais do solo e isolamento de animais doentes, evitando exposição direta ao fungo.
  • O aumento de casos está relacionado ao abandono de gatos, falta de políticas de controle populacional e a degradação ambiental.

O que é esporotricose?

A esporotricose é uma infecção causada por fungos (micose) do gênero Sporothrix, que são encontrados no solo e em materiais em decomposição, como galhos, folhas e madeira, sendo característica de climas tropicais. Essa doença se manifesta quando há contato das partes mais profundas da pele com o fungo, geralmente por meio de um corte. A forma clínica mais comum da esporotricose se caracteriza por múltiplas lesões cutâneas, tanto em seres humanos como em outros animais, sobretudo em gatos.

Até o final da década de 1990, a esporotricose era conhecida como a "doença do jardineiro" ou a "doença da roseira" devido à sua alta incidência em jardineiros, agricultores e pessoas que manipulavam plantas ou solo em ambientes rurais. O principal fungo causador dessa doença, até então, era o Sporothrix schenckii, uma espécie de baixa virulência.

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Qual a relação entre a esporotricose e os gatos?

Nos últimos anos, a doença tornou-se cada vez mais comum no ambiente urbano brasileiro devido à presença da espécie Sporothrix brasiliensis como agente infeccioso, que atualmente responde por 90% dos casos no Brasil. Os gatos são altamente suscetíveis a essa espécie de fungo e, devido a essa característica, seu organismo atua como vetor na transmissão da doença de gato para gato e também do gato para o ser humano, contribuindo para a alta taxa de infectividade.

No Brasil, os casos de esporotricose com essa espécie eram registrados principalmente no Rio de Janeiro e São Paulo. Entretanto, o fungo tem se espalhado para outros estados do país e até mesmo para Argentina e Paraguai devido ao fluxo de animais doentes. Atualmente, a doença é considerada uma zoonose e uma questão de saúde pública em grandes centros urbanos.

Importante: A transmissão da doença por gatos ocorre de forma involuntária, pois eles podem entrar em contato com o fungo Sporothrix brasiliensis durante suas atividades ao ar livre, como caçar ou brincar. Dessa forma, os gatos não têm controle sobre essa transmissão e também são vítimas da doença. Além de cuidar da saúde dos felinos, é importante evitar a propagação de informações falsas a respeito desse assunto, a fim de não contribuir para o aumento injustificado da aversão a esses animais.

Causas e transmissão da esporotricose

A esporotricose ocorre devido à inoculação do fungo através de ferimentos causados por lascas de madeira, solo, materiais em decomposição e espinhos contaminados com o fungo. Além disso, a contaminação em seres humanos pode também ocorrer por meio de mordidas e arranhões de gatos doentes portadores do fungo.

Os gatos também podem adquirir a doença ao entrar em contato com o fungo no solo, bem como de gatos contaminados. É importante destacar que a transmissão do fungo por inalação é rara, bem como a transmissão entre seres humanos e do ser humano para o gato.

A degradação ambiental ao longo dos anos tem contribuído para o aumento da incidência dessa doença. Fatores como o desmatamento, a expansão urbana e a disseminação de lixo têm impactado negativamente os ecossistemas, desequilibrando-os e expondo os animais a novos patógenos. Além disso, o aumento nos casos de esporotricose está diretamente relacionado ao crescente número de gatos abandonados, bem como à falta de políticas eficazes de controle da população desses animais, como a castração e o tratamento adequado dos gatos doentes.

Veja também: Qual a relação entre os impactos ambientais e o surgimento de doenças?

Quais são os sintomas da esporotricose?

O fungo, após a entrada no organismo, possui um período de incubação de uma semana a um mês, podendo chegar até seis meses.

→ Sintomas da esporotricose humana

Lesões da esporotricose na pele do braço.
A esporotricose se manifesta principalmente através de lesões cutâneas.

Em seres humanos, a esporotricose é uma doença benigna que geralmente afeta apenas a pele (cutânea). A lesão inicial se caracteriza por um pequeno nódulo avermelhado, parecido com uma picada de inseto, podendo se espalhar por toda a pele e atingir as mucosas, como os olhos e a boca, em casos mais graves.

A esporotricose também pode ser extracutânea, de modo a afetar os órgãos internos e podendo comprometer diversas regiões do organismo. Quando a esporotricose atinge os pulmões, o paciente pode apresentar falta de ar, dor ao respirar, tosse e febre. Caso a esporotricose afete os ossos e as articulações, ela pode manifestar-se por meio de inchaço e dor ao se movimentar, similar a uma artrite infecciosa.

→ Sintomas da esporotricose em animais domésticos

Em animais domésticos, principalmente felinos, os sintomas mais observados são feridas profundas na pele, geralmente com sangue e/ou pus, que não cicatrizam e podem evoluir. Além disso, o animal também pode apresentar espirros frequentes. Em felinos, as feridas na pele podem se espalhar por todo o corpo e evoluir rapidamente.

Lesões da esporotricose em um gato.
Nos animais, as lesões causadas pela esporotricose são mais profundas.

Esporotricose tem cura?

A esporotricose tem cura e existem tratamentos disponíveis tanto para gatos quanto para seres humanos. Portanto, gatos suspeitos de estarem com esporotricose não devem ser maltratados, abandonados ou sacrificados. É fundamental procurar um médico ou veterinário assim que qualquer lesão for identificada, evitando assim que a doença evolua para uma condição grave e complique o tratamento, além de diminuir o risco de transmissão.

