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Deus Eros

Eros é o deus do amor na mitologia grega, filho de Afrodite. Com suas flechas douradas, ele fere mortais e imortais, que acabam se apaixonando.

Estátua do deus Eros ou Cupido com arco e flecha.
Eros, conhecido na Roma Antiga como Cupido, é o deus do amor. Suas flechas têm o poder de fazer os humanos se apaixonarem.[1]
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Eros, na mitologia grega, era conhecido como o deus do amor e do desejo sexual. Nas versões mais recentes, ele é filho de Afrodite, também deusa do amor. Eros possui um arco e flecha com o qual fere os mortais e imortais, fazendo com que estes se apaixonem.

Na Grécia Antiga, Eros era representado como um belo jovem alado, assim como era representado na Roma Antiga, quando era conhecido como Cupido. No renascimento, Eros passou a ser representado como uma criança gordinha e travessa. Seu mito mais famoso é o de sua paixão por Psiquê. Deus e humana enfrentaram diversos desafios para ficarem juntos.

Leia também: Quais são as principais divindades gregas da Antiguidade?

Tópicos deste artigo

Resumo sobre Eros

  • Eros é o deus do amor na Grécia Antiga. Ele era um dos erotes, divindades associadas ao amor e ao desejo sexual.

  • Possui dois tipos de flechas, as douradas, que fazem as pessoas se apaixonarem, e as de chumbo, que criam repulsa e ódio na pessoa ou imortal atingido por elas.

  • Eros, ao observar Psiquê dormindo, se feriu acidentalmente com a própria flecha dourada, apaixonando-se pela mortal.

Representações do deus Eros na mitologia

Na Grécia Antiga, Eros era comumente representado como um homem jovem, muito belo e com asas, semelhantes às dos anjos. Sempre representado com o arco e flecha na mão, arma com a qual feria homens e deuses, deixando-os apaixonados. Na Roma Antiga, Eros também era representado como o belo jovem alado, ainda, às vezes, o deus era representado como uma criança, geralmente acompanhada da mãe, Afrodite.

Durante o renascimento, Eros passou a ser representado como uma criança gordinha, de cabelos louros, cheia de dobras e muito travessa. Eros possui dois tipos de flechas em seu arsenal, as douradas, que, quando atingem algum ser, este se apaixona, e as de chumbo, que, quando atingem algum ser, provocam o oposto, despertando o ódio e a repulsa em quem foi atingido.

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Qual é o mito de Eros?

Na Teogonia, de Hesíodo, de aproximadamente 700 a. C., Eros é um dos deuses primordiais, nasceu após Caos, Gaia e Tártaro. Eros, o amor, é o deus que une todas as coisas, permitindo a origem do Cosmos. Parmênides, um dos filósofos socráticos, afirmou que Eros é o primeiro de todos os deuses, sendo o amor responsável pela existência de tudo o que existe.

No Período Clássico, a versão mais comum do mito afirmava que Eros é filho de Afrodite, a deusa do amor e da beleza. Essa é a versão mais comum até os dias atuais.

Estátua romana de Eros e Afrodite repelindo uma investida de Pan com um chinelo.
Eros também é representado como uma criança, junto à mãe, Afrodite.[2]

Eros é um dos erotes, deuses alados que se relacionam ao amor e ao desejo sexual. Outro erote é Hermafrodito, filho de Hermes e de Afrodite, considerado uma divindade associada ao amor e às relações homossexuais. Outro ainda é Himeneu. Os gregos acreditavam que Himineu está presente em todos os casamentos, por isso evocavam-no nessas cerimônias. Alguns linguistas defendem que o nome Himineu deu origem à palavra hímen.

Veja também: O que diz o mito de Pandora?

Quais são os poderes do deus Eros?

Eros é um dos deuses mais poderosos, pois suas flechas são eficazes com humanos, deuses, semideuses e todas as criaturas vivas. A paixão despertada pelas flechas de Eros pode levar o flechado à perda da razão, agindo apenas pelo impulso do amor. Por outro lado, Eros também tem suas flechas de chumbo, que fazem com que a pessoa atingida desenvolva uma grande repulsa, inversa ao amor.

→ Eros, Apolo e Dafne

Apolo, deus grego da beleza, irrita Eros ao afirmar que suas flechas são mais poderosas do que as suas. Eros atinge o coração de Apolo com uma flecha dourada, fazendo com que o deus se apaixone pela ninfa Dafne. Eros então lança uma flecha de chumbo no coração de Dafne, que desenvolve total aversão por Apolo.

