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Plano Cohen

História do Brasil

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O Plano Cohen foi uma suposta tentativa de tomada do poder por parte dos comunistas, em 1937. Ele foi denunciado por Vargas pela rádio e foi utilizado como justificativa para o golpe de Estado que instalou a ditadura do Estado Novo, em 10 de novembro de 1937. Anos depois, comprovou-se a falsidade do plano e que sua real intenção era servir de justificativa para Getúlio Vargas instalar uma ditadura no Brasil.

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O que foi o Plano Cohen?

O Plano Cohen foi um documento obtido pelo governo de Getúlio Vargas, em setembro de 1937, no qual os comunistas organizavam tomar o poder no Brasil. Esse suposto plano previa a mobilização de trabalhadores para que aderissem a uma greve geral, incêndio de prédios públicos e até a eliminação física de autoridades que tentassem impedir a suposta revolta comunista. Segundo o governo, o plano teria sido elaborado pela Internacional Comunista.

A alta cúpula militar da época apresentou o Plano Cohen e, logo em seguida, o documento foi divulgado pela imprensa, gerando comoção em toda a sociedade. Vargas se utilizou disso para articular o cancelamento das eleições presidenciais em janeiro de 1938 e, dessa forma, continuar no governo.

Origens do Plano Cohen

O Plano Cohen foi notícia nos jornais após a sua divulgação pelo governo, que alarmou sobre o perigo de uma possível tomada de poder pelos comunistas.
O Plano Cohen foi notícia nos jornais após a sua divulgação pelo governo, que alarmou sobre o perigo de uma possível tomada de poder pelos comunistas.

A década de 1930 foi marcada pelo acirramento ideológico entre nazifascistas e comunistas. Do debate de ideias, passou-se para o confronto físico e armado, iniciando-se na Europa e se espalhando para outros países, como o Brasil. Grupos se formaram inspirados nessas duas ideologias. Esse é o caso, no Brasil, da Aliança Nacional Libertadora (ANL), pelo lado comunista, e da Ação Integralista Brasileira (AIB), de inspiração fascista.

Desde a promulgação da Constituição de 1934, Getúlio Vargas externava a sua preocupação com a fragilidade na legislação para coibir os confrontos ideológicos e manter a ordem social. No ano seguinte, aconteceu a Intentona Comunista, no Rio de Janeiro e em Natal (RN), um levante armado organizado pela ANL para derrubar Vargas do poder e instalar um governo comunista no Brasil. Porém, as tropas governistas derrotaram os revoltosos. Vale dizer que os trabalhadores não aderiram à causa comunista, em razão dos direitos trabalhistas concedidos pelo governo.

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Em 1937, o mandato presidencial de Vargas terminava, e se preparavam as eleições presidenciais. Os pretendentes ao cargo já se organizavam para fazer campanha eleitoral. Porém, Vargas, que chegou ao poder logo após a vitória da Revolução de 1930, demonstrava seu interesse em se manter na presidência, mas não tinha ainda justificativas para convencer a população da necessidade disso. Seu plano continuísta esbarrava na resistência de alguns governadores, como Flores da Cunha, do Rio Grande do Sul.

Getúlio Vargas usou o Plano Cohen como justificativa para o golpe de Estado que impôs a ditadura do Estado Novo a partir de 10 de novembro de 1937.
Getúlio Vargas usou o Plano Cohen como justificativa para o golpe de Estado que impôs a ditadura do Estado Novo a partir de 10 de novembro de 1937.

Golpe de 1937

O golpe de Estado liderado por Getúlio Vargas, em 10 de março de 1937, deu início à ditadura do Estado Novo. No mesmo dia do golpe, o Congresso foi fechado; os partidos políticos, extintos; e as liberdades individuais, suspensas. Além disso, a Constituição de 1934 foi anulada e outra Carta foi outorgada. A Constituição de 1937, escrita pelo jurista Francisco Campos, concedia a Vargas amplos poderes para governar o Brasil. Sem o Legislativo, o próprio presidente fazia as leis.

Vale registrar o exposto no preâmbulo da Carta de 1937|1|:

“Atendendo às legitimas aspirações do povo brasileiro à paz política e social, profundamente perturbada por conhecidos fatores de desordem, resultantes da crescente a gravação dos dissídios partidários, que, uma, notória propaganda demagógica procura desnaturar em luta de classes, e da extremação, de conflitos ideológicos, tendentes, pelo seu desenvolvimento natural, resolver-se em termos de violência, colocando a Nação sob a funesta iminência da guerra civil; Atendendo ao estado de apreensão criado no País pela infiltração comunista, que se torna dia a dia mais extensa e mais profunda, exigindo remédios, de caráter radical e permanente; Atendendo a que, sob as instituições anteriores, não dispunha, o Estado de meios normais de preservação e de defesa da paz, da segurança e do bem-estar do povo; Sem o apoio das forças armadas e cedendo às inspirações da opinião nacional, umas e outras justificadamente apreensivas diante dos perigos que ameaçam a nossa unidade e da rapidez com que se vem processando a decomposição das nossas instituições civis e políticas”

Nota-se que a participação das Forças Armadas no golpe de Estado liderado por Getúlio Vargas e as intenções da Constituição de 1937 se justificavam na tentativa dos comunistas de tomarem o poder. A instalação de uma ditadura no Brasil, isto é, a concentração de poderes na presidência da República, tinha como argumento a manutenção da ordem nacional e o combate ao comunismo.

