A função fática é uma das seis funções da linguagem estabelecidas pelo linguista Roman Jakobson. Essa função da linguagem está focada no canal de comunicação. Além da função fática, há a função referencial ou denotativa, a função emotiva ou expressiva, a função conativa ou apelativa, a função poética e a função metalinguística.
Leia também: Função metalinguística — a função da linguagem que está focada no próprio código de comunicação
Tópicos deste artigo
- 1 - Resumo sobre função fática
- 2 - Videoaula sobre a função fática
- 3 - O que é função fática?
- 4 - Quais são as características da função fática?
- 5 - Exemplos de função fática
- 6 - Quais são as funções da linguagem?
- 7 - Exercícios resolvidos sobre função fática
Resumo sobre função fática
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A função fática é uma das seis funções da linguagem, segundo o linguista Roman Jakobson.
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Essa função está focada no canal de comunicação.
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Seu objetivo é testar se a comunicação está ocorrendo.
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Pode ser percebida pelo uso de expressões que chamam a atenção do interlocutor, de vocativos e de perguntas breves para testar a interação.
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As seis funções da linguagem são: fática, referencial ou denotativa, emotiva ou expressiva, conativa ou expressiva, metalinguística e poética.
Videoaula sobre a função fática
O que é função fática?
A função fática é a função da linguagem cujo foco recai no próprio canal de comunicação. Isso é feito para testar a própria comunicação e verificar se o canal está funcionando. A função fática busca estabelecer, manter ou encerrar o diálogo entre emissor e receptor. Exemplo: “Alô?”.
Quais são as características da função fática?
A função fática pode ser reconhecida por enfatizar o próprio canal de comunicação. A mensagem não tem como foco o conteúdo em si, e sim a verificação do contato entre emissor e receptor. Assim, comentários sobre o próprio canal de comunicação são frequentes nessa função. Ex.: “Não consigo te ouvir, acho que minha conexão está lenta…”
Essa função também é usada para iniciar, manter ou encerrar um diálogo, com expressões típicas desse objetivo. Ex.: “Alô?”, “Está entendendo?”, “Tchau, tchau!”.
A função fática também é usada para verificar se o interlocutor está atento, focando mais a interação do que o conteúdo, por meio de expressões de interação social. Ex.: “Né?”, “Hein?”, “Escuta...”.
Exemplos de função fática
A seguir, vejamos alguns exemplos dessa função da linguagem.
→ Exemplo de função fática em frases

No dia a dia, usamos bastante a função fática para testar nossos canais de comunicação:
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“Está me ouvindo?” (pergunta para confirmar se o receptor está recebendo a mensagem.)
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“Hein? Pode repetir?” (pergunta para mostrar que houve uma falha de comunicação.)
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“Certo... Entendi...” (sinalização de que se está acompanhando e confirmando a fala.)
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“Depois nos falamos. Até mais!” (usada para encerrar o contato)
→ Exemplo de função fática em publicidade
A publicidade é um gênero que, em geral, usa muito a função conativa, focando o destinatário. Porém, muitas delas usam mais de uma função de linguagem para criar seus textos. Observe o texto a seguir, que tem, também, características da função fática:

Nesse caso, o trecho “Alô, cidadão!” busca estabelecer contato com o leitor da peça publicitária, usando a expressão “alô” e o vocativo “cidadão” para testar a comunicação: “Alô, cidadão!”
→ Exemplo de função fática em música
Gilberto Gil, em sua canção “Aquele abraço”, faz saudações para estabelecer contato com diferentes interlocutores. Veja:

Nesses versos, as expressões “alô, alô...” servem para chamar a atenção do interlocutor, iniciando contato com ele, característica da função fática.
→ Exemplos de função fática na literatura
Nesse trecho de O auto da compadecida, de Ariano Suassuna, o personagem João Grilo inicia sua fala ao personagem Chicó por meio da função fática, para chamar-lhe a atenção:

Quais são as funções da linguagem?

As funções da linguagem são os diferentes modos de uso da língua a partir do objetivo da comunicação, segundo o linguista Roman Jakobson. Cada função tem foco em um diferente elemento da comunicação, em busca de um objetivo específico relacionado a ela. As funções da linguagem são:
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Função referencial ou denotativa: foco no contexto, para transmitir informações de maneira objetiva.
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Função emotiva ou expressiva: foco no emissor, para expressar as próprias emoções e impressões.
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Função conativa ou apelativa: foco no receptor, para convencer ou influenciar um comportamento nele.
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Função metalinguística: foco no código, para explicar ou comentar sobre o próprio código usado na comunicação.
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Função poética: foco na mensagem, para construir o discurso considerando a forma da mensagem como um elemento essencial para despertar emoções e reflexões.
Para saber mais sobre as funções da linguagem, clique aqui.
Exercícios resolvidos sobre função fática
Questão 1
(FGV – Adaptada) Assinale a frase abaixo em que predomina a função fática, a função de linguagem que centraliza seu interesse no contato social.
A) Cocota é o nome que dão, em Minas, às maritacas
B) Três pessoas ficaram feridas com a colisão.
C) Estou com uma terrível dor de dentes.
D) Bom dia, amigos, como vão?
Resolução:
Alternativa D.
Nela, há expressão que testa a comunicação, indicando o início do contato (“Bom dia, amigos”).
Questão 2
(Cespe/Cebraspe)
No que se refere às ideias e aos aspectos linguísticos do texto precedente, julgue o item a seguir:
No terceiro período do texto, predomina a função fática da linguagem, dada a finalidade comunicativa do texto.
( ) Certo
( ) Errado
Resolução:
Errado.
Não há, no texto, expressões para testar o canal de comunicação. Em vez disso, predomina a função conativa, que é centrada no interlocutor.
Fontes
AZEREDO, José Carlos de. Gramática Houaiss da Língua Portuguesa. São Paulo: Parábola, 2021.
BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. 38ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2015.
CEGALLA, Domingos Paschoal. Novíssima Gramática da Língua Portuguesa. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2020.
CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova Gramática do Português Contemporâneo. 7ª ed. Rio de Janeiro: Lexikon, 2016.
JAKOBSON, Roman. Lingüística e comunicação. São Paulo: Cultrix, 1976.