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O Aleijadinho

Biografia

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Matriz Nossa Senhora do Pilar

Feitura de quatro cabeças de anjos, em madeira, para o andor da Irmandade de Santo Antô-nio (1810), posteriormente adaptadas ao oratório da sacristia (1865).

Chafariz do Pissarrão

Situado no Alto da Cruz (antiga Rua Larga), nas proximidades da Igreja de Santa Ifigênia (1761).

Palácio dos Governadores

Risco em "sanguínea" do chafariz interno (1752).

Museu da Inconfidência

“Sala Aleijadinho": algumas esculturas e desenhos de projetos da Igreja de S. Francisco de Assis de Ouro Preto e São João Del Rey.

O Aleijadinho em Congonhas do Campo

"O Barroco Mineiro é um fenômeno excepcional no qual uma arte grandiosa, tea-tral, alcançou seu apogeu em Congonhas do Campo"

Num percurso de apenas duzentos metros em linha reta, na modesta cidade de Congonhas do Campo, entre as montanhas de Minas Gerais, a milhares de quilômetros dos grandes centros mundiais da civilização ocidental, acham-se concentradas 78 esculturas que com-põem o mais esplêndido conjunto de arte barroca do mundo: são as 66 imagens no cedro dos Passos da Paixão e os 12 Profetas na pedra-sabão. Entre elas contam-se, no mínimo, 40 peças consideradas obras-primas.

Esse conjunto, executado no espaço de apenas dez anos, de 1796 a 1805, por um só escultor, o Aleijadinho, e alguns oficiais de seu atelier, faz parte de um conjunto barroco mais amplo, que abrange algumas cidades da mesma região, tendo-se desenvolvido e florescido durante o curto período do século 18, e envolvendo alguns poucos arquitetos e escultores. Este é um fato único na História moderna da arte, tendo como precedente nas culturas ocidentais somente na arte da Grécia Antiga.
O texto acima é um excerto de um artigo de autoria do Prof. Moacyr Vasconcellos, publicado em "A Cidade dos Profetas", um informativo da Fundação Municipal de Cultura e Turismo de Congonhas.

Os Passos da Paixão

Em 1790 as obras arquitetônicas do Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos e do adro estavam concluídas. Em 1796 são contratadas as obras dos Passos da Paixão e a execução dos Profetas, obras essas que constituem o mais esplêndido conjunto da arte bar-roca mundial. Apesar do adro estar concluído, é pelos Passos da Paixão que Aleijadinho inicia seu trabalho, o qual se estende de agosto de 1796 a dezembro de 1799.

Nesse período são talhadas as 66 figuras em madeira, que seriam posteriormente dispostas em seis cape-las: Ceia, Horto, Prisão, Flagelação/Coroação de Espinhos. Cruz-às-Costas e Crucificação.
Os trabalhos de policromia se iniciaram em 1808, sendo executados por Francisco Manuel Carneiro e Manoel da Costa Athayde.
Caso deseje visitar os Passos da Paixão, faça sua escolha abaixo.
Os textos que acompanhas as fotos foram adaptados a partir do jornal "Cidade dos Profetas", uma publicação da Fundação Municipal de Cultura e Turismo de Congonhas.

Ceia
Horto
Prisão
Flagelação
Coroação
Cruz-às-Costas
Crucificação

Os Profetas
Terminada e execução das imagens dos Passos da Paixão, Aleijadinho e seu "ateli-er" iniciam as obras no adro do Santuário do Senhor Bom Jesus de Matosinhos. O magnífi-co conjunto estatuário foi totalmente executado em menos de cinco anos. Mesmo muito debilitado pela doença que o consumia e utilizando largamente o trabalho do seu "atelier", Aleijadinho deixou em Congonhas, nas imagens dos Profetas, a marca do seu gênio. Esta marca se percebe antes mesmo de uma análise mais detalhada dos 12 profetas.

Ela é visível na magnífica integração das estátuas ao suporte arquitetônico constituído pelo adro, com suas escadarias em terraços e imponentes muros de arrimo. Os blocos verticais de pedra parecem brotar espontaneamente dos parapeitos que arrematam a parte superior dos muros, contrapondo à linha horizontal dominante, modulações rítmicas de poderosa força expres-siva. As atitudes e os gestos individuais de cada uma das estátuas são simetricamente orde-nados com relação ao eixo da composição.