Veja também: Direita e esquerda: o que significam esses termos na política?

Revelação da farsa

Em 1945, a ditadura do Estado Novo perdia força e a censura não estava tão atuante. O general Góis Monteiro, aproveitando a crise da ditadura varguista e com oito anos de atraso, revelou que o Plano Cohen era uma farsa.

Segundo ele, quem entregou o documento para o Estado Maior do Exército foi o capitão Olímpio Mourão, que era chefe do Serviço Secreto da Ação Integralista Brasileira. Mourão reconheceu a falsidade do plano e afirmou que era de uso restrito à AIB. O capitão acusou Góis Monteiro de usar o plano de forma indevida e que não acusou a farsa antes por causa da disciplina militar, isto é, ele não poderia questionar as ações dos seus superiores hierárquicos.

Com a revelação da farsa e o envolvimento da AIB, Plínio Salgado, seu maior chefe, pronunciou-se sobre o Plano Cohen, afirmando que não denunciou a falsidade do documento para que as Forças Armadas não fossem desmoralizadas. Em novembro de 1937, quando o plano foi utilizado para justificar o golpe de Getúlio Vargas, Plínio Salgado era candidato presidencial e abriu mão de sua candidatura para apoiar a ditadura do Estado Novo.

O general Góis Monteiro, em 1945, denunciou a farsa do Plano Cohen e apontou outros militares que participaram da elaboração do documento falso.
O general Góis Monteiro, em 1945, denunciou a farsa do Plano Cohen e apontou outros militares que participaram da elaboração do documento falso.

Consequências do Plano Cohen

As consequências do Plano Cohen estão ligadas ao golpe de Estado liderado por Getúlio Vargas, em 10 de novembro de 1937, que inaugurou a ditadura do Estado Novo. O documento, apesar da sua farsa, serviu de pretexto para Vargas conseguir o apoio da população ao seu projeto continuísta de poder, bem como a aliança com as Forças Armadas.

Veja também: Consolidação das leis trabalhistas na Era Vargas

Resumo sobre o Plano Cohen

  • O Plano Cohen foi um documento divulgado pelo governo de Getúlio Vargas, em 1937, que serviu de pretexto para o golpe de Estado que iniciou a ditadura do Estado Novo em novembro do mesmo ano.

  • Apesar de os comunistas terem se rebelado contra Getúlio Vargas em 1935, na Intentona Comunista, não havia qualquer plano de tomar o poder em 1937.

  • O golpe de 1937 anulou a Constituição de 1934 e outorgou uma Carta que dava amplos poderes a Vargas. Além disso, o Congresso foi fechado, os partidos políticos foram extintos e as liberdades individuais foram suspensas.

  • A farsa do Plano Cohen só foi revelada em 1945, quando o Estado Novo estava em crise. O general Góis Monteiro divulgou a falsidade do documento, e os envolvidos alegaram disciplina militar e não desmoralização das Forças Armadas para justificar o silêncio sobre a farsa.

Exercícios resolvidos

Questão 1 - O Plano Cohen foi um documento divulgado pelo governo de Getúlio Vargas, em setembro de 1937, que trazia uma suposta tentativa dos comunistas de tomarem o poder no Brasil. Esse plano serviu de justificativa para Getúlio Vargas:

A) aproximar-se do Partido Comunista em busca de uma trégua em nome da ordem social.

B) antecipar as eleições presidenciais de 1938 para garantir a democracia no Brasil.

C) dar um golpe de Estado e implantar a ditadura do Estado Novo.

D) pedir auxílio aos Estados Unidos para combater o comunismo.

Resolução

Alternativa C. Getúlio Vargas usou o Plano Cohen como justificativa para dar um golpe de Estado, instalar uma ditadura e obter amplos poderes. Dessa forma, as eleições presidenciais de 1938 foram canceladas.

Questão 2 - Em 1945, a ditadura do Estado Novo, liderada por Getúlio Vargas, estava em crise. O general Góis Monteiro aproveitou esse momento para afirmar que o Plano Cohen, denunciado pelo governo em 1937 e utilizado como justificativa para o golpe do Estado Novo:

A) continuava atual, pois o comunismo nunca deixou de ser uma ameaça para o Brasil.

B) foi uma farsa do Governo Vargas para justificar o golpe de Estado.

C) deveria ser usado novamente por Vargas para se manter no poder.

D) foi uma imposição norte-americana em troca de empréstimos para a industrialização.

Resolução

Alternativa B. O general Góis Monteiro denunciou a farsa do Plano Cohen somente em 1945, isto é, oito anos depois da divulgação do documento. Os envolvidos nessa farsa se defenderam dizendo que não denunciaram antes por questões disciplinares e para não desmoralizar as Forças Armadas.

Nota

|1| Texto da Constituição de 1937 disponível aqui. Acesso em 12 de abril de 2021.

 

Por Carlos César Higa
Professor de História

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

HIGA, Carlos César. "Plano Cohen"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/historiab/plano-cohen.htm. Acesso em 04 de agosto de 2021.

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