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Neoclassicismo

O neoclassicismo é um estilo de época do século XVIII. Ele é antibarroco e valoriza a racionalidade. Artistas como o francês Ingres e o italiano Canova são neoclássicos.

“A grande odalisca”, de Jean-Auguste Dominique Ingres, é um exemplo de pintura do neoclassicismo.
“A grande odalisca”, pintura neoclássica de Jean-Auguste Dominique Ingres.
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O neoclassicismo foi um estilo de época nascido no século XVIII. Ele influenciou artistas de todo o Ocidente. As principais características neoclássicas são a racionalidade, a objetividade e o equilíbrio. As obras da arquitetura neoclássica apresentam harmonia geométrica. Na pintura e na escultura, ficam em evidência a beleza e a nudez. Já a literatura é marcada pela valorização da vida campestre e do amor idealizado.

Leia também: Neorrealismo — o movimento artístico cujas obras são ideologicamente comprometidas com questões sociais

Tópicos deste artigo

Resumo sobre o neoclassicismo

  • O neoclassicismo foi um estilo de época surgido no século XVIII, na Europa.

  • Em oposição ao movimento barroco, ele apresenta objetividade, simplicidade e equilíbrio.

  • Debret, Taunay e Montigny são conhecidos nomes da arte neoclássica.

  • Obras como Eros e Psiquê, de Canova, fazem parte do neoclassicismo.

  • A literatura neoclássica, ou arcadismo, apresenta elementos como pastoralismo e temas greco-latinos.

O que é neoclassicismo?

O neoclassicismo é um estilo de época surgido na Europa do século XVIII. Ele é um reflexo das ideias iluministas que predominavam nesse período histórico, mas não nos esqueçamos de que já houve estilo semelhante, chamado classicismo (século XVI). Ambos trazem a mesma concepção. O prefixo “neo” é utilizado para indicar que os artistas estavam fazendo uma retomada da estética do classicismo.

Características do neoclassicismo

“A morte de Sócrates”, de Jacques Louis David, uma obra que evidencia as referências greco-romanas do neoclassicismo.
Na obra “A morte de Sócrates”, de Jacques Louis David, é possível ver de forma clara as referências greco-romanas do neoclassicismo.
  • Objetividade

  • Clareza

  • Racionalismo

  • Equilíbrio

  • Simplicidade

  • Antibarroco

  • Referências greco-romanas

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Principais artistas do neoclassicismo

  • Jacques Soufflot (1713-1780) — arquiteto francês

  • William Chambers (1723-1796) — arquiteto britânico

  • Robert Adam (1728-1792) — arquiteto escocês

  • Cláudio Manuel da Costa (1729-1789) — poeta brasileiro

  • Angelica Kauffmann (1741-1807) — pintora suíça

  • Tomás Antônio Gonzaga (1744-1810) — poeta brasileiro

  • Nicolas-Antoine Taunay (1755-1830) — pintor francês

  • Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) — compositor austríaco

  • Antonio Canova (1757-1822) — escultor italiano

  • Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805) — poeta português

  • Marie-Guillemine Benoist (1768-1826) — pintora francesa

  • José Álvarez de Pereira y Cubero (1768-1827) — escultor espanhol

  • Jean-Baptiste Debret (1768-1848) — pintor francês

  • João José de Aguiar (1769-1841) — escultor português

  • Auguste Henri Victor Grandjean de Montigny (1776-1850) — arquiteto francês

  • Jean-Auguste Dominique Ingres (1780-1867) — pintor francês

  • Pedro Américo (1843-1905) — pintor brasileiro

  • Mary Edmonia Lewis (1844-1907) — escultora estado-unidense

Principais obras do neoclassicismo

  • Panteão de Paris (1755), de Jacques Soufflot

  • Kedleston Hall (1759), de Robert Adam

  • Obras poéticas de Glauceste Satúrnio (1768), de Cláudio Manuel da Costa

  • Ariadne abandonada por Teseu (1774), de Angelica Kauffmann

  • A casa de Somerset (1776), de William Chambers

  • Inocência entre o vício e a virtude (1790), de Marie-Guillemine Benoist

  • A flauta mágica (1791), de Wolfgang Amadeus Mozart

  • Queixumes do pastor Elmano contra a falsidade da pastora Urselina (1791), de Manuel Maria Barbosa du Bocage

  • Marília de Dirceu (1792), de Tomás Antônio Gonzaga

  • Eros e Psiquê (1793), de Antonio Canova

  • Apolo visitando Admeto (século XIX), de Nicolas-Antoine Taunay

  • Ganimedes (1804), de José Álvarez de Pereira y Cubero

  • A grande odalisca (1814), de Jean-Auguste Dominique Ingres

  • D. João VI (1823), de João José de Aguiar

  • Academia Imperial de Belas Artes (1826), de Auguste Henri Victor Grandjean de Montigny

  • Viagem pitoresca e histórica ao Brasil (1834), de Jean-Baptiste Debret

  • Sócrates afastando Alcebíades dos braços do vício (1861), de Pedro Américo

  • Busto do Dr. Dio Lewis (1868), de Mary Edmonia Lewis

Arquitetura do neoclassicismo

 Igreja da Madalena, em Paris, na França, um exemplo da arquitetura do neoclassicismo.
A Igreja da Madalena, em Paris, na França, é um exemplo da arquitetura neoclássica.