Saiba mais: Outras doenças que afetam animais e seres humanos

Tratamento da esporotricose

→ Tratamento da esporotricose humana

O tratamento da esporotricose em seres humanos geralmente envolve o uso de medicamentos antifúngicos, como o itraconazol. Após a avaliação clínica, o médico será capaz de orientar o paciente em relação à dose e à duração do tratamento, levando em consideração a gravidade da doença e as condições individuais de cada paciente. A doença não é considerada grave, mas pessoas com imunidade baixa devem tomar um cuidado especial e procurar o tratamento adequado o quanto antes.

A duração do tratamento pode variar de três a seis meses, podendo estender-se até um ano, e é fundamental que não seja interrompido durante o processo. Os medicamentos necessários para tratar a esporotricose em seres humanos são disponibilizados gratuitamente por meio da Secretaria de Vigilância em Saúde.

→ Tratamento da esporotricose em animais

Para o tratamento de animais domésticos, também é recomendado o uso de antifúngicos. Assim como nos seres humanos, o gato afetado deve passar por uma avaliação clínica, sendo atendido por um médico veterinário, que será capaz de prescrever a dose correta e a duração do tratamento. A melhora do animal é gradual após o início do tratamento, e geralmente é aconselhável continuá-lo até, pelo menos, dois meses após o desaparecimento das lesões e o retorno do crescimento dos pelos nas áreas afetadas.

Durante esse processo, é importante realizar a limpeza do ambiente em que o animal doente reside para reduzir a presença de fungos, além de manter o animal bem alimentado e isolado de outros animais da casa. A utilização de luvas ao lidar com o animal doente é fundamental para evitar a contaminação.

Importante: A eutanásia é uma opção a ser considerada apenas em casos de animais sem perspectiva de tratamento, ou seja, situações muito graves em que não existem possibilidades de cura, sendo que a decisão deve ser tomada pelo veterinário.

Como prevenir a esporotricose?

Ainda não existe uma vacina disponível para prevenir a esporotricose, embora estudos estejam em andamento. Portanto, a principal medida de prevenção consiste em evitar a exposição direta ao fungo. Recomenda-se o uso de roupas de manga longa e luvas ao manipular materiais provenientes do solo e plantas, além de animais de estimação doentes, a fim de prevenir arranhões, mordidas ou contato com a pele lesionada.

Os animais afetados devem ser isolados dos animais saudáveis, mantidos em casa e submetidos ao tratamento prescrito pelo médico veterinário. Restringir a saída do animal de casa é fundamental para evitar a contaminação por outros animais e, consequentemente, a transmissão da doença para seres humanos e outros animais, perpetuando o ciclo da doença.

Em caso de morte ou eutanásia do animal doente, é necessário que o corpo seja incinerado. Jogar no livro ou em terrenos baldios, ou ainda enterrá-lo, contribui para a contaminação do solo pelo fungo. Em situações de contato com animais de rua suspeitos de estarem com esporotricose, é importante entrar em contato com o Centro de Controle de Zoonoses de sua cidade ou utilizar os canais oficiais disponibilizados pela prefeitura.

Além disso, é importante cobrar políticas públicas que visem à redução do abandono de animais, o controle populacional através da castração dos animais de rua e o tratamento adequado para eles. Políticas que promovam o acesso à informação sobre a doença para a população também podem desempenhar um papel significativo na redução dos casos de esporotricose.

Fontes

Biblioteca Virtual em Saúde. Ministério da Saúde. Esporotricose. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/esporotricose/

Centers of Disease Control and Prevention (CDC). Sporothrix brasiliensis | Fungal Diseases. Disponível em: https://www.cdc.gov/fungal/port/sporotrichosis/brasiliensis.html

Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Esporotricose. In: Portal Fiocruz. Disponível em: https://portal.fiocruz.br/esporotricose

Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Esporotricose: perguntas e respostas. In: Portal Fiocruz. Disponível em: https://portal.fiocruz.br/esporotricose-perguntas-e-respostas

Ministério da Saúde. Esporotricose Humana. Disponível em: < https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/e/esporotricose-humana

Sociedade Brasileira de Dermatologia. ‌Esporotricose. Disponível em: https://www.sbd.org.br/doencas/esporotricose/

VideoSaúde Distribuidora da Fiocruz. 2016. Esporotricose | com Libras. YouTube. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=8aHlZ5X-hJ8

Zhang, Y. et al. 2015. Phylogeography and evolutionary patterns in Sporothrix spanning more than 14 000 human and animal case reports". Mol Phyl Evol Fungi. 35 (1): 1–20. 

Escritor do artigo
Escrito por: Heloísa Fernandes Flores Bacharela, licenciada e mestre em Ciências Biológicas pela Universidade de São Paulo. Atualmente, é doutoranda em Entomologia e cursa uma especialização em Gestão Escolar na mesma instituição. Desenvolve pesquisas com análise de conteúdo de livro didático e evolução de insetos.

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

FLORES, Heloísa Fernandes. "Esporotricose"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/doencas/esporotricose.htm. Acesso em 21 de junho de 2024.

De estudante para estudante


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