Notificações
Você não tem notificações no momento.
Whatsapp icon Whatsapp
Copy icon

Quarta Revolução Industrial

A Quarta Revolução Industrial ocorre hoje e é marcada pela conexão de tecnologias físicas, virtuais e biológicas que transformam rapidamente a forma de viver da humanidade.

Espelhamento de imagem de inteligência artificial sobre teclado de computador.
A inteligência artificial é uma das principais tecnologias da Quarta Revolução Industrial.
Imprimir
Texto:
A+
A-
Ouça o texto abaixo!

PUBLICIDADE

A Quarta Revolução Industrial é a atual fase da Revolução Industrial. Para o economista alemão Klaus Schwab, um dos criadores da ideia de Quarta Revolução Industrial, ela se iniciou em 2010, quando diversas indústrias da Europa, Estados Unidos, China, Japão, Taiwan e Coreia do Sul passaram a ter toda a sua linha de produção automatizada e robotizada.

Diversas tecnologias fazem parte da Quarta Revolução Industrial, como a inteligência artificial, as impressoras 3D, drones, nanotecnologia, neurotecnologia, internet das coisas, realidade aumentada, transgenia e veículos autônomos.

Leia também: Quais são os efeitos da chamada Era da Informação?

Tópicos deste artigo

Resumo sobre a Quarta Revolução Industrial

  • A Quarta Revolução Industrial se iniciou no fim da primeira década do século XXI.

  • Alemanha, China e Estados Unidos estão na vanguarda da Quarta Revolução Industrial.

  • Inteligência artificial, armazenamento e processamento na nuvem, impressoras 3D, nanotecnologia, transgenia, drones, realidade aumentada, são algumas das tecnologias da Quarta Revolução Industrial.

  • Atualmente há uma corrida entre as grandes potências mundiais em busca de lítio, semicondutores e chips, itens essenciais para a Quarta Revolução Industrial.

  • A Quarta Revolução Industrial busca diminuir as emissões de gases que aumentam o efeito estufa, estimulando formas limpas de geração de energia.

  • Um dos aspectos negativos da Quarta Revolução Industrial é a precarização das relações de trabalho.

O que é a Quarta Revolução Industrial?

A Quarta Revolução Industrial é a fase da Revolução Industrial na qual vivemos atualmente.

Foi Klaus Schwab, um dos fundadores do Fórum Econômico Mundial, o primeiro a defender a ideia de que, a partir de 2010, se iniciou a Quarta Revolução Industrial. Para o autor, a atual fase é marcada pela fusão de diversas tecnologias que estão integrando as esferas física, digital e biológica. Para ele, as mudanças ocorridas a partir da segunda década deste milênio são tão profundas que justificam o termo Quarta Revolução Industrial.

Não pare agora... Tem mais depois da publicidade ;)

Características da Quarta Revolução Industrial

Para Klaus Schwab a principal característica da Quarta Revolução Industrial é a velocidade. Atualmente a velocidade dos avanços é exponencial, ao contrário das outras etapas da Revolução Industrial, em que os avanços eram lineares. Basta lembrar que foi em 2007 que foi lançado o Iphone 1, considerado o primeiro smartphone produzido em escala industrial. Em 2022, 5 bilhões de pessoas no mundo usaram regularmente a internet, a maior parte delas utilizando smartphones.

Outra característica da Quarta Revolução Industrial é a importância dos dados de pessoas e empresas. Todos os dias bilhões de dados são coletados sobre diversas atividades, como pesquisas na internet, de consumidores, usuários de redes sociais, entre outras. Esses dados são de fundamental importância para diversas empresas, que os utilizam para as tomadas de decisão, aumentando seus lucros.

Muitos defendem que os dados e informações são o petróleo da Quarta Revolução Industrial, pois a busca por dados gerou uma corrida entre empresas e governos, semelhante à busca por petróleo nas etapas anteriores da Revolução Industrial.

A busca por formas de geração de energia sustentável também é uma característica da Quarta Revolução Industrial, assim como a tentativa de diminuir a emissão de gases do efeito estufa, apontada como a principal responsável pelo aquecimento global que vivemos. O alto preço do petróleo também faz com que alternativas limpas sejam buscadas. Em 2023, pela primeira vez na história, o investimento global em energia limpa superou os investimentos em energia oriunda do petróleo.

