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Tragédia grega

A tragédia grega surgiu no século VI a. C., em Atenas. Ela apresenta caráter religioso, político e pedagógico. Seus principais autores foram Ésquilo, Eurípides e Sófocles.

Máscaras da tragédia e da comédia
As máscaras da tragédia e da comédia são os principais símbolos do teatro grego.
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Tragédia grega é como ficou conhecido o teatro de cunho trágico ou funesto. Ela surgiu no século VI a. C., durante as festas em homenagem ao deus Dioniso. Portanto, em sua origem, apresenta caráter religioso. Tem a função de gerar a catarse ou purgação dos sentimentos por provocar terror e compaixão no público.

Personagens mitológicos, além de um coro, estão presentes nesse tipo de tragédia, cujo enredo é composto por um conflito, uma revelação e uma punição. Por fim, as principais tragédias gregas são Prometeu acorrentado, de Ésquilo; Medeia, de Eurípides; e Édipo rei, de Sófocles.

Leia também: Características, autores e obras da literatura grega

Tópicos deste artigo

Resumo sobre a tragédia grega

  • A tragédia grega está relacionada a peças teatrais de caráter trágico ou triste.

  • Ela representa seres superiores, como aristocratas, semideuses e deuses.

  • Seu enredo é composto pela peripécia, pelo reconhecimento e pela catástrofe.

  • Seu objetivo é provocar a catarse, isto é, a purificação dos sentimentos.

  • Seus principais autores foram Ésquilo, Eurípides e Sófocles.

O que é tragédia grega?

A tragédia grega é uma peça de teatro em que personagens considerados superiores (aristocratas, semideuses e deuses) experimentam acontecimentos trágicos, funestos, tristes.

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Características da tragédia grega

  • Conflitos advindos das paixões humanas.

  • Personagens superiores ou heroicos.

  • Reflexão sobre a vida humana.

  • Valorização do diálogo.

  • Aspecto mimético ou imitação da realidade.

  • Caráter trágico ou doloroso.

  • Cunho pedagógico ou moral.

Elementos da tragédia grega

  • Atos e cenas.

  • Falas dos personagens.

  • Rubricas ou instruções do dramaturgo.

  • Coro, que faz a ponte entre o público e os personagens.

  • Personagens mitológicos.

  • Enredo:

    • conflito ou peripécia;

    • revelação ou reconhecimento;

    • punição ou catástrofe.

Objetivo da tragédia grega

O objetivo da tragédia grega é provocar a chamada catarse, a liberação de sentimentos ruins. Assim, o público, diante da vida trágica dos personagens, é tomado de horror ou piedade, o que o leva a purificar seus sentimentos. Para aquele que nunca teve essa experiência teatral, a catarse também ocorre diante de filmes.

Quando vemos um filme dramático que, por exemplo, nos provoca medo, raiva, amor ou piedade, que nos faz sentir e até chorar, estamos experimentando a catarse. Essa ebulição de sentimentos e sensações, assim, assume um caráter purificador, pois, ao sentirmos tais emoções, também nos libertamos delas.

Leia também: Epopeia — gênero literário que se volta para uma ação heroica

Teatro grego

O teatro grego é composto pela tragédia e pela comédia. No entanto, ele teve início com a tragédia, associada, em sua origem, ao culto religioso. Nesse contexto, uma figura de destaque foi Téspis (610-550 a. C.), o primeiro dramaturgo do teatro grego e pai da tragédia. Ele atuou durante o século VI a. C.

As primeiras encenações teatrais na Grécia foram realizadas em praça pública. Só mais tarde, foi criado um espaço para essas apresentações, ou seja, um teatro. Isso porque o teatro grego passou a ser respeitado pelo Estado, dado o seu caráter cívico e religioso. Assim, era de grande importância, principalmente em Atenas.

Os atores do teatro grego utilizavam máscaras. Elas tinham um caráter simbólico mas também eram usadas por questões acústicas, já que ampliavam o som da voz dos atores. Fato é que tais máscaras passaram a ser um acessório essencial nas peças teatrais, tanto na tragédia quanto na comédia.

Assim, o teatro, como prática cultural de grande importância e solenidade, estava inserido na cultura ateniense. Tinha, portanto, um caráter político, religioso e educativo. Além disso, exercia grande influência no comportamento dos gregos da Antiguidade, já que era uma instituição grega, algo bem maior do que um simples meio de entretenimento.

Autores e obras da tragédia grega

Ilustração do rosto de Sófocles, o autor mais famoso da tragédia grega.
Sófocles foi o mais famoso autor da tragédia grega.

Ésquilo (525-455 a. C.):

  • As suplicantes

  • Oresteia

  • Os persas

  • Prometeu acorrentado

Eurípides (480-406 a. C.):

  • Andrômaca

  • As bacantes

  • As troianas

  • Medeia

  • Orestes

Sófocles (497-405 a. C.):

  • Antígona

  • Édipo em Colono

  • Édipo rei

  • Electra

Diferenças entre comédia e tragédia grega

Tanto as características da tragédia quanto as da comédia foram apontadas, inicialmente, pelo filósofo Aristóteles (384-322 a. C.). Assim, se a tragédia é a representação ou imitação de seres superiores, a comédia se configura na representação ou imitação de seres inferiores.

A comédia desperta o riso ao mostrar o feio, o grotesco e os vícios (contrários ao aspecto virtuoso do trágico). A catarse também está presente na recepção da comédia; porém ela é provocada pelo riso diante da fealdade humana, não só física mas também moral. A deformação humana, na comédia, leva ao desprezo e não à compaixão.

Curiosidades sobre tragédia grega

  • A tragédia grega é derivada do culto ao deus do vinho, ou seja, Dioniso, pois fazia parte das comemorações em homenagem a esse deus.

  • A palavra tragédia vem do termo tragoidia e significa “canto do bode”.

  • O ditirambo, canto em homenagem a Dioniso, serviu de inspiração para o surgimento da tragédia grega.

Fontes

ABAURRE, Maria Luiza M.; PONTARA, Marcela. Literatura: tempos, leitores e leituras. 3. ed. São Paulo: Moderna, 2015.

ARISTÓTELES; HORÁCIO; LONGINO. A poética clássica. Tradução de Jaime Bruna. 7. ed. São Paulo: Cultrix, 1997.

BRANDÃO, Junito de Souza. Teatro grego: tragédia e comédia. 13. ed. Petrópolis: Vozes, 2022.

CODEÇO, Vanessa Ferreira de Sá. Teatro grego antigo: um território instrutivo. Hélade, Niterói, v. 1, n. 1, p. 93-99, jul. 2015.

SANTOS, Adilson dos. A tragédia grega: um estudo teórico. Revista Investigações, Recife, v. 18, n. 1, p. 41-67, jan. 2005.

WEXEL, Juliana. Medeia vozes de Christa Wolf: a reinvenção polifônica do mito trágico. 2012. Dissertação (Mestrado em Letras) – Universidade de Caxias do Sul, Caxias do Sul, 2012. 

Escritor do artigo
Escrito por: Warley Souza Professor de Português e Literatura, com licenciatura e mestrado em Letras pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

SOUZA, Warley. "Tragédia grega"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/literatura/tragedia-grega.htm. Acesso em 26 de fevereiro de 2024.

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