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Deus Hórus

Hórus era conhecido na religiosidade egípcia como o deus dos céus. Era uma divindade bastante popular que costumava ser representada como um falcão.

Estátua de Hórus, representado por um falcão, na entrada do Templo de Edfu, no Egito.
Estátua de Hórus, representado por um falcão, na entrada do Templo de Edfu, no Egito.
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Hórus era uma divindade egípcia considerada o deus dos céus, uma figura popular na religiosidade dos egípcios na Antiguidade. Era representado como um falcão, e acredita-se que o culto a ele tenha surgido no período Dinástico. Na mitologia egípcia, era apresentado como filho de Osíris e Ísis.

O seu nome em egípcio era Hor, traduzido como “o distante”, e ele era uma divindade muito associada com a realeza egípcia. Os egípcios relacionavam Hórus com a guerra, e a mitologia egípcia narra as batalhas que esse deus travou com Set, seu grande inimigo. Conseguiu recuperar o trono que Set usurpou de seu pai.

Leia também: Quais foram as dez pragas do Egito?

Tópicos deste artigo

Resumo sobre Hórus

  • Hórus era uma divindade egípcia, considerada o deus dos céus.

  • Era apresentado nos mitos egípcios como filho de Osíris e Ísis, dois importantes deuses do panteão egípcio.

  • Era representado como um falcão, e o culto a ele remonta ao período Dinástico.

  • Tinha forte associação com a realeza egípcia e com a guerra.

  • Set era o seu grande inimigo, e com ele travou batalhas para recuperar o trono que tinha pertencido a seu pai.

Quem é Hórus?

Hórus é um deus presente na mitologia e na religiosidade dos egípcios na Antiguidade. Era conhecido pelos egípcios como o deus dos céus. Era uma divindade extremamente popular entre os egípcios, sendo considerado a principal divindade em forma de ave, representado por um falcão.

O nome Hórus é tradicionalmente associado com a divindade que é conhecida como filho de Ísis e Osíris, embora outra divindade egípcia seja conhecida pelo nome Hórus. Entretanto, essa outra divindade também chamada Hórus é apresentada como irmão de Osíris e Ísis. Acredita-se que se trata de duas divindades distintas, uma vez que Hórus, deus dos céus e filho de Osíris e Ísis, era chamado pelos egípcios de Hor, enquanto o outro Hórus era conhecido como Harwer ou Haroeris.

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O que o deus Hórus significava para os egípcios?

O nome Hórus é a versão latinizada da forma como os egípcios chamavam essa divindade. Essa divindade era muito associada com o Sol e a Lua e era considerada o protetor da realeza, se associando diretamente com o faraó. Os egípcios também o consideravam como o defensor da ordem e aquele que uniu os dois reinos egípcios.

“Hórus” pode ser traduzido como “o distante”, o que pode ser entendido como uma referência ao fato de que os céus eram o seu domínio. Por sua associação com a realeza egípcia, era comum que os faraós afirmassem ser a encarnação desse deus. Os egípcios também faziam preces a Hórus em casos de guerra, e sua associação à guerra vem das batalhas que ele travava contra o seu grande inimigo, Set.

A ligação de Hórus com o Sol fez com que ele fosse muito associado com Rá, o deus Sol da religiosidade egípcia. Essa forte associação das duas divindades deu origem a uma outra divindade que surgiu por meio da fusão desses dois deuses: Rá-Harakhte.

Veja também: Zeus — o deus do céu para os gregos antigos

Mito sobre a morte de Osíris e a origem de Hórus

Acredita-se que o culto a Hórus tenha se consolidado no período Dinástico, embora existissem divindades com forma de falcão antes disso na religiosidade egípcia, o que sugere a possibilidade de que o culto possa ser mais antigo. O culto a Hórus estendeu-se até o período da dominação romana no Egito.

No caso da mitologia, os mitos afirmam que Hórus era filho de Osíris e Ísis, e o seu nascimento foi fruto de uma história digna de uma epopeia. Tudo se iniciou com o reinado de Osíris e Ísis sobre o Egito. Osíris era considerado um grande faraó, justo e responsável, por levar prosperidade ao Egito, além de ter trazido conhecimentos fundamentais para a humanidade.

Portanto, Osíris era muito amado pela população, sendo um faraó extremamente popular. O sucesso de Osíris desagradava Set, que alimentava uma forte inveja de tudo o que seu irmão possuía. Certa feita, Néftis, esposa de Set, decidiu disfarçar-se de Ísis e se deitar com Osíris. Esse evento fez com que a inveja de Set se transformasse em ódio.