As correspondências não se fazem de forma geométrica, mas por oposições e compensações de acordo com a lei rítmica do barroco. Um gesto de aparência aleatória, quando visto isoladamente como ampla flexão do braço direito do profeta Ezequiel, adquire extraordinária força expressiva quando relacionado com seu prolongamento natural, constituído pelo braço esquerdo de Habacuc.

Se desejar ver as imagens desses profetas, faça sua seleção abaixo.
Os textos que acompanham as fotos foram adaptados a partir do jornal "Cidade dos Profetas", uma publicação da Fundação Municipal de Cultura e Turismo de Congonhas.
Isaías
Jeremias
Baruc
Ezequiel
Daniel
Oséias
Joel
Abdias
Amós
Jonas
Habacuc
Naun

SOBRE O ALEIJADINHO

Trechos extraídos do livro CONFIDÊNCIAS DE UM INCONFIDENTE, "romance mediúnico escrito por Maria Luisa Moreira Vasconcellos, ditado pelo Espírito de Tomás Antonio Gonzaga”:
Chamado a compor imagens para a Igreja Bom Jesus de Matozinhos, em Congo-nhas, Mestre Lisboa (Aleijadinho) pensou:
... Permite-me, Senhor, viver ainda para poder deixar nas Minas Gerais, imortaliza-dos, os queridos amigos da Conjura Mineira. Inspira-me! Envia-me forças!

Começa com a feitura da Ceia dos Passos.
Sessenta e seis figuras comporão as capelas.
Trinta e três de cada lado. Trinta e três! O número de graus da maçonaria. Sete serão as capelas. Novamente o número simbólico, e estarão, ao final, dispostas por tal forma, que para se as visitar, terá o passante que seguir em ziquezaque, exatamente o modo de andar envieazado dos maçons, com o qual se dão a conhecer uns aos outros. Mas fazem apenas seis capelas. ... À figura dos legionários romanos coloca o nariz grande e adunco, como uma máscara de teatro.

Com isto, qualquer que os olhe ficará com raiva e também represen-ta a farsa do julgamento do Senhor, bem como a farsa do julgamento da Conjuração Minei-ra. Judas tem as mãos por tal forma, que é um símbolo do aperto de mãos dos Maçons. Não fora Silvério também um deles? Agora, o que diria aquele pernicioso homem ao ver-se as-sim retratado?
...D.Francisca (Eulina, na literatura) também deve ficar eternizada. A companheira do Dr. Cláudio (Cláudio Manoel da Costa). Pobre mulher! Pois eu a porei de joelhos, mãos com as palmas estendidas em súplica.

... Lembra-se de Marília (de Dirceu), de sua renúncia quanto ao filho, de toda sua dor e seu imenso sofrimento:
Não posso restituir à senhora seu filho, D.Marília, mas eu a farei unida a ele, com ele nos braços, na procissão da Paixão! Ficarão juntos, nem que seja em estátua!

... Eu os trarei de volta um a um na rocha e na madeira. Os poderosos hão de render-lhes homenagens! Depois de muitos anos, mais ou menos no ano de 1.800, vem-lhe a en-comenda dos profetas do Adro. Doze profetas. Doze apóstolos, doze principais da Irman-dade Maçônica! Representarei o Grão-Mestre, o Venerável, o Companheiro, os doutores, os militares. Todos. Pena não serem mais! Terei que escolher.

Isaías - Tiradentes

... Isaías é o principal profeta. Veio para anunciar à vinda do Cristo. ... Segundo a própria palavra de Isaías ao Senhor, quando perguntara: "E quem nos irá lá? Havia respondido Isaías: Aqui me tens a mim! Envia-me!” Também assim fora o Tiradentes quem se oferece-ra para seguir pelo caminho como voz do levante. ..._ Serás Isaías! O primeiro a abrir o adro da Igreja, o primeiro de todos!