Leia também: Desenvolvimento sustentável — uma das grandes preocupações do séc. XXI

Como surgiu a Quarta Revolução Industrial?

A Revolução Industrial é um processo contínuo e ininterrupto que se iniciou por volta de 1750 e que dura até hoje, por isso as datas relacionadas ao início e fim de cada etapa da revolução geram diversas discussões entre os historiadores, geógrafos e outros especialistas.

Mas, de modo geral, a Quarta Revolução Industrial se iniciou na primeira década do século XXI, momento no qual os dispositivos móveis com acesso à internet se popularizaram no mundo, assim como houve o aprofundamento da automação de diversas fábricas, muitas delas utilizando robôs, internet das coisas, armazenamento em nuvem e inteligência artificial.

Mas a Quarta Revolução Industrial não é uma unanimidade. Muitos pesquisadores, principalmente historiadores que pesquisam eventos históricos extensos, afirmam que vivemos atualmente um processo de aprofundamento da Terceira Revolução Industrial, e não uma nova fase dela. Os defensores dessa ideia alegam que as atuais tecnologias são, de fato, o aperfeiçoamento de tecnologias da terceira fase.

Vantagens e desvantagens da Quarta Revolução Industrial

A primeira vantagem da Quarta Revolução Industrial é a utilização de fontes de energia sustentáveis para a produção de energia elétrica, reduzindo drasticamente as emissões de gases que aumentam o efeito estufa. O Brasil, em 2023, gerou 27% de sua energia através de usinas fotovoltaicas ou eólicas.

Painéis solares para geração de eletricidade.
A implementação de fontes de energia mais sustentáveis, como a solar, é uma marca da Quarta Revolução Industrial.

A União Europeia aprovou em 2022 uma lei que proíbe a produção de automóveis movidos a gasolina ou a diesel a partir de 2035. O estado da Califórnia, nos Estados Unidos, também discute a aprovação de uma lei semelhante. A tendência é que, em um futuro próximo, os carros com motor a combustão interna não sejam mais fabricados em todo o planeta, dando lugar a veículos elétricos ou que utilizam outras fontes de energia limpa.

Um aspecto negativo da Quarta Revolução Industrial é a perda de direitos trabalhistas. Em todo o mundo, com a criação de aplicativos de entrega e de transporte, por exemplo, está ocorrendo um processo de precarização das relações de trabalho, com os trabalhadores perdendo direitos historicamente adquiridos. No Brasil, motoristas e entregadores de aplicativos são contratados, como pessoas físicas, de forma que o trabalhador não possua direitos como férias, décimo terceiro salário, entre outros.

Saiba mais: Desemprego estrutural — um dos grandes desafios da atualidade

Inovações da Quarta Revolução Industrial

  • Inteligência artificial: um computador é programado pelo ser humano para realizar diferentes tarefas, como cálculos, por exemplo. Na inteligência artificial os computadores possuem a capacidade de desenvolver novas habilidades, assim como o ser humano, realizando de forma autônoma diversas atividades. Atualmente a inteligência artificial é utilizada em diversas áreas. Para saber mais sobre ela, clique aqui.

  • Drones: são veículos que podem ser programados ou controlados remotamente para realizar as mais diferentes tarefas. No Brasil, uma empresa de entregas de refeições iniciou em 2020 testes de entrega utilizando drones. Os testes ocorreram na cidade de Campinas, em São Paulo. Em 2022 a empresa foi a primeira a ter autorização da Agência Nacional de Aviação Civil para realizar entregas utilizando drones. O drone da empresa possui capacidade de carga de até dois quilos. Atualmente existem alguns drones militares que utilizam inteligência artificial, podendo realizar missões de forma autônoma.

Drone carrega caixa, onde se lê: “Delivery”.
Atualmente algumas empresas realizam entregas utilizando drones, economizando tempo, mão de obra e combustível.
  • Veículos autônomos: são veículos que não possuem motoristas e são guiados por satélites, inteligência artificial e diversos sensores. Na atualidade todas as grandes montadoras de automóveis do mundo investem em pesquisas de veículos autônomos. Muitas delas desenvolveram protótipos de veículos que não possuem volante, parecendo mais uma sala de reuniões do que um automóvel.

