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Dez pragas do Egito

As dez pragas do Egito, segundo a narrativa bíblica, foram enviadas por Deus como uma punição aos egípcios por não libertarem os hebreus da escravidão.

Ilustração do faraó cercado por moscas, sendo observado por Moisés e Arão, durante uma das dez pragas do Egito.
Segundo a narrativa bíblica, o faraó e todo o Egito foram afetados pela dez pragas enviadas por Deus.[1]
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As dez pragas do Egito são uma narrativa bíblica que conta a história de dez pragas que teriam sido enviadas por Deus ao Egito como forma de punição, pois o faraó Ramsés II se negava a dar a liberdade para os hebreus. Ao final da décima praga, o faraó aceitou que os israelitas fossem embora do Egito levando consigo tudo que possuíam.

Os historiadores consideram que a história das dez pragas do Egito não é real e que, portanto, é um mito. No entanto, muitos pesquisadores procuram evidências de que as pragas tenham acontecido, e uma teoria aponta que elas possam ter relação com as consequências de uma erupção vulcânica que aconteceu na Grécia, mas afetou o Egito.

Leia também: Páscoa judaica — festa que celebra o fim da escravidão no Egito

Tópicos deste artigo

Resumo sobre as dez pragas do Egito

  • As dez pragas do Egito são uma narrativa bíblica que conta o envio de dez pragas para o Egito.

  • Essas pragas teriam sido enviadas por Deus como punição porque Ramsés II não libertava os israelitas da escravidão.

  • As pragas foram diversas, contando com: rãs, moscas, gafanhotos, doenças, escuridão, infanticídio.

  • Só após a décima praga — a morte dos primogênitos — é que o faraó autorizou a ida dos israelitas.

  • Os historiadores consideram que essa narrativa é, na verdade, um mito.

As dez pragas do Egito na narrativa bíblica

As dez pragas do Egito são uma narrativa bíblica que conta a história de pragas que teriam sido enviadas por Deus como forma de punição aos egípcios. Foram enviadas porque o faraó Ramsés II se negava a conceder a liberdade para os israelitas. O porta-voz da vontade de Deus nesse cenário era Moisés, que era hebreu, mas havia sido criado por egípcios.

A narrativa das pragas do Egito se dá em um contexto em que os israelitas eram escravizados no Egito e Deus interveio na situação escolhendo Moisés para guiar esse povo à liberdade. A promessa para os israelitas era de que eles seriam libertos e conduzidos para a terra que Deus havia escolhido para eles.

No entanto, o faraó Ramsés II não aceitou libertá-los, e Deus então interveio punindo o Egito com dez pragas. A narrativa conta que, em cada praga, o faraó aceitava libertar os israelitas, mas voltava em sua decisão assim que o castigo era encerrado. Esse cenário se repetiu até a décima praga, quando o faraó aceitou definitivamente libertar os israelitas.

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Quais foram as dez pragas do Egito?

Segundo a narrativa bíblica, as dez pragas do Egito foram as seguintes:

  1. Água transformada em sangue: as águas do rio Nilo foram convertidas em sangue e todos os animais que viviam nelas morreram.

  2. Infestação de rãs: a terra do Egito foi coberta por uma grande infestação de rãs.

  3. Infestação de piolhos: uma grande infestação de piolhos atingiu o Egito, afetando tanto a população egípcia como os animais.

  4. Enxame de moscas: um grande enxame de moscas atingiu o Egito a tal ponto que o céu ficou coberto. As moscas infestavam apenas os locais dos egípcios.

  5. Peste sobre os animais: a quinta praga afetou exclusivamente todos os rebanhos dos egípcios, fazendo com que eles fossem acometidos por doenças e morressem.

  6. Feridas sobre todo o corpo: todos os egípcios foram afetados por grandes feridas na pele, e, mais uma vez, essa praga só se manifestou entre eles.

