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Hegemonia

A hegemonia é um conceito da ciência política que fala sobre os meios de domínio de um grupo sobre outro. Está relacionado com o pensador italiano marxista Antonio Gramsci.

Ilustração representativa do conceito de hegemonia.
A hegemonia é o conceito que explica o domínio de uma classe sobre as demais.
Crédito da Imagem: Shutterstock.com
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Hegemonia é um conceito presente na ciência e na história política que fala sobre o domínio de um grupo sobre outro(s) grupo(s). No que se refere às relações internacionais, o conceito tem relação direta com o domínio que uma nação tem sobre outras e sua capacidade de interferir no cenário das relações internacionais.

No campo da sociologia e da ciência política, o termo se associa com o pensador italiano Antonio Gramsci. O conceito de Gramsci fala sobre as formas de controle da classe dominante dentro da sociedade capitalista. Para Gramsci, as classes dominantes usam o poder coercitivo, mas também propagam sua ideologia para garantir o convencimento voluntário das massas a respeito do status quo vigente.

Leia também: Xenofobia — conceito ligado à aversão, à hostilidade e ao ódio contra pessoas que são estrangeiras

Tópicos deste artigo

Resumo sobre hegemonia

  • A hegemonia é um conceito da ciência política que trata sobre os meios pelos quais um grupo domina outros grupos da sociedade.

  • A hegemonia pode ser estabelecida de maneira política, econômica e cultural.

  • Nas relações internacionais, o conceito fala do domínio de uma nação sobre outras no contexto internacional.

  • Na ciência política, o conceito foi desenvolvido pelo pensador italiano Antonio Gramsci.

  • Gramsci fala que a hegemonia se trata do arcabouço que permite que um grