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Ciclo do cacau

O ciclo do cacau foi um ciclo econômico na história do Brasil que esteve relacionado com o cultivo do cacau na Bahia. O seu auge foi nas primeiras décadas do século XX.

Plantação de cacau, uma alusão ao ciclo do cacau, que teve seu auge nas primeiras décadas do século XX.
O ciclo do cacau teve o seu auge na Bahia, nas primeiras décadas do século XX.
Crédito da Imagem: Shutterstock.com
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O ciclo do cacau foi um dos ciclos econômicos que aconteceram na história da economia brasileira. Esse ciclo foi marcado pelo cultivo do cacau para exportação e teve o seu auge nas primeiras décadas do século XX, no sul e sudeste da Bahia. A região que mais se beneficiou dele foi a cidade de Ilhéus.

O ciclo do cacau se iniciou quando a Bahia tornou-se a maior produtora de cacau no Brasil (1890) e se estendeu até a sua decadência (década de 1920), quando o cacau brasileiro perdeu espaço no mercado internacional para o cacau produzido pelos ingleses em suas colônias africanas.

Leia também: Ciclo do ouro — um dos principais ciclos econômicos do Brasil

Tópicos deste artigo

Resumo sobre o ciclo do cacau

  • O ciclo do cacau foi o ciclo econômico brasileiro do cultivo do cacau que se desenvolveu, sobretudo, na Bahia.

  • O cultivo do cacau se iniciou no século XVII, na região amazônica, sendo introduzido na Bahia no século seguinte.

  • A cidade na Bahia que mais prosperou com o cultivo do cacau foi Ilhéus.

  • O ciclo do cacau entrou em decadência quando a concorrência inglesa desbancou o cacau brasileiro no mercado internacional.

  • O cacau garantiu o enriquecimento e o surgimento de um grupo de coronéis que disputavam o controle político e econômico nas zonas produtoras.

O que foi o ciclo do cacau?

O ciclo do cacau foi um ciclo econômico brasileiro baseado na produção e exportação de cacau. Esse ciclo se iniciou na região amazônica, sobretudo no Pará, mas foi na Bahia que alcançou o seu auge, fazendo do Brasil o maior produtor de cacau do planeta no começo do século XX. O ciclo do cacau trouxe grande prosperidade para a Bahia, mas intensificou as disputas por terra no sul do estado.

O ciclo do cacau foi um dos ciclos econômicos de nossa história e aconteceu no mesmo período do ciclo da borracha na região amazônica. Contudo, é importante pontuar que, apesar de importante para a economia baiana e brasileira, o ciclo do cacau não foi um dos ciclos econômicos mais importantes da história econômica do Brasil.

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Características do ciclo do cacau

Entre as características da produção do cacau no Brasil, destacam-se:

  • monocultura;

  • exploração dos trabalhadores;

  • flutuação dos preços;

  • produção voltada para a exportação.

História do ciclo do cacau no Brasil

O cacau é um fruto nativo da Amazônia, e ganhou a atenção dos europeus devido a uma espécie de chocolate que algumas das civilizações mesoamericanas produziam com base nele. Além disso, o cacau era muito consumido em forma de bebida, e o consumo de chocolate e derivados do cacau passou a ser visto como um hábito de luxo na Europa.

A valorização das bebidas de chocolate à base de cacau fez com que a produção dele começasse a ser incentivada pela Coroa portuguesa como forma de atender a demanda europeia. Com isso, algumas plantações na região amazônica começaram a se desenvolver nos arredores de Belém, no final do século XVII.

A Coroa chegou a incentivar aqueles que produzissem cacau como forma de garantir o crescimento dessa atividade econômica. O incentivo se deu, principalmente, por meio da isenção de impostos de exportação por um período de seis anos. A produção de cacau, no entanto, só ganhou força a partir do século XVIII, tornando-se um produto importante na economia local.

Primeiro ciclo do cacau

Ainda no século XVIII, as primeiras sementes de cacau foram levadas para a Bahia, com o objetivo de desenvolver a atividade econômica lá. Isso se deu como alternativa para a produção açucareira, em decadência na região. Em 1752, as primeiras plantações foram feitas em Ilhéus, e lá e no sul da Bahia, o cacau se adaptou bem ao clima quente e úmido.

Ao longo dos séculos XVIII e XIX, a produção de cacau seguiu crescendo na Bahia, mas ainda era secundária em relação à produção de outros locais do Brasil. Foi a partir da década de 1890 que a produção ganhou força na Bahia, dando início ao que é conhecido como primeiro ciclo do cacau.

