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Fatah

O Fatah é um grupo palestino originalmente organizado como grupo guerrilheiro e que, com o passar do tempo, se tornou um partido político.

Militante do Fatah segura imagem do presidente do partido e da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas.[1]
Militante do Fatah segura imagem do presidente do partido e da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas.[1]
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O Fatah atualmente é um partido político laico da Palestina. Desde 2005, Mahmoud Abbas, membro do Fatah, é o presidente da Autoridade Nacional Palestiniana, considerada atualmente a representante legal dos palestinos pela maior parte dos países do mundo.

O Fatah foi criado, no final da década de 1950, por palestinos exilados em outros países. Inicialmente o Fatah foi um grupo guerrilheiro e praticou diversos atentados terroristas contra Israel e diversos locais associados ao país. A partir da década de 1990, com acordos realizados com Israel, o Fatah deixou a luta armada e passou a agir apenas politicamente.

Em 2006, o grupo perdeu o controle do Legislativo palestino para o Hamas, grupo muçulmano considerado terrorista por muitos países. A vitória desencadeou uma série de fatos que culminaram com o conflito armado entre membros do Hamas e do Fatah na Faixa de Gaza. Após o conflito, o Fatah passou a governar a Cisjordânia, e o Hamas, a Faixa de Gaza.

Leia também: Origem dos conflitos entre Israel e Palestina

Tópicos deste artigo

Resumo sobre o Fatah

  • O Fatah atualmente é um partido político palestino que governa a região da Cisjordânia.
  • Inicialmente, foi fundado como um grupo guerrilheiro que tinha por objetivo a criação de um Estado laico palestino.
  • Yasser Arafat foi o principal líder do Fatah até sua morte, em 2004.
  • Em 1964 foi fundada a Organização para a Libertação da Palestina, a OLP. O Fatah era o principal grupo da OLP.
  • Em 1993, após acordos com Israel, o Fatah se tornou um partido político e passou a comandar a Autoridade Nacional Palestina, criada no ano seguinte.
  • O Hamas foi contrário aos acordos de paz firmados entre a OLP, o Fatah e o governo de Israel.
  • Em 2006, o Fatah perdeu as eleições e o Hamas passou a ter a maioria dos deputados do Parlamento palestino. O fato gerou uma crise interna e externa para os palestinos.
  • Uma guerra civil entre os dois grupos palestinos eclodiu em 2007, durando apenas três dias.
  • Em 2023, o Hamas promoveu um grande ataque terrorista a Israel. O ataque foi criticado pelo líder do Fatah e da OLP, Mahmoud Abbas.

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O que é o Fatah?

O Fatah atualmente é um partido político da Palestina reconhecido pela maioria dos países do mundo. A Autoridade Nacional Palestiniana é reconhecida internacionalmente como o governo provisório da Palestina. Mahmoud Abbas é o presidente da ANP desde 2005 e é um líder histórico do Fatah.

O Fatah foi fundado, em 1959, como um grupo guerrilheiro por palestinos que imigraram do país devido aos conflitos com Israel que ocorriam desde o final da década de 1940. Entre os fundadores do Fatah estava Yasser Arafat, ele se tornou o principal representante palestino até 2004.

Em 1964, foi criada a Organização para a Libertação da Palestina, conhecida como OLP. Essa organização foi composta por diversos grupos palestinos, entre eles o Fatah, que aderiu à organização em 1967, durante a Guerra dos Seis Dias. Durante o conflito, o Fatah se tornou o maior grupo político da Palestina, e Arafat, o principal representante da causa palestina.

Após 1967, o Fatah passou a realizar atentados contra Israel partindo de suas bases na Palestina, na Síria, na Jordânia e no Libano. Em 1968, o exército de Israel atacou a maior base do Fatah, em Karameh, na Jordânia. Após intenso ataque israelense, os combatentes do Fatah conseguiram resistir e as tropas israelenses deixaram a Jordânia. Apesar de ter perdido cerca de 150 membros, o Fatah considerou a Batalha de Karameh uma vitória. Os israelenses perderam oficialmente 28 combatentes.

Nas décadas de 1960 e 1970, o Fatah criou células em diversos países da Europa, África e Ásia. Grupos terroristas dessas células fizeram diversos atentados à bomba, sequestros de aviões e outros tipos de ataques, entre eles o atentado terrorista das Olimpíadas de 1972, em Munique, na Alemanha. A violência foi perpetrada pelo Setembro Negro, grupo dissidente do Fatah.

No final da década de 1980, o Fatah aceitou deixar a luta armada e iniciar negociações com Israel. As negociações culminaram no Acordo de Paz de Oslo, de 1993. No ano seguinte, foi fundada a Autoridade Nacional Palestiniana, que passou a ser reconhecida por Israel como representante político do povo palestino.

Leia também: Questão Palestina — a busca do povo palestino pela criação de seu Estado nacional

Significado da palavra Fatah

O nome do Fatah é oficialmente Movimento de Libertação Nacional Palestina, e seu acrônimo reverso é a palavra Fatah, que em árabe significa algo como “vitória inicial”. O termo Fatah tem relação com a expansão islâmica no século VII e pode ter também o significado de “luta armada”.