  • Realidade aumentada: é a tecnologia que sobrepõe elementos virtuais ao mundo real através do uso de uma câmera e, algumas vezes, de sensores. Uma das áreas na qual a realidade aumentada é utilizada é a de jogos eletrônicos. Pokémon Go, lançado em 2016, foi o primeiro jogo popular a utilizar a realidade aumentada. Essa tecnologia também é utilizada na medicina, educação, indústria petroquímica, arquitetura e em diversas outras áreas.

  • Impressoras 3D: são capazes de imprimir objetos tridimensionais utilizando os mais variados materiais. Embora as primeiras impressoras 3D tenham sido produzidas ainda na década de 1980, foi somente a partir de 2010 que elas passaram a ser produzidas em larga escala e a ter preços mais acessíveis. Atualmente essa impressora é utilizada em muitas atividades. Na medicina, por exemplo, ela imprime partes de ossos ou dentes humanos que posteriormente são implantados no paciente. Também existem impressoras 3D de grande porte, como as que estão sendo utilizadas na construção civil. Em julho de 2023, a cidade de Georgetown, no Texas, construiu o primeiro bairro composto apenas por casas feitas com impressoras 3D. Esse tipo de construção é mais rápido e econômico do que as formas tradicionais de construção.

Impressora 3D construindo paredes de uma edificação na Rússia.[1]
Impressora 3D construindo paredes de uma edificação na Rússia.[1]
  • Internet das coisas: é um termo para a conexão de diversos itens de uso cotidiano à internet. Esses diferentes itens trabalham em conexão, compartilhando dados entre si. A chamada “casa inteligente” é o exemplo mais conhecido de internet das coisas. A “casa inteligente” conta com diversos sensores, e os eletrodomésticos e outros itens estão conectados à internet. Dessa forma, a casa pode identificar quando o veículo do proprietário se aproxima e abrir o portão. Ao entrar, o arroz estará pronto, pois sua produção foi realizada previamente à chegada do proprietário. Uma geladeira inteligente avisa que o leite está no fim e que a maionese está para vencer. Também é possível utilizar comandos de voz para fechar ou abrir as cortinas, ligar ou desligar luzes, ventiladores, ar-condicionado, entre diversos outros equipamentos.

  • Nuvem: até pouco tempo os computadores precisavam de grandes memórias internas para armazenar dados. A “nuvem” nada mais é do que datacenters que armazenam informações que podem ser acessadas pelo usuário de qualquer dispositivo, de qualquer lugar do planeta, desde que possua conexão à internet. Com o aumento da velocidade da internet boa parte dos arquivos passaram a ser hospedados e processados na nuvem. Google Drive, iCloud e One Drive são exemplos de plataformas de armazenamento de dados na nuvem.

  • Nanotecnologia: é a área do conhecimento que manipula materiais em nível atômico e molecular. Ela trabalha com materiais que podem medir 1 nanômetro. Para comparação, a espessura de um fio de cabelo humano é de cerca de 30.000 nanômetros. A nanotecnologia é responsável pelo desenvolvimento de diversos materiais, entre ele os semicondutores, utilizados na fabricação de chips. A indústria farmacêutica é outra área que utiliza atualmente a nanotecnologia, o que tem possibilitado o desenvolvimento de diversos medicamentos. 

Leia também: Big techs — as grandes empresas que dominam o mercado de tecnologia e inovação

Desafios da Quarta Revolução Industrial

O primeiro grande desafio da Quarta Revolução Industrial é ampliar a capacidade mundial de fabricação de semicondutores e chips. Os semicondutores são materiais que podem ou não conduzir corrente elétrica, dependendo da condição à qual são submetidos, como pressão, temperatura, entre outras. Os semicondutores são fundamentais para a produção de chips e de diversos outros componentes ligados à alta tecnologia. Os chips são utilizados em celulares, computadores, automóveis e diversos outros dispositivos eletrônicos que utilizamos no nosso dia a dia.

