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Hatshepsut

Hatshepsut foi uma mulher conhecida por ter sido faraó durante o século XV a.C. Teve reinado próspero e sofreu uma tentativa de apagamento histórico após sua morte.

Estátua de Hatshepsut, a faraó que governou o Egito entre 1479 a.C. e 1458 a.C.[1]
Estátua de Hatshepsut, a faraó que governou o Egito entre 1479 a.C. e 1458 a.C.[1]
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Hatshepsut foi uma mulher que se tornou faraó por mais de duas décadas, governando entre os anos de 1479 a.C. e 1458 a.C. Foi uma das poucas mulheres a assumirem a posição na história egípcia e ficou marcada por ter tido um reinado próspero, repleto de grandes construções e com um pujante comércio internacional.

Hatshepsut era esposa de Tutemés II, tornando-se regente quando esse faraó faleceu. Ela manteve Tutemés III afastado do trono, assumindo o poder oficialmente no sétimo ano de sua regência. Anos após sua morte, houve uma tentativa de apagamento de sua história com a destruição de estátuas e registros sobre ela.

Leia também: Cleópatra — outra conhecida faraó que governou o Egito por mais de duas décadas

Tópicos deste artigo

Resumo sobre Hatshepsut

  • Hatshepsut foi uma das poucas mulheres a se tornar faraó na história egípcia.

  • Foi faraó no século XV a.C., mantendo um reinado próspero.

  • Assumiu o poder quando era regente de Tutemés III.

  • Durante o seu reinado, ordenou grandes construções e manteve um próspero comércio.

  • Após sua morte, sofreu uma tentativa de apagamento histórico por Amenófis II.

Quem foi Hatshepsut?

Hatshepsut foi uma figura importante da história do Egito Antigo, principalmente por ter sido uma das poucas mulheres que se tornaram faraós, governando as terras egípcias. Além disso, o seu reinado foi considerado um dos mais bem-sucedidos da história egípcia, sendo marcado pelo uso da diplomacia e do comércio internacional em larga escala.

Hatsheput nasceu em um local desconhecido por volta do ano 1507 a.C. Ela era filha do faraó Tutemés I com a rainha Amósis. O nome de Hatshepsut é traduzido como “a mais importante das nobres damas”, sendo, portanto, uma princesa e uma figura importante na linhagem egípcia.

Após ter sido faraó, Hatshepsut sofreu uma tentativa de apagamento histórico, pois uma série de monumentos ligados a ela sofreram uma destruição, cujo objetivo era apagar seu nome e evidências de sua existência. Sua imagem passou a ser resgatada a partir do século XX.

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Subida de Hatshepsut ao poder egípcio

Tutemés I, pai de Hatshepsut, não teve nenhum herdeiro com sua primeira esposa, apenas com a segunda. Para garantir que sua linhagem permanecesse no trono, Tutemés I determinou que sua filha, Hatshepsut, se casasse com Tutemés II, seu meio-irmão.

O casamento aconteceu quando a princesa estava na sua adolescência, e quando Tutemés I morreu, seu filho, Tutemés III, assumiu como faraó. Nesse período, Hatshepsut assumiu um importante cargo religioso: o de esposa do deus Amon. Esse título permitiu que ela auxiliasse o alto sacerdote do templo de Amon, em Karnak, além de ter-lhe dado importantes poderes políticos.

Junto de seu meio-irmão e marido, Tutemés II, Hatshepsut teve uma filha chamada Neferuré. Enquanto isso, Tutemés II teve um filho, Tutemés III, com sua esposa secundária, Ísis. Por volta de 1479 a.C., Tutemés II faleceu e seu filho deveria ascender ao trono como faraó.

Reinado de Hatshepsut

Templo Mortuário de Hatshepsut.
Hatshepsut foi responsável por grandes construções. Na imagem, vemos o Templo Mortuário de Hatshepsut.

Com a morte de seu marido, Tutemés III deveria se tornar faraó, mas, como era muito novo para assumir a função, Hatshepsut assumiu como regente até que Tutemés III tivesse idade suficiente para tal. No entanto, durante o sétimo ano de sua regência, Hatshepsut decidiu assumir o poder integralmente, tornando-se faraó.

Os historiadores não sabem ao certo o que aconteceu e como Hatshepsut agiu para assumir o poder oficialmente. No entanto, sabe-se que ela assumiu todos os títulos que um faraó assumiria integralmente. Tutemés III continuou sendo chamado por Hatshepsut de faraó, mas ele não possuía poderes de fato porque quem governava era sua mãe.

A ascensão de Hatshepsut se deu em 1478 a.C., sendo o quinto faraó a governar o Egito na 18ª dinastia. Depois que ela assumiu oficialmente o trono, as imagens que a retratavam passaram a caracterizá-la com feições masculinas: seus seios desapareceram, seu corpo passou a ter músculos proeminentes e seu rosto recebeu barbas. Ela usou desses artifícios para se consolidar porque tais características eram símbolos de poder para os egípcios.

