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Globalização econômica

Globalização econômica é o processo de integração da economia global marcado pela modernização tecnológica, pela difusão das transnacionais e pela financeirização da economia.

Globo terrestre em meio a torres de moedas de ouro, uma forma de representação da noção de globalização econômica.
A integração da economia em escala mundial representa a globalização econômica.
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A globalização econômica é um processo que faz parte da globalização e que se intensificou a partir da segunda metade do século XX. Essa face da globalização é caracterizada pela integração da economia mundial por meio das cadeias de produção global, das empresas transnacionais e dos fluxos cada vez mais intensos de capitais, serviços e mercadorias entre os diferentes territórios. A globalização econômica é marcada, ainda, pelo advento do capitalismo financeiro e pela difusão das ideias neoliberais pelo mundo, com a ascensão do mercado enquanto importante agente econômico.

Como todos os fenômenos que resultam em transformações em âmbito mundial, a globalização econômica apresenta vantagens como a dinamização da economia e a ampliação das escalas de produção. No entanto, pontos como o aprofundamento das desigualdades socioeconômicas contam como uma desvantagem desse processo.

Leia também: Globalização — detalhes sobre o fenômeno de integração do espaço geográfico mundial

Tópicos deste artigo

Resumo sobre a globalização econômica

  • Globalização econômica é definida pela integração da economia mundial, com o surgimento de novos agentes econômicos, novas formas de produção e uma nova fase do capitalismo.

  • Tem como principais características a multiplicação das empresas transnacionais, o surgimento de cadeias produtivas globais, o maior fluxo de capitais, serviços e mercadorias pelo espaço mundial, e o advento do capitalismo financeiro.

  • O mercado financeiro e as grandes empresas são, portanto, dois dos principais agentes da globalização econômica.

  • Com ela, a atividade dos blocos econômicos (como Mercosul, União Europeia e Nafta) e das entidades intergovernamentais (como Banco Mundial e FMI) é ampliada.

  • Está diretamente relacionada com a maior difusão da teoria neoliberal, que defende, entre outros pontos, a menor participação do Estado na economia.

  • A maior integração da economia, a circulação de mercadorias e serviços em maior escala e a dinamização da produção são algumas das suas vantagens.

  • A ampliação das desigualdades socioeconômicas e a degradação do meio ambiente são algumas das suas desvantagens.

  • A globalização econômica é um dos tipos de globalização, e pode ser compreendida também com base no seu aspecto cultural.

O que é globalização econômica?

A globalização econômica é uma das faces do fenômeno da globalização, que se intensificou a partir da segunda metade do século XX. Pode ser compreendida, ainda, como sendo um tipo de globalização.

A globalização econômica é definida pela integração da economia global. Esse é um processo que se realiza constantemente sobre e com base em um espaço geográfico cada vez mais mundializado por meio das novas tecnologias da informação e da comunicação, que resultam no surgimento de novos modelos de produção, novos agentes econômicos e, principalmente, de uma nova fase da atual forma de acumulação capitalista. Com a globalização econômica, surge, portanto, o capitalismo financeiro, chamado também de capitalismo monopolista.

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Características da globalização econômica

A integração da economia internacional, base da globalização econômica, processo que anda lado a lado com a integração do espaço mundial, tem como uma de suas principais características a modernização dos sistemas de produção e da maneira como acontece a acumulação de capitais. Tais transformações são resultantes do aperfeiçoamento técnico e científico que caracteriza a atual fase da globalização. Esse aperfeiçoamento atingiu, principalmente, os setores de comunicação e de transportes.

Com isso, facilitou-se o que chamamos de desintegração vertical das cadeias produtivas locais, bem como a consequente formação de cadeias produtivas globais, com a desconcentração territorial das etapas de produção e a sua expansão horizontal para outros estados e países. Nesse contexto, surgem também aqueles que podemos considerar um dos, se não o principal agente da globalização econômica: as empresas transnacionais.

Especialista financeiro operando no mercado financeiro, realidade ligada à globalização econômica.
A financeirização da economia é um dos aspectos da globalização econômica.

Outras características fundamentais para entendermos em que consiste a globalização econômica são as seguintes:

  • Reordenamento do espaço econômico mundial, com o advento de uma nova divisão internacional do trabalho (DIT).

