O que foi a República da Espada?

A República da Espada foi o período da República brasileira em que o país foi governado por dois presidentes militares. Isso ocorreu entre os anos de 1889 e 1894.

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A República da Espada foi o período inicial da Primeira República brasileira e foi caracterizada por dois governos militares e pelo predomínio dos interesses militares na política brasileira. Os dois governos do período foram os do marechal Deodoro da Fonseca e o do marechal Floriano Peixoto. Esse período se estendeu de 1889, com a Proclamação da República, até 1894, quando Prudente de Morais assumiu a presidência do Brasil.

Grandes mudanças começaram a acontecer no Brasil a partir desse período, que, naturalmente, estavam associadas à alteração de regime político enfrentada. A promulgação de uma nova Constituição iniciou esse processo de transformações políticas. A República da Espada também foi um período de tensão e crise tanto econômica quanto política.

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Leia também: Linha do tempo do Brasil República

Tópicos deste artigo

Resumo sobre a República da Espada

  • A República da Espada foi uma fase do período conhecido como Primeira República.

  • Ocorreu de 1889 a 1894, sendo caracterizada pelo predomínio dos interesses militares na política.

  • Os dois presidentes do período foram o Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto.

  • Esse período se iniciou com a Proclamação da República e foi marcado pelo autoritarismo dos presidentes e pela instabilidade política e econômica.

  • Encerrou-se com a eleição do primeiro presidente civil, Prudente de Morais.

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O que foi a República da Espada?

Mapa mental com resumo sobre a República da Espada. [Créditos: Isa Galvão | Brasil Escola]
Mapa mental com resumo sobre a República da Espada. [Créditos: Isa Galvão | Brasil Escola]

A República da Espada foi um período da história brasileira que se estendeu de 1889 a 1894 e no qual o Brasil foi governo por militares. Esse período foi iniciado logo após a Proclamação da República e foi marcado por grande instabilidade política, uma vez que a disputa política após o estabelecimento do novo regime foi grande, e também por grande instabilidade social, com algumas revoltas sociais ocorrendo no período.

Os presidentes desse período foram os marechais Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto, sendo ambos bastante autoritários e intervindo na atuação do Legislativo para impor as suas vontades. Essa pequena fase se encerrou quando foi eleito o primeiro presidente civil do Brasil — Prudente de Morais —, lançando as bases para que as oligarquias se consolidassem no domínio político brasileiro.

Antecedentes históricos da República da Espada

A República da Espada se iniciou em 1889, ano que ficou marcado na história brasileira pela Proclamação da República, acontecimento no qual a monarquia foi derrubada e a república foi instaurada. Os historiadores apontam que essa mudança se deu por meio de um golpe e foi resultado do enfraquecimento da monarquia no Brasil.

A partir da década de 1870, a monarquia entrou em decadência no Brasil, sendo que esse enfraquecimento foi intensificado pela insatisfação dos militares com esse regime. Os militares queriam maior valorização após a Guerra do Paraguai e foram fortemente influenciados pelos ideais positivistas.

A monarquia, por outro lado, não conseguia mais agradar à sociedade brasileira, não apenas aos militares. Houve um relativo afastamento entre a monarquia e a Igreja Católica, a elite cafeicultora também estava insatisfeita com a monarquia e havia uma demanda na sociedade civil por mais representatividade política, o que a monarquia não oferecia.

Dessa insatisfação nasceu uma conspiração conduzida pelos militares, mas que contou com a participação de elementos da sociedade civil. Essa conspiração resultou em um golpe realizado no dia 15 de novembro de 1889 e o resultado desse golpe foi a proclamação da república no final do dia pelo vereador José do Patrocínio.

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Com isso, foi formado um governo provisório que organizaria o país nesse momento de transição. A família real foi expulsa do Brasil e o marechal Deodoro da Fonseca foi convidado a assumir provisoriamente a presidência da República enquanto o novo regime lançava as suas bases. A República da Espada teve seu ponto de partida aqui.

Posse de Deodoro da Fonseca, o primeiro presidente do Brasil no período chamado de República da Espada.
Posse de Deodoro da Fonseca, o primeiro presidente do Brasil no período chamado de República da Espada.

Principais características da República da Espada

  • Adoção do presidencialismo e do federalismo

  • Mudanças no sistema eleitoral brasileiro

  • Adoção do laicismo como base para o Estado brasileiro

  • Instabilidade política

  • Disputa política entre deodoristas e florianistas

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  • Autoritarismo do Estado e domínio dos militares na política

  • Instabilidade social e econômica

República da Espada x República Oligárquica

Cronologicamente falando, a República da Espada e a República Oligárquica são duas fases distintas da Primeira República, que se estendeu de 1889 a 1930. A primeira se estendeu de 1889 a 1894, e a segunda, de 1894 a 1930. O que difere as duas fases são as origens dos presidentes eleitos e nas mãos de quem estava o predomínio da política.

