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Metafísica

Filosofia

Metafísica é um estudo filosófico iniciado por Aristóteles, que passou a tentar compreender o que chamava de “ser enquanto ser” sem necessidade de intervenção prática.
O início da metafísica está na filosofia grega clássica.
O início da metafísica está na filosofia grega clássica.
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A palavra metafísica designa desde a compreensão do mundo por meio do puro intelecto (por meio da ontologia) até uma visão sobrenatural das estruturas do cosmo. Temos diferenças na compreensão da metafísica por filósofos clássicos, medievais e modernos, além de existir um grupo de filósofos críticos da metafísica a partir do século XX. Os primeiros estudos de metafísica foram empreendidos por Aristóteles e marcam o início de uma longa tradição de conhecimento ocidental.

Leia mais: Empirismo – campo da filosofia que defende a construção do conhecimento por meio da experiência

Resumo sobre metafísica

  • Aristóteles iniciou os estudos de metafísica.
  • A metafísica aristotélica busca compreender as estruturas do mundo por meio da ontologia.
  • Agostinho e Tomás de Aquino continuaram os estudos de metafísica no medievo.
  • Para Kant, a metafísica é o fundamento da realidade suprassensível.

O que é metafísica?

A metafísica é mais que uma área de estudo da filosofia, ela é um sistema filosófico. Busca a compreensão do mundo por meio de certas vias, como a ontológica ou a teológica, mas ela sempre busca uma compreensão da realidade suprassensível. Por isso, na filosofia oriental e até mesmo no vocabulário popular, a metafísica é associada ao conhecimento do mundo imaterial e puramente racional, muitas vezes espiritual. Na filosofia medieval, ela também tem essa designação por meio dos estudos de Tomás de Aquino. 

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Para o filósofo grego antigo Aristóteles, a metafísica se faz pela via ontológica. Ela é um modo de acessar um conhecimento transcendental, ou seja, que transcende a materialidade e os graus do conhecimento relacionados à vivência material do mundo. Por isso, Aristóteles chamava seus estudos nessa área de “filosofia primeira”, pois é uma filosofia que acessa diretamente o conhecimento sem o intermédio da materialidade.

Quem criou a palavra metafísica foi Andrônico de Rodes, um dos discípulos peripatéticos de Aristóteles. Organizando a biblioteca de pergaminhos deixada pelo mestre, Andrônico percebeu que todos os escritos catalogados se encerravam na “física”. Sobraram apenas um conjunto de escritos chamado de “estudos de filosofia primeira” pelo próprio Aristóteles.

Por esses estudos se localizarem após a física na biblioteca e por se estenderem além do mundo físico, o nome metafísica acabou encaixando bem. A metafísica, com seu estudo geral sobre o ser, abre caminho para todas as outras ciências, que têm seus sentidos particulares.

O filósofo iluminista alemão Immanuel Kant foi além e designou como metafísica todo um conjunto de leis constitutivas da razão para além de qualquer elemento do mundo sensível ou prático.

  • Videoaula sobre metafísica de Aristóteles

Qual é o objeto de estudo da metafísica?

Imagem de Immanuel Kant
Immanuel Kant, um metafísico do século XVIII.

Não há um único objeto de estudo da metafísica se pegarmos toda a história da filosofia. Aristóteles se baseou no estudo do ser. O ser puro, o ser enquanto ser. Para aprofundar, ele teceu um estudo sobre a origem do próprio ser, chegando, por exemplo, a uma teoria de fundo cosmológico que afirma que existem quatro causas que dão origem a todos os seres. As causas são: material, formal, eficiente e final.

Para os medievais, sobretudo para Tomás de Aquino, a metafísica é a via racional para chegar-se a Deus, sendo esse o objeto de estudo metafísico. Antes dele, Agostinho formulou a teoria da iluminação, que diz que o conhecimento é um toque da iluminação divina. Com sua teoria, ele também explica a questão do bem e do mal com base na visão cristã, mas com um toque de racionalidade. Para Immanuel Kant, as vias de estudo metafísico passam pelo conhecimento a priori, ou seja, o conhecimento que não passa pela realidade sensível, a posteriori.

Confira no nosso podcast: Ser, ter e aparecer: conflitos da subjetividade humana 

Quem estuda metafísica?

Críticas à metafísica

Imagem de Auguste Comte
Auguste Comte, o formulador do positivismo, uma visão crítica da metafísica no século XIX.

Com base no criticismo (ainda metafísico) de Immanuel Kant, uma série de críticas à metafísica (que também incluíam críticas ao racionalismo moderno) surgiram ao longo do século XIX. O positivismo do filósofo francês Auguste Comte, por exemplo, foi uma dessas correntes críticas.

O positivismo de Comte admite que o conhecimento verdadeiro é aquele que parte da observação científica do mundo e da natureza. As especulações metafísicas, portanto, compreendem uma visão de mundo que deveria dar lugar à visão científica. Ele não desprezou a metafísica, apenas admitiu que ela é o início da busca pelo conhecimento racional, mas essa busca deve dar origem a uma observação mais científica.

Arthur Schopenhauer, apesar de crítico do racionalismo, não é bem um crítico da metafísica em si. Ele critica a posição demasiadamente racionalista de Kant e propõe uma metafísica baseada no que ele chamou de verdade, uma espécie de força cósmica que move o Universo.

O filósofo alemão Friedrich Nietzsche também é um dos críticos da metafísica, associando ela a um movimento de declínio intelectual e filosófico que fez com que o intelecto humano deixasse de olhar para o ser humano e para a vida material (a única que existe para Nietzsche) como possibilidades da composição da realidade.

 

Por Francisco Porfírio
Professor de Filosofia

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

PORFíRIO, Francisco. "Metafísica"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/filosofia/metafisica.htm. Acesso em 19 de outubro de 2021.

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