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Muro de Berlim

Geografia

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O Muro de Berlim foi construído em 1961, ao redor da cidade de Berlim Ocidental, a capital da Alemanha Ocidental. Essa construção tinha como proposta isolar essa cidade e fechar suas fronteiras com a Alemanha Oriental. Foi um dos grandes símbolos que evidenciaram a polarização do mundo no período da Guerra Fria.

Esse muro, que existiu entre 1961 e 1989, foi construído após autorização de Walter Ulbricht e Nikita Kruschev, líderes da Alemanha Oriental e União Soviética (URSS), respectivamente. Ao longo da existência desse muro, 140 pessoas morreram tentando cruzá-lo. O Muro de Berlim foi derrubado com a crise que levou ao fim do bloco socialista no Leste Europeu.

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Antecedentes

Após a Segunda Guerra Mundial, a Alemanha foi dividida em RFA (à esquerda) e RDA (à direita).
Após a Segunda Guerra Mundial, a Alemanha foi dividida em RFA (à esquerda) e RDA (à direita).

A construção do Muro de Berlim ocorreu dentro do processo de divisão que a Alemanha passou após a Segunda Guerra Mundial. Na época da Guerra Fria, existiam duas Alemanhas no mundo, cada qual alinhada com uma ideologia diferente.

A República Federal da Alemanha (RFA), também conhecida como Alemanha Ocidental, era capitalista e alinhada aos Estados Unidos. A República Democrática Alemã (RDA), por sua vez, era conhecida como Alemanha Oriental e era socialista, portanto, aliada da União Soviética. As capitais dessas duas nações era Berlim Ocidental e Berlim Oriental, respectivamente.

A divisão da Alemanha, além de ser uma grande marca da Guerra Fria, foi resultado da derrota alemã na Segunda Guerra Mundial. Depois da Batalha de Berlim, todo o território alemão foi ocupado pelas forças aliadas e dividido em quatro zonas: francesa, britânica, norte-americana e soviética.

Mapa da condição de Berlim após sua divisão. À esquerda, Berlim Ocidental; à direita, Berlim Oriental.[1]
Mapa da condição de Berlim após sua divisão. À esquerda, Berlim Ocidental; à direita, Berlim Oriental.[1]

Essa divisão em quatro zonas reproduziu-se no território alemão como um todo e mais especificamente na capital alemã, Berlim. À medida que a polarização do mundo foi sendo definida no final da década de 1940, as zonas ocupadas foram transformadas em nações distintas (RFA e RDA) para atender aos interesses de americanos e soviéticos.

A divisão da Alemanha foi o exemplo máximo da polarização da Guerra Fria, mas não foi exclusividade da Alemanha. Como consequência das negociações entre os Aliados (países que se opuseram à Alemanha, Japão e Itália na Segunda Guerra Mundial), a Coreia e o Vietnã também foram divididos em duas nações distintas, cada qual aliado ou dos EUA ou da URSS.

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  • Afinal, o que foi a Guerra Fria?

Esses acontecimentos eram consequência direta da Guerra Fria, o conflito político-ideológico que se iniciou em 1947. Nesse conflito, disputava-se a hegemonia mundial, e as duas ideologias que estavam no centro desse conflito eram o capitalismo e o socialismo, representados por Estados Unidos e União Soviética, respectivamente.

A disputa entre americanos e soviéticos logo se fez sentir na Alemanha, tanto que, em 1949, americanos e soviéticos declaravam a fundação da RFA e RDA, respectivamente. A disputa pelo território alemão era particularmente importante para esses dois países por causa da importância estratégica da Alemanha.

No contexto da Segunda Guerra, a dominação desse território dava acesso aos segredos militares e científicos dos alemães. Já no contexto da Guerra Fria, garantir a posse desse território era uma importante declaração de força.

Aqui no Brasil Escola, temos um texto específico e mais detalhado sobre a Guerra Fria. Caso tenha interesse em acessá-lo, é só clicar neste link.

Acesse também: Conheça um dos programas científicos mais importantes dos soviéticos

Por que o Muro de Berlim foi construído?