A República da Espada é o período em que a política brasileira esteve nas mãos dos militares, sendo o país governado por presidentes que exerceram o seu poder de maneira autoritária, inclusive entrando em choque com o Legislativo e opositores. Houve muita disputa de poder nesse período entre os dois núcleos militares: deodoristas e florianistas.

A República Oligárquica, por sua vez, ficou marcada pelo predomínio das oligarquias na política brasileira e teve maioria de presidentes civis ligados a essas oligarquias. Durante essa fase, as oligarquias, sobretudo a partir do governo de Campos Sales, estabeleceram uma série de arranjos políticos para se sustentar no poder e garantir a defesa dos seus interesses.

Leia também: Revolta da Armada — levante que ocorreu durante a República da Espada

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Avanços importantes durante a República da Espada

A República da Espada foi um período consideravelmente instável política, econômica e socialmente, além de ter sido um período autoritário com os presidentes do período perseguindo opositores. Entretanto, alguns avanços aconteceram no sentido da organização institucional do país, com destaque para:

  • laicização do Estado e a separação entre Estado e Igreja;

  • ampliação do direito de voto com o sufrágio universal masculino;

  • estabelecimento de uma nova Constituição, que foi promulgada em 1891;

  • exclusão do Poder Moderador e consolidação da divisão em Três Poderes;

  • Adoção do federalismo e garantia de autonomia aos estados da Federação.

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Principais acontecimentos da República da Espada

Após a Proclamação da República, o marechal Deodoro da Fonseca foi escolhido para ser o presidente do Brasil em caráter provisório. O governo de Deodoro da Fonseca estendeu-se durante dois anos, isto é, de 1889 a 1891. O grande acontecimento do governo de Deodoro da Fonseca foi a promulgação da Constituição de 1891.

A partir de 1890, políticos liberais do Brasil passaram a pressionar o governo para que uma Constituinte fosse convocada, a qual redigiria uma nova Constituição para o Brasil. Após a convocação dessa nova Constituinte, cinco pessoas foram escolhidas para formar uma comissão e redigir a nova Constituição.

Essa Constituição foi revisada por Rui Barbosa e levada para apreciação dos parlamentares brasileiros, sendo promulgada em fevereiro de 1891. A Constituição de 1891 trouxe mudanças sensíveis para o Brasil. Os principais pontos eram:

  • republicanismo: naturalmente, adotava-se o republicanismo como sistema de governo;

  • federalismo: foi adotado o federalismo como sistema político, o qual aumentava o grau de autonomia dos Estados em relação à União, permitindo-lhes possuir força policial própria, realizar cobrança de impostos etc.;

  • presidencialismo: foi determinado que o presidente seria a autoridade máxima do país e seria escolhido a partir de eleições diretas para um mandato de quatro anos;

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  • separação entre Estado e Igreja: o Estado e a Igreja foram separados e, com isso, foram criados registros civis para nascimentos, casamentos e mortes;

  • sistema eleitoral: foi instituído o sufrágio universal masculino, com algumas exceções: menores de 21 anos, analfabetos, soldados rasos e mendigos não poderiam votar. O entendimento da lei na época não estendia o direito de voto às mulheres.

A Constituição de 1891 representou um grande ponto de ruptura com o passado monárquico do país. Além de todos os pontos citados, essa ruptura se evidenciou a partir do fim de algumas instituições típicas da monarquia: senado vitalício, Poder Moderador etc. Claro que, mesmo com as mudanças, é inegável afirmar que ainda assim houve certa continuidade em algumas tradições monárquicas.

Após a promulgação da Constituição de 1891, foram realizadas eleições indiretas, que determinaram a confirmação de Deodoro da Fonseca para o cargo de presidente. Deodoro da Fonseca derrotou o civil e paulista Prudente de Morais com 129 votos contra 97. Durante as eleições, o marechal Floriano Peixoto foi eleito vice-presidente do Brasil.

O governo de Deodoro da Fonseca, no entanto, foi marcado pelo seu autoritarismo e pelas tentativas de procurar reforçar o seu poder. O autoritarismo de Deodoro da Fonseca resultou no fechamento do Congresso em 3 de novembro de 1891. A reação foi imediata, e grupos da oposição mais um levante da Marinha (conhecido como Primeira Revolta da Armada) forçaram Deodoro a renunciar ao cargo de presidente em 23 de novembro de 1891.

Depois da renúncia de Deodoro da Fonseca, a Constituição brasileira estipulava que novas eleições deveriam ser convocadas para determinar um novo presidente, uma vez que os dois anos do mandato presidencial não haviam sido finalizados. No entanto, a oligarquia paulista deu suporte para Floriano Peixoto e sustentou-o no poder, assim ele se tornou presidente do Brasil.

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A posse de Floriano Peixoto aconteceu como uma troca de favores entre as duas partes. A oligarquia paulista entendia que a posse de Floriano traria maior estabilidade política para o Brasil, e Floriano sabia que só conseguiria assumir o poder caso tivesse o apoio dos paulistas. Essa medida, no entanto, desagradou a muitos na política brasileira.

O governo de Floriano Peixoto foi marcado por disputas políticas intensas. Ele teve que lidar com dois conflitos: a Revolução Federalista e a Revolta da Armada (ou Segunda Revolta da Armada). A primeira foi uma disputa política entre duas forças do Rio Grande do Sul que alcançou ares de guerra civil e estendeu-se de 1893 a 1895.

Já a Revolta da Armada aconteceu entre 1893 e 1894 e manifestou a insatisfação da Marinha brasileira com o governo de Floriano Peixoto. A Marinha possuía, em grande parte, oficiais monarquistas, e a sua insatisfação com o governo de Floriano fez com que se rebelassem contra o governo e exigissem novas eleições presidenciais. A repressão a ambos os casos foi violenta, por isso Floriano Peixoto recebeu o apelido de “Marechal de Ferro”.

  • Economia

O Brasil, além de toda a tensão política, caracterizada pela mudança de regime e pela disputa dos atores políticos pelo poder, foi marcado também por uma forte crise econômica. Essa crise ficou conhecida como Encilhamento e se iniciou ainda durante o governo de Deodoro da Fonseca, em 1891.

O Encilhamento foi resultado da política econômica colocada em prática pelo ministro da Fazenda, Rui Barbosa, que permitiu a emissão de papel-moeda por bancos privados e facilitou as condições de acesso ao crédito. O resultado não poderia ter sido mais desastroso: a especulação financeira aumentou, empresas foram à falência em massa, o custo de vida aumentou e a moeda desvalorizou-se.

O Encilhamento afetou a economia do Brasil durante grande parte da década de 1890 e teve seus efeitos amenizados somente a partir de 1897, durante o governo de Prudente de Morais. Além disso, o Encilhamento também foi entendido pelos historiadores como reflexo da crise que o capitalismo enfrentava desde 1873.

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Consequências da República da Espada

A República da Espada teve como consequências:

  • crise econômica acentuada;

  • instabilidade política;

  • consolidação institucional da república;

  • autoritarismo político, etc.

Leia também: Revoltas que ocorreram durante a Primeira República

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Exercícios sobre a República da Espada

Questão 01

Os dois presidentes do período da República da Espada foram:

a) Prudente de Morais e Campos Sales.

b) Júlio Prestes e Getúlio Vargas.

c) Rui Barbosa e Benjamin Constant.

d) Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto.

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e) Rodrigues Alves e Afonso Pena.

Resposta: Letra D.

Deodoro da Fonseca (1889-1891) e Floriano Peixoto (1891-1894) foram os dois presidentes da República da Espada. Os dois governos foram exercidos por militares e marcados pelo autoritarismo.

Questão 02

O primeiro presidente civil do Brasil foi:

a) Prudente de Morais.

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b) Campos Sales.

c) Rodrigues Alves.

d) Afonso Pena.

e) Nilo Peçanha.

Resposta: Letra A.

Conhecido por ser representante dos cafeicultores paulistas, Prudente de Morais foi o primeiro presidente civil do Brasil. Durante o seu governo, ocorreu a Guerra de Canudos e sua presidência ficou marcada pelo atentado contra a vida do presidente. Ele sobreviveu e transmitiu o poder para Campos Sales.

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Fontes

BACHA, Edmar; CARVALHO, J. M. de; FALCÃO, Joaquim; TRINDADE, Marcelo; MALAN, Pedro e SCHWARTZMAN, Simon (orgs.). 130 anos: em busca da república. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2019.

FAUSTO, Boris. História concisa do Brasil. São Paulo: Edusp, 2018

FERREIRA, Jorge e DELGADO, Lucília de Almeida Neves (orgs.). O tempo do liberalismo oligárquico: da Proclamação da República à Revolução de 1930. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2018.

LESSA, Renato. A invenção republicana: Campos Sales, as bases e a decadência da Primeira República Brasileira. Rio de Janeiro: Topbooks, 2015.

SCHWARCZ, Lilia Moritz e STARLING, Heloísa Murgel. Brasil: Uma Biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.

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SCHWARCZ, Lília M. e STARLING, Heloísa M (orgs.). Dicionário da República: 51 textos críticos. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.

Imagem apresentando o conceito de República da Espada.
Imagem apresentando o conceito de República da Espada.
Escritor do artigo
Escrito por: Daniel Neves Silva Formado em História pela Universidade Estadual de Goiás (UEG) e especialista em História e Narrativas Audiovisuais pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Atua como professor de História desde 2010.
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SILVA, Daniel Neves. "O que foi a República da Espada?"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/o-que-e/historia/o-que-foi-republica-espada.htm. Acesso em 23 de março de 2026.
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