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Concílio de Trento

O Concílio de Trento foi uma série de reuniões realizadas pela Igreja Católica com o objetivo de combater a Reforma Protestante e manter a unidade e o poder da Igreja.

Pintura do século XVII representando membros do clero em uma sessão do Concílio de Trento.
Pintura do século XVII representando membros do clero em uma sessão do Concílio de Trento.[1]
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O Concílio de Trento foi uma série de reuniões realizadas pela Igreja Católica, no contexto da chamada Contrarreforma Católica, para combater os efeitos da Reforma Protestante. Foi realizado entre 1545 e 1563 na cidade que dá nome ao concílio. Dele participaram diversas autoridades da Igreja, mas nenhum papa chegou a participar diretamente de uma sessão do concílio.

Em partes o concílio realizou seus objetivos, pois manteve a maior parte da Europa latina católica, além de transformar a América Latina em um continente predominantemente católico.

Leia também: Reforma Protestante — como ocorreu e objetivos

Tópicos deste artigo

Resumo sobre o Concílio de Trento

  • O Concílio de Trento é conhecido como o concílio da Contrarreforma Católica.
  • Ao todo foram realizadas 25 sessões no Concílio de Trento, e algumas dessas sessões duraram vários dias.
  • Foi no papado de Paulo III que o concílio se iniciou. Ele acreditava que somente um concílio poderia manter a unidade e o poder da Igreja.
  • O concílio definiu os sacramentos católicos, debateu questões como o salvamento da alma, o culto a imagens e a santos, dogmas, sacramentos, entre diversos outros temas.
  • A Companhia de Jesus, conhecida também como Ordem dos Jesuítas, e o Tribunal do Santo Ofício, também chamado de Tribunal da Inquisição, saíram fortalecidos do concílio.
  • O concílio tomou decisões relacionadas à vida cotidiana, como no campo das artes, no qual pessoas nuas não deveriam mais ser representadas.

O que foi o Concílio de Trento?

O Concílio de Trento foi um dos concílios mais importantes da Igreja Católica nos quase dois mil anos de sua história. Ele foi composto por 25 sessões, que duraram de 1545 até 1563, em Trento, cidade do norte da Itália.

No concílio, a Igreja Católica tomou importantes decisões para combater a Reforma Protestante. No concílio também foram tomadas decisões sobre importantes dogmas da Igreja Católica, muitos deles criticados pelos reformistas.

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Quanto tempo durou o Concílio de Trento?

O concílio pode ser dividido em três períodos distintos. O primeiro vai de 1545 até 1549, quando o credo niceno-constantinopolitano foi definido como base da fé católica, algumas mudanças na tradução dos livros do Velho Testamento foram feitas, além de considerar o latim como forma de escrita aceita para antigos textos sagrados.

Após uma epidemia de peste, o concílio foi transferido para Bolonha, em 1548 e, no ano seguinte, após a recusa do governante de Bolonha em aceitar bispos germânicos, o concílio foi suspenso pelo Papa Paulo III, o qual faleceu em novembro de 1549.

O Papa Júlio III iniciou seu pontificado em 1550 e, em 1551, as sessões do Concílio de Trento foram retomadas, dando início ao segundo período do concílio. Nesse momento decisões foram tomadas sobre a eucaristia, penitências e extrema-unção. Conflitos entre as cidades do norte da Itália fizeram as sessões do concílio serem suspensas em 1552. O Papa Júlio III faleceu em 1555.

O Papa Paulo IV, sucessor de Júlio III, foi contra a continuidade do concílio. Seu papado terminou em 1559, com seu falecimento. Seu sucessor, Pio IV, reiniciou as sessões do concílio em 1562, iniciando sua última fase. Nessa fase foram tomadas diversas decisões relacionadas à missa, ordens religiosas, hierarquia do clero, matrimônio, indulgências, purgatório, veneração de santos e de imagens, entre diversas outras.

A última sessão do Concílio de Trento ocorreu em dezembro de 1563, quando ele foi encerrado no papado de Pio IV. No ano seguinte foi publicado um documento com as principais decisões do concílio.

Veja também: Afinal, quais eram as heresias condenadas pela Igreja Católica?

Contexto histórico do Concílio de Trento

A Igreja Católica foi hegemônica durante todo o período medieval, mas, no início do século XVI, diversas críticas eram feitas à Igreja em diversas partes da Europa. Em 1517, um monge católico chamado Martinho Lutero divulgou suas 95 teses contrárias à Igreja Católica, e o fato deu início ao processo chamado Reforma Protestante, processo que acabou com a hegemonia católica no cristianismo.

Representação de Martinho Lutero colocando suas 95 teses em porta de igreja.
As 95 teses de Martinho Lutero deram início ao protestantismo, combatido pelo Concílio de Trento.

Parte da nobreza e da burguesia germânica apoiou as ideias de Lutero, protegendo-o e financiando-o. Foi nesse contexto que surgiu na Alemanha a Igreja Luterana, a qual é considerada a primeira igreja reformista. Depois delas, diversas outras surgiram, como a calvinista e a anglicana.

Durante a Reforma Protestante, a Igreja Católica tomou diversas decisões na tentativa de barrar o avanço do protestantismo, ação que ficou conhecida como Contrarreforma Católica. A maior parte das decisões da Contrarreforma foi tomada no Concílio de Trento.