Os projetos arquitetônicos do neoclassicismo são caracterizados pela harmonia geométrica, fruto da racionalidade neoclássica. Assim, os arquitetos valorizam a simplicidade em contraposição aos excessos barrocos. O objetivo é fazer com que uma cidade seja um espaço ideal, planejado, simétrico e funcional.

No entanto, esse ideal neoclássico estava restrito aos meios urbanos, onde se concentrava a elite burguesa. Desse modo, não atingiu os espaços periféricos. A arquitetura neoclássica tem algo de grandioso, em consonância com as construções da Antiguidade, mas apresenta a simplicidade geométrica. É, portanto, sóbria e não decorativa.

Esculturas do neoclassicismo

“Psiquê reanimada pelo beijo de Cupido”, de Antonio Canova, um exemplo de escultura do neoclassicismo.
 “Psiquê reanimada pelo beijo de Cupido”, escultura neoclássica de Antonio Canova. [1]

As esculturas neoclássicas possuem as mesmas características de outras obras de arte do estilo, ou seja, estão pautadas no equilíbrio, na simetria, na racionalidade, na simplicidade e na clareza. Utilizam temáticas greco-latinas, além de enaltecer o corpo humano e, portanto, a nudez ou seminudez.

Predominam as esculturas em bronze e, principalmente, em mármore branco. Tais obras apresentam harmonia de proporções e, na maioria das vezes, o rosto esculpido é sereno. Os corpos são belos e idealizados, mas bastante realistas em suas formas. Personagens mitológicos são recorrentes.

Neoclassicismo no Brasil

No que diz respeito à arquitetura e pintura brasileiras, o neoclassicismo se deu apenas no século XIX, e foi resultado da chegada da Corte portuguesa ao Brasil, em 1808. Contudo, as principais obras artísticas são de franceses em território brasileiro, como Debret e Taunay. Já na arquitetura, temos nomes como Montigny.

 “Loja de sapateiros”, do francês Jean-Baptiste Debret, uma obra do neoclassicismo produzida no Brasil.
“Loja de sapateiros”, do francês Jean-Baptiste Debret, é uma obra neoclássica produzida no Brasil.

Esses franceses tiveram, também, a função de formar pintores e arquitetos brasileiros, e tal formação ficou por conta da Academia Imperial de Belas Artes, no Rio de Janeiro. No entanto, em nosso país, os ideais neoclássicos estavam atrelados a elementos nacionalistas de um Brasil em construção.

Pinacoteca, localizada em São Paulo, um exemplo da arquitetura do neoclassicismo no Brasil.
A Pinacoteca, localizada em São Paulo, é um exemplo da arquitetura neoclássica no Brasil. [2]

Entre as artes, a literatura brasileira foi pioneira ao abraçar o neoclassicismo no século XVIII, no estado de Minas Gerais. Assim, o arcadismo (forma como o neoclassicismo ficou conhecido no Brasil) foi substituído pelo romantismo, em 1836. Quanto ao romantismo na pintura, ele conviveu com os ideais neoclássicos, de forma que pintores como Pedro Américo transitaram entre os dois estilos. A arquitetura neoclássica, no entanto, perdurou até o início do século XX.

Veja também: Santa Rita Durão — o autor de um dos livros mais importantes do arcadismo brasileiro

Neoclassicismo na literatura

Na literatura, o neoclassicismo também foi marcado pelo equilíbrio e racionalidade. Assim, a poesia neoclássica possui versos simétricos. Além disso, o eu lírico é contido, mais objetivo, sem excessos sentimentais. O amor é idealizado, entendido por uma perspectiva filosófica. Os textos também trazem referências que remetem à Antiguidade.

O campo é valorizado, em oposição à cidade. Nesse ambiente bucólico, o eu lírico aproveita o momento (carpe diem) com sua amada (uma mulher idealizada), na tranquilidade do meio rural, em harmonia com a natureza. Dessa forma, a poesia apresenta elementos como:

  • pastoralismo: lugar bucólico, onde residem pastoras, pastores e suas ovelhas;

  • fugere urbem (fuga da cidade): valorização do espaço campesino;

  • aurea mediocritas (mediocridade áurea): enaltecimento da simplicidade;

  • inutilia truncat (eliminar o inútil): crítica ao excesso de bens materiais.

Por fim, é preciso mencionar que, na literatura brasileira, o neoclassicismo é chamado de arcadismo.

Créditos de imagem

[1] vichie81 / Shutterstock

[2] Wilfredor / Wikimedia Commons (reprodução)

 

Por Warley Souza
Professor de Literatura

Escritor do artigo
Escrito por: Warley Souza Professor de Português e Literatura, com licenciatura e mestrado em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

SOUZA, Warley. "Neoclassicismo"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/artes/neoclassicismo.htm. Acesso em 14 de abril de 2024.

De estudante para estudante


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