Notificações
Você não tem notificações no momento.
Whatsapp icon Whatsapp
Copy icon

Carrapatos

Carrapatos são animais invertebrados que fazem parte do mesmo grupo das aranhas e ácaros. Podem parasitar diferentes espécies, incluindo o homem.

Carrapato com tamanho elevado andando sobre pele humana.
Carrapatos são hematófagos e podem aumentar consideravelmente de tamanho enquanto sugam o sangue do hospedeiro.
Imprimir
Texto:
A+
A-
Ouça o texto abaixo!

PUBLICIDADE

   Carrapatos são animais invertebrados pertencentes ao grupo dos aracnídeos, assim como aranhas e escorpiões. São animais que se destacam por apresentarem exoesqueleto quitinoso, quatro pares de pernas, ausência de antenas e quelíceras adaptadas a cortar a pele do hospedeiro.

Eles se alimentam de sangue e são animais ectoparasitas (vivem sobre a pele do animal), principalmente, de vertebrados. Podem parasitar animais como cães, capivaras e até mesmo seres humanos. São responsáveis pela transmissão de diferentes doenças, como é o caso da febre maculosa, uma doença que pode ser letal.

Leia também: Sarna — tudo sobre essa doença transmitida por um ácaro

Tópicos deste artigo

Resumo sobre carrapatos

  • Carrapatos são animais invertebrados do filo Arthropoda, subfilo Chelicerata e classe Arachnida.

  • São parasitas que se alimentam de sangue e podem ser encontrados parasitando diferentes espécies animais.

  • Não possuem antenas nem asas, apresentam quelíceras e pedipalpos e possuem quatro pares de pernas.

  • Podem transmitir doenças aos animais que parasitam.

  • Febre maculosa é uma doença que pode ser transmitida aos seres humanos por carrapatos.

Características dos carrapatos

Carrapatos são animais invertebrados do filo Arthropoda, subfilo Chelicerata e classe Arachnida, mesma classe na qual estão incluídos os escorpiões, aranhas e ácaros. Existem quase 900 espécies de carrapatos descritas no mundo, sendo encontradas no Brasil cerca de 67 delas.

Dentre as características gerais desses animais, podemos citar a presença de exoesqueleto quitinoso (esqueleto externo), quatro pares de pernas, ausência de antenas e asas, presença de quelíceras e pedipalpos. Nesses animais, as quelíceras são lisas e adaptadas a cortar a pele e, junto aos pedipalpos, formam uma estrutura chamada de capítulo. Assim como outros aracnídeos, carrapatos possuem corpo dividido em cefalotórax e abdome, entretanto nesses animais essas duas porções estão completamente fundidas.

Os carrapatos podem apresentar tamanho variado, com algumas espécies apresentando poucos milímetros, enquanto outros podem atingir até 3 cm. O tamanho desses animais aumenta consideravelmente quando estão se alimentando.

Eles se destacam por serem ectoparasitas sugadores de sangue, principalmente, de vertebrados. Cachorros, bovinos e até mesmo seres humanos podem ser parasitados por esses animais. Quando não estão parasitando animais, podem ser encontrados no chão, em frestas e no capim.

Não pare agora... Tem mais depois da publicidade ;)

Doenças transmitidas por carrapatos

Carrapatos, como salientado anteriormente, se destacam por serem parasitas de muitas espécies, das quais retiram seu alimento. Durante o processo de alimentação, esses animais podem transmitir micro-organismos patogênicos junto à saliva, sendo considerados, portanto, importantes vetores de doenças.

De acordo com Brusca e colaboradores, algumas espécies relacionadas com doenças importantes são:

  • Dermacentor andersoni: vetor da febre maculosa das Montanhas Rochosas.

  • Boophilus annulatus: vetor da febre bovina do Texas.

  • Ixodes pacificus: vetor da doença de Lyme.

  • Argas persicus: vetor da espiroquetose das aves domésticas.

  • Ornithonodorus moubata: vetor da febre recorrente africana, ou febre do carrapato.

No Brasil, o gênero Amblyomma merece destaque, uma vez que é reservatório da bactéria Rickettsia rickettsii, agente causador da febre maculosa.

Leia também: Febres hemorrágicas — síndromes que levam a quadros de febre e hemorragias

Carrapatos e a febre maculosa

A febre maculosa é uma doença bacteriana febril aguda que pode se apresentar desde forma leve até de formas graves e potencialmente fatais. O agente causador da doença é a bactéria Rickettsia rickettsii, a qual apresenta como principais reservatórios os carrapatos do gênero Amblyomma.

Alguns animais, como cavalos, capivaras e gambás, são conhecidos por apresentarem importante papel na transmissão da doença, sendo considerados reservatórios ou amplificadores da bactéria causadora da febre maculosa, bem como transportadores de carrapatos que podem estar infectados.

Carrapato do gênero Amblyomma, vetor da febre maculosa, sobre folha.
Carrapatos do gênero Amblyomma estão relacionados com a transmissão da febre maculosa.

