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Revolta da Vacina

História do Brasil

A Revolta da Vacina foi um dos principais levantes populares que ocorreram na cidade do Rio de Janeiro, na época da República Velha.
O médico sanitarista Oswaldo Cruz foi um dos responsáveis pela campanha de vacinação obrigatória *
O médico sanitarista Oswaldo Cruz foi um dos responsáveis pela campanha de vacinação obrigatória *
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O processo de institucionalização da República no Brasil, a partir do ano de 1889, foi marcado por uma série de momentos conturbados. Um dos exemplos mais notáveis foi o da Guerra de Canudos, que aconteceu no sertão baiano sob o governo de Prudente de Moares. Mas as revoltas de viés urbano, sobretudo aquelas que ocorreram na cidade do Rio de Janeiro, então capital do país, evidenciaram o quanto o regime republicano ainda era frágil, permeado por controvérsias e confrontos tanto no plano das ideias quanto no plano político e social. O episódio da Revolta da Vacina, em 1904, foi um sintoma desses problemas.

A Revolta da Vacina está inserida nas Revoltas Populares da República Oligárquica (1894-1930), das quais também fazem parte a Revolta da Chibata e a Revolta de Juazeiro, e consistiu em um levante popular contra a campanha de vacinação pública, tendo durado de 10 a 16 de novembro de 1904. A campanha de vacinação foi pensada e articulada pelo médico sanitarista Oswaldo Cruz e tinha como alvo a varíola. Ao contrário de outras doenças que acometiam a população do Rio de Janeiro e de outras cidades brasileiras, como a febre amarela, a varíola não pôde ser erradicada por métodos higienistas, como a limpeza e a reforma urbana, o cuidado com a ingestão de alimentos e o extermínio de agentes transmissores, como os mosquitos.

A solução proposta por Cruz e pelos políticos que o apoiavam, como o prefeito do Rio, Pereira Passos, o presidente da república, Rodrigues Alves, e o senador da república, Manuel Duarte, era a vacinação obrigatória. No ano anterior, 1903, Pereira Passos já havia aplicado à capital federal uma reforma urbana de proporções grandiosas, em grande parte guiada por preceitos sanitaristas e higienistas, que gerou enorme tensão social, haja vista que muitos casebres instalados no centro da cidade tiveram que ser destruídos e seus moradores tiveram que evacuar para os morros adjacentes da cidade.

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Em 1904, Manuel Duarte apresentou um projeto de lei para tornar obrigatória a vacina contra a varíola (medida que já vigorava em outros países, como a Alemanha). Alguns dos principais jornais da época, como o Gazeta de Notícias e o Jornal do Comércio, estavam a favor da medida, enquanto o Correio da Manhã, que se opunha ao governo de Rodrigues Alves, mostrava-se ferrenhamente crítico à proposta. 

A discussão sobre a vacinação repercutiu em vários campos da sociedade. Até mesmo intelectuais ligados às Igrejas Positivistas, como Raimundo Teixeira Mendes, envolveram-se nessas discussões. Teixeira Mendes publicou, em 1908, cinco ferrenhos artigos no Jornal do Comércio intitulados: “A política republicana e a tirania vacinista”, “Ainda a vacinação obrigatória”, “Em defesa da sociedade, e especialmente em defesa do culto aos mortos, contra o despotismo sanitário”. Todos se apoiavam nas pesquisas do bacteriologista francês Antoine Béchamp, professor de química e farmácia.

As teorias de Béchamp versavam sobre microbiologia e agentes causadores de doenças, entretanto, a ciência da época não endossou as pesquisas desse cientista, preferindo as de Pasteur, o famoso higienista do qual Oswaldo Cruz era, em dada medida, discípulo. Muitos daqueles que eram contrários à vacinação também a criticavam argumentando que muitos dos vacinados faleceram após as injeções dos profiláticos.

Apesar dos levantes populares, a campanha prosseguiu nos anos posteriores e o discurso da medicina sanitarista afirmou-se nas outras décadas também.

*Créditos da Imagem: Shutterstock e Georgios Kollidas


Por Me. Cláudio Fernandes

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

FERNANDES, Cláudio. "Revolta da Vacina"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/historiab/revolta-vacina.htm. Acesso em 20 de agosto de 2019.

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Lista de Exercícios
Questão 1

(Cesgranrio) O governo Rodrigues Alves (1902-1906) foi responsável pelos processos de modernização e urbanização da Capital Federal - Rio de Janeiro. Coube ao prefeito Pereira Passos a urbanização da cidade e ao Dr. Oswaldo Cruz o saneamento, visando a combater principalmente a febre amarela, a peste bubônica e a varíola. Essa política de urbanização e saneamento público, apesar de necessária e modernizante, encontrou forte oposição junto à população pobre da cidade e à opinião pública porque:

a) mudava o perfil da cidade e acabava com os altos índices de mortalidade infantil entre a população pobre.

b) transformava o centro da cidade em área exclusivamente comercial e financeira e acabava com os infectos quiosques.

c) desabrigava milhares de famílias, em virtude da desapropriação de suas residências, e obrigava a vacinação antivariólica.

d) provocava o surgimento de novos bairros que receberiam, desde o início, energia elétrica e saneamento básico.

e) implantava uma política habitacional e de saúde para as novas áreas de expansão urbana, em harmonia com o programa de ampliação dos transportes coletivos.

Questão 2

Oswaldo Cruz, médico sanitarista e especialista em micro-organismos, foi um dos principais defensores e articuladores da campanha pela vacinação obrigatória no governo Rodrigues Alves. Quais ideias científicas guiavam o pensamento do Cruz?

a) positivismo, cujo criador foi August Comte.

b) higienismo, cujo principal difundidor foi Louis Pasteur.

c) sociologismo, defendido por Émile Durkheim.

d) fascismo, criado por Benito Mussolini.

e) pragmatismo, desenvolvido nos Estados Unidos por William James.

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