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Cabanagem

História do Brasil

Cabanagem foi uma revolta que aconteceu na província do Grão-Pará, entre 1835 e 1840, causada pela crise econômica e social da região e tendo seus líderes derrotados.
Selo comemorativo lembrando os 150 anos da Revolta da Cabanagem.[1]
Selo comemorativo lembrando os 150 anos da Revolta da Cabanagem.[1]
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A Cabanagem foi uma revolta que aconteceu na província do Grão-Pará, entre os anos de 1835 e 1840, durante o Período Regencial. Logo após a abdicação de Dom Pedro I e enquanto se aguardava Dom Pedro II atingir a maioridade, o império brasileiro foi governado por regentes. Esse período foi marcado por revoltas provinciais, e no Grão-Pará aconteceu a Cabanagem, uma das mais violentas desse período. As causas da revolta foram a grave situação econômica e social da região e a disputa pelo poder na província. Os principais líderes eram indígenas, negros e pobres, mortos pelas tropas regenciais.

Leia também: Revolta dos Malês — a maior revolta de escravos da história brasileira

Resumo sobre a Cabanagem

  • Foi uma revolta que aconteceu no Grão-Pará, entre os anos de 1835 e 1840, durante o Período Regencial.

  • Suas causas foram a grave crise social e econômica vivida na região.

  • Seus principais líderes tinham origem indígena, negra e da camada mais pobre.

  • Foi derrotada pelas tropas regenciais.

Videoaula sobre a Cabanagem

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Contexto da Cabanagem

Dom Pedro I abdicou do trono do império brasileiro em 1831. Seu herdeiro, Dom Pedro II, tinha apenas cinco anos de idade e não poderia sucedê-lo. Enquanto se aguardava a maioridade do futuro imperador, o Brasil foi governado por regentes. Em 1834, foi publicado o Ato Adicional que concedia relativa autonomia às províncias. O Período Regencial foi marcado por agitações políticas e revoltas em várias províncias brasileiras.

O Brasil seguiu o caminho inverso das antigas colônias espanholas, que, logo após a independência, transformaram-se em repúblicas. O ideal republicano esteve na pauta de várias revoltas regenciais. Para derrotar essas revoltas e manter a unidade territorial do império brasileiro, o governo regencial não poupou esforços em enviar tropas e derrotar os líderes das revoltas. Em vários casos, usou-se da violência para que servisse de exemplo e evitar novas revoltas.

O Grão-Pará era uma província que se localizava no Norte do Brasil e muito distante do Rio de Janeiro, capital do império. Isso fez com que a província tivesse mais proximidade com Portugal do que o governo imperial. As forças portuguesas tinham influência na região e entraram em conflito com as forças brasileiras, que estavam em ascensão logo após a independência do Brasil, em 1822.

Leia também: Guerra dos Farrapos — umas das revoltas que ocorreram no Período Regencial

Causas da Cabanagem

As principais causas da Cabanagem foram:

  • crise política e econômica no Grão-Pará;

  • autoritarismo do governo local nomeado pelos regentes;

  • camadas populares exigiam melhores condições de vida e o fim da escravidão;

  • disputas entre brasileiros e portugueses.

Estouro da Cabanagem

Desde a independência do Brasil, em 1822, a província do Grão-Pará enfrentava conflitos políticos entre brasileiros e portugueses. A população local se organizou para expulsar os portugueses, que desejavam manter a colonização brasileira.

Desde 1832, os governantes nomeados pelos regentes não eram aceitos pelo povo. A chegada de Bernardo Lobo de Sousa para governar a província desencadeou uma revolta armada. Sua forma autoritária e repressiva de governar o Grão-Pará fez com que os revoltosos fizessem um levante para derrubá-lo do poder e definitivamente expulsar os portugueses que controlavam o comércio da região.