O período de incubação da doença é de dois a 14 dias, e os sintomas incluem febre, dor de cabeça, dor muscular, mal-estar, náuseas, vômitos e manchas na pele, as quais muitas vezes estão ausentes, dificultando desse modo o diagnóstico. À medida que a doença se agrava, podem surgir edemas nas pernas, hepatoesplenomegalia (aumento do baço e fígado), diarreia e dor abdominal, insuficiência renal aguda, confusão mental, convulsões, pneumonia, meningite e sangramento mucocutâneo, digestivo e pulmonar.

A febre maculosa é tratada com o uso de antibióticos. A doença não tratada apresenta letalidade de 80%. Para saber mais sobre essa doença, clique aqui.

Como se proteger de carrapatos

Para se proteger de carrapatos é importante adotar algumas medidas, como:

  • Sempre que se expor a ambientes que possam conter carrapatos, como áreas gramadas e arborizadas, utilizar sapatos adequados, calças e blusas de mangas compridas.

  • Escolher roupas claras, uma vez que estas ajudam a identificar o carrapato.

  • Evitar locais que apresentam vegetação alta.

  • Evitar contato com animais silvestres, como capivaras.

  • Evitar sentar na grama em locais onde se sabe que há presença de carrapatos.

  • Usar repelentes que confiram proteção contra carrapatos.

  • Cuidar dos animais de estimação, sempre verificando se estão com carrapato.

É importante destacar que caso encontre carrapatos em seu corpo, o Ministério da Saúde recomenda retirar esses animais com auxílio de uma pinça e não esmagar o animal, pois ele pode liberar agentes causadores de doenças que podem contaminar lesões. Além disso, o Ministério da Saúde destaca que quanto mais rápido o carrapato for retirado, menores as chances de se contrair doenças.

Carrapatos e o risco para cachorros

Cachorros são frequentemente vítimas do parasitismo por carrapatos. No Brasil, diferentes espécies podem usar cachorros como hospedeiros, havendo variação entre as espécies a depender da região em que o cachorro vive. Cachorros que vivem em ambientes urbanos, que não apresentam contato com animais silvestres, são frequentemente parasitados por Rhipicephalus sanguineus. Já cachorros que vivem em áreas rurais ou suburbanas podem ser infectados por outras espécies de carrapato, como as pertencentes ao gênero Amblyomma.

A erliquiose canina destaca-se como uma das principais doenças transmitidas por carrapatos em cachorros. Ela é causada por bactérias do gênero Ehrlichia e pode provocar sintomas como apatia, vômito, diarreia, febre e perda de peso. A mortalidade é rara, e a doença possui tratamento.

Fontes

BRUSCA, R.C., MOORE, W., SHUSTE, S.M.. Invertebrados. Tradução Carlos Henrique de Araújo Cosendey. - 3. ed. - Rio deJaneiro : Guanabara Koogan, 2018.

CLEVELAND, P. Hickman, Jr. [et al.]; arte-final original por William C. Ober e Claire W. Ober; [revisão técnica Cecília Bueno]. Princípios integrados de zoologia. 16. ed. - Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2016.

EMBRAPA. Carrapatos: protocolos e técnicas para estudo. Disponível em: https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/196905/1/Carrapatos-protocolos-e-tecnicas.pdf.

FRUET, C.L. Erliquiose em cães. Curso de especialização em clínica médica e cirúrgica de pequenos animais. Santa Maria-RS. Disponível em: https://repositorio.ufsm.br/bitstream/handle/1/1749/Fruet_Caren_Langone.pdf

GOVERNO DO ESTADO DE GOIÁS. Febre Maculosa Brasileira. Disponível em: https://www.saude.go.gov.br/images/imagens_migradas/upload/arquivos/2012-05/guia-de-ve-febre-maculosa-brasileira-7ed-2010.pdf

LABRUNA, M.B; PEREIRA, M.C. Carrapato em cães no Brasil. Clínica Veterinária, n.30, p.24-32, 2001. Disponível em: http://r1.ufrrj.br/adivaldofonseca/wp-content/uploads/2014/06/Labruna-et-al-2001-carrapatos-caes-CLIN-VET.pdf.

MASSARD, C.L; FONSECA, A.H. Carrapatos e doenças transmitidas comuns ao homem e aos animais. A Hora Veterinária 135(1):15-23, 2004. Disponível em: http://r1.ufrrj.br/adivaldofonseca/wp-content/uploads/2014/09/Massard-et-al-2004-Carrapatos-e-doencas-tranamitidas-ao-homen-e-animais-A-Hora-Vet.pdf

REECE, et al. Biologia de Campbell. 10 edição. Artmed.

RUPPERT, E. & BARNES, R.D. 1996. Zoologia dos Invertebrados. 6ª ed., Roca Ed., São Paulo. 1029 p.

 

Por Vanessa Sardinha dos Santos
Professora de Biologia   

Escritor do artigo
Escrito por: Vanessa Sardinha dos Santos Possui graduação em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual de Goiás (2008) e mestrado em Biodiversidade Vegetal pela Universidade Federal de Goiás (2013). Atua como professora de Ciências e Biologia da Educação Básica desde 2008.

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

SANTOS, Vanessa Sardinha dos. "Carrapatos"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/animais/carrapato.htm. Acesso em 29 de fevereiro de 2024.

De estudante para estudante