  • Flexibilização do trânsito de mercadorias e de serviços entre diferentes territórios.

  • Aceleração da produção em escala mundial, que acontece em conjunto com o aumento da demanda por mercadorias e serviços.

  • Intensificação do fluxo de capitais, na forma de investimentos ou de maneira direta, e de mercadorias em escala global, o que denota uma maior quantidade de conexões entre agentes econômicos e entre territórios.

  • Expansão da presença das empresas transnacionais em todo o mundo.

  • Surgimento de outro importante agente econômico: o mercado financeiro, que marca o advento do capitalismo financeiro (ou monopolista).

  • Multiplicação dos blocos econômicos e aumento da escala de atuação daqueles já existentes, promovendo maior integração entre diferentes economias nacionais por meio do comércio, de parcerias ou alianças econômicas e dos investimentos diretos.

  • Maior presença internacional dos organismos multilaterais e das instituições financeiras na mediação das relações econômicas entre Estados, como o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Organização Mundial do Comércio (OMC).

  • Padronização das mercadorias e dos bens de consumo, o que regula, também, a produção. Por conseguinte, acontece o que se chama de massificação do consumo.

Exemplos de globalização econômica

Existem inúmeros aspectos da economia internacional que configuram reflexos da globalização econômica. Um dos mais presentes, e que nem sempre é citado como tal, é o uso do dólar nas principais transações econômicas realizadas entre países e entre agentes econômicos. Atualmente essa é a moeda do sistema econômico mundial, usada na compra e venda de ações, na comercialização e negociação de commodities nas bolsas de valores, no estabelecimento de fundos de reservas, e em investimentos estrangeiros diretos.

A produção de um único aparelho celular, feita em diferentes etapas, que acontecem em diferentes territórios, é outro exemplo de globalização econômica. Nesse caso, a matéria-prima necessária para a fabricação da bateria é obtida de determinado país, geralmente subdesenvolvido ou emergente; enquanto as telas são produzidas em um segundo país; os semicondutores, que vão no interior dos chips dos aparelhos, são feitos em um terceiro, e assim sucessivamente.

Tela de celular, cujas partes são produzidas em diferentes lugares, sendo produzida, realidade da globalização econômica.
A cadeia produtiva dos telefones celulares é um exemplo de como a globalização econômica está presente no mundo atual.

A negociação dos preços de matérias-primas, que recebem a denominação de commodities, em bolsas de valores tendo como base o dólar é, também, resultado da globalização econômica, assim como a expansão das multinacionais e a multiplicação das holdings.

Acesse também: Quarta Revolução Industrial — a atual fase da Revolução Industrial

Globalização econômica e neoliberalismo

O neoliberalismo é uma teoria socioeconômica que surgiu na primeira metade do século XX, quando o fenômeno da globalização ainda caminhava a passos lentos, de acordo com a tecnologia e as demandas da época. Entretanto, com a modernização tecnológica e o advento de novos meios de comunicação e de transporte, a globalização econômica se intensificou, e junto dela os ideais e as práticas defendidos pelos teóricos e economistas neoliberais.

Na globalização econômica, o mercado se coloca enquanto uma das principais entidades atuantes no espaço mundial, muitas vezes se sobrepondo ao papel do Estado, ou então fazendo com que este fique dependente das escolhas e das ações mercadológicas. As grandes empresas multinacionais tornaram o cenário muito mais competitivo, ao mesmo tempo que os produtos e os serviços a serem usufruídos ficaram a cargo do indivíduo.

Além disso, essas empresas e as suas respectivas mercadorias ou produtos, bem como o capital, passaram a se deslocar por um espaço com menos restrições, ampliando, assim, o seu escopo de atuação para quase o mundo inteiro. No entanto, é sempre importante lembrar que essa junção entre a globalização e o neoliberalismo resultou tanto em aspectos positivos quanto em aspectos negativos, especialmente quando se analisa do ponto de vista dos países subdesenvolvidos. Para saber mais sobre o neoliberalismo, clique aqui.

Vantagens da globalização econômica

  • Possibilidade de acesso a um maior número de serviços e de bens por parte da população.

  • Ampliação do mercado de consumo, que adquire escala internacional.

  • A escala de atuação dos agentes econômicos passa a ser, também, global.

  • Maior circulação de capitais e de mercadorias no espaço econômico mundial.

