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Conjuração Baiana

A Conjuração Baiana ou Revolta dos Alfaiates aconteceu em Salvador, na Bahia, em 1798, e tinha como objetivos principais o rompimento com Portugal e a abolição da escravidão.

Cipriano Barata foi um dos líderes da Conjuração Baiana e colaborou na divulgação das ideias do movimento através de textos publicados em jornais.
Cipriano Barata foi um dos líderes da Conjuração Baiana e colaborou na divulgação das ideias do movimento através de textos publicados em jornais.
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A Conjuração Baiana foi uma revolta ocorrida em Salvador, capital da Bahia, em 1798. É também conhecida como Revolta dos Alfaiates por conta da profissão dos seus principais líderes. A conjuração foi fortemente influenciada pela independência do Haiti, quando escravos organizaram um levante contra os colonizadores franceses. Além disso, outro motivo da revolta foi a grave crise social e econômica que assolava Salvador no final do século XVIII. O governo baiano conseguiu reprimir a rebelião, e, em 1799, os rebeldes foram julgados e condenados à morte.

Leia também: Revolução Pernambucana — o último movimento separatista do Brasil Colônia

Tópicos deste artigo

Resumo sobre Conjuração Baiana

  • A Conjuração Baiana, também conhecida como Revolta dos Alfaiates, aconteceu em Salvador, em 1798, e foi influenciada pela independência do Haiti.

  • As causas da conjuração foram o domínio português sobre o Brasil, a escravidão e a crise social e econômica da Bahia.

  • O governo baiano conseguiu debelar a revolta e prender seus líderes, que foram condenados à morte, em 1799.

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Contexto histórico da Conjuração Baiana

O processo de independência do Haiti, iniciado em 1791, serviu de exemplo para as colônias europeias na América. Os escravos haitianos se rebelaram contra a dominação francesa e deram início a uma revolução que culminou na emancipação do país caribenho.

As metrópoles tentaram impedir que as notícias vindas do Haiti chegassem até suas colônias, pois temiam que estas seguissem o mesmo caminho. Porém, além de as notícias chegarem até as colônias, a grave crise econômica e social vivida no final do século XVIII acirrou ainda mais a tensão entre colonizados e colonizadores.

Em Salvador, a situação econômico-social se agravou logo após a transferência da capital do Brasil para o Rio de Janeiro. A cana-de-açúcar, que, durante os primeiros anos da colônia, tanto lucro deu aos senhores de engenho baianos, agora era causa de uma grave crise.

As minas de ouro encontradas em Minas Gerais fizeram com que a Coroa portuguesa mudasse a capital de Salvador para o Rio de Janeiro para que o controle da extração de metais preciosos pudesse ser mais bem fiscalizado. Sem contar com uma atividade econômica que pudesse desenvolver a região, a população mais pobre de Salvador estava insatisfeita com a situação de penumbra em que viviam e se dispuseram a pegar em armas contra a ordem política vigente.

No final do século XVIII, acontecia a Revolução Francesa, e seus ideais de igualdade, fraternidade e liberdade foram disseminados para o mundo inteiro. No Brasil, a maçonaria teve papel de destaque na divulgação desses ideais.

Em Salvador, a primeira loja maçônica, conhecida como Cavaleiros da Luz, abrigou os intelectuais baianos que estavam insatisfeitos com a situação de sua terra e pretendiam arquitetar uma revolta contra a Coroa portuguesa, motivados pelos acontecimentos na França.

A Independência dos Estados Unidos, em 1776, impulsionou várias colônias americanas a lutarem pela liberdade e se oporem ao domínio e à exploração europeia. A Revolução Americana serviu de exemplo para vários movimentos anticoloniais, como a Conjuração Baiana.

Leia também: Como a atividade mineradora se efetivou no contexto do Brasil Colônia?

Causas da Conjuração Baiana

As causas da Conjuração Baiana estavam ligadas às questões sociais e apontavam também à influência da Revolução Francesa. Suas principais causas foram

  • a crise social e econômica na Bahia, que provocava o empobrecimento da maioria da população;

  • o domínio de Portugal sobre o Brasil, não permitindo o livre comércio;

  • a escravidão dos negros e suas péssimas condições de vida e de trabalho.

