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Livre mercado

Livre mercado é um modelo econômico que se desenvolveu no âmbito do sistema capitalista. É caracterizado pela não intervenção do Estado e pela autorregulação da economia.

Pilhas de moedas e gráficos financeiros, uma alusão ao liberalismo econômico.
O livre mercado é um modelo econômico baseado na autorregulação do mercado e nas trocas voluntárias.
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Livre mercado é um modelo econômico que tem como principal característica a não intervenção do Estado na economia. Originado da doutrina do liberalismo econômico, o livre mercado constitui a base do sistema capitalista e se orienta com base na lei da oferta e da demanda. As trocas que acontecem no seu âmbito são voluntárias, isto é, se dão conforme a vontade e disponibilidade dos agentes econômicos (indivíduos, bancos, empresas).

Diferentemente de economias planificadas, no modelo de livre mercado a regulação do sistema é feita por meio de mecanismos internos próprios, configurando, assim, a autorregulação do mercado.

Leia também: Commodities — mercadorias negociadas nas bolsas de valores de acordo com a oferta e a demanda

Tópicos deste artigo

Resumo sobre livre mercado

  • O livre mercado é um modelo econômico caracterizado pela não intervenção do Estado na economia. As trocas econômicas e comerciais acontecem de maneira voluntária.

  • Funciona com base na lei da oferta e da demanda e na autorregulação do mercado.

  • Representa um dos pilares do sistema capitalista.

  • É presente na doutrina do liberalismo econômico, que tem Adam Smith como um de seus principais teóricos.

  • Apresenta algumas vantagens, como a liberdade de atuação dos agentes econômicos e o aperfeiçoamento produtivo ocasionado pela competitividade entre empresas.

  • Entre as suas desvantagens, está o fato de aprofundar as desigualdades socioeconômicas e contribuir para a precarização do trabalho em determinados ramos da economia.

  • O papel do Estado na economia é o fator que difere o livre mercado do socialismo. No segundo sistema, a produção e o funcionamento do mercado são direcionados pelo Estado.

O que é livre mercado?

O livre mercado é o princípio básico da doutrina econômica conhecida como liberalismo econômico. Pode ser descrito também como um modelo econômico que defende que a economia deve ser regulada por meio de seus próprios mecanismos internos, sem a intervenção dos agentes públicos e das políticas promovidas pelo Estado. Nesse sentido, as trocas comerciais e as transações de mercado se realizam de acordo com a vontade do indivíduo e/ou das empresas, ou seja, de maneira voluntária.

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Laissez-faire e o conceito de livre mercado

Em função das características elencadas acima, o livre mercado é descrito, muitas vezes, pela expressão em francês laissez-faire, diretamente relacionada com a doutrina do liberalismo econômico e que significa, literalmente, “deixe fazer”. Aplicada inicialmente pelos fisiocratas para a descrição de um sistema econômico ideal, sem a interferência do Estado, a expressão laissez-faire foi também incorporada por importantes nomes do pensamento liberal, como Adam Smith (1723-1790) e John Stuart Mill (1806-1873).

O livre mercado é, com isso, um modelo econômico que se realiza e prospera, em grande medida, no sistema capitalista — baseado na garantia do lucro, na divisão da sociedade em classes e na propriedade privada, além da autorregulação do mercado.

Veja também: O que é capitalismo financeiro?

Quais são as características do livre mercado?

A principal característica do livre mercado, e que orienta todo o pensamento e a doutrina liberal, é a ausência de atuação do Estado em questões que dizem respeito ao funcionamento da economia. A circulação de mercadorias, as trocas comerciais, a definição e flutuação dos preços, o direcionamento dos investimentos privados e todas as demais atividades desenvolvidas no meio econômico são guiados pelos mecanismos próprios a eles, e os governos e, em maior escala, o Estado não participam em nenhuma dessas trocas, segundo o modelo do livre mercado.

No sistema em que o livre mercado impera, a competição entre as empresas acontece livremente, o que, em tese, amplia o grau de competitividade e instiga a realização de melhorias no produto e no processo de produção, ou nos serviços oferecidos à sociedade.

Como funciona o livre mercado?

O funcionamento do livre mercado pode ser explicado de maneira simplificada por meio da lei da oferta e da demanda (ou da procura). De acordo com essa lei, os preços das mercadorias e dos serviços são determinados pela sua disponibilidade no mercado e pela demanda, gerada pelos consumidores em potencial daquele item ou conjunto de serviços.

Em termos práticos, quando o volume disponível do mercado é maior do que a demanda, os preços apresentam queda. No sentido contrário, a escassez de determinado produto ou da oferta de um serviço, quando se depara com maior demanda, faz com que haja um aumento nos preços.

Mulher empurrando um carrinho de compras em um supermercado, representando oferta e procura no livre mercado.
A lei da oferta e da demanda é um dos mecanismos de funcionamento do livre mercado.

Em uma economia de mercado, o funcionamento se dá, portanto, por meio de mecanismos de autorregulação. Esses mecanismos são o que Adam Smith chamou de “mão invisível” do mercado, responsável pela garantia do equilíbrio econômico e pelo restabelecimento da ordem em caso de distúrbios que afetem o andamento da economia de determinado local. É importante reforçar, ainda, a noção de que as trocas que acontecem são voluntárias, e o Estado ou qualquer tipo de agente público não participa das decisões.

