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Revolução Cultural Chinesa 1966-1976

História Geral

Mao Tsé-tung lançou em 1966 a Revolução Cultural para eliminar seus adversários, mas as ações dos trabalhadores fugiram do controle, sendo necessário reprimi-los militarmente.
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A Revolução Cultural Chinesa surgiu em decorrência das várias contradições sociais pelas quais passava a China depois da Revolução de 1949. O fracasso do Grande Salto para Frente, entre 1958 e 1962, e as divergências entre russos e chineses, expressas no conflito sino-soviético, afetaram a reorientação econômica do país, dando-se primazia à produção agrícola e à produção de bens de consumo.

Mao Tsé-tung foi o grande líder da Revolução Cultural Chinesa, apesar das ações dos trabalhadores terem fugido de seu controle. *
Mao Tsé-tung foi o grande líder da Revolução Cultural Chinesa, apesar das ações dos trabalhadores terem fugido de seu controle. *

Mao Tsé-tung havia sido substituído na presidência da República por Liu Shao-chi (1959-1968) e lançou a Revolução Cultural Chinesa como forma de fortalecer novamente seus objetivos econômicos expressos no Grande Salto para Frente. A própria política do Grande Salto, segundo Lincoln Secco e José Mao Júnior, tinha uma conotação cultural que buscava substituir o cálculo dos burocratas pela inventividade das massas.

Para Mao, a Revolução Cultural era uma revolução dentro da revolução. Os objetivos principais eram eliminar a burocracia não maoísta do interior do Partido Comunista Chinês e dar iniciativa às massas de trabalhadores do campo e da cidade. Com isso, pretendia-se intensificar a produção econômica, estimulando os anseios revolucionários dos trabalhadores chineses para que fosse revertido em aumento de produtividade.

Incentivou ainda a adoção de relações mais igualitárias no interior da sociedade chinesa, levando a situações em que oficiais militares passaram a trabalhar em fábricas e intelectuais eram levados aos campos, com o intuito de reeducá-los contra a ideologia burguesa.

Formaram-se ainda guardas vermelhas e comitês de rebeldes revolucionários que, segundo Wladimir Pomar, passaram a aplicar a democracia direta nas fábricas e locais de habitação, em uma interpretação própria das diretrizes emanadas de Mao, seguindo o princípio de que as massas não deveriam ser tuteladas. As alas mais radicais da Revolução Cultural pretenderam ainda realizar uma profunda reforma educacional, abrindo espaço no ensino, principalmente superior, aos trabalhadores.

Com essas ações das alas radicais, os trabalhadores passaram a ultrapassar os objetivos iniciais pretendidos por Mao Tsé-tung. De acordo com João Bernardo, essas alas radicais passaram a questionar a burocracia como classe social, principalmente o mandarinato. A classe dos mandarins era uma burocracia milenar que havia se modernizado com o capitalismo, transformando-se em uma tecnocracia que geria o Estado chinês. E mesmo com a Revolução Chinesa de 1949, eles permaneceram no poder. Como os trabalhadores já haviam abolido a propriedade privada dos meios de produção material, pretendiam com a Revolução Cultural abolir a propriedade privada dos meios intelectuais de produção.

O resultado dessa ultrapassagem foi o ataque não só dos adversários de Mao como também dos gestores das empresas, sendo que os trabalhadores passaram a denunciar ainda as condições de salários e trabalho a que estavam sujeitos. E como aprofundamento do controle coletivo sobre a vida social e produtiva, a ala radical dos trabalhadores propôs a transformação da China em uma federação de comunas, em que seus dirigentes seriam livremente eleitos e poderiam ser substituídos a qualquer momento pelos membros das comunas.

À beira de uma guerra civil, a situação havia fugido dos objetivos propostos por Mao Tsé-tung. Trabalhadores interrompiam a produção para debater as situações políticas e de trabalho, além de atacarem os membros do partido, que consideravam como seus novos exploradores. Frente a isso, Mao decidiu pela militarização da Revolução Cultural, com um rígido controle social. O resultado foi o enquadramento militar de milhões de jovens, que adotavam o Livro Vermelho de Mao como cartilha.

Com a morte de Mao Tsé-tung, em 1976, e a subida de Deng Xiaoping ao poder, a Revolução Cultural chinesa teve fim.

* Crédito da Imagem: wen mingming e Shutterstock.com


Por Tales Pinto
Graduado em História

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PINTO, Tales dos Santos. "Revolução Cultural Chinesa 1966-1976"; Brasil Escola. Disponível em <http://brasilescola.uol.com.br/historiag/revolucao-cultural-chinesa-1966-1976.htm>. Acesso em 21 de agosto de 2017.

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