Texto descritivo

Texto descritivo tem como característica a descrição de pessoas, acontecimentos, ambientes etc. Objetiva formar uma imagem clara do que está sendo descrito para o leitor.

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O texto descritivo é um tipo textual marcado pela descrição de um lugar ou paisagem, animal, pessoa, acontecimento, entre outros, tendo como objetivo trazer uma imagem ou cena ao seu leitor. Geralmente é utilizado junto ao texto narrativo, pois as sequências formadas pela narração são intercaladas com apresentações de personagens, paisagens etc., em que se faz necessário a descrição.

Leia mais: Gêneros textuais — são compostos pelos seguintes tipos textuais: argumentação, descrição, exposição, injunção e narração

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Tópicos deste artigo

Resumo sobre texto descritivo

  • É um tipo textual em que prevalece a descrição de determinado objeto, pessoa, paisagem etc.

  • Sua estrutura básica é composta pela apresentação do objeto a ser descrito e pela descrição propriamente dita. As demais características desse tipo dependerão de qual gênero ao qual ele está associado (relatos, anúncios, relatórios etc.).

  • Pode ser subdividido em descritivo objetivo e descritivo subjetivo.

  • Enquanto o texto narrativo depende de uma sequência lógica dos fatos, o texto descritivo funciona como um recorte de cena.

Videoaula sobre tipos textuais: descrição


Características e estrutura do texto descritivo

O texto descritivo é um modo textual com uma série de aspectos linguísticos como os lexical, sintático, linguístico, estilístico, tempos verbais e relações lógicas. Seu objetivo é apresentar impressões ou um retrato (por meio da escrita) de algo (objeto, pessoa, lugar etc.).

Assim, o tipo descritivo contém uma diversidade de gêneros marcados pela descrição. Podemos citar uma forte presença da descrição em gêneros como os relatos históricos, anúncios, relatórios etc. A estrutura do texto descritivo dependerá das exigências do gênero textual a ser utilizado por ele. No entanto, de maneira geral, pode-se dizer que o texto descritivo apresenta dois elementos básicos:

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  1. a apresentação do objeto/pessoa/paisagem a ser descrito;

  2. a descrição propriamente dita, podendo ser objetiva ou subjetiva.

Para que possamos aplicar essa estrutura, é necessário, antes, conhecermos alguns marcadores linguísticos que podem fazer parte da composição do texto descritivo. São eles:

  • predominância de adjetivos, substantivos e locuções;

  • uso de verbos de ligação;

  • detalhamento psicológico ou físico;

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  • emprego das orações coordenadas justapostas;

  • prevalência do tempo verbal passado.

É preciso ressaltar que, ao descrever um objeto, paisagem ou fato, o leitor deve ser capaz, com base na leitura feita, de visualizar o objeto descrito. A descrição funciona como um “retrato por escrito” de algo.

Tipos de texto descritivo

O texto descritivo pode ser dividido em duas categorias: descritivo objetivo (ou descrição objetiva) e descritivo subjetivo (ou descrição subjetiva).

  • Texto descritivo objetivo

Trata-se de um texto de linguagem denotativa que tem como característica fazer uma descrição da forma mais concretamente possível. Nele não há espaço para metáforas e demais figuras de linguagem. Seu caráter é muito mais próximo do técnico do que do artístico.

  • Texto descritivo subjetivo

Diferentemente da descrição objetiva, aqui há espaço para marcadores de subjetividade e, principalmente, para o uso de figuras de linguagem como a metáfora. Sendo assim, ele faz uso frequente da linguagem conotativa e é muito comum em obras literárias.

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Leia mais: Denotação e conotação: quais as diferenças entre as duas linguagens?

Como se faz um texto descritivo?

A construção de um texto descritivo exige, primeiramente, o objeto (pessoa, situação etc.) a ser descrito. Para uma boa descrição, é preciso estar atento aos detalhes e às sensações que devem ser direcionados ao leitor. Uma boa descrição é aquela que possibilita ao receptor criar uma imagem em sua mente.

Além disso, é preciso estar atento ao tamanho e aos excessos da descrição. Hoje, um texto descritivo com muitos detalhes pode tornar seu conteúdo chato e desinteressante. Se, no passado, a boa descrição era aquela com o maior número de informações, na atualidade, costuma-se descrever o essencial para a compreensão do objeto e da narrativa por parte do leitor.

Em geral, o texto descritivo é formado por uma diversidade de marcadores, conforme apontado, que ajudam na construção da descrição (objetiva ou subjetiva). Nesses termos, o autor deve prezar por um estudo desses elementos linguísticos e do léxico a fim de enriquecer sua produção.

Exemplos de texto descritivo

A Polícia Militar encontrou, na manhã de sexta-feira (18/05), o corpo da vítima. Ela era magra, com meia altura, olhos castanhos e cabelos longos e loiros.