Na década de 1890, a Bahia tornou-se a maior produtora de cacau do Brasil, produzindo mais de 3,5 toneladas dele e exportando sua produção para os Estados Unidos e Europa. O cacau brasileiro passou a ser visado por fábricas produtoras de chocolate dessa região, dando um enorme impulso para a produção cacaueira na Bahia.

A região viveu o ápice dessa produção entre as décadas de 1900 e 1920, e estima-se que tenha alcançado o total de 370 mil toneladas por ano, fazendo do Brasil o responsável por cerca de 25% de toda a produção mundial de cacau.

A produção cacaueira trouxe prosperidade para o sul da Bahia, fazendo de Ilhéus uma cidade repleta de prédios luxuosos e de uma elite que esbanjava dinheiro consumindo mercadorias que eram moda nos grandes centros do mundo. A cidade de Ilhéus contou com a construção de inúmeros prédios luxuosos, entre eles, o prédio da prefeitura local, o Palácio do Paranaguá.

A produção de cacau de Ilhéus era enviada para Salvador e de lá era exportada, mas os problemas logísticos fizeram com que os produtores de Ilhéus investissem na construção de um porto na cidade. Isso contribuiu para atrair inúmeros estrangeiros para a cidade. Muitos trabalhadores de diversas partes do país também foram à Bahia à procura de trabalho.

A produção de cacau na Bahia também ocasionou disputas de terra muito violentas. Os primeiros produtores de cacau enriqueceram, tornando-se coronéis, autoridades que usavam de sua riqueza para atuar politicamente. Esses coronéis usariam de sua riqueza, de sua influência e até de violência para tomar a posse das terras de pequenos produtores.

Segundo ciclo do cacau

Na década de 1920, a produção de cacau brasileira começa a entrar em declínio, principalmente porque os ingleses, por meio de sua colônia Costa do Ouro, na África, começaram a produzir cacau em uma quantidade muito superior à produzida no Brasil. Isso impactou na prosperidade do negócio aqui e nos preços da mercadoria.

Como não havia nenhuma regulamentação estatal sobre a produção e exportação do cacau, os produtores sofreram um enorme baque com a concorrência inglesa. A partir de 1931, um novo ciclo se iniciou na produção cacaueira do Brasil, quando o governo baiano criou o Instituto de Cacau da Bahia (ICB).

O ICB tinha como principal objetivo assegurar o desenvolvimento da produção do cacau baiano, financiando-a e garantindo sua comercialização. Esse instituto cumpriu um importante papel no financiamento da produção, além de garantir o seu transporte e a sua comercialização, contribuindo para o aumento da produção de cacau na Bahia.

A partir da década de 1940, a produção de cacau no Brasil enfrentou flutuações do mercado e problemas como dificuldades com a colheita devido à praga, redução dos preços internacionais da mercadoria e concorrência estrangeira. Esse segundo ciclo do cacau se encerrou em 1957, quando o governo brasileiro interveio na situação da produção cacaueira, criando a Comissão Executiva de Recuperação Econômico-Rural da Lavoura Cacaueira (Ceplac).

Terceiro ciclo do cacau

Essa terceira fase ficou marcada pela criação de uma comissão federal que tinha como objetivo garantir o desenvolvimento e a prosperidade da economia cacaueira no Brasil. Uma série de outros órgãos foram criados em relação à produção de cacau, com o objetivo de incentivar a pesquisa para criar formas de cultivar o fruto e modernizar a produção no Brasil.

Além disso, foram criados programas de incentivo à produção do cacau no Brasil, com o objetivo de expandir a produção cacaueira. Nos anos finais da década de 1970, o cacau chegou a gerar mais de R$ 2 bilhões de receita para o país, demonstrando que as políticas de incentivo estavam dando certo resultado.

A produção cacaueira na Bahia sofreu um grande baque, quando uma praga se espalhou pelas plantações da região. Essa praga era um fungo chamado vassoura-de-bruxa, atuando a partir de 1989 e fazendo com que a produtividade das plantações de cacau na Bahia caísse de maneira severa.

Veja também: Ciclo da borracha — outro ciclo econômico brasileiro que entrou em declínio devido à concorrência estrangeira

Crise e fim do ciclo do cacau

O auge da produção cacaueira aconteceu nas primeiras décadas do século XX. O ciclo do cacau, em grande medida, correspondeu a esse período, que se iniciou quando a Bahia se tornou a maior produtora de cacau do Brasil até o momento em que o ciclo perdeu força, graças à concorrência inglesa.

A produção inglesa acontecia em Costa do Ouro, atual Gana, sendo que a produtividade da colheita cacaueira lá era muito superior à brasileira. Os produtores do Brasil não conseguiam concorrer com a produção inglesa, com isso, o auge da produção cacaueira se encerrou.

