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Rebeliões Nativistas

História do Brasil

As Rebeliões Nativistas ocorreram no Brasil entre os séculos XVII e XVIII como resultado, em sua maioria, de indisposições com a Coroa Portuguesa.
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Durante a colonização do Brasil, muitos problemas foram se apresentando. Tais problemas abrangiam situações como a forma de concessão de terrenos para colonos e aventureiros que vinham de Portugal para aqui se estabelecer, a extração de recursos naturais, como o pau-brasil, o apresamento e o tráfico de indígenas, entre outras coisas. Essas situações acabaram promovendo as chamadas contradições da colonização. De tais contradições, as Rebeliões Nativistas acabariam por se tornar emblemáticas.

A expressão “Rebeliões Nativistas” refere-se às revoltas e tentativas de revoluções políticas que se desenrolaram em solo brasileiro entre os séculos XVII e XVIII. Essas rebeliões aconteceram nesse período especialmente porque o sistema colonial (começado efetivamente em 1530) já estava consolidado no Brasil e a Corte Portuguesa já conseguia exercer sua autoridade na maior parte do território que dominava, sobretudo naqueles que se tornaram os grandes polos de atividade econômica: a Capitania de Pernambuco e a Capitania de Minas Gerais.

Contudo, o estabelecimento pela Coroa de regras e de exigências para os colonos, como a cobrança de impostos sobre o que se produzia, chocava-se com as perspectivas dos próprios nativos, que aqui passaram a fazer suas próprias regras, inclusive, em alguns momentos, articulando-se com outros povos europeus, como os holandeses e os espanhóis. Esse choque de perspectivas gerou situações extremas, provocando confrontos e tentativas de instituição de governos paralelos com autonomia política.

A chamada Aclamação de Amador Bueno, que ocorreu na Capitania de São Paulo, por exemplo, consistiu em uma tentativa dos bandeirantes paulistas de elegerem o fazendeiro e também bandeirante, Amador Bueno, governador da referida Capitania à revelia da Coroa. As razões para tanto vinham das restrições que a Coroa Portuguesa, após o fim da União Ibérica, passou a impor ao tráfico de índios na colônia (uma das atividades mais lucrativas para os bandeirantes) e, sobretudo à comercialização com os espanhóis por meio das fronteiras na região Sul.

Outro exemplo foi a Revolta de Beckman, ocorrida em 1684, na cidade de São Luís do Maranhão. Essa revolta teve como motivo central as exigências de melhorias nas relações entre Maranhão e a Coroa Portuguesa, que, segundo os revoltosos, não garantia o devido amparo à região. Os líderes da revolta eram irmãos (Tomás e Manuel) Beckman e deram nome ao evento. A rebelião durou cerca de um ano e foi debelada por tropas portuguesas em 1685.

Nas primeiras décadas do século XVIII, alguns confrontos tornaram-se notórios e todos estavam direta ou indiretamente associados à administração da Coroa Portuguesa no Brasil. Três deles são notórios e seguem abaixo:

A Guerra dos Mascates: Esse conflito ocorreu em meio à situação em que a Capitania de Pernambuco encontrava-se nas décadas que se seguiram após a expulsão dos holandeses em 1654. A situação financeira dos senhores de engenho, cujo centro político estava na cidade de Olinda, agravava-se, haja vista que os bancos da Holanda que os financiavam no passado não mais o faziam. Como tinham controle sobre a autoridade local, a Câmara de Olinda, esses senhores de engenho induziram o governo a aumentar os impostos que os comerciantes tributavam. A maior parte desses comerciantes estava em Recife e, em protesto, entre os anos de 1710 e 1711, rebelou-se contra Olinda. Esses comerciantes eram chamados de mascates, por isso o nome da revolta.

A Guerra dos Emboabas: Essa guerra ocorreu dois anos antes da Guerra dos Mascates, porém na Capitania de Minas de Gerais. Assim como o termo “mascate” era atribuído pejorativamente aos comerciantes recifenses pelos senhores de Engenho de Pernambuco, o termo “emboaba” era usado pelos mineiros, em geral bandeirantes paulistas estabelecidos na Capitania de Minas Gerais, em referência aos estrangeiros que vinham a essa Capitania à procura de metais preciosos. A Guerra aconteceu, portanto, entre paulistas e os “emboabas”, tendo solução apenas no ano de 1709.

A Revolta de Vila Rica: Essa revolta, conhecida também como Revolta Felipe dos Santos, também ocorreu na Capitania de Minas Gerais, porém não entre mineiros ou prospectores de metais, mas entre líderes políticos locais e a autoridade real da Coroa Portuguesa. Os motivos da Revolta de Vila Rica (lugar onde o conflito estourou) eram semelhantes às das outras: a imposição de alta carga tributária (impostos) aos nativos pela Coroa. O conflito se deu no ano de 1720, e o seu nome secundário remete a um dos revoltosos, o tropeiro Felipe dos Santos.

A Revolta de Vila Rica, em especial, tornou-se um preâmbulo para as chamadas Rebeliões Separatistas, como a Inconfidência Mineira.


Por Me. Cláudio Fernandes

As Rebeliões Nativistas foram movimentos de revolta contra as determinações da Coroa Portuguesa
As Rebeliões Nativistas foram movimentos de revolta contra as determinações da Coroa Portuguesa

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Lista de Exercícios
Questão 1

(Fuvest)

A elevação de Recife à condição de vila; os protestos contra a implantação das Casas de Fundição e contra a cobrança de quinto; a extrema miséria e carestia reinantes em Salvador, no final do século XVIII, foram episódios que colaboraram, respectivamente, para as seguintes sublevações coloniais:

a) Guerra dos Emboabas, Inconfidência Mineira e Conjura dos Alfaiates.

b) Guerra dos Mascates, Motim do Pitangui e Revolta dos Malês.

c) Conspiração dos Suassunas, Inconfidência Mineira e Revolta do Maneta.

d) Confederação do Equador, Revolta de Felipe dos Santos e Revolta dos Malês.

e) Guerra dos Mascates, Revolta de Felipe dos Santos e Conjura dos Alfaiates.
 

Questão 2

(Unibero-SP) 

A Guerra dos Emboabas (1707-1709) e a Inconfidência Mineira (1789) foram revoltas ocorridas no Brasil. Sobre elas, assinale a alternativa correta:

 

a) Ambas tinham o objetivo de separar o Brasil de Portugal e ocorreram na região da mineração.

b) A primeira e considerada uma revolução separatista e mais radical do que a segunda, tendo ocorrido na região de São Paulo e liderada pelos Bandeirantes.

c) Tanto a primeira como a segunda foram influenciadas pelas ideias iluministas e pela independência das Treze Colônias inglesas, mas só a segunda teve êxito nos seus objetivos.

d) A primeira foi bem-sucedida, garantindo aos paulistas a posse da região da mineração, enquanto a segunda foi reprimida pela Coroa portuguesa antes de acontecer.

e) Ambas ocorreram na mesma região do Brasil, contra a dominação portuguesa na área da mineração, no entanto, somente a segunda teve influência das ideias iluministas europeias.
 

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