Além disso, procurou casar sua filha, Neferuré, com Tutemés III, além de dar a ela o título de esposa do deus Amon. Hatshepsut usou da simbologia egípcia para legitimá-la popularmente como faraó. Por isso, uma série de construções com imagens de Tutemés I, seu pai, abençoando-a para assumir o trono foram construídas em seu reinado. Ela também explorou a religião para dar legitimidade ao seu poder.

Hatshepsut ordenou que uma série de construções fossem realizadas, como um templo em Deir el-Bahari. Além disso, uma série de expedições militares ocorreram durante o seu reinado em regiões da Núbia e da Síria.

Seu governo também teve grande destaque no âmbito comercial, pois ela restabeleceu importantes rotas comerciais dos egípcios, que tinham sido destruídas após a invasão do Egito pelos hicsos. Além disso, ela estabeleceu contato comercial com o Reino de Punt, o que foi considerado um grande feito, pois permitiu que o Egito acessasse uma série de mercadorias de luxo, como a mirra. Acredita-se que Punt tenha se desenvolvido no território da atual Etiópia, Eritreia e Somália.

Além das imagens, Hatshepsut ordenou a construção de templos por diferentes partes do território egípcio, além de grandiosos obeliscos. As construções contribuíram para empregar parte da população e também serviram de grande estímulo para a religião egípcia. Os historiadores afirmam que as proporções das construções atestam que o reinado dessa faraó foi próspero.

Acesse também: Arte egípcia — uma arte que tem características profundamente ligadas à religiosidade

Morte de Hatshepsut

Hatshepsut morreu durante o 22º ano de seu reinado, em fevereiro de 1458. Pesquisas recentes sugerem que a morte dela teria sido causada por câncer nos ossos. As mesmas pesquisas afirmam que Hatshepsut sofria de artrose, diabetes e possuía dentes ruins. Ela foi sucedida por Tutemés III, filho de Tutemés II.

Tentativa de apagamento de Hatshepsut

Os historiadores acreditam que Amenófis II, filho de Tutemés III, promoveu uma campanha de apagamento de Hatshepsut, muito provavelmente por ela ter tomado o trono de seu pai. Estátuas e inscrições de Hatshepsut foram danificadas propositalmente, e o nome dela foi apagado da lista de faraós.

Acredita-se que a destruição tenha se iniciado cerca de 20 anos depois de Tutemés III assumir o trono, quando grande parte das pessoas que conviveram com Hatshepsut já estava morta. Apesar disso, o legado de Hatshepsut foi resgatado quando os seus restos mortais foram encontrados em 1903, por Howard Carter.

Crédito de imagem

[1] Museu Metropolitano de Arte / Wikimedia Commons (reprodução)

Fontes

BIOGRAFIAS DE MULHERES AFRICANAS. Hatshepsut (1507-1458 a.C.). Disponível em: https://www.ufrgs.br/africanas/hatshepsut-c-1507-c-1458-a-c/.

BONILLA, Juan Miguel Hernández. Dois crânios de babuínos de 3.300 anos atrás revelam o lugar de origem de uma misteriosa civilização. Disponível em: https://brasil.elpais.com/ciencia/2021-01-11/dois-cranios-de-babuinos-de-3300-anos-atras-revelam-o-lugar-de-origem-de-uma-misteriosa-civilizacao.html.

GILL, N. S. Biography of Hatshepsut, pharaoh of Egypt. Disponível em: https://www.thoughtco.com/hatshepsut-pharaoh-hatshepsut-of-egypt-112487.

MARK, Joshua J. God’s Wife of Amun. Disponível em: https://www.worldhistory.org/God's_Wife_of_Amun/.

MARK, Joshua J. Hatshepsut. Disponível em: https://www.worldhistory.org/hatshepsut/.

LEWIS, Jone Johnson. How did Hatshepsut die? Disponível em: https://www.thoughtco.com/how-did-hatshepsut-die-3529280.

SOUSA, Aline Fernandes de. A mulher-faraó: representações da rainha Hatshepsut como instrumento de legitimação (Egito Antigo – século XV a.C.). Disponível em: https://www.historia.uff.br/stricto/td/1368.pdf.

VENTURA, Dalia. O mistério de Hatshepsut, a faraó ‘apagada da história’. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/geral-54244549.

WEDEMAN, Ben. Just ask mummy: cancer the least of the worries. Disponível em: http://edition.cnn.com/2010/WORLD/meast/10/26/egypt.mummies/index.html.

Escritor do artigo
Escrito por: Daniel Neves Silva Formado em História pela Universidade Estadual de Goiás (UEG) e especialista em História e Narrativas Audiovisuais pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Atua como professor de História desde 2010.

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

SILVA, Daniel Neves. "Hatshepsut"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/historia/hatshepsut.htm. Acesso em 20 de abril de 2024.

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