De maneira bem direta, o Muro de Berlim foi construído com o propósito de impedir que a população da Alemanha Oriental continuasse fugindo para Berlim Ocidental. A cidade de Berlim Ocidental recebia um grande fluxo de pessoas da Alemanha Oriental porque era uma “ilha capitalista” encravada dentro do território socialista. Por todos os lados, Berlim Ocidental era cercada por territórios da Alemanha Oriental.

A fuga da população aconteceu durante toda a década de 1950 e, na década de 1960, não demonstrava enfraquecer. O êxodo populacional refletia as diferenças nas condições de vida existentes na Alemanha Ocidental e na Oriental.

A Alemanha Ocidental, por meio do Plano Marshall, recebeu uma enorme quantia de dinheiro americano. Esse dinheiro era enviado com o propósito de promover a recuperação e o desenvolvimento econômico de determinados países para impedir o crescimento do socialismo nesses locais.

Nesse contexto, a situação econômica da Alemanha Ocidental demonstrava ser claramente superior em comparação com a Alemanha Oriental. A Alemanha Ocidental também possuía maior número de trabalhadores qualificados, bem como maior liberdade política individual.

A Alemanha Oriental, por sua vez, possuía uma polícia secreta (a Stasi) que coordenava um esquema de informantes espalhados em todo o país. A censura e a falta de liberdade foram uma marca indelével tanto da Alemanha Oriental quanto do bloco socialista. A falta de liberdade, somada a uma economia hesitante, resultou nesse êxodo populacional.

Os habitantes da Alemanha Oriental, em busca de reconstruir suas vidas, começaram a procurar as melhores condições que a Alemanha Ocidental aparentava possuir. Assim, entre 1948 e 1961, aproximadamente três milhões de pessoas abandonaram a Alemanha Oriental. No meio dessa quantidade enorme de pessoas, estavam professores, engenheiros e médicos, isto é, mão de obra qualidade de enorme importância.

Essa fuga da população e de mão de obra qualificada alarmou as autoridades da Alemanha Oriental e, então, ideias para acabar com esse êxodo começaram a ser debatidas. A partir de 1958, a Stasi foi mobilizada, mas os resultados não foram muito bons. A própria polícia secreta alemã sugeriu que o controle desse êxodo populacional só teria eficácia por meio de uma barreira física. Assim, em 1961, as autoridades da Alemanha Oriental pediram autorização para construir o muro.

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Como foi a construção do Muro de Berlim?

O líder da Alemanha Oriental, Walter Ulbricht, solicitou à URSS a autorização para construir o Muro de Berlim.[2]
O líder da Alemanha Oriental, Walter Ulbricht, solicitou à URSS a autorização para construir o Muro de Berlim.[2]

Em 1961, o governante da Alemanha Oriental era Walter Ulbricht. Nesse ano, ele solicitou autorização de Moscou – sede do governo soviético – para construir o muro como forma de encerrar a fuga da população. O pedido foi feito em maio e, em junho, a autorização soviética foi concedida, motivada por um discurso do presidente americano a respeito de Berlim.

O processo de preparação do muro foi meticuloso e estendeu-se até agosto daquele ano. O projeto fez parte da Operação Rosa e somente o alto escalão dos dois governos tinha conhecimento. O historiador Patrick Major fala que, na Alemanha Oriental, por exemplo, somente 60 pessoas tinham conhecimento da discussão acerca da construção do muro|1|.

Os alemães orientais (o governo) defendiam o segredo como forma de lidar com a Republikflucht (como chamavam essa fuga de população) porque, primeiro, evitaria pânico e que milhares de pessoas tentassem fugir de “última hora”; segundo, poderia evitar qualquer tipo de reação negativa do Ocidente que os fizesse abortar a construção do muro.

Erich Honecker, na época o chefe de segurança do Politburo (comitê do Partido Comunista na Alemanha Oriental), foi nomeado para ser o líder da operação que construiu o Muro de Berlim. Honecker, mais tarde, tornou-se governante da Alemanha Oriental e esteve à frente do país de 1976 a 1989.

