Julio Cortázar

Literatura

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Julio Cortázar é um autor argentino nascido em 26 de agosto de 1914. Além de escritor, foi professor e tradutor. Por questões políticas, exilou-se na França. Era apoiador de Fidel Castro e fez parte do Tribunal Internacional dos Crimes de Guerra. Sua obra mais conhecida é O jogo da amarelinha, de 1963. Cortázar ganhou o prêmio argentino Konex, em 1984, e morreu em 12 de fevereiro desse mesmo ano.

O autor faz parte do boom latino-americano, ocorrido em 1960 e 1970. Suas obras são consideradas de alto nível intelectual, experimentais, com engajamento político e marcas do realismo mágico, fantástico ou maravilhoso. Julio Cortázar escreveu prosa e poesia, mas é bastante conhecido por seus contos. Graças a seu engajamento, tinha a consciência de que o “problema de todo intelectual é um problema de responsabilidade”.

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Biografia de Julio Cortázar

Julio Cortázar, provavelmente em 1967.
Julio Cortázar, provavelmente em 1967.

Julio Cortázar nasceu na Bélgica, em 26 de agosto de 1914, no entanto, seus pais eram argentinos. Depois da Primeira Guerra Mundial, período em que sua família viveu na Suíça, mudou-se para a Argentina. Além de escritor, Cortázar foi também professor, diplomado em 1932. Assim, começou a dar aulas três anos depois, na Faculdade de Filosofia e Letras da Universidade Nacional de Cuyo, além de publicar textos de crítica literária. Seu primeiro livro de poemas — Presença — foi publicado em 1938.

Na década seguinte, envolvido com questões políticas, o escritor renunciou a seu cargo de professor universitário, quando Juan Domingo Perón (1895-1974) tornou-se presidente do país. Passou, então, a escrever para revistas de literatura e passou a atuar como tradutor de inglês e francês. Decidiu exilar-se em Paris e começou a trabalhar como tradutor da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).

Apesar de a França ter se tornado seu principal lugar de moradia, esteve em outros países. Nos anos 1960, viajou até Cuba e decidiu apoiar Fidel Castro (1926-2016). A fama surgiu em 1963, quando publicou o livro O jogo da amarelinha, sua obra mais conhecida. O escritor também foi membro do Tribunal Russell ou Tribunal Internacional de Crimes de Guerra. Em 1981, adquiriu a nacionalidade francesa em protesto contra a ditadura militar na Argentina. Porém, em 1984, recebeu o prêmio argentino Konex. E morreu na França, em 12 de fevereiro desse mesmo ano.

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Características literárias de Julio Cortázar

Julio Cortázar faz parte do chamado boom latino-americano”, um fenômeno literário ocorrido nos anos 1960 e 1970 e caracterizado pela “explosão”, visibilidade, da literatura latino-americana na Europa e em outras partes do mundo. Para alguns críticos, O jogo da amarelinha é a obra inaugural desse período. Por conta disso, mas também por elementos originais, as obras de Cortázar possuem as seguintes características:

  • Experimentalismo

  • Engajamento político

  • Fragmentação

  • Fluxo de consciência

  • Profundidade psicológica dos personagens

  • Questões existenciais

  • Alto nível intelectual

  • Miscelânea: mistura entre narrativa, crônica, poesia e ensaio

  • Quebra com a linearidade temporal

  • Temas cotidianos aliados a elementos fantásticos

  • Realismo mágico, fantástico ou maravilhoso:

  • Nonsense

  • Situações absurdas

  • Estranhamento

  • Mistério

Capa do livro O jogo da amarelinha, de Julio Cortázar, publicado pela editora Companhia das Letras.[1]
Capa do livro O jogo da amarelinha, de Julio Cortázar, publicado pela editora Companhia das Letras.[1]

Veja também: Conto fantástico – tipo de narrativa que extrapola o limite da realidade

Obras de Julio Cortázar

 

  • Presença (1938)

  • A outra margem (1945)

  • Bestiário (1951)

  • Final do jogo (1956)

  • As armas secretas (1959)

  • Os prêmios (1960)

  • Histórias de cronópios e de famas (1962)

  • O jogo da amarelinha (1963)

  • Todos os fogos o fogo (1966)

