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Governo Prudente de Moraes

História do Brasil

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O governo Prudente de Moraes marcou a passagem do poder central das mãos dos militares para os civis. Entretanto, temos ainda em sua administração uma forte presença de militares ligados ao presidente Floriano Peixoto, o que poderia abrir margens para que estes pudessem voltar ao posto presidencial. O primeiro ano do seu governo teria que ainda dar fim à Revolução Federalista, que já havia perdido força no fim do mandato anterior.

Além de dar fim a esse problema interno, o presidente tinha que resolver uma série de questões diplomáticas. As relações diplomáticas com Portugal, rompidas no governo anterior, foram retomadas. A renovação destes laços foi de suma importância para que o governo ainda conseguisse reaver, junto à Inglaterra, o controle territorial da Ilha de Trindade. Além disso, problemas com relação às fronteiras com a Argentina foram sanados com a intermediação política de Grover Ceveland, presidente dos EUA.

A pretensão de retorno dos militares ganhou força após a morte de Floriano Peixoto, ocorrida em junho de 1895. Durante o enterro de Floriano Peixoto, cerca de 30 mil pessoas seguiram o cortejo fúnebre gritando “Viva, Floriano! Morra, Prudente!”. Tempos depois, o afastamento de Prudente de Moraes por motivos de saúde fez com que o vice-presidente Manuel Vitorino, adepto ao florianismo, assumisse a presidência interinamente.

Quando retornou ao seu posto, o presidente ocupou-se em tratar dos assuntos de ordem econômica. Representante dos grandes cafeicultores, Prudente de Moraes não se preocupou em atender os anseios dos grupos políticos que defendiam a instalação de medidas de ordem nacionalista e modernizadora. As altas taxas alfandegárias adotadas durante o ministério de Rui Barbosa foram bruscamente reduzidas, deixando a economia nacional à mercê dos produtos estrangeiros.

A Guerra de Canudos foi outro importante fato desenvolvido durante o governo do nosso primeiro presidente civil. Este conflito se deu contra uma comunidade de pobres sertanejos do interior da Bahia que, insatisfeitos com sua mísera condição de vida, formaram uma comunidade independente do poder das autoridades oficiais ou dos grandes proprietários de terra. O conflito se arrastou durante dois anos e teve que contar com um grande contingente de tropas armadas.

Após o fim dos conflitos, o presidente organizou uma cerimônia de recepção àqueles que lutaram em Canudos. Durante a solenidade, o soldado Marcelino Bispo tentou executar um atentado contra a vida do presidente. Temendo um golpe político militar, Prudente de Moraes declarou Estado de Sítio e promoveu uma intensa perseguição policial contra os que fossem considerados contrários ao seu governo. Esse seria o golpe final contra os defensores de um regime controlado pelos “mantenedores da ordem”.

Os defensores de uma república centralizada sob o controle dos militares, mais conhecidos como florianistas, perderam sua força política depois das sucessivas derrotas durante a Guerra de Canudos e a perseguição promovida pelo presidente. Com isso, a ordem oligárquica finalmente se estabeleceu e os militares voltaram a limitar sua autoridade e ambição ao interior dos quartéis. Com a chegada de Campos Sales à cadeira presidencial, os cafeicultores vislumbraram a vitória do seu projeto de poder.

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Por Rainer Sousa
Graduado em História
Equipe Brasil Escola

Brasil República - História do Brasil - Brasil Escola

Prudente de Moraes, o governo no qual as oligarquias cafeeiras consolidaram-se no poder.
Prudente de Moraes, o governo no qual as oligarquias cafeeiras consolidaram-se no poder.

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

SOUSA, Rainer Gonçalves. "Governo Prudente de Moraes"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/historiab/governo-prudente-morais.htm. Acesso em 20 de outubro de 2019.

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