  • Dinamização da produção e maior emprego de tecnologia no processo produtivo, com aumento da eficácia das cadeias produtivas.

  • Multiplicação das cadeias produtivas globais e, também, das empresas multinacionais.

  • Modernização dos serviços financeiros e bancários que são de uso da população em geral e dos agentes econômicos, facilitando transações.

  • Criação de novos postos de trabalho em setores como de tecnologia da informação e da comunicação e no ramo financeiro.

Desvantagens da globalização econômica

  • Massificação e padronização do consumo nos diferentes países.

  • Ampliação do desemprego em função da automatização de funções e da necessidade de mão de obra com maior grau de qualificação para trabalhar nos novos postos criados.

  • Poucas empresas exercendo domínio sobre diferentes áreas de produção, tornando a concorrência cada vez mais complexa.

  • As dimensões que as crises econômicas e financeiras atingem são maiores, haja vista a maior integração da economia internacional.

  • A degradação do meio ambiente acontece em ritmo mais acelerado, especialmente quando se considera a exploração de recursos naturais para serem usados como matéria-prima.

  • Aprofundamento das desigualdades socioeconômicas entre a população e entre diferentes territórios, com a exclusão dos países subdesenvolvidos dos principais mercados internacionais e dos investimentos de capitais.

Globalização econômica e exclusão

Uma das principais desvantagens da globalização econômica reside na acentuação das desigualdades socieconômicas e na exclusão de parte da sociedade desse processo. Ao passo que a acumulação de riquezas ganha uma escala cada vez mais ampla, as diferenças entre a parcela mais rica e a mais pobre da população se aprofundam.

A parcela empobrecida da população fica à margem do processo de globalização econômica, tanto por questões estruturais quanto por fatores próprios do fenômeno, como a eliminação de postos de trabalho, a exploração da mão de obra e o encarecimento dos custos de vida, o que abrange serviços básicos, mercadorias essenciais e lazer.

Pensando em economias nacionais, os países subdesenvolvidos também acabam excluídos dos ganhos que a globalização econômica representou para as nações desenvolvidas principalmente. Na divisão internacional do trabalho, os países subdesenvolvidos são vistos como áreas que oferecem vantagens locacionais no sentido de fornecerem matérias-primas e mão de obra mais barata para a extração desses recursos. No entanto, eles não são inseridos nos principais circuitos da economia global, e operam à margem da globalização.

Origem da globalização econômica

A globalização econômica surgiu em conjunto com o fenômeno da globalização, já que se trata de processos indissociáveis. Na realidade, a globalização econômica é uma das faces da globalização, que teve origem ainda no século XV, com as Grandes Navegações, e se tornou um fenômeno verdadeiramente mundial mediante o avanço da ciência e da tecnologia vivenciado a partir da segunda metade do século XX, com o advento do meio técnico-científico-informacional.

Datam desse mesmo período a expansão das multinacionais e a financeirização da economia, que concretizam o fenômeno da globalização econômica.

Globalização cultural

Cartaz do filme “Vingadores: ultimato” na China, exemplo de globalização cultural, que se difere da globalização econômica.
Cartaz do filme hollywoodiano Vingadores: ultimato em cinema de Shenzhen, na China, como exemplo de globalização cultural.[1]

A globalização cultural é o processo de integração cultural do espaço por meio dos signos culturais, o que acontece por conta da maior difusão de informações graças às novas tecnologias e, ainda, ao aumento da circulação de pessoas entre diferentes territórios. Com isso, há a maior troca entre indivíduos, ao mesmo tempo que eles passam a adquirir hábitos de consumo e culturais cada vez mais semelhantes.

Por conta do papel hegemônico de algumas nações, entretanto, a globalização cultural representa, também, a massificação dos produtos culturais e a padronização do consumo. Esse aspecto é mais perceptível no campo do entretenimento, como por meio dos filmes, das séries e das músicas que são consumidos globalmente.

Veja também: Indústria cultural — mecanismo comercial que fomenta o consumo massificado de bens artísticos e culturais em geral

Exercícios resolvidos sobre a globalização econômica

Questão 1

(Uece) Os novos sistemas técnicos de comunicação e transporte de pessoas e mercadorias, bem como as Novas Tecnologias da Comunicação e Informação (NTCIs) e as novas articulações em redes, cada vez mais dinâmicas, têm mudado profundamente a cara da ‘geografia econômica’ do final do século XX e início do XXI, tornando a economia global mais articulada e mais fluida.

