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Descobertas da Física que aconteceram por acidente

Física

A Física é uma ciência marcada por diversas descobertas científicas acidentais que revolucionaram o mundo, como é o caso dos raios X e do forno micro-ondas.
Os raios X têm muitos usos, e um dos mais populares é o exame de imagem que permite visualizar os nossos ossos.
Os raios X têm muitos usos, e um dos mais populares é o exame de imagem que permite visualizar os nossos ossos.
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Conheça algumas das mais importantes descobertas da Física que aconteceram totalmente por acaso, entenda quais foram as consequências dessas descobertas e como elas mudaram o nosso modo de viver.

#1 - Raios X

Você sabia que os raios X foram descobertos de forma não intencional? Por volta de 1895, o físico alemão Wilhelm Roentgen realizava diversas pesquisas relacionadas à produção de ondas eletromagnéticas utilizando tubos de raios catódicos, como aqueles utilizados nas televisões antigas, chamados CRT.

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Roentgen pôde perceber, durante um de seus experimentos, que uma pequena placa fluorescente em sua sala emitia um brilho tênue quando o tubo de raios catódicos era ligado. Roentgen utilizou diversos obstáculos que isolavam o tubo da placa, e a sua conclusão foi que aquele tubo emitia algum tipo de radiação até então desconhecida, capaz de atravessar diversos materiais diferentes.

Por fim, o físico acoplou um filme fotográfico à frente de seu tubo de raios catódicos e percebeu que era possível capturar imagens incríveis que revelavam a estrutura interna de diversos corpos e até mesmo dos ossos.

Na época de seu descobrimento, os raios X passaram a ser largamente utilizados para o estudo e para investigação de fraturas e outros tipos de doenças, mesmo antes de conhecer-se os males potenciais do uso desse tipo de radiação.

Atualmente, diversos exames de imagem são realizados por meio dos raios X, tais como a radiografia e a tomografia. Além disso, alguns tipos de câncer são combatidos por meio da exposição aos raios X, por uma técnica chamada radioterapia.

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#2 - Radiação cósmica de fundo e o Big Bang

A radiação cósmica do fundo é uma frequência de micro-ondas que se espalha uniformemente por todo o espaço, estando presente em todas as direções do Universo.

Essa frequência de onda eletromagnética é uma indicação de que, em algum momento longínquo, apenas alguns milhares de anos após a sua origem, o Universo sofrera uma grande inflação, aumentando-se em várias vezes de tamanho.

O rápido afastamento das galáxias e nebulosas fez com que a luz por elas emitida, e que ainda se propaga pelo Universo, tenha sofrido um aumento em seu comprimento de onda, em razão de um fenômeno físico chamado de efeito Doppler.

A descoberta desse importante tipo de radiação, responsável por fortalecer os argumentos da teoria do Big Bang, foi, entretanto, totalmente acidental. Na ocasião, os engenheiros da companhia norte-americana de telecomunicações Bell, Arno Penzias e Robert Wilson, tentavam reduzir um ruído percebido em uma de suas poderosas antenas. Esse ruído de baixa intensidade, localizado na faixa das micro-ondas, podia ser captado para quaisquer fossem as direções com as quais a antena estivesse alinhada.

Os engenheiros publicaram um artigo científico no qual estavam indicadas a frequência e as características dessa radiação, que foi explicada por cosmologistas alguns anos mais tarde como a radiação remanescente das origens do Universo. Em 1978, os engenheiros Arno Penzias e Robert Wilson foram laureados com o prêmio Nobel da Física por sua descoberta.

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Além de sua contribuição para o entendimento das origens do Universo, a determinação da radiação cósmica de fundo foi de fundamental importância para as telecomunicações, para a Astronomia e também para experimentos sensíveis que envolvem a produção ou captação de partículas de alta energia.

Hoje, por meio de correções feitas por computadores, é possível limpar o ruído da radiação cósmica de fundo, produzindo-se, assim, resultados de experimentos mais precisos e melhores captações de sinais eletromagnéticos.


A principal evidência da expansão do Universo é a radiação cósmica de fundo.

#3 - Teflon

Teflon é o nome comercial dado para a substância politetrafluoretileno (PTFE), um polímero inerte (que dificilmente reage com outras substâncias), altamente resistente à corrosão, impermeável, além de apresentar baixíssimos valores de coeficiente de atrito.

Existem alguns mitos em torno do surgimento do teflon, um deles diz que o teflon foi criado pela NASA, que emprega-os em suas naves. No entanto, o teflon foi uma descoberta acidental feita pelo químico Roy Plunket, em 1938.

Na época, Roy pesquisava por novos gases refrigerantes, em específico, testava as propriedades do gás TFE (tetrafluoretileno). Em certa ocasião, ele percebeu que o gás polimerizava-se, formando uma substância com propriedades físicas e químicas muito interessantes e com potenciais aplicações tecnológicas e comerciais. Poucos anos depois, o PTFE foi registrado e largamente comercializado com o nome Teflon.


O teflon é um material de grande importância graças às suas diversas aplicações tecnológicas.

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#4 - Núcleo atômico

Durante muito tempo, acreditou-se que o átomo era formado por uma distribuição uniforme de cargas positivas, encrustada com pequenas cargas negativas que podiam ser retiradas e postas novamente. Esse modelo atômico, capaz de explicar os fenômenos eletrostáticos, era conhecido como “pudim de passas” e seu fim estava próximo.

Em 1911, Ernest Rutherford realizou um experimento no qual ele bombardeava uma finíssima folha de ouro com partículas alfa extremamente velozes. Rutherford esperava que, se os átomos fossem como o “pudim de passas”, as partículas alfa sofreriam baixas deflexões em sua trajetória. No entanto, o experimento mostrou que, em algum ponto dos átomos, havia um núcleo extremamente denso, que concentrava quase toda a massa dos átomos. Hoje, sabemos que 99,9% de todo o volume de um átomo é vazio.

A descoberta de Rutherford deu início ao que chamamos por Física moderna, em razão de seu modelo para explicar a estrutura dos átomos, o modelo atômico de Rutherford. A Física moderna passou a estudar os fenômenos que ocorrem no núcleo do átomo, como as suas transições discretas de energia e a emissão de radiação eletromagnética e corpuscular. Com base nesses estudos, surgiram as primeiras teorias que tentavam explicar o comportamento quântico da natureza.

Rutherford conseguiu perceber a existência dos núcleos atômicos usando uma configuração experimental similar à mostra acima.
Rutherford conseguiu perceber a existência dos núcleos atômicos usando uma configuração experimental similar à mostra acima.

#5 - Forno micro-ondas


Percy Lebaron Spencer foi um físico norte-americano responsável pela descoberta do aquecimento causado pelas micro-ondas.

Em 1945, Percy estava trabalhando no desenvolvimento do magnetron, um dispositivo capaz de emitir ondas eletromagnéticas de grande intensidade usado nos fornos de micro-ondas atuais. Nessa época, ele percebeu que a barra de chocolate em seu bolso havia derretido. Intrigado, Percy posicionou uma tigela com milho à frente do magnetron, e, para sua surpresa, alguns grãos estouraram em razão do aquecimento promovido pelas micro-ondas.

Dois anos depois, a tecnologia foi patenteada pelo físico e comercializada como um eletrodoméstico usado para aquecer alimentos.

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Por Me. Rafael Helerbrock

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

HELERBROCK, Rafael. "Descobertas da Física que aconteceram por acidente"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/fisica/descobertas-fisica-que-aconteceram-por-acidente.htm. Acesso em 20 de julho de 2019.

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