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Macrocefalia urbana

A macrocefalia urbana é caracterizada pela ampla concentração de atividades econômicas e população em uma única cidade. Dela resultam problemas socioeconômicos e ambientais.

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A macrocefalia urbana é um fenômeno urbano caracterizado pela concentração de serviços, atividades econômicas e população em uma determinada cidade ou área urbana. Ocorre principalmente nos países subdesenvolvidos, como o Brasil.

Suas causas estão atreladas a um rápido processo de urbanização e intensificação dos deslocamentos populacionais do campo para a cidade e à formação dos grandes centros urbanos. Entre as consequências do inchaço das cidades estão a favelização e o aprofundamento da segregação socioespacial.

Leia também: Hierarquia urbana mundial forma de organização e classificação das cidades

Tópicos deste artigo

O que é macrocefalia urbana?

A macrocefalia urbana é um fenômeno que acontece em grandes cidades, sobretudo de países ou regiões subdesenvolvidas do mundo, e que pode ser descrito como a concentração espacial desigual de pessoas e de serviços dos mais variados tipos em uma determinada cidade ou aglomeração urbana. Está associada diretamente ao processo de formação das metrópoles, mas o seu acontecimento não se restringe apenas às regiões metropolitanas|1|.

A distribuição não homogênea de infraestrutura, tecnologias, atividades econômicas e produtivas, serviços e, por conseguinte, da população acarreta consequências para os indivíduos que ali vivem e que constroem diariamente o espaço urbano, para o meio ambiente e, de um modo geral, para o tecido urbano. Essas consequências estão atreladas à falta de estrutura das cidades para receber novos contingentes populacionais.

Em suma, a macrocefalia urbana é caracterizada pelo crescimento urbano intenso e desordenado e pela ausência de estrutura física e econômica para comportar essas transformações.

O crescimento desigual e desordenado das cidades e a ausência de estrutura para atender às novas demandas configuram a chamada macrocefalia urbana.
O crescimento desigual e desordenado das cidades e a ausência de estrutura para atender às novas demandas configuram a chamada macrocefalia urbana.

O que causa a macrocefalia urbana?

A macrocefalia urbana remonta à maneira como se deu o processo de urbanização nos países subdesenvolvidos e à ausência ou ineficiência de planejamento urbano e de gestão por parte do poder público.

O crescimento das áreas urbanas em países como o Brasil teve início a partir da industrialização, que ocorreu tardiamente em comparação às nações desenvolvidas. Esse processo se acelerou a partir da segunda metade do século XX, impulsionado pela modernização do campo e intensificação do fluxo migratório da zona rural para a zona urbana (êxodo rural). Ademais, condicionados por fatores históricos e econômicos, as atividades produtivas, os serviços e a infraestrutura distribuem-se de forma desigual no espaço, concentrando-se em determinados centros urbanos.

Os eventos acima descritos levaram a um crescimento rápido e desordenado das grandes cidades, as quais não possuem estrutura para comportar e atender adequadamente a toda a sua população. Instala-se, portanto, um quadro macrocefálico.

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Consequências da macrocefalia urbana

O inchaço urbano observado principalmente nas grandes cidades e metrópoles resultam em consequências sociais, econômicas e ambientais. Uma das mais flagrantes é a marginalização de uma parcela da população urbana, o que é decorrente de diversos fatores, como a falta de oportunidades no mercado de trabalho ou baixa qualificação, fazendo crescer o número de trabalhadores informais e também de desempregados. Há, com isso, o aumento de habitações precárias, por vezes em áreas irregulares, gerando o processo de favelização e a intensificação da segregação urbana.

Diante desse quadro, ficam evidentes outros problemas infraestruturais das grandes cidades, como o acesso a serviços básicos como saneamento, cujas redes não atendem a toda a população, a precariedade dos transportes públicos e a falta de uma rede de transporte mais abrangente que promova maior integração entre os diversos pontos da cidade e outras questões ligadas à mobilidade urbana.

Muitos desequilíbrios ambientais são provocados, ainda, pela falta de planejamento urbano e pela infraestrutura precária, como os diversos tipos de poluição, sobretudo dos rios e do solo.

A cidade de São Paulo é um exemplo de cidade macrocefálica.
A cidade de São Paulo é um exemplo de cidade macrocefálica.

Milton Santos e a macrocefalia urbana

Milton Santos é um dos principais nomes da Geografia brasileira e um dos maiores pensadores do país. Em sua vasta bibliografia, o geógrafo discorreu sobre o tema da organização territorial dos países subdesenvolvidos, discutindo o processo de urbanização pautado pela distribuição espacial desigual que aconteceu nos países subdesenvolvidos.