Por que foi criado o Concílio de Trento?

A causa imediata do Concílio de Trento foi a Reforma Protestante. Com a reforma, diversas regiões da Europa estavam abandonando o catolicismo, sobretudo o centro e o norte da Europa, e aderindo ao protestantismo.

Após a reforma luterana na Alemanha, a reforma continuou na Suíça, com o reformador João Calvino e a criação do calvinismo. Na Inglaterra, após o papa não permitir um novo casamento do rei Henrique VIII, este realizou sua própria reforma, criando a Igreja Anglicana. O protestantismo também estava ganhando força na região escandinava.

No início, clérigos reformistas participaram do Concílio de Trento, mas eles foram gradativamente abandonando o concílio ou sendo excluídos dele, sendo totalmente excluídos nas últimas sessões, a partir de 1562.

Principais objetivos do Concílio de Trento

Foram três os objetivos principais do Concílio de Trento. O primeiro deles foi o de frear o avanço protestante sobre a Europa, que, nesse período, ocorria de forma rápida. Diversas medidas foram tomadas no concílio para atingir tal objetivo, como a reativação do Tribunal da Santa Inquisição, o Index Librorum Prohibitorum (lista de livros considerados heréticos) e as mudanças nas missas e na liturgia, que tornaram os ritos mais próximos da população.

Representação de mulheres sendo queimadas e torturadas pelo Tribunal da Inquisição, que foi reativado no Concílio de Trento.
Representação de mulheres sendo queimadas e torturadas pelo Tribunal da Inquisição, que foi reativado no Concílio de Trento.

Outro objetivo do concílio foi o de levar o catolicismo para as regiões recém-descobertas, como a África, Américas e regiões da Ásia. Vale lembrar que o concílio ocorreu na época das navegações europeias. Para expandir a fé católica, o concílio garantiu recursos e o direito de explorar economicamente as missões para diversas ordens religiosas, como jesuítas, franciscanos e dominicanos. Essas ordens foram responsáveis pela catequização de povos de diversos países, inclusive do Brasil, hoje o maior país católico do mundo.

O terceiro objetivo do Concílio de Trento foi o de evitar novas reformas dentro da Igreja Católica, como a de Lutero, que era um membro do clero antes da reforma. O concílio fortaleceu a hierarquia da Igreja, reduziu a autonomia dos bispados e reafirmou a infalibilidade do papa como um dogma.

Saiba mais: Companhia de Jesus — ordem católica responsável pelas missões de catequização

Quais foram as decisões tomadas no Concílio de Trento?

→ Lista de decretos doutrinários

  • Símbolos da fé – 3ª sessão
  • Escrituras canônicas e uso do livro sagrado – 4ª sessão
  • Pecado original – 5ª sessão
  • Sacramentos – 7ª sessão
  • Santíssimo sacramento da eucaristia – 13ª sessão
  • Santíssimo sacramento da penitência e da extrema-unção – 14ª sessão
  • Sacrifício da missa – 22ª sessão
  • Sacramento do matrimônio – 24ª sessão
  • Decretos sobre o purgatório, salvação divina, veneração de relíquias, de santos, indulgências e sobre a missa – 25ª sessão

Cronologia do Concílio de Trento

  • 13 de dezembro de 1545 Foi aberta a primeira sessão do Concílio de Trento durante o papado de Paulo III.
  • 17 de setembro de 1549 Última sessão da primeira fase do concílio. Ele é prorrogado indefinidamente nessa data.
  • 10 de novembro de 1549 — Falecimento do Papa Paulo III na cidade de Roma.
  • 1º de maio de 1551 — Concílio é reaberto. Inicia-se sua segunda fase durante o papado de Júlio III.
  • 13 de abril de 1552 — Sessões do concílio são novamente suspensas.
  • 23 de março de 1555 — Falecimento do Papa Júlio III.
  • 18 de janeiro de 1562 — Sessões do Concílio de Trento são retomadas sob o papado de Pio IV.
  • 4 de dezembro de 1563 — Encerramento do Concílio de Trento.
  • 9 de dezembro de 1656 — Falecimento do Papa Pio IV.

Créditos da imagem

[1] Wikimedia Commons

Fontes

DAVIDSON, N.S. A Contra-Reforma. Martins Fontes, São Paulo, 1991.

ROPER, Lyndal. Martinho Lutero: renegado e profeta. Companhia das Letras, São Paulo, 20147.

Escritor do artigo
Escrito por: Jair Messias Ferreira Junior Pós-graduado em História pela Unicamp e professor da Educação Básica há mais de 20 anos. Também é formador de professores e produtor de materiais didáticos há mais de 10 anos.

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

JUNIOR, Jair Messias Ferreira. "Concílio de Trento"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/historiag/concilio-trento.htm. Acesso em 23 de maio de 2024.

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Lista de exercícios


Exercício 1

O Concílio de Trento, realizado entre 1545 e 1563, está inserido no contexto de qual evento histórico?

a) Reforma Religiosa.

b) Revolução Francesa.

c) Guerra dos Cem Anos.

d) Cruzadas.

e) Revolução Inglesa.

Exercício 2

O Concílio de Trento foi iniciado por qual papa da Igreja Católica?

a) Paulo III.

b) Paulo II.

c) João Paulo II.

d) Pio IX.

e) Urbano II.

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