Consequências do ciclo do cacau

A produção de cacau na Bahia trouxe muita prosperidade para a região, mas, além disso, causou outras consequências. Vejamos:

  • consolidação de uma burguesia dominante na Bahia;

  • disputa por terras;

  • desenvolvimento de infraestrutura em Ilhéus;

  • dependência do mercado externo;

  • estabelecimento da monocultura;

  • desigualdade social;

  • degradação ambiental.

Importância do ciclo do cacau

O ciclo do cacau contribuiu para o desenvolvimento econômico da Bahia, sobretudo para o sul desse estado, com a cidade de Ilhéus sendo a maior beneficiada, uma vez que foi a maior produtora de cacau do estado. A cidade de Ilhéus se beneficiou com grandes construções, incluindo um porto que permitiu o escoamento da produção.

O ciclo do cacau também contribuiu para a economia brasileira, tornando-se uma das mercadorias de grande importância nas exportações brasileiras durante algumas décadas. Essa atividade, no entanto, ficou marcada pela desigualdade na distribuição de renda, pois garantiu enriquecimento de um grupo de produtores que exploravam os trabalhadores.

Acesse também: Ciclo do café — um dos principais ciclos econômicos do Brasil

Representações culturais do ciclo do cacau

O ciclo do cacau teve uma grande importância para a economia, sociedade e cultura baiana. A zona produtora de cacau prosperou por meio da exploração desse item e impactou culturalmente a região. O escritor brasileiro Jorge Amado foi o grande nome que retratou os impactos da produção cacaueira na Bahia.

Por meio de uma série de obras, ele contou histórias relacionadas ao cacau na região, sobretudo a disputa pelo poder entre os coronéis que se estabeleceram pela produção cacaueira. Entre os livros de Jorge Amado que abordam o ciclo do café, estão:

  • São Jorge dos Ilhéus

  • Gabriela, cravo e canela

  • Terras do sem-fim

A história narrada em Gabriela, cravo e canela foi também adaptada para a televisão, sendo transformada em novela, com três adaptações diferentes.

Exercícios resolvidos sobre o ciclo do cacau

Questão 1

A região brasileira que mais se beneficiou economicamente do ciclo do cacau foi:

A) sul da Bahia

B) região amazônica

C) oeste paulista

D) serra catarinense

E) zona da mata de Minas Gerais

Resolução:

Alternativa A

O sul da Bahia, principalmente a cidade de Ilhéus, foi a região mais beneficiada pelo plantio do cacau. O cacau foi introduzido na região no século XVIII, passando pelo seu auge nas primeiras décadas do século XX.

Questão 2

O ciclo do cacau foi um dos ciclos econômicos que marcaram a história da economia brasileira. A economia brasileira também foi marcada pelo:

A) ciclo do ouro

B) ciclo da borracha

C) ciclo do açúcar

D) ciclo do café

E) todas as alternativas acima

Resolução:

Alternativa E

Todos os ciclos mencionados na questão foram importantes para a economia do Brasil em algum momento de nossa história.

Fontes

BARROS, Carlos Juliano. A saga do cacau na Bahia. Disponível em: https://reporterbrasil.org.br/2005/05/a-saga-do-cacau-na-bahia/.

GOMES, Carlos Valério Aguiar. Ciclos econômicos do extrativismo na Amazônia na visão dos viajantes naturalistas. Disponível em: https://www.scielo.br/j/bgoeldi/a/xf4Jt77zfhJf86QSvGTdSZK/?format=pdf&lang=pt.

MARINHO, Pedro Lopes. O Estado e a economia cacaueira na Bahia. Disponível em: https://www.abphe.org.br/arquivos/pedro-lopes-marinho_1.pdf.

NUTRIÇÃO FSP. Cacau, da Amazônia para o mundo. Disponível em: https://fsp.usp.br/eccco/index.php/2023/04/15/cacau-da-amazonia-para-o-mundo/.

PIASENTIN, Flora Bonazzi e SAITO, Carlos Hirro. Os diferentes métodos de cultivo de cacau no sudeste da Bahia, Brasil: aspectos históricos e percepções. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S1981-81222014000100005.

Escritor do artigo
Escrito por: Daniel Neves Silva Formado em História pela Universidade Estadual de Goiás (UEG) e especialista em História e Narrativas Audiovisuais pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Atua como professor de História desde 2010.

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

SILVA, Daniel Neves. "Ciclo do cacau"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/historiab/ciclo-do-cacau.htm. Acesso em 13 de julho de 2024.

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