Jeremias - Cláudio Manoel da Costa

Ao lado de Isaías, seguindo a própria seqüência bíblica viria Jeremias. Jeremias faz sua lamentações, tais como o Dr. Cláudio Manoel as fazia ao confessor na prisão. E o fez com o manto dos doutores, a toga da sabedoria e o barrete frígio de Mitra. Os detalhes quanto à sua posição na Maçonaria viriam das posições ocupadas, dos gestos que fariam. Apôs ao profeta a cartela, símbolo dos bastões maçônicos com os dizeres bíblicos: "Eu choro a der-rota da Judéia e a ruína de Jerusalém. E peço que queiram voltar ao meu Senhor".
...Vinham padres ver seus trabalhos. Havia quem os louvava, outros que procura-vam ridicularizar tudo:
Mestre Lisboa, os pés estão trocados! Os pés das botas!
... São cegos. Os pés estão certos! Era aquela mais uma simbologia maçônica, só visível aos iniciados.

Baruc - Tomás Antonio Gonzaga

Baruc era discípulo e secretário de Jeremias, esperava a glória de Israel, e sua principal Oração é a Oração dos Exilados.
..._ Baruc! O primeiro dos exilados, aquele a quem tiraram a voz do esposo. Bem... Dr. Tomás Antonio Gonzaga! Eu o vestirei com o manto dos magistrados, a toga da sabedoria, o olhar de regojizo, pois sei que tu tiveste a tua esposa. Tu a tiveste. ... Eu te porei no pilar da entrada, a olhar a cidade aos teus pés, querido e bom Mestre! A cartela de Baruc dizia: "Eu predigo a vinda de Cristo na carne e os últimos tempos do mundo e advirto os pios".

Ezequiel - Inácio Alvarenga Peixoto

Alvarenga seria Ezequiel, sendo sóbrio, dando mensagens aos cativos, homem de raciocí-nio, que procurava sempre convencer mais do que arrastar. Ezequiel se juntava aos cativos do Rio Cobar, Alvarenga aos cativos do Rio das Mortes. Só Alvarenga poderia ficar lado a lado de Tomás Antonio Gonzaga, mas Mestre Lisboa o faria por tal forma a Ter o gesto significativo do Companheiro maçom: a mão esquerda levantada entre o peito e o queixo.
Na cartela de Alvarenga deixava gravado: "Eu descrevo os quatro animais no meio das chamas. E as horríveis rodas e o trono etéreo".

Daniel - Maciel

Daniel era um profeta especial, um dos exilados da Babilônia. Predisse sonhos e foi coloca-do na cova dos leões. Também Maciel não estivera na cova dos leões da casa do visconde de Barbacena? E não saíra são e salvo para as terras da África, depois de condenado à mor-te? Bem gostaria Mestre Lisboa dois semblantes num só. O do jovem Maciel e do jovem Resende Costa Filho, que fora corajoso como ninguém. Além do barrete frígio, lhe daria o símbolo de seu grau maçônico.

A coroação com folhas de louro tinha tanto a ver com a simbologia, quanto à roupa de Mitra colocada em Baruc, porque Dr. Tomás Antonio Gon-zaga, como superior que era da Ordem, era o "pai" de todos, "um pai no amor", como a si mesmo chamava nos versos. A cartela de Daniel traz a inscrição eterna: “A mandado do rei encerrado na cova dos leões, são e salvo escapou pelo auxílio de Deus".

Oséias - Dr. Domingos Vidal Barbosa

Frente ao profeta Daniel ficará Oséias. Sobre ele lê Aleijadinho as explicações: "Foi envia-do ao reino do norte, para anunciar o cativeiro iminente. Houve um casamento simbólico de Oséias com uma decaída". Não fora também Vidal Barbosa enviado ao reino do norte (A-mérica do Norte), junto com Joaquim da Maia, para conseguir a ajuda de Jefferson (presi-dente americano)? Tal ajuda não viera; mas haviam tentado. Também podia fazer dali sair o Pe. Rolim, também loiro, jovem, e unido a uma mulher de má reputação. Ambos em um? Por fim decidiu: Deixarei os padres de fora, não porque não mereçam.

Eles ficarão para sempre como lem-branças no lavabo dos sacristãos da Igreja Francisco de Assis. O frade, com os olhos ven-dados, encimado pelo medalhão de São Francisco; dois anjos, com os símbolos da sala de reflexão da maçonaria; a ampulheta e a caveira, e os dizeres “este é o caminho que conduz as ovelhas". O frade tem os olhos vendados, como o aprendiz maçom; os girassóis, as rosas, o triângulo em anjos, o compasso voltado para baixo, tudo testemunha por aqueles cinco mártires da Conjura, embora há tantos anos pronto, como profecia! Agora era a vez dos doutores e militares!