  • A volta ao dia em oitenta mundos (1967)

  • 62: modelo para armar (1968)

  • Último round (1968)

  • Prosa do observatório (1972)

  • Livro de Manuel (1973)

  • Octaedro (1974)

  • Silvalândia (1975)

  • Alguém que anda por aí (1977)

  • Um tal Lucas (1979)

  • Queremos tanto a Glenda (1980)

  • Desoras (1982)

  • Os autonautas da cosmopista (1983)

  • Salvo o crepúsculo (1984)

  • Papéis inesperados (póstumo) (2009)

O jogo da amarelinha

O que chama atenção na principal obra do escritor — O jogo da amarelinha — é a sua estrutura, pois o livro pode ser lido de duas maneiras. Segundo o seu autor, “esse livro é muitos livros; mas, sobretudo, é dois livros”|1|. Assim, o leitor e a leitora podem escolher de que forma vão ler a obra:

  1. Leitura linear, que termina no capítulo 56.

  2. A leitura tem início no capítulo 73. E, ao final de cada capítulo, há a indicação de qual capítulo deve ser lido a seguir.

Ao todo, O jogo da amarelinha possui 155 capítulos, divididos em três partes:

  • Do lado de lá: capítulos 1 a 36.

  • Do lado de cá: capítulos 37 a 56.

  • De outros lados: capítulos 57 a 155.

Na primeira parte, o livro conta a história do argentino Horácio Oliveira, que vive em Paris, e seu relacionamento com a uruguaia Maga. Oliveira é um intelectual e faz parte do Clube da Serpente, onde se discute sobre arte. Em contraposição, a Maga, mãe de Rocamadour, é uma mulher alienada, que destoa, portanto, dos intelectuais.

Na segunda parte, a história acontece na Argentina, depois que Oliveira separa-se da Maga. Nesse estágio da obra, o protagonista encontra-se um tanto perdido.

Já a trceira parte, é mais profunda e reflexiva:

“Estou amarrando os sapatos, contente, assoviando, e de repente a infelicidade. Mas desta vez te peguei, angústia, te senti prévia a qualquer organização mental, ao primeiro indício de negação. Como uma cor cinza que fosse uma dor e fosse o estômago. E quase ao mesmo tempo (mas depois, desta vez não me engana) abriu caminho o repertório inteligível, com uma primeira ideia explicativa: “E agora viver outro dia, etc.” De onde continua: “Estou angustiado porque... etc.”|1|

Veja também: Sagarana – o livro de contos de Guimarães Rosa

Frases de Julio Cortázar

A seguir, vamos ler algumas frases de Julio Cortázar, extraídas de sua última entrevista concedida ao jornal Clarín, da Argentina, em dezembro de 1983:

“Os direitos humanos é algo fundamental, uma questão de ética, uma questão moral.”

“Falo como um intelectual que tem consciência dos problemas do povo.”

“Em cada país latino-americano, os matizes são tão grandes que as comparações uniformes são um fracasso.”

“O problema de todo intelectual é um problema de responsabilidade.”

“Aquele que dá total prioridade à mensagem política, costuma escrever obras bastante medíocres.”

“Jamais escrevi uma linha, pensando no leitor que a lerá.”

“Tenho consciência de que não escrevo para guardar meus papéis em uma gaveta, mas para que sejam publicados e cheguem a um leitor.

“A maioria das pessoas se deixa hipnotizar pelo que está lendo e abandona sua própria personalidade durante o tempo de leitura.”

“É preciso ser honesto consigo mesmo.”

“A revolução não se faz com abelhas ou formigas, se faz com homens.”

“Se os homens seguem defendendo posições fechadas e sectárias sobre o que é imoral ou moral, o que é bom ou mau, não são revolucionários.”

“O machismo é uma das sequelas da América Latina.”

“Ninguém se dá conta de que é machista até que alguém o põe contra a parede.”

“Ninguém é mais sério do que um menino quando está brincando.”|1|

Notas

|1| Traduções de Warley Souza.

Crédito da imagem

[1] Companhia das Letras (reprodução) 

 

Por Warley Souza
Professor de Literatura

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

SOUZA, Warley. "Julio Cortázar"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/literatura/julio-cortazar.htm. Acesso em 31 de outubro de 2020.