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Vacina BCG

Saúde e Bem-estar

Vacina BCG (Bacilo Calmette-Guérin) protege contra formas graves de tuberculose e deve ser administrada em crianças logo após o nascimento.
A vacina BCG protege contra a tuberculose.
A vacina BCG protege contra a tuberculose.
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A vacina BCG (Bacilo Calmette-Guérin) é uma vacina que garante proteção contra tuberculose, em especial as formas mais graves da doença, como a meningite tuberculosa e tuberculose miliar. A BCG foi desenvolvida na França, entre os anos de 1908 e 1921, pelos pesquisadores Albert Calmette (1863-1933) e Camille Guérin (1872-1961).

Eles criaram uma cepa atenuada da bactéria Mycobacterium bovis, conhecida como Bacilo de Calmette-Guérin (BCG), a qual é utilizada na fabricação da vacina, que passou a ser administrada no ano de 1921. Atualmente, a vacina é oferecida gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde.

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Resumo sobre a vacina BCG

  • A vacina BCG protege contra formas graves de tuberculose.

  • A vacina BCG começou a ser utilizada no ano de 1921.

  • Diversos trabalhos mostraram uma eficácia bastante heterogênea da vacina no que diz respeito à tuberculose pulmonar.

  • A vacina BCG é aplicada via intradérmica e deve ser administrada o mais precocemente possível.

  • A falta de cicatriz vacinal não indica necessidade de revacinação.

  • A vacina BCG é oferecida gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde.

O que é a vacina BCG?

A vacina BCG é utilizada na prevenção da tuberculose em seres humanos, principalmente das formas graves da doença, como a tuberculose miliar e a meningite tuberculosa. A vacina é preparada utilizando uma bactéria de origem bovina semelhante à bactéria que causa tuberculose em humanos.

Composição da vacina BCG

A vacina é produzida de cepas da bactéria Mycobacterium bovis, as quais são atenuadas com glutamato de sódio. Apesar de em todo mundo as vacinas BCG usarem a mesma denominação, elas são formadas por diferentes cepas. De acordo com o Manual de Normas de Procedimentos para Vacinação do Ministério da Saúde, a subcepa utilizada no Brasil é a Moreau-Rio de Janeiro, mantida sob sistema de lote-semente no Status Serum Institut de Copenhagen, na Dinamarca.

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Esquema de vacinação da BCG

A vacina BCG é aplicada em dose única por via intradérmica. A vacina deve ser aplicada precocemente, de preferência logo após o nascimento, ainda na maternidade. Vale salientar que a vacinação em crianças nascidas com menos de dois quilos deve ser adiada até que a criança atinja esse peso. Atualmente, a vacina é indicada a partir do nascimento até antes de a criança completar cinco anos (quatro anos, 11 meses e 29 dias) e para contatos intradomiciliares de pacientes com hanseníase.

Vale destacar que a vacina é contraindicada para gestantes e pessoas imunodeprimidas. Além disso, é importante adiar a vacinação em pessoas hospitalizadas com comprometimento do estado geral.

Importância da vacina BCG

A vacina BCG é importante na prevenção de formas graves de tuberculose, como a tuberculose miliar e a meningite tuberculosa. No que diz respeito à tuberculose pulmonar, estudos indicam que sua efetividade é variada, indo de 0 a 80%. Essa variação na proteção está relacionada a diferentes fatores, tais como a variabilidade da vacina devido à utilização de diferentes cepas e exposição às microbactérias ambientais.

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Efeitos adversos da vacina BCG

A vacina BCG é responsável por formar uma cicatriz típica no local onde foi aplicada. Inicialmente, no local da aplicação, surge uma enduração. Posteriormente se observa o amolecimento da zona central e a formação de uma crosta. Essa crosta, ao cair, forma uma úlcera. Essa úlcera cicatriza-se lentamente, deixando, no local, uma marca característica da vacina. Vale salientar que é importante não colocar nenhum medicamento ou produto no local de aplicação da vacina, uma vez que essa lesão ulcerada é uma reação esperada.

Além da formação da cicatriz, a vacina BCG pode provocar outros efeitos adversos. Esses incluem febre, dor de cabeça e dores musculares. Reações alérgicas graves são raras após a aplicação da BCG.

Foto de um recém-nascido, com foco em seu braço, no ponto em que foi vacinado com a BCG.
É comum a formação de uma lesão no local onde a vacina foi aplicada.
  • Revacinação em casos de ausência de cicatriz vacinal

Por muito tempo, o Brasil recomendou a revacinação em casos em que a cicatriz vacinal pós-aplicação da BCG não se formava. Entretanto, em fevereiro de 2018, a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou um documento em que afirma não indicar a revacinação, pois a falta da cicatriz não era um indicativo de ausência de proteção e estudos mostraram pouca ou nenhuma evidência de benefício adicional da revacinação. Diante desse posicionamento, o Ministério da Saúde atualizou o protocolo e passou a recomendar a não revacinação de crianças que não desenvolveram cicatriz vacinal.

A vacina BCG e a covid-19

Com a pandemia de covid-19, muito se falou a respeito da relação entre a vacina BCG e o desenvolvimento dessa doença. Essa relação foi sugerida após pesquisadores levantarem a hipótese de que, em países que adotavam a vacinação da BCG, a pandemia se comportava de maneira distinta, além do fato de crianças serem as menos acometidas pela covid-19.

De acordo com alguns pesquisadores, a vacina BCG confere uma resposta imunológica importante para a criança na primeira década de vida, justamente a fase de vida menos afetada pela covid-19. Até o momento, no entanto, não há evidências de que a vacina BCG confira proteção contra o vírus causador da covid-19. Vale salientar, no entanto, que a doença é nova e muitos estudos estão em andamento para avaliar uma possível proteção.

 

Por Vanessa Sardinha dos Santos
Professora de Biologia

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

SANTOS, Vanessa Sardinha dos. "Vacina BCG"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/saude/vacina-bcg.htm. Acesso em 25 de setembro de 2021.

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