Em seus escritos, Milton Santos deixa clara a noção de que a concentração da produção, consequentemente de capitais e da tecnologia em algumas cidades, assim como a concentração populacional estão no cerne do fenômeno da macrocefalia urbana. Em obras como Economia Espacial e Por Uma Geografia Nova, o autor descreve a macrocefalia urbana como resultado da modernização técnica e da concentração espacial que elas ocasionam em algumas cidades selecionadas|1| — ou que dispõem de vantagens locacionais.

Em O Espaço Dividido, Santos apresenta uma definição para a macrocefalia urbana amplamente utilizada nos textos acadêmicos que se voltam ao estudo dos fenômenos urbanos. A concentração técnica e produtiva que ocorre em determinadas cidades se torna, além de um atrativo para uma maior diversidade de agentes econômicos e produtivos, um atrativo populacional, redirecionando, assim, o fluxo de pessoas para esses centros. A partir desse movimento, desencadeia-se uma série de problemas característicos de áreas com inchaço urbano, que vão do desemprego às ocupações precárias e questões relacionadas à segurança pública|2|.

Veja também: Qual é a função das cidades?

Exercícios resolvidos

Questão 1 – A macrocefalia urbana é um fenômeno característico de países subdesenvolvidos. São exemplos de cidades que podem ser consideradas macrocefálicas São Paulo, Cidade do México e Lima. Alguns fatores são elencados como os responsáveis pelo inchaço urbano, exceto:

A) a falta de infraestrutura dos centros urbanos para comportar o novo fluxo populacional.
B) o processo de favelização e aprofundamento da segregação espacial.
C) a intensificação do êxodo rural.
D) a distribuição desigual das atividades produtivas no espaço.
E) a urbanização acelerada impulsionada pela industrialização.

Resolução

Alternativa B. O aprofundamento da segregação espacial é apontado como uma das consequências relacionadas ao crescimento rápido e desordenado dos grandes centros urbanos.

Questão 2 – (Unifal) Leia as afirmativas a seguir.

I – O êxodo rural é uma das causas da urbanização acelerada que acarreta, entre outros problemas, o aumento do desemprego e o crescimento do setor informal das cidades nos países de industrialização tardia.

II – O crescimento da taxa de urbanização implica uma acentuada melhoria nas condições de vida da população dos países subdesenvolvidos.

III – O aumento das favelas, dos loteamentos clandestinos e da população sem-teto pode ser apontado como consequência do êxodo rural e da crescente urbanização.

Com base nessas afirmativas sobre urbanização, marque a alternativa correta.

A) Apenas I e II estão corretas.
B) Apenas I e III estão corretas.
C) Todas as alternativas estão corretas.
D) Apenas III está correta.

Resolução

Alternativa B. A única afirmação incorreta é a segunda. O rápido crescimento da taxa de urbanização nos países subdesenvolvidos acarretou o aprofundamento dos problemas socioeconômicos nas cidades e o processo de exclusão de uma parte da população.

Notas

|1| SANTOS, Milton. Por uma Geografia Nova: Da Crítica da Geografia a uma Geografia Crítica. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2004. (Coleção Milton Santos; 2)

|2| SANTOS, Milton. O Espaço Dividido: Os Dois Circuitos da Economia Urbana dos Países Subdesenvolvidos. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2004, 2ª edição.

 

Por Paloma Guitarrara
Professora de Geografia

Escritor do artigo
Escrito por: Paloma Guitarrara Licenciada e bacharel em Geografia pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e mestre em Geografia na área de Análise Ambiental e Dinâmica Territorial também pela UNICAMP. Atuo como professora de Geografia e Atualidades e redatora de textos didáticos.

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

GUITARRARA, Paloma. "Macrocefalia urbana"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/geografia/macrocefalia-urbana.htm. Acesso em 19 de julho de 2024.

De estudante para estudante


Lista de exercícios


Exercício 1

Qual alternativa apresenta corretamente o conceito de macrocefalia urbana?

a) Construção de moradias em áreas insalubres conhecidas como palafitas.

b) Expansão das manchas urbanas das cidades em áreas de interesse ambiental.

c) Acentuação do volume de casas em uma determinada região das cidades.

d) Elevação do volume de pessoas que vivem em zonas consideradas urbanas.

e) Concentração espacial de pessoas e serviços em poucos centros urbanos.

Exercício 2

O processo de macrocefalia urbana é presente com frequência em países

a) subdesenvolvidos.

b) desenvolvidos.

c) socialistas.

d) emergentes.

e) industrializados.