Objetivos do Fatah

A Constituição do Fatah foi escrita em 1964 e tem como principais objetivos a “libertação completa da Palestina” e o “estabelecimento de um Estado democrático palestino cuja capital seria a cidade de Jerusalém”. O texto ainda considera a presença de judeus na região como uma “invasão sionista com uma base de expansão colonial”.

O Fatah é um movimento laico, de orientação de esquerda. Durante alguns momentos, o partido chegou a ter apoio político e financeiro da União Soviética durante a Guerra Fria.

Até o final da década de 1980, o Fatah era um grupo guerrilheiro e que praticava ataques terroristas. A partir de 1988, o grupo passou a deixar a luta armada e a se transformar em um partido político. Em 1993, com os Acordos de Oslo, o Fatah passou a reconhecer o Estado de Israel e seu direito à existência na região da Palestina.

Yitzhak Rabin e Yasser Arafat dão as mãos em 1993. Ao fundo, o presidente Bill Clinton.
Yitzhak Rabin e Yasser Arafat, líder de Israel e da OLP respectivamente, dão as mãos em 1993. Ao fundo, o presidente Bill Clinton.[2]

A partir de 1994, o Fatah passou a ser o principal partido da Autoridade Nacional Palestiniana, reconhecida internacionalmente como a representante provisória do povo palestino. O Fatah sempre foi majoritário na ANP, mas em 2006 essa realidade mudou. Nas eleições desse ano, o Hamas, grupo palestino rival do Fatah, elegeu 74 deputados, passando a compor a maioria dos parlamentares do Legislativo palestino.

Ao contrário do Fatah, o Hamas é visto pela maioria dos países ocidentais como um grupo terrorista, e, logo após a vitória do grupo na eleição, os investimentos externos na Palestina foram cortados.

Ainda em 2006, Israel iniciou ataques à Faixa de Gaza, atacando posições do Hamas e prendendo parte de suas lideranças, inclusive dezenas de deputados eleitos para o Legislativo palestino. Os palestinos acusaram Israel de acabar com a Autoridade Palestina, eliminando os líderes do seu principal partido. Após uma guerra civil entre Fatah e Hamas, a Cisjordânia passou a ser governada pelo Fatah, e a Faixa de Gaza, pelo Hamas.

Atuação do Fatah

Oficialmente o Fatah foi um grupo guerrilheiro desde a sua fundação até 1993, quando ocorreram os Acordos de Paz de Oslo. No entanto, o grupo sempre teve uma ala política e outra militar.

Atualmente, embora seja oficialmente um partido político, o Fatah está diretamente associado às Brigadas de Mártires de Al Aqsa. O grupo se formou em 2000, durante a Segunda Intifada palestina, quando muçulmanos foram mortos próximo da Mesquita de Al-Aqsa. O grupo armado foi criado com o objetivo de vingar os mártires de Al-Aqsa. A partir de 2002, as Brigadas dos Mártires passaram a praticar atentados contra israelenses.

Diferenças e rivalidade entre o Fatah e o Hamas

O Hamas é um grupo radical islâmico que foi criado em 1987, durante a Primeira Intifada palestina. Desde a sua fundação, ele propõe a criação de um Estado palestino islâmico, ao contrário do Fatah, que propõe a fundação de um Estado laico.

Com os Acordos de Paz de Oslo, de 1993, o Fatah deixou de usar a luta armada como estratégia e reconheceu o Estado de Israel. O Hamas foi contrário aos Acordos de Paz de Oslo e continuou a realizar diversos ataques aos judeus, comprometendo os acordos de paz. Em 1995, Yitzhak Rabin, líder de Israel que assinou os tratados de paz, foi assassinado por um extremista de direita judeu, de um grupo contrário aos acordos.

Em 2006, o Hamas venceu as eleições, obtendo a maioria no Conselho Legislativo Palestino, que governa a ANP.  Entre 12 e 14 de junho de 2007, uma guerra ocorreu entre membros do Fatah e do Hamas na Faixa de Gaza. As tropas do Fatah deixaram a região, e ela passou a ser controlada pelo Hamas. O Fatah governa atualmente a Cisjordânia.

Créditos das imagens

[1] Anas-Mohammed / Shutterstock

[2] mark reinstein / Shutterstock

Fontes

GILBERT, Martin. História de Israel. Edições 70, São Paulo, 2015.

TELES, Gustavo. A paz eterna entre judeus e árabes na Terra: Segunda Guerra Mundial (Volume 1). Autografia Editora, Rio de Janeiro, 2021.

ZUCCHI, Luciano Kneip. Sangue entre irmãos: a gênese dos conflitos entre judeus e árabes. Amazon Digital Books. 2021.

Escritor do artigo
Escrito por: Jair Messias Ferreira Junior Pós-graduado em História pela Unicamp e professor da Educação Básica há mais de 20 anos. Também é formador de professores e produtor de materiais didáticos há mais de 10 anos.

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

JUNIOR, Jair Messias Ferreira. "Fatah"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/historiag/fatah.htm. Acesso em 15 de abril de 2024.

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