Osíris tinha sido enganado por Néftis, e da relação dos dois nasceu Anúbis. Set decidiu que mataria o seu irmão e realizou um plano para isso. Set, então, matou seu irmão e colocou o seu corpo em um sarcófago, jogando-o no rio Nilo.

Enquanto isso, Ísis, esposa de Osíris, sentiu a falta de seu marido, dando início a uma busca por ele que se encerraria na Fenícia, onde o corpo de Osíris foi encontrado. Ísis trouxe o corpo de Osíris de volta para o Egito, onde ela prepararia, junto de Néftis, um ritual para ressuscitá-lo. Set, por sua vez, foi mais rápido e, se aproveitando de um descuido de Ísis e Néftis, esquartejou o corpo de Osíris.

O corpo de Osíris foi cortado em diversas partes, e essas partes foram espalhadas pelo território egípcio. Ísis saiu em busca de todas as partes do corpo de seu marido para que pudesse ressuscitá-lo. Ísis encontrou todas as partes de Osíris, com exceção do órgão reprodutor. Com isso, ela realizou um ritual para ressuscitar seu marido e, durante esse ritual, engravidou de Osíris.

A gravidez de Ísis deu origem a Hórus. Osíris não pôde permanecer no mundo dos vivos, porque lhe faltava uma parte do corpo. Com isso, Osíris passou a residir na vida após a morte, tornando-se deus dos mortos. Hórus e Ísis, por sua vez, tiveram de passar anos escondidos, porque Set havia aproveitado para usurpar o trono de Osíris e passou a usar o seu poder para persegui-los.

Saiba mais: Por que os antigos egípcios mumificavam os mortos?

Lutas entre Hórus e Set

Hórus precisou passar anos de sua infância escondendo-se de Set, temendo que o usurpador de seu pai o matasse. Depois de se tornar adulto, Hórus levou a sua causa e a de seu pai a um tribunal dos deuses, onde denunciou Set. A maioria dos deuses ficou do lado de Hórus, mas Rá considerava que Hórus era muito jovem para assumir o trono e exigiu que ele e Set travassem uma luta para decidir quem ficaria com o trono.

As lutas entre Hórus e Set duraram mais de 80 anos e ficaram marcadas por ferimentos de ambos os lados, embora os mitos egípcios ressaltem que Hórus saía como vencedor dessas batalhas. A situação só foi resolvida quando Ísis conseguiu enganar Set, fazendo com que ele confessasse ter usurpado o trono de Osíris. Isso fez Set ser destronado e banido para o deserto, e assim Hórus assumiu o trono que tinha sido de seu pai.

Olho de Hórus

Olho de Hórus esculpido na parede de um templo egípcio, entre hieróglifos e dois deuses.
O olho de Hórus, também chamado de wedjat, era um importante amuleto para os egípcios.

Quando se fala de Hórus na religiosidade egípcia, há de se destacar também a importância do olho de Hórus, um dos grandes símbolos desse deus e de toda a religiosidade egípcia na Antiguidade. O olho de Hórus era chamado pelos egípcios de wedjat, considerado um amuleto muito importante.

Os egípcios acreditavam que o wedjat poderia protegê-los de qualquer mal, além de garantir a cura de doenças. Esse símbolo era facilmente encontrado nos templos, mas também era utilizado pelos egípcios nos seus funerais e outros rituais religiosos. A origem desse símbolo tem relação com o mito envolvendo Hórus e Set.

O wedjat era o olho que Hórus havia perdido durante uma das batalhas travadas contra Set. Os egípcios acreditavam que esse olho seria relacionado com a Lua e acreditavam também que o ferimento no olho de Hórus teria sido curado por intervenção de Tot.

Culto a Hórus na religiosidade egípcia

O culto a Hórus era bastante popular na religiosidade egípcia e, como mencionado, se iniciou no período Dinástico. Havia inúmeros templos dedicados a essa divindade no Egito, e esses templos eram administrados por sacerdotes que dedicavam suas vidas a esse deus. Os sacerdotes de Hórus eram todos homens.

Os principais templos a Hórus ficavam localizados no delta do Nilo, região em que ele nasceu. Esses templos eram locais que recebiam os fiéis para que eles realizassem os seus pedidos e deixassem suas oferendas. No interior desses templos havia santuários que poderiam ser frequentados apenas pelo sumo sacerdote. Festivais a Hórus eram realizados com frequência, e estátuas desse deus também eram comuns.

 

Por Daniel Neves Silva
Professor de História

Escritor do artigo
Escrito por: Daniel Neves Silva Formado em História pela Universidade Estadual de Goiás (UEG) e especialista em História e Narrativas Audiovisuais pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Atua como professor de História desde 2010.

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

SILVA, Daniel Neves. "Deus Hórus"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/mitologia/horus.htm. Acesso em 20 de abril de 2024.

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