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Paulo Leminski

Literatura

Paulo Leminski é um dos poetas mais populares da literatura brasileira. Sua obra é marcada pela concisão e irreverência, elementos herdados da poesia concretista.
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Concisão, irreverência, coloquialidade e o rigor da construção formal. A combinação desses elementos foi possível na obra de Paulo Leminski, um dos poetas mais importantes da história recente da literatura brasileira. Um dos principais nomes da Poesia Marginal, também conhecida como Geração Mimeógrafo, Leminski apropriou-se dos recursos visuais da publicidade, dos provérbios e trocadilhos da cultura popular e da forma, elementos herdados da poesia concretista que surgiu no Brasil, na década de 1950.

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Poeta, romancista e tradutor, Paulo Leminski nasceu no dia 24 de agosto de 1944, na cidade de Curitiba, Paraná. Mestiço de pai polonês com mãe negra, Leminski teve contato com o latim, teologia, filosofia e literatura clássica aos 12 anos, quando ingressou no Mosteiro de São Bento, em São Paulo. Em 1963, abandonou a vocação religiosa e, em 1964, publicou cinco poemas na revista Invenção, dirigida por Décio Pignatari, porta-voz da poesia concretista paulista. Tornou-se professor de História e Redação em cursos pré-vestibulares e, posteriormente, atuou como diretor de criação e redator em agências de publicidade, o que influenciou bastante sua produção poética, sobretudo no aspecto da comunicação visual. Em 1975, publicou seu primeiro romance, Catatau, livro que denominou “prosa experimental”.

Leminski era um apaixonado pela cultura japonesa. Foi tradutor e seguidor de Matsuo Bashô, um dos poetas mais famosos do período Edo no Japão e reconhecido como um mestre do haikai (poema curto formado por três versos, em que o primeiro e o terceiro versos são pentassílabos, ou seja, formados por cinco sílabas poéticas, e o segundo verso é heptassílabo, formado por sete sílabas). O fascínio pela métrica oriental fez com que Leminski, ao lado do poeta Guilherme de Almeida, fosse reconhecido como grande divulgador da poesia haicaísta no Brasil, cuja principal característica era a concisão e a preocupação com a linguagem, uma vez que o grande desafio era encaixar as palavras na rigorosa métrica do poema.

Além de ter dedicado grande parte de sua obra aos haikais, Paulo Leminski também deixou uma grande contribuição para a Música Popular Brasileira. Fez parcerias com os músicos Caetano Veloso, Moraes Moreira, Arnaldo Antunes e Itamar Assumpção e também com a banda A Cor do Som. É significativa também sua contribuição como crítico literário e tradutor: entre os principais autores que traduziu, estão James Joyce, Samuel Beckett, Yukio Mishima, Alfred Jarry, entre outros.

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Viveu durante 20 anos com a também poeta Alice Ruiz, com quem teve três filhos. O poeta, que há anos lutava contra uma cirrose hepática, faleceu no dia 07 de junho de 1989, aos quarenta e quatro anos. Sua morte prematura, contudo, não impediu que sua obra fosse difundida e considerada atemporal. Quase trinta anos após seu falecimento, Leminski ocupa lugar de destaque na literatura brasileira, e sua obra continua sendo objeto de interesse por parte da crítica e do público. Em 2014, foi publicado o livro de poemas Toda poesia, volume que percorre a trajetória completa do autor curitibano. A publicação alcançou a invejável marca de livro mais vendido do ano, desbancando diversos best-sellers, o que comprova o interesse crescente dos leitores pela obra desse que é um dos poetas mais criativos e irreverentes na nossa literatura.

Para que você conheça um pouco mais a poesia de Paulo Leminski, o Brasil Escola selecionou cinco poemas que certamente farão com que você tenha vontade de conhecer mais sobre o poeta e seu legado. Boa leitura!

Dor elegante

Um homem com uma dor
É muito mais elegante
Caminha assim de lado
Com se chegando atrasado
Chegasse mais adiante

Carrega o peso da dor
Como se portasse medalhas
Uma coroa, um milhão de dólares
Ou coisa que os valha

Ópios, édens, analgésicos
Não me toquem nesse dor
Ela é tudo o que me sobra
Sofrer vai ser a minha última obra.

Incenso fosse música

isso de querer ser
exatamente aquilo
que a gente é
ainda vai
nos levar além

“Amar é um elo/ Entre o azul/ E o amarelo”
“Amar é um elo/ Entre o azul/ E o amarelo”

Amor bastante

quando eu vi você
tive uma ideia brilhante
foi como se eu olhasse
de dentro de um diamante
e meu olho ganhasse
mil faces num só instante

basta um instante
e você tem amor bastante

Parada cardíaca

Essa minha secura
essa falta de sentimento
não tem ninguém que segure,
vem de dentro.

Vem da zona escura
donde vem o que sinto.
Sinto muito,
sentir é muito lento.

Amor, então,
também, acaba?
Não, que eu saiba.
O que eu sei
é que se transforma
numa matéria-prima
que a vida se encarrega
de transformar em raiva.
Ou em rima.


Por Luana Castro
Graduada em Letras

Capa do livro Paulo Leminski - O bandido que sabia latim, do escritor Toninho Vaz. Editora Record
Capa do livro Paulo Leminski - O bandido que sabia latim, do escritor Toninho Vaz. Editora Record

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

PEREZ, Luana Castro Alves. "Paulo Leminski"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/literatura/paulo-leminski.htm. Acesso em 19 de setembro de 2019.

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