O problema é que poucas empresas do mundo fabricam chips. A tecnologia de produção é dominada por poucas empresas e é extremamente cara. A maior produtora de chips no mundo é a Taiwan Semiconductor Manufacturing Company, conhecida como TSMC. Ela detém sozinha 55% da produção mundial.

A TSMC se localiza em Taiwan, ilha reivindicada pela China, que alega que o território sempre foi parte do território chinês. De outro lado temos os Estados Unidos, que apoiam Taiwan, política e militarmente, e a sua independência da China. O presidente norte-americano Joe Biden afirmou em 2023 que os Estados Unidos entrarão em conflito com a China caso ela ataque Taiwan.

Bandeira de Taiwan presente em um processador.
Taiwan é alvo de disputas entre Estados Unidos e China devido a sua importância estratégica para a Quarta Revolução Industrial.

Nas etapas anteriores da Revolução Industrial, grandes veículos de comunicação em massa controlavam a divulgação de informações, o que tornava a fiscalização deles mais fácil. Já na Quarta Revolução Industrial, boa parte da divulgação de informações é descentralizada, principalmente através das redes sociais. O problema é que isso possibilitou que fake news passassem a ser divulgadas em larga escala, assim como o discurso de ódio contra minorias, a apologia a outros crimes e de ameaças à democracia. Isso ocorre em todo o mundo.

Na campanha presidencial dos Estados Unidos em 2016, a Cambridge Analytica, empresa ligada ao candidato Donald Trump, adquiriu do Facebook os dados de navegação de mais de 87 milhões de pessoas, tendo sido esses dados fundamentais para a vitória do candidato republicano. A Cambridge Analytica ainda recolheu dados indevidos de pessoas de diversos países, inclusive de mais de 400 mil brasileiros. Existe a suspeita de que a empresa também influenciou na votação do Brexit, também utilizando informações recolhidas de usuários do Facebook.

Em 2018, um ex-funcionário da Cambridge Analytica denunciou a empresa às autoridades dos Estados Unidos. A empresa e o Facebook foram obrigados a pagar pesadas indenizações, após julgamento na Suprema Corte do país. O fato mostra a importância dos dados no mundo contemporâneo.

Impactos da Quarta Revolução Industrial

A Quarta Revolução Industrial impacta, direta ou indiretamente, a vida de quase todos os seres humanos. Hoje, utilizando seu celular, a pessoa consegue ter acesso a informações, em tempo real, de fatos que ocorrem do outro lado do mundo. Também pode fazer compras em outros países, pagar suas contas no banco, realizar reuniões com pessoas que estão em diferentes locais, estudar em qualquer hora e local, entre diversas outras situações que eram impensáveis há duas décadas.

A AppAnnie, uma empresa que usa inteligência artificial para levantar dados em dispositivos Android, divulgou que os brasileiros passaram, em média, 5,4 horas por dia utilizando o celular, de acordo com dados de 2021. Isso corresponde a quase um quarto do dia. Vale lembrar que essa é uma média e que muitas pessoas passam mais de 12 horas por dia conectadas. O excesso de tecnologia é outro problema causado pela Quarta Revolução Industrial e atinge principalmente crianças e adolescentes.

Créditos da imagem

[1] Ranglen / Shutterstock

Fontes

HOBSBAWN, Erick. A Era das Revoluções. São Paulo: Paz e Terra, 2012.

MENEGUELLO, Cristina. DECCA, Edgar Salvadori. Fábricas e homens: Revolução Industrial e o cotidiano dos trabalhadores. São Paulo: Atual, 2019.

TEIXEIRA, Francisco M. P. Revolução Industrial. São Paulo: Ática, 2019.

Escritor do artigo
Escrito por: Jair Messias Ferreira Junior Pós-graduado em História pela Unicamp e professor da Educação Básica há mais de 20 anos. Também é formador de professores e produtor de materiais didáticos há mais de 10 anos.

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

JUNIOR, Jair Messias Ferreira. "Quarta Revolução Industrial"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/historiag/quarta-revolucao-industrial.htm. Acesso em 21 de maio de 2024.

De estudante para estudante