Joel - Dr. Salvador Amaral Gurgel

Joel era um "mestre da Justiça" e do reino do sul. Quem mais poderia vir-lhes do sul, que tivesse conhecimento das coisas? Quem haveria sempre procurado dissuadir o Tiradentes, achando que o projeto era ainda imaturo? O Dr. Salvador Amaral Gurgel, carioca, seria o próximo. Lembrava-se que vivia ele a discutir com o capitão Rego Fortes, a quem apresen-tara o Tiradentes. Pois os colocaria de costas um para o outro, e Rego Fortes seria Jonas.
Gurgel, como doutor, traria a pluma na mão e a inscrição na cartela: “Eu explico à Judéia que mal trarão a Terra à lagarta, o gafanhoto, o bruco e a alforria".

Jonas - Rego Fortes

Jonas fora engolido pelo peixe, isto é, pela cidade do Rio de Janeiro, cujo escudo tinha um golfinho e fora salvo por Deus, pelo único modo possível, pela morte. Jonas foi engolido pelo monstro e ficou escondido três noite e três dias (os anos na prisão do Rio de Janeiro) no ventre do peixe.

Amós - Aleijadinho

... Eu serei Amós e que Deus me perdoe por isto. Eu sou tal como ele pobre, com uma vida rigorosa, como num deserto. Também como Amós admoestei os ímpios e maus, os perver-sos e as suntuosidades dos templos, gravando a advertência: “Onde estiver vosso tesouro, aí estará o vosso coração". Não me colocarei nenhum manto de doutor, nem toga, mas terei para mim a roupa simples do artesão, do escultor, do pedreiro livre e estarei sorrindo para quem me vir, diante do profeta Naum, como ele a me dizer às últimas palavras do seu livro: "A tua destruição não está oculta, a tua chaga é muito maligna; todos os que ouviram a tua fama bateram as palmas sobre ti; porque sobre quem não passou sempre a tua malícia?”
Minha cartela dirá simplesmente: "Foi feito primeiro pastor e em seguida profeta", pois profetizo que todos vós tornareis um dia a esta terra, como heróis, e vos reconhecerão nes-tas pedras!

Naum - Domingos Abreu Vieira

Na cartela de Naum ficou escrito: "Exponho qual castigo espera Nínive, depois da recaída, digo que a Assíria deve ser destruída toda!”.
Abdias - Tte. Cel. Francisco de Paula Freire de Andrade
Faltavam dois profetas que ficariam sempre em movimento, como em voz de comando para o ataque, ou profetizando e argüindo os covardes e traidores. Abdias havia dito: "Nem te postarás nas saídas e não encerrarás aos restos dos seus habitantes no dia da sua tribula-ção..." Também Paula Freire não se postou na saída nem prendeu os covardes. Uniu-se a eles.

Habacuc - Oliveira Lopes

Na cartela de Habacuc se gravará: “A ti, Babilônia, te ergo a ti, tirano caldeu, mas a vós eu canto, Deus grande, em salmos". Era bem a atitude de Oliveira Lopes, aquelas lamentações e queixas, que começavam por dizer “não há mais Justiça, reclamando contra os portugue-ses e os americanos e os franceses que não os tinham ajudado". Também Freire de Andra-de, com o braço erguido aos céus, apontava a defecção do povo da América do Norte, que falhara, quando o Odail de todos era a república e irmandade em todos os cantos do mundo, para uma só pátria, baseada na fraternidade, igualdade e liberdade!

BIBLIOGRAFIA

• Almanaque Abril – Edições de 1995, 1996, 1997, 1998,1999;
• Barsa CD - Enciclopédia Britânica do Brasil Publicações Ltda. 1998;
• Bardi, Pietro Maria. História da arte brasileira. São Paulo, Edições Melho-ramentos, 1975;
• Coleção Arte no Brasil.(volume I). São Paulo, Abril Cultural, 1979;
• Mainstone, Madeleine; Mainstone, Rowland. O barroco e o século XVII. São Paulo, Zahar Editores/Círculo do Livro.
• Oliveira, Miriam Andrade Ribeiro de. Aleijadinho: Passos e Profetas. São Paulo, Edusp, 1984.

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