Em 1835, começava a Revolta da Cabanagem, fruto da resistência do Grão-Pará contra as péssimas condições sociais, a presença portuguesa e o autoritarismo dos governantes enviados pela regência. O nome da revolta é uma referência ao termo como os revoltosos foram chamados: cabanos, que moravam em palafitas, também conhecidas como cabanas.

Félix Clemente Malcher e Francisco Vinagre prenderam e mataram o governador Bernardo Lobo de Sousa e instalaram um novo governo no Grão-Pará, liderado por Malcher. Porém, como aconteceu em várias revoltas provinciais, os integrantes do novo governo entraram em conflito por conta dos diversos interesses que entraram em choque.

Francisco Vinagre se desentendeu com Félix Malcher e, como liderava as tropas, tentou derrubar o novo governante, mas acabou preso. Seu irmão, Antônio Vinagre, assassinou Melcher e empossou Francisco como governador do Grão-Pará.

Outro líder que começou a se destacar na Cabanagem foi Eduardo Angelim, muito popular na camada mais pobre. Angelim liderou as tropas revoltosas contra o ataque do almirante britânico John Taylor, que chefiou os soldados imperiais no combate aos cabanos. Apesar de Taylor ter ocupado a capital Belém, as tropas de Angelim conseguiram reverter a situação, expulsar o almirante e assumir o comando da capital, proclamando um governo republicano.

Eduardo Angelim se tornou o novo governador do Grão-Pará e decidiu fazer um governo voltado às questões sociais e econômicas que tanto afligiam as camadas mais pobres da província. Apesar de ter apoio popular, Angelim não tinha apoio político, o que não garantiu a estabilidade do governo republicano recém-instalado.

As investidas dos soldados imperiais contra os revoltosos foram um sucesso, e Angelim foi deposto e preso. A capital retornou para a administração regencial e os cabanos se refugiaram para o interior da província, na última tentativa de resistir aos ataques militares dos soldados imperiais.

Entre 1837 e 1840, a luta entre revoltosos e governo regencial se deu de forma violenta. A Cabanagem saiu derrotada, mas entrou para a história como sendo a única revolta em que representantes das camadas populares assumiram o poder em uma província.

Líderes da Cabanagem

Os principais líderes da Cabanagem foram:

  • Felix Clemente Malcher

Nascido em 1772, na cidade paraense de Monte Alegre, Francisco Clemente Malcher foi militar e se tornou o primeiro governante a assumir o poder no Grão-Pará, logo após a eclosão da Revolta da Cabanagem. Porém, como governador, Malcher se afastou das reivindicações da revolta e começou a perseguir seus antigos companheiros de luta. Ele declarou sua fidelidade à Dom Pedro II e prometeu ficar no poder até a maioridade do futuro imperador. Em 20 de fevereiro de 1835, Malcher foi deposto e morto pelos integrantes da Cabanagem.

  • Francisco Vinagre

Logo após a deposição e morte de Félix Clemente Malcher, quem assumiu o poder do Grão-Pará foi Francisco Vinagre. Nascido em Belém, no ano de 1793, Vinagre era chefe das tropas da Cabanagem enquanto Malcher era governador. Desentendimentos entre os dois fizeram com que o governo cabano se desestabilizasse. Vinagre foi preso, mas seu irmão, Antônio Vinagre, matou Malcher e o libertou, empossando-o como novo governador. Tal qual o primeiro governante da Cabanagem, Francisco Vinagre foi acusado de traição e de se aliar aos regentes.

  • Eduardo Angelim

Eduardo Angelim nasceu em 1814, foi lavrador e um dos líderes da Cabanagem. Desde a juventude, participou ativamente da política no Grão-Pará. Foi o último governante da província e tentou fazer um governo voltado para as questões sociais. A falta de apoio político desestabilizou seu governo, o que favoreceu a retomada do poder regencial.

Leia também: Sabinada — a revolta provincial que aconteceu em Salvador

Província do Grão-Pará

A Província do Grão-Pará era uma das maiores em extensão territorial. Localizada no Norte do Brasil, seu território ocupava as regiões onde hoje são Amazonas, Pará, Amapá, Rondônia e Tocantins.