Ficou determinado pela Operação Rosa que o muro seria construído na virada de 12 para 13 de agosto de 1961. Como parte dos preparativos, tanques soviéticos e alemães orientais foram posicionados em locais estratégicos, e soldados foram espalhados por todo o perímetro de Berlim Ocidental.

No dia 13, os soldados começaram a implantar o arame farpado ao redor de Berlim Ocidental, marcando o fechamento da fronteira. Nos anos seguintes, foram realizadas outras obras que concretizaram o Muro de Berlim. Foi implantado um altíssimo muro de concreto, além de serem construídas torres de segurança e pistas de corrida para que cães de guarda pudessem perseguir pessoas que tentassem atravessar o muro.

Ao todo, 140 pessoas foram mortas no Muro de Berlim.[3]
Ao todo, 140 pessoas foram mortas no Muro de Berlim.[3]

Além disso, soldados com armamentos pesados foram colocados na estrutura do muro e tinham uma ordem polêmica, a Schießbefehl, que pode ser traduzida como “ordem para atirar”. Essa ordem consistia na autorização que os militares da Alemanha Oriental tinham de abrir fogo contra pessoas que tentassem atravessar o muro. Essa ordem não abria exceções nem mesmo para crianças.

A construção do muro teve êxito em seu propósito. Depois do dia 13 de agosto de 1961, o número de pessoas que conseguiram fugir da Alemanha Oriental foi de aproximadamente cinco mil pessoas|2|. Ao todo, 140 pessoas foram mortas no Muro de Berlim, entre civis e soldados que tentaram cruzar o muro e morreram alvejados, acidentados ou cometeram suicídio, segundo o Memorial do Muro de Berlim|3|.

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Por que o Muro de Berlim foi derrubado?

A queda do Muro de Berlim foi consequência da crise enfrentada pelo bloco socialista na década de 1980. Levando em consideração o contexto da Alemanha Oriental, a população do país estava insatisfeita, pois o país enfrentava uma grande crise econômica. A insatisfação era amplificada pela repressão e censura do governo.

Protestos espalharam-se pelo país e, quando a Hungria determinou a abertura de sua fronteira com o Ocidente, milhares de cidadãos da Alemanha Oriental procuraram fugir por essa abertura. Só em julho de 1989, cerca de 25 mil pessoas haviam pedido autorização para passar férias na Hungria|4|. Com as fronteiras húngaras abertas, as pessoas que fossem para lá poderiam ir para a Áustria facilmente.

Depois da queda do Muro de Berlim, a Alemanha foi reunificada.[4]
Depois da queda do Muro de Berlim, a Alemanha foi reunificada.[4]

Em 9 de novembro de 1989, em uma coletiva de imprensa, o porta-voz do governo da RDA anunciou equivocadamente que as fronteiras do país com o Ocidente estavam abertas. No mesmo dia, milhares de pessoas foram para os postos de fronteira exigindo direito de atravessar para a Alemanha Ocidental.

Para evitar uma tragédia, o governo da RDA confirmou a abertura das fronteiras e, na virada do dia 9 para 10 de novembro, milhares de pessoas uniram-se para derrubar o Muro de Berlim. No ano seguinte, a Alemanha reunificou-se.

Notas

|1| A história secreta de como o Muro de Berlim foi erguido pela Alemanha Oriental e a União Soviética. Para acessar, clique aqui.

|2| Escaping of the 5,000 from East Berlin. Para acessar, clique aqui [em inglês].

|3| Fatalities at the Berlin Wall, 1961-1989. Para acessar, clique aqui [em inglês].

|4| FERNANDES, Marisa. A reunificação política da Alemanha (1989/1990): no contexto das relações entre as grandes potências. Para acessar, clique aqui.

Créditos das imagens:

[1] meunierd e Shutterstock

[2] bissig

[3] matias planas

[4] neftali

 

Por Daniel Neves
Graduado em História

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

SILVA, Daniel Neves. "Muro de Berlim "; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/geografia/muro-berlim.htm. Acesso em 19 de novembro de 2019.

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