O movimento

A publicação de panfletos foi fundamental para a organização do movimento e união de forças para sua execução. Os escritos de Luiz Carlos das Virgens e de Cipriano Barata colaboraram para a difusão dos ideais da conjuração. O governo baiano, porém, ameaçou prender quem estivesse por trás da confecção e distribuição dos panfletos.

A fundação da loja maçônica Cavaleiros da Luz, em Salvador, teve papel importante na discussão e divulgação das ideias dos rebeldes. A loja foi fundada pelo militar francês Antoine Larcher, que abriu espaço para a discussão das ideias iluministas e da abolição da escravidão.

Os participantes discutiam textos dos pensadores Jean-Jacques Rousseau e Voltaire. Esses debates atraiam a atenção dos baianos menos favorecidos, que sofriam com a crise social e econômica que assolava a Bahia àquela época.

Leia também: Inconfidência Mineira — uma das maiores revoltas organizadas contra a Coroa portuguesa

Os líderes da Conjuração Baiana

A Conjuração Baiana teve como líderes integrantes da elite local e soldados, mas também indivíduos da classe mais pobre. Cipriano Barata foi responsável pela confecção de panfletos que eram distribuídos e colados nas portas das igrejas em Salvador. A liderança era representada por classes sociais que não tinham tanto destaque na sociedade baiana da época. Eram alfaiates, soldados de baixa patente, escravos libertos e brancos pobres.

Alguns líderes destacados da conjuração foram os soldados Luís Gonzaga das Virgens e Lucas Dantas, que tiveram participação importante na propagação dos ideais da revolta. Manuel Faustino dos Santos Lira e João de Deus do Nascimento representavam os alfaiates.

Fim da Conjuração Baiana

No dia 12 de agosto de 1798, as tropas governamentais prenderam integrantes do movimento que estavam distribuindo folhetos em Salvador. Os presos delataram seus companheiros, que, por sua vez, também foram presos. Portanto, o movimento não contou com um ato concreto, pois os rebeldes foram presos antes de a rebelião ter um início.

Alguns historiadores comparam a Conjuração Baiana à Inconfidência Mineira, pois ambos os eventos não chegaram a acontecer de fato, mas seus princípios mobilizaram o apoio da população mais pobre e da elite local. Os revoltosos presos foram julgados e condenados à morte. Eles foram enforcados em praça pública e tiveram seus corpos esquartejados como forma de exemplo para quem quisesse seguir o mesmo caminho deles.

Além desses fatores, a imprensa teve um papel decisivo tanto na difusão dos ideais dos insurgentes como para unir forças populares pela causa em questão.

A forma violenta com que a Coroa portuguesa puniu os participantes da conjuração demonstrou sua intolerância contra qualquer revolta em relação ao sistema colonial. Mesmo com a repressão, o movimento lançou sementes para outras revoltas separatistas que teriam Salvador como cenário.

Videoaula sobre Inconfidência Mineira x Conjuração Baiana

Exercícios resolvidos sobre Conjuração Baiana

1) Indique quais desses acontecimentos inspiraram a Conjuração Baiana:

a) A Viradeira, em Portugal.

b) A independência do Haiti.

c) A expulsão dos holandeses do Brasil.

d) A União Ibérica.

e) A Revolução Mexicana.

Resolução: Letra B

A independência do Haiti foi um dos principais motivadores da Conjuração Baiana, pois suas lideranças pertenciam à classe popular, que lutava contra a exploração da elite colonial.

2) (FCC-SP) A Conjuração Baiana (1798) caracterizou-se por ser um movimento que

a) teve participação popular, com vista à concretiza­ção de reivindicações sociais.

b) atraiu a burguesia conservadora, que não desejava a continuação do pacto colonial.

c) envolveu, predominantemente, grupos militares influenciados pela Revolução Norte-Americana.

d) visava a impedir a crescente influência da maçonaria na política de Portugal em relação ao Brasil.

Resolução: Letra A

A Conjuração Baiana obteve participação popular, pois a classe baixa era a mais atingida pela crise econômica sofrida pela província da Bahia no final do século XVIII.

 

Por Carlos César Higa
Professor de História

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

HIGA, Carlos César. "Conjuração Baiana"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/historiab/a-revolta-dos-alfaiates.htm. Acesso em 26 de maio de 2022.

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