 

O trecho pode ser considerado descritivo. Em vermelho, percebemos o uso do verbo de ligação (verbo ser), e, em verde, os adjetivos. Assim, o trecho se utiliza de uma descrição objetiva, pois se atenta às características físicas da vítima para informar o seu leitor da maneira mais realista possível, por meio da linguagem denotativa.

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Nos olhos castanhos de Luísa, eu via brasa. Ela estava em fúria, e eu, cada vez mais enlouquecido de amor. O que eu poderia fazer? Absolutamente nada. Eu era o homem que destruiu a sua vida. Era isso que passava pela cabeça dela. Tenho certeza! Voltemos à Luísa: ela me encarava. Olhos firmes, arregalados, faíscas. De minha parte: medo, temor, amor… O que eu poderia fazer?

 

No trecho, os verbos em vermelho ajudam na visualização e construção da cena. Em verde, temos os adjetivos que caracterizam ambas as personagens envolvidas na cena. Em determinados momentos, percebemos que termos como “brasa” e “faísca” são metáforas para se referir ao comportamento da personagem Luísa, que, por algum motivo, estava enfurecida. Dessa maneira, temos o uso da descrição subjetiva, isto é, a presença da linguagem conotativa no texto.

Diferença entre os textos descritivo e narrativo

Embora sejam utilizados juntos na maioria das vezes, o texto descritivo e o texto narrativo se diferenciam um do outro. Ambos são tipos textuais, isto é, tanto um quanto o outro são definidos por sua natureza linguística (aspectos lexicais, sintáticos, tempos verbais, estilo e relações lógicas).

O texto narrativo tem como uma de suas principais características a presença de uma sequência lógica de acontecimentos por meio dos verbos de ação. Ele também pode vir com marcadores temporais — passado, presente ou futuro.

Por outro lado, o texto descritivo não apresenta uma sequência lógica de acontecimentos. Isso acontece porque ele independe de acontecimentos para compreendermos a descrição. Por exemplo, no trecho sobre a vítima encontrada pela Polícia Militar, se retirarmos o único marcador de tempo da sentença (a data), a descrição não perde o seu valor.

Se o texto narrativo depende de uma sequência para a construção de seu sentido, o texto descritivo pode funcionar muito bem como um recorte da cena.

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Texto descritivo escrito sobre quadro negro.
O texto descritivo descreve de situações, características físicas, sentimentos, gestos, entre outros, dos quais o leitor constrói uma imagem mental.
Escritor do artigo
Escrito por: Rafael Camargo de Oliveira Escritor oficial Brasil Escola
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OLIVEIRA, Rafael Camargo de. "Texto descritivo"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/redacao/o-texto-descritivo.htm. Acesso em 24 de julho de 2026.
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Professor ao lado do texto"Tipologias Textuais: Descrição".
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Exercício 1

(PUC - SP) O trecho abaixo foi extraído da obra Memórias Sentimentais de João Miramar, de Oswald de Andrade.

  1. BOTAFOGO ETC.

“Beiramarávamos em auto pelo espelho de aluguel arborizado das avenidas marinhas sem sol. Losangos tênues de ouro bandeiranacionalizavam os verdes montes interiores. No outro lado azul da baía a Serra dos Órgãos serrava. Barcos. E o passado voltava na brisa de baforadas gostosas. Rolah ia vinha derrapava em túneis.

Copacabana era um veludo arrepiado na luminosa noite varada pelas frestas da cidade.”

Didaticamente, costuma-se dizer que, em relação à sua organização, os textos podem ser compostos de descrição, narração e dissertação; no entanto, é difícil encontrar um trecho que seja

só descritivo, apenas narrativo, somente dissertativo. Levando-se em conta tal afirmação, selecione

uma das alternativas abaixo para classificar o texto de Oswald de Andrade:

a) Narrativo-descritivo, com predominância do descritivo.

b) Dissertativo-descritivo, com predominância do dissertativo.

c) Descritivo-narrativo, com predominância do narrativo.

d) Descritivo-dissertativo, com predominância do dissertativo.

e) Narrativo-dissertativo, com predominância do narrativo.

Exercício 2

(ITA)

O leão

  A menina conduz-me diante do leão, esquecido por um circo de passagem. Não está preso, velho e doente, em gradil de ferro. Fui solto no gramado e a tela fina de arame é escarmento ao rei dos animais. Não mais que um caco de leão: as pernas reumáticas, a juba emaranhada e sem brilho. Os olhos globulosos fecham-se cansados, sobre o focinho contei nove ou dez moscas, que ele não tinha ânimo de espantar. Das grandes narinas escorriam gotas e  pensei, por um momento, que fossem lágrimas.