  7. Chuva de granizo: a sétima praga ficou marcada por uma forte tempestade, com muitos raios e granizos, que causou grande destruição, afetando colheitas e matando os egípcios que não estavam protegidos.

  8. Infestação de gafanhotos: infestação de gafanhotos que destruiu o restante das plantações egípcias que não haviam sido destruídas durante a chuva de granizo.

  9. Três dias de escuridão: o Egito foi coberto por três dias de escuridão tão profunda que não era possível as pessoas enxergarem umas às outras.

  10. Morte dos primogênitos: na última e mais dura das pragas, Deus autorizou que o anjo da morte passasse pela terra do Egito e matasse todos os primogênitos, entre humanos e animais, que ali viviam. Só foram poupados os primogênitos daqueles que haviam passado sangue de cordeiro nos batentes das portas, conforme instrução que Moisés havia dado aos israelitas. Nessa praga o filho do faraó Ramsés II também morreu.

Veja também: Quais eram os deuses do Egito Antigo?

Consequências das dez pragas do Egito

Depois das dez pragas, o faraó concordou em libertar os israelitas, autorizando-os a levar tudo o que possuíam. Os israelitas então iniciaram sua caminhada até Canaã, considerada por eles como a terra prometida por Deus.

Qual o significado das dez pragas do Egito?

As pragas bíblicas no Egito também são interpretadas, dentro da perspectiva cristã e da visão hebraica, como uma forma do Deus hebreu humilhar as divindades egípcias.

Saiba mais: Civilização egípcia na Antiguidade

As dez pragas do Egito realmente aconteceram?

Os historiadores tratam a narrativa das pragas do Egito como um mito, portanto, elas não são entendidas como um evento histórico. Ainda assim, muitos pesquisadores dedicaram-se a entender essa narrativa bíblica, e algumas teorias foram levantadas para explicar o porquê dela.

Ilustração de egípcios no campo lamentando os animais mortos por uma das dez pragas do Egito.
A quinta praga resultou na morte dos animais. Uma teoria atribui esse e os outros acontecimentos a uma erupção vulcânica.

Uma das teorias fala que uma erupção vulcânica na ilha de Santorini, na Grécia, por volta de 1600 a.C., pode ter causado inúmeros impactos no Egito, mesmo a uma distância considerável. Essa erupção vulcânica teria lançado uma grande quantidade de cinzas e outros materiais tóxicos na atmosfera.

Entre os materiais expelidos pelo vulcão estariam o cinábrio, um mineral capaz de transformar as águas de um rio, como o Nilo, em vermelhas como o sangue. O acúmulo de acidez nas águas teria feito rãs abandoná-las e invadirem as residências egípcias. Os animais e humanos que morreram em consequência dos efeitos da erupção devem ter tido seus corpos usados por mosquitos como depósito de larvas. As larvas tornaram-se moscas adultas e causaram o enxame.

Além disso, a erupção pode ter causado mudanças climáticas severas no Egito, permitindo, por exemplo, a formação de uma chuva ácida que teria causado feridas em seres humanos. A acidez na grama teria causado a morte de animais que se alimentaram dela e a umidade teria atraído gafanhotos, que atacaram as plantações.

Por fim, a erupção vulcânica teria sido a responsável pela escuridão, pois a quantidade de fumaça impediria a luz solar de penetrar. Essa mesma teoria ainda aponta evidências que sustentam um alto número de mortes de aristocratas, o que pode ser relacionado com o infanticídio bíblico.

Créditos da imagem

[1] Distant Shores Media/ Sweet Publishing/ Wikimedia Commons

 

Por Daniel Neves
Professor de História

Escritor do artigo
Escrito por: Daniel Neves Silva Formado em História pela Universidade Estadual de Goiás (UEG) e especialista em História e Narrativas Audiovisuais pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Atua como professor de História desde 2010.

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

SILVA, Daniel Neves. "Dez pragas do Egito"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/historiag/dez-pragas-do-egito.htm. Acesso em 25 de maio de 2024.

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