No que diz respeito a essa discussão, é verdadeiro afirmar que:

A) a configuração geográfica das empresas em rede, fluidas e dinâmicas, coloca-se como uma representação da aplicabilidade das novas tecnologias às mudanças organizacionais da produção e do consumo.

B) o regime flexível do teletrabalho não tem contribuído para a nova dinâmica econômica do capitalismo financeirizado e informacional do final do século XX e início do século XXI.

C) em função da dominância financeira do novo regime de acumulação capitalista, a rigidez dos sistemas técnico-informacionais tem desacelerado as trocas econômicas entre as nações capitalistas.

D) os novos sistemas de regulação entre território, política e economia estimulam a concentração e a centralização do capital bancário, industrial e comercial em mercados nacionais fechados.

Resolução:

Alternativa A

Em função das novas tecnologias que surgiram a partir da segunda metade do século XX, e que proporcionaram o surgimento do capitalismo financeiro e informacional, as empresas passaram a se organizar em cadeias globais de produção. Dito de outro modo, formaram-se enormes redes dinâmicas por meio das quais há um fluxo intenso de capitais, serviços e mercadorias, sendo elas fruto das inovações técnicas da globalização.

Questão 2

(Uema)

O sociólogo Zygmunt Bauman, em seu livro Globalização: as consequências humanas, afirma que a “globalização” tem sido apresentada como o destino irremediável do mundo, mas que, no fenômeno da globalização, há mais coisas do que pode o olho apreender, pois o fenômeno da globalização tanto divide como une.

Fonte: BAUMAN, Zygmunt. Globalização: as consequências humanas. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1999. (adaptado)

Essa crítica do autor é, também, expressa em outras linguagens como na charge abaixo.

Charge em uma questão da Uema sobre globalização econômica.

Com base na charge e nas ideias de Zygmunt Bauman, pode-se afirmar que o fenômeno da globalização:

A) seleciona povos, países e setores que serão inseridos no processo, determinando a forma da inserção.

B) uniformiza todos os países e atinge a todos da mesma maneira, sem distinção de etnia, credo e ideologia.

C) distribui igualmente entre povos e países os produtos advindos do desenvolvimento econômico e tecnológico.

D) transforma as nações em uma só, criando uma verdadeira aldeia global, na qual todos os povos são iguais.

E) padroniza o mundo social, cultural, política e economicamente, reduzindo as desigualdades entre as nações.

Resolução:

Alternativa A

A charge e as ideias de Zygmunt Bauman (1925-2017) evidenciam o caráter excludente da globalização, especialmente quando consideramos a globalização econômica. Com isso, uma parcela da população e os países subdesenvolvidos têm tratamento diferenciado nesse processo.

Crédito de imagem

[1] Sorbis / Shutterstock

Fontes

HABESBAERT, Rogério; PORTO-GONÇALVES, Carlos Walter. A nova des-ordem mundial. São Paulo: UNESP, 2006, 160p.

IANNI, Octavio. Globalização e neoliberalismo. Revista São Paulo em Perspectiva, v. 12, n. 2, abr.-jun. 1998. Disponível em: http://produtos.seade.gov.br/produtos/spp/index.php.

LUCCI, Elian Alabi. Território e sociedade no mundo globalizado, 2: ensino médio. São Paulo: Saraiva, 2016, 3 ed. 289p.

SANTOS, Milton. Por uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal. Rio de Janeiro: Record, 2011. 20ª ed. 174p.

SANTOS, Milton. Técnica, Espaço, Tempo: Globalização e Meio Técnico-científico-informacional. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2013. 5 ed., 1 reimp. 176p.

Escritor do artigo
Escrito por: Paloma Guitarrara Licenciada e bacharel em Geografia pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e mestre em Geografia na área de Análise Ambiental e Dinâmica Territorial também pela UNICAMP. Atuo como professora de Geografia e Atualidades e redatora de textos didáticos.

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

GUITARRARA, Paloma. "Globalização econômica"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/geografia/globalizacao-economica.htm. Acesso em 23 de fevereiro de 2024.

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