  Observei em volta: somos todos adultos, sem contar a menina. Apenas para nós o leão conserva o seu antigo prestígio - as crianças estão em redor dos macaquinhos. Um dos presentes explica que o leão tem as pernas entrevadas, a vida inteira na minúscula jaula. Derreado, não pode sustentar-se em pé.

  Chega-se um piá e, desafiando com olhar selvagem o leão, atira-lhe um punhado de cascas de amendoim. O rei sopra pelas narinas, ainda é um leão: faz estremecer as gramas a seus pés.

Um de nós protesta que deviam servir-lhe a carne em pedacinhos.

- Ele não tem dente?

- Tem sim, não vê? Não tem é força para morder.

  Continua o moleque a jogar amendoim na cara devastada do leão. Ele nos olha e um brilho de compreensão nos faz baixar a cabeça: é conhecido o travo amargoso da derrota. Está velho, artrítico, não se aguenta das pernas, mas é um leão. De repente, sacudindo a juba, põe-se a mastigar capim. Ora, leão come verde! Lança-lhe o guri uma pedra: acertou no olho lacrimoso e doeu.

  O leão abriu a bocarra de dentes amarelos, não era um bocejo. Entre caretas de dor, elevou-se aos poucos nas pernas tortas. Sem sair do lugar, ficou de pé. Escancarou penosamente os beiços moles e negros, ouviu-se a rouca buzina do fordeco antigo.

  Por um instante o rugido manteve suspensos os macaquinhos e fez bater mais depressa o coração da menina. O leão soltou seis ou sete urros. Exausto, deixou-se cair de lado e fechou os olhos para sempre.

I.   Embora não seja um texto predominantemente descritivo, ocorre descrição, visto que o autor representa a personagem principal através de aspectos que a individualizam.

II.  Por ressaltar unicamente as condições físicas da personagem, predomina a descrição objetiva no texto, com linguagem denotativa.

III. Por ser um texto predominantemente narrativo, as demais formas - descrição e dissertação - inexistem.
Inferimos que, de acordo com o texto, pode(m) estar correta(s):

a) Todas estão corretas.

b) Apenas a I.

c) Apenas a II.

d) Apenas a III.

e) Nenhuma das afirmações.

Exercício 3

Leia o fragmento do conto “A causa secreta”, de Machado de Assis:

Garcia estava atônito. Olhou para ele, viu-o sentar-se tranquilamente, estirar as pernas, meter as mãos nas algibeiras das calças, e fitar os olhos no ferido. Os olhos eram claros, cor de chumbo, moviam-se devagar, e tinham a expressão dura, seca e fria. Cara magra e pálida; uma tira estreita de barba, por baixo do queixo, e de uma têmpora a outra, curta, ruiva e rara. Teria quarenta anos. De quando em quando, voltava-se para o estudante, e perguntava alguma coisa acerca do ferido; mas tornava logo a olhar para ele, enquanto o rapaz lhe dava a resposta. A sensação que o estudante recebia era de repulsa ao mesmo tempo que de curiosidade; não podia negar que estava assistindo a um ato de rara dedicação, e se era desinteressado como parecia, não havia mais que aceitar o coração humano como um poço de mistérios”.

(MACHADO DE ASSIS. A causa secreta. In: Machado de Assis – obra completa. v.2. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1986. p. 513.)

A partir da análise do trecho do conto, podemos dizer que o texto classifica-se como

a) Um texto de relato, pois transmite os fatos acontecidos com foco no acontecimento;

b) Um texto narrativo, seu material é o fato e a ação que envolve os personagens;

c) Um texto dissertativo, cuja principal intenção é a exposição de opiniões com a intenção de persuadir o leitor;

d) Um texto narrativo-descritivo, pois é predominantemente narrativo com passagens descritivas;

e) Um texto do tipo carta argumentativa, muito comum em jornais e revistas. Apresenta argumentos incisivos com intenção de influenciar ou rebater a opinião de outros leitores.

Exercício 4

Sobre um texto do tipo descritivo, é correto afirmar:

a) Sua principal característica é narrar um fato fictício ou não, com tempo e espaço bem definidos e personagens que executam as ações que movimentam o enredo.

b) Sua principal característica é explicar um assunto e discorrer sobre ele. Tem como intenção expor um argumento e defendê-lo.

c) Sua principal característica é completar os elementos da narrativa com a caracterização de personagem e de ambiente para transmitir ao leitor dados significativos sobre as personagens.

d) Sua principal característica é indicar como realizar uma ação, com linguagem simples e objetiva e predomínio do modo imperativo.

e) Sua principal característica é fazer uma defesa de ideias ou de um ponto de vista do autor do texto. A linguagem é predominantemente persuasiva e denotativa.