Por conta da sua posição geográfica, a província estava isolada do Rio de Janeiro, capital do Brasil na época, e bem mais próxima de Portugal. Por isso, a influência portuguesa era mais forte na região do que as decisões vindas do governo central brasileiro. Logo após a independência brasileira, a população do Grão-Pará se mobilizou para expulsar os portugueses e aderir ao império brasileiro.

Consequências da Cabanagem

A Cabanagem acabou em 1840 e demonstrou para o governo central a necessidade de se apressar a coroação de Dom Pedro II. O golpe da maioridade ganhou força e o herdeiro do trono brasileiro se tornou imperador do Brasil com apenas 15 anos de idade. A presença de um novo imperador no comando do império aquietou as revoltas provinciais.

Exercícios resolvidos sobre a Cabanagem

Questão 1

(UEL) “...explodiu na província do Grão-Pará o movimento armado mais popular do Brasil (...). Foi uma das rebeliões brasileiras em que as camadas inferiores ocuparam o poder...”

Ao texto pode-se associar

a) a Regência e a Cabanagem.

b) o I Reinado e a Praieira.

c) o II Reinado e a Farroupilha.

d) o Período Joanino e a Sabinada.

e) a Abdicação e a Noite das Garrafadas.

Resolução:

Letra A. A regência foi um período da nossa história marcado por várias revoltas provinciais. Uma delas ocorreu no Grão-Pará e foi chamada de Cabanagem, ocorrendo entre os anos de 1835 e 1840.

Questão 2

(UEA) “Examinando-se o movimento no que ele expressa como explosão de multidões mestiças e indígenas da Província, contra a vida e a propriedade dos que desfrutavam de poder político, econômico e projeção social, compreende-se que a Cabanagem não pode ser inscrita na história nacional como um episódio a mais de aspiração meramente política.” (A. C. F. Reis)

Assinale a alternativa que melhor caracteriza a Cabanagem.

a) participação intensa das massas de origem indígena na Cabanagem do Pará deveu-se à inexistência de agricultura de exportação na região e à ausência completa de negros.

b) A Cabanagem era um risco maior para os imperialismos do que para a unidade política pretendida pelo império brasileiro, como atestam as seguidas intervenções americanas e britânicas no Grão-Pará.

c) A Cabanagem não pode ser inscrita na história nacional como um episódio político, pois, por se tratar de uma sublevação generalizada no Pará, foi um fato militar e, no máximo, social.

d) A Cabanagem começou como um conflito entre setores oligárquicos do Pará durante a Regência, mas, pelas condições socioeconômicas da região Norte e devido à participação popular intensa, converteu-se em autêntica rebelião social.

e) O desfecho da Cabanagem, com perseguição feroz e massacre dos cabanos, deveu-se mais à excitação e ao ódio dos mercenários estrangeiros do que ao ódio de classe das elites brasileiras contra os pobres e não brancos derrotados.

Resolução:

Letra D. A Cabanagem começou com a participação das oligarquias do Grão-Pará, que viram no Ato Adicional de 1834, que concedia relativa autonomia às províncias, uma oportunidade para conquistar o poder. Porém a revolta teve grande adesão popular por causa das péssimas condições de vida da maioria da população.

Créditos das imagens

[1] Lefteris Papaulakis / Shutterstock.com

 

Por Carlos César Higa
Professor de História

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

HIGA, Carlos César. "Cabanagem"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/historiab/cabanagem.htm. Acesso em 25 de janeiro de 2022.

Assista às nossas videoaulas
Lista de Exercícios
Questão 1

Aponte duas motivações fundamentais que impulsionaram a realização da Cabanagem, no Pará.

Questão 2

Quais foram as primeiras ações tomadas pelos revoltosos quando o movimento se iniciou, em 1835?

Mais Questões
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