Revolução Federalista

História do Brasil

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A Revolução Federalista aconteceu no Sul do Brasil, entre os anos de 1893 e 1895, e demonstrou a insatisfação dos republicanos quanto aos rumos tomados pelos primeiros presidentes da república brasileira. Havia uma divisão entre os republicanos: uma ala defendia a descentralização do poder, com maior participação dos estados, enquanto outra ala considerava necessário o presidente ter mais poderes para consolidar-se a república no Brasil. Ao mesmo tempo, havia o embate entre militares do Exército e da Marinha a respeito das suas participações no governo federal.

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A Revolução Federalista foi um conflito envolvendo federalistas e republicanos ocorrido no Rio Grande do Sul, entre 1893 e 1895. [1]
A Revolução Federalista foi um conflito envolvendo federalistas e republicanos ocorrido no Rio Grande do Sul, entre 1893 e 1895. [1]

Causas da Revolução Federalista

A Revolução Federalista expôs os conflitos envolvendo os diversos grupos que pensavam caminhos opostos para a república nascente no Brasil. Desde 1889, ano da proclamação da república, que se discutia a respeito da centralização do poder no Executivo federal ou na autonomia dos estados. Os governos Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto, ambos militares, defendiam maiores poderes para o presidente da república, no intuito de consolidar-se o movimento que depôs a monarquia, evitando qualquer reação de grupos contrários.

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O confronto entre esses grupos ultrapassou as discussões de ideias e concretizou-se fisicamente. Entre militares havia divisões. A Marinha rebelou-se, exigindo maior participação no governo. O autoritarismo dos primeiros presidentes provocou reações armadas, como aconteceu no Rio Grande do Sul. A nomeação de Júlio Castilhos para o governo gaúcho era uma forma de Floriano Peixoto impor sua força no Sul do país. Os federalistas, que desejavam mais participação dos estados e a formação de um parlamentarismo, não aceitaram as ordens vindas do Rio de Janeiro e pegaram em armas como forma de reação.

Líderes da Revolução Federalista

Júlio de Castilhos, líder dos republicanos, ou chimangos, que participou da Revolução Federalista.
Júlio de Castilhos, líder dos republicanos, ou chimangos, que participou da Revolução Federalista.

A Revolução Federalista colocou em campos opostos dois grupos que desejavam caminhos diferentes para a nascente república brasileira. Júlio de Castilhos foi o líder dos republicanos, também chamados de chimangos, e defendia um Executivo forte, ou seja, que o presidente da república tivesse amplos poderes para consolidar-se a república. Castilhos era aliado de Floriano Peixoto, segundo presidente do Brasil.

O outro grupo era federalista, também chamado de maragatos, e tinha Gaspar Silveira Martins como líder. Esse grupo defendia a descentralização do poder e a implantação do parlamentarismo, nos moldes do Segundo Reinado. Essa era uma forma de evitar a concentração de poderes nas mãos do presidente e a formação de governos autoritários, como os dos primeiros republicanos: Deodoro da Fonseca (1889-1891) e Floriano Peixoto (1891-1894).

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Como foi o conflito?

Júlio Castilhos foi nomeado presidente do estado do Rio Grande do Sul em 1892. Era aliado do presidente Floriano Peixoto e defensor da tese de que, naqueles primeiros anos da república, era preciso que o Executivo tivesse amplos poderes para governar. A escolha de Castilhos desagradou aos federalistas, que não tardaram a rebelar-se contra a indicação do novo governante gaúcho. Foram inúmeras as batalhas entre os dois grupos. Os maragatos venceram algumas batalhas, como as de Lagoa Branca e Restinga da Jarraca.

Essas derrotas fizeram com que Castilho pedisse ajuda a Floriano Peixoto, que prontamente enviou tropas do Exército, também chamadas de tropas legalistas, para o combate. Além dessa ajuda do governo federal, Castilhos criou a brigada militar estadual, com o objetivo inicial de derrotar os federalistas. Mesmo com toda a força militar nas mãos do governo gaúcho, os federalistas conseguiram impor algumas derrotas aos republicanos.

Se o governo gaúcho reforçou suas tropas, os federalistas não ficaram atrás. A Marinha, que, em 1893, organizou a Revolta da Armada, apoiou os federalistas, principalmente após a invasão de Santa Catarina e do Paraná. Percebendo a perda de soldados e as consequências caso continuassem a batalha, os federalistas recuaram e mantiveram a luta em terras gaúchas.

A Revolução Federalista ficou marcada pela crueldade. Ambos os lados em disputa degolaram seus prisioneiros. Essa era uma forma de humilhar o adversário e de poupar munição para o ataque contra o inimigo.

Como terminou a Revolução Federalista?

Mesmo após o término do governo Floriano Peixoto, a guerra continuou. Prudente de Moraes, o primeiro presidente civil da nossa história, assumiu o poder em 1894 e, no ano seguinte, celebrou um acordo entre os grupos conflitantes, terminando assim a Revolução Federalista. Júlio de Castilhos manteve-se no poder gaúcho, e os revoltosos foram anistiados.

Consequências da Revolução Federalista

A república consolidou-se no governo Floriano Peixoto. As forças opositoras que questionavam o autoritarismo do Executivo ou buscavam restaurar o modelo monárquico foram duramente banidas.

O Exército reformou sua presença na república ao participar ativamente das rebeliões contra o governo federal. Mesmo não estando na presidência, os militares não se afastaram da política. Movimentos iniciados nos quartéis contra o poder civil começam a ser organizados no começo do século XX.

Resumo sobre a Revolução Federalista

  • A Revolução Federalista foi um conflito ocorrido no Sul do país entre republicanos e federalistas.
  • Os federalistas começaram a revolução ao resistirem à nomeação de Júlio Castilhos como presidente do estado do Rio Grande do Sul.
  • Aliança entre federalistas e a Revolta da Armada.
  • Castilhos contou com o apoio militar do governo Floriano Peixoto.
  • A revolução terminou em 1895, quando o presidente Prudente de Morais selou um acordo entre as duas partes.

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Exercícios resolvidos

Questão 1 – Assinale a alternativa que corretamente contém os grupos que participaram da Revolução Federalista:

A) Florianistas e sertanistas

B) Federalistas e republicanos

C) Farrapos e sabinos

D) Federalistas e sertanejos

Resolução

Alternativa B. A Revolução Federalista foi o conflito entre federalistas, contrários ao autoritarismo do governo federal e defensores do parlamentarismo tal qual no período monárquico, e republicanos, favoráveis à concentração de poderes nas mãos do presidente para consolidar-se a república no Brasil.

Questão 2 – A Revolução Federalista foi um conflito ocorrido no Rio de Janeiro e mostrou o embate entre diversos grupos nos primeiros anos da república no Brasil. Sobre esse fato histórico, assinale a alternativa que corretamente aponta o desfecho desse conflito:

A) Júlio Castilhos foi deposto, e o Rio Grande do Sul separou-se do Brasil.

B) Floriano Peixoto transferiu o governo para o Sul, no intuito de ajudar Castilhos no combate aos federalistas.

C) O conflito terminou em 1895, quando o presidente Prudente de Morais celebrou um acordo entre as duas partes.

D) Uruguai e Argentina enviaram tropas para apoiar Júlio de Castilhos no combate aos federalistas.

Resolução

Alternativa C. O desfecho da Revolução Federalista foi o acordo celebrado no governo Prudente de Morais entre as duas partes. Júlio Castilhos manteve-se no poder gaúcho, e os federalistas foram anistiados.

Crédito da imagem

[1] Jacinto arq / Commons

 

Por Carlos César Higa
Professor de História

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

HIGA, Carlos César. "Revolução Federalista"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/historiab/revolucao-federalista.htm. Acesso em 28 de novembro de 2020.

Lista de Exercícios
Questão 1

Um dos motivos principais de a Revolução Federalista ter estourado no Rio Grande do Sul, na década de 1890, foi o fato de:

a) no Rio Grande Sul ter ocorrido uma tentativa de incorporação do Uruguai à força e à revelia da presidência.

b) no Rio Grande Sul haver um forte núcleo de monarquistas ferrenhos seguidores de Antônio Conselheiro.

c) o então governador ser o populista Getúlio Vargas.

d) o então governador ser o positivista republicano Júlio de Castilhos.

e) o então governador ser o progressista Lionel Brizola.

Questão 2

(UEM) "A Proclamação da República não trouxe ao país um período de paz. Havia muita agitação e discordância dentro do próprio Partido Republicano. O motivo do grande descontentamento era o próprio Marechal Deodoro, que governava de modo muito semelhante ao de um Imperador. Depois de dois anos de governo, Deodoro da Fonseca acabou renunciando, isto é, abandonando a presidência; em seu lugar, assumiu o vice-presidente, Marechal Floriano Peixoto. O governo de Floriano Peixoto também foi um período agitado." (EITEL, L. S. Conhecendo o Paraná. São Paulo: Ática, 1992).

Foi durante o Governo de Floriano Peixoto que ocorreu a Revolução Federalista. Sobre esse assunto, assinale a(s) alternativa(s) correta(s).

01) Os federalistas invocavam o espírito da Federação e exigiam mais energia por parte do Governo central e, consequentemente, que ele tirasse a autonomia dos Estados.

02) A Revolução Federalista objetivava a realização de uma revolução socialista que suprimisse a propriedade privada dos meios de produção.

04) Os federalistas queriam que o presidente Floriano Peixoto governasse de uma forma menos centralizadora, dando mais autonomia aos Estados.

08) A Revolução Federalista teve, também, como palco as cidades paranaenses de Lapa e Curitiba. 16) Os líderes da Revolução Federalista almejavam depor o governo de Floriano Peixoto e reimplantar a monarquia constitucional no Brasil.

A somatória das proposições corretas dá:

a) 03

b) 17

c) 20

d) 16

e) 12

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