O deus grego da beleza passa a perseguir Dafne, que foge constantemente dele. Não aguentando mais a fuga, Dafne pede a seu pai, o deus Peneu, para que a livre do perseguidor, o pai a transforma em um arbusto, o loureiro. Triste por perder a amada, Apolo passa a usar uma coroa de louros em sua cabeça. Saiba mais sobre esse mito clicando aqui.

Qual a diferença entre Eros e Afrodite?

O amor provocado por Eros é considerado ardente, passional e emocional. O amor despertado por Afrodite é mais contido e racional. Eros provoca um desejo intenso na pessoa apaixonada, fazendo-a agir de forma impulsiva para alcançar seu amado ou amada. Eros também é mais associado ao desejo sexual. Em muitos mitos, ele obedece às ordens de Afrodite, lançando suas flechas e entorpecendo de amor seu alvo.

Ao contrário de nós, que utilizamos somente a palavra amor, os gregos utilizavam diversas palavras para esse conceito abstrato. Ludus, por exemplo, era o amor juvenil, inocente, que ocorria entre os jovens amantes, esse tipo de amor também continha o amor eros.

Filia era o amor entre amigos, sem envolvimento sexual. E eros, o amor cheio de desejo sexual, de paixão. O pragma era o amor que só ocorre entre aqueles que se amam há muito tempo, um tipo de amor em que os dois amantes se tornam um.

Saiba mais: Guerra de Troia — disputa de territórios ou uma competição amorosa?

Mito de Eros e Psiquê

Psiquê, que em grego significava algo como “sopro”, “respiração” e se associa a termos atuais como “alma”, “ego”, “mente” ou “espírito”, era uma das três filhas de um rei. Todas as três filhas eram muito belas, mas Psiquê se destacava mais que as irmãs, inclusive com alguns afirmando que ela era mais bela do que a deusa Afrodite.

A beleza de Psiquê atraiu diversos admiradores, que deixaram de prestar homenagens para Afrodite, o que despertou grande ciúmes na deusa. Com o objetivo de castigar a mortal, Afrodite ordenou que seu filho, Eros, flechasse Psiquê para que ela se apaixonasse por uma criatura horrenda e que lhe causaria mal.

Eros voa até a casa de Psiquê em uma noite, quando a jovem dorme. Ao se aproximar da mulher, Eros observa sua beleza, ficando paralisado por um instante. Quando Psiquê se mexe, Eros se distrai e se fere com sua própria flecha dourada, apaixonando-se pela mortal. Eros foge e passa a observar Psiquê de longe, não flechando mais nenhum homem porque passa a ter ciúmes da humana.

Com o passar dos anos, o pai de Psiquê fica preocupado, sua filha mais bela não tem pretendentes, ao contrário das duas outras irmãs, que já eram casadas. O pai vai até o oráculo de Apolo, onde é informado de que a filha se apaixonará por uma feia criatura, que causará a morte dela. O pai deve então levar a filha até o alto de um penhasco, vestida com trajes nupciais.

O pai leva a filha até o alto do penhasco e a abandona lá. Quando está sozinha, Psiquê é levada por um forte vento até um belo palácio, onde servos invisíveis passam a servi-la. De noite, no seu escuro quarto, Psiquê é surpreendida por um vulto, que adentra o quarto, deita-se em sua cama e mantém relações com Psiquê. Ao acordar, Psiquê está sozinha.

O encontro ocorre por diversas noites, até que, numa delas, Psiquê pede para que o desconhecido se apresente. O desconhecido afirma que jamais se revelará ou será visto por ela, e isso é a única coisa que ele pede para Psiquê, que concorda com a condição imposta pelo amante. Ela pede para possa ver a família, que acha que ela foi morta pela criatura após ter sido abandonada no penhasco.

Ao visitar a família, Psiquê conta para as irmãs a felicidade em que vive no palácio de seu amado. Também conta que nunca viu o rosto dele. As irmãs, com inveja de Psiquê, afirmam que o amado deve ser um monstro e que ela deve usar uma lamparina para ver o rosto dele e uma faca para, em seguida, cortar sua garganta.