O livre mercado no Brasil

Os desafios para a maior liberalização da economia do Brasil, orientada pelos mecanismos autorreguladores de mercado, são tema de intensos debates no meio acadêmico e na sociedade brasileira como um todo. A implementação do liberalismo na economia nacional aconteceu, a partir do início do século XIX, com a abertura dos portos e a maior liberdade com relação ao comércio externo.

A ocorrência de uma profunda crise econômica internacional durante a década de 1930 e os impactos que ela surtiu no país fizeram com que o Estado passasse a atuar de maneira mais presente na regulação de parte da economia, padrão que permanece até os dias atuais. Mais à frente, teríamos a adoção de medidas neoliberais no final do século XX, período marcado pela internacionalização do mercado brasileiro, além do ingresso expressivo de empresas e investimentos estrangeiros no território nacional.

Hoje o Brasil aparece na posição 127 do Índice de Liberdade Econômica, uma classificação liderada por Cingapura e pela Suíça. Embora os mecanismos de livre mercado estejam presentes na economia brasileira, uma análise do Banco Mundial indica que as instabilidades macroeconômicas, que reverberam sobre a economia como um todo, são os principais fatores que impediram e ainda impedem o maior avanço do livre mercado no Brasil.

Saiba mais: Principais diferenças entre capitalismo e socialismo

Quais as vantagens e desvantagens do livre mercado?

  • Vantagens do livre mercado: o livre mercado é um sistema que garante a liberdade de atuação dos agentes econômicos, que podem ser pessoas, bancos, empresas ou conglomerados. O seu funcionamento garante uma maior diversidade de produtos e serviços disponíveis para a escolha da sociedade, da mesma maneira que estimula a implementação de melhorias nas empresas para a oferta de mercadorias e serviços com maior qualidade, tornando as empresas mais competitivas.

  • Desvantagens do livre mercado: a forma como o livre mercado funciona impacta negativamente aqueles produtores com menos recursos financeiros e menos acesso a crédito com os bancos privados, sendo impedidos de competir de maneira igualitária com as grandes empresas. O mesmo acontece em larga escala no contexto da divisão internacional do trabalho, em que países subdesenvolvidos acabam ficando de fora desse sistema. A ausência completa das políticas de Estado acaba também por aprofundar as desigualdades socioeconômicas e provocar problemas como a precarização do trabalho.

Diferenças entre livre mercado e socialismo

  • Livre mercado: tem como base a não intervenção do Estado nas atividades econômicas. Isso significa que os agentes públicos e governos não devem interferir nas transações comerciais e nas operações econômicas e financeiras que acontecem, cabendo a eles as suas funções no território e na sociedade. O livre mercado se desenvolve no sistema capitalista de produção.

  • Economia planificada (socialismo): está presente no sistema socialista e, diferentemente do livre mercado, é caracterizada pela centralização das atividades produtivas e das políticas de regulamentação econômica no Estado. Nesse sistema, o poder público e as empresas estatais são os mais atuantes, ao passo que as empresas privadas possuem ação limitada ou inexistente. Outros aspectos importantes da economia socialista são a regulação da produção e a padronização dos preços. Não existe, portanto, a autorregulação do mercado, característica do liberalismo.

Exercício resolvido sobre livre mercado

Questão 1) (Enem 2020) Num mundo como o nosso, por um lado marcado pela fluidez do espaço, as questões ligadas à circulação se tornam ainda mais relevantes e, com elas, a situação de um dos componentes mais emblemáticos dos territórios: seus limites. E é aí que surge um dos grandes paradoxos da geografia contemporânea: ao lado da fluidez globalizada aparecem também os fechamentos, as tentativas de controle da circulação de pessoas.

HAESBAERT, R. Da multiterritorialidade aos novos muros: paradoxos da desterritorialização contemporânea. Disponível em: www.posgeo.uff.br. Acesso em: 2 jan. 2013 (adaptado).

O texto aborda um paradoxo marcante do mundo contemporâneo que consiste na oposição entre:

a) blocos supranacionais e ineficiência do transporte.

b) livre mercado e construção de barreiras fronteiriças.

c) tecnologias da informação e desemprego estrutural.

d) desconcentração industrial e concentração de capital.

e) redução da pobreza e aumento da desigualdade social.

Resolução:

Alternativa B. O paradoxo do mundo globalizado exposto por Haesbaert no trecho do enunciado é formado pela liberdade de mercado — que intensificou o fluxo de mercadorias e investimentos em todo o mundo — e pela manutenção das barreiras fronteiriças dos territórios nacionais — que impedem ou dificultam a livre circulação de pessoas.

 

Por Paloma Guitarrara
Professora de Geografia

Escritor do artigo
Escrito por: Paloma Guitarrara Licenciada e bacharel em Geografia pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e mestre em Geografia na área de Análise Ambiental e Dinâmica Territorial também pela UNICAMP. Atuo como professora de Geografia e Atualidades e redatora de textos didáticos.

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

GUITARRARA, Paloma. "Livre mercado"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/economia/livre-mercado.htm. Acesso em 24 de maio de 2024.

De estudante para estudante


Lista de exercícios


Exercício 1

Em qual doutrina econômica está baseado o modelo de livre mercado?

a) Ambientalismo

b) Liberalismo

c) Comunismo

d) Socialismo

e) Keynesianismo

Exercício 2

São características relacionadas ao livre mercado, com exceção da

a) objetivação do lucro.

b) autorregulação do mercado.

c) planificação da economia.

d) divisão das classes sociais.

e) propriedade privada.