Psiquê se deixa influenciar pelas irmãs e, quando Eros dorme, se aproxima do deus com a lamparina na mão, observando sua beleza. Distraída, deixa uma gota de óleo cair da lamparina, que atinge o peito do deus, que desperta irritado. Eros diz que Psiquê o traiu ao vê-lo e ao tentar matá-lo. Eros abandona Psiquê.

Psiquê passa a perambular pelo mundo e é instruída pela deusa Deméter a solicitar à própria Afrodite o perdão de Eros. Psiquê vai até o templo de Afrodite, onde a deusa lhe impõe quatro trabalhos para que receba o perdão do filho.

No primeiro trabalho, Psiquê deve separar trigos de três espécies, que estão misturadas em um grande silo. Auxiliada por formigas, ela consegue separar os grãos em três montes.

No segundo trabalho, Psiquê deve recolher a lã de ouro de carneiros carnívoros. Ela ouve uma voz que lhe instrui a seguir os carneiros dourados e a recolher a lã deles que fica grudada nos espinhos da vegetação por onde passam. Ela recolhe os fios dourados e os leva à deusa.

A terceira tarefa que deve ser cumprida por Psiquê é a de armazenar em um pote as águas da nascente do rio Estige, localizada no alto de uma grande montanha. Psiquê começa a escalar, mas encontra grande dificuldade para subir. Zeus, na forma de uma águia, pega o pote das mãos dela e voa até a nascente, recolhendo sua água e levando-a até ela, que a entrega para Afrodite.

Escultura de Eros beijando Psiquê exposta no Museu do Louvre, em Paris.
A pedido de Eros, Psiquê foi transformada em imortal.[3]

O último trabalho de Psiquê é o de receber de Perséfone parte de sua beleza, que deverá ser colocada em uma caixa dourada e entregue a Afrodite. Pensando que a morte é a única forma de se chegar até o submundo, Psiquê sobe no alto de uma montanha, de onde deseja se jogar. Novamente ouve uma voz, que lhe conta onde era a entrada do submundo.

Psiquê entra no Tártaro e recebe de Perséfone parte de sua beleza. Ao percorrer o caminho para levar a caixa para Afrodite, Psiquê abre a caixa, caindo em um sono profundo. Nesse momento, Eros se aproxima, beija Psiquê, que volta à vida. Eros pede a Zeus e a sua mãe que se case com Psiquê, sendo atendido por eles. Psiquê é levada ao Olimpo, e Zeus a transforma em uma imortal. Saiba mais sobre esse mito clicando aqui.

Curiosidades sobre Eros

  • Eros e Psiquê têm uma filha, Hedonê, a deusa do prazer. Hedonê geralmente é representada com asas de borboleta, e, assim como sua mãe, também é dotada de uma grande capacidade de persuasão. O termo hedonismo deriva do nome Hedonê.

  • No renascimento, cupidos foram largamente representados em pinturas e esculturas. Conhecidos inicialmente como amorinis e depois como puttis, eram representados como crianças gordinhas, sorridentes e travessas, representação ainda presente no imaginário popular.

  • Eros e Tânatos são dois importantes conceitos na obra de Sigmund Freud. Eros, deus do amor, representa o princípio da psiquê, que motiva, que dá ânimo, energia e que nos leva ao desenvolvimento. Já Tânatos, o deus da morte, desiquilibra a psiquê humana, desmotiva-a e nos destrói.

  • Na Grécia Antiga, Eros atingia com suas flechas o fígado das pessoas. Na atualidade, o coração é o órgão relacionado ao amor, mas, na referida época, era o fígado. Isso se deve ao frio na barriga, na região do fígado, que a pessoa sente ao ver aquela pela qual está apaixonada.

Créditos das imagens

[1]Millionstock/ Shutterstock

[2]Wikimedia Commons

[3]Wikimedia Commons

Fontes

APULEIO, Lucio. O asno de ouro. Lebook Editora, 2019.

BULFINCH, Thomas. JARDIM, David. O livro de ouro da mitologia grega: história de deuses e heróis. Editora Harper Collins, 2017.

GRAHAM, James. O livro da mitologia grega. Globo Livros, Rio de Janeiro, 2018.

Escritor do artigo
Escrito por: Jair Messias Ferreira Junior Pós-graduado em História pela Unicamp e professor da Educação Básica há mais de 20 anos. Também é formador de professores e produtor de materiais didáticos há mais de 10 anos.

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

JUNIOR, Jair Messias Ferreira. "Deus Eros"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/mitologia/deus-eros.htm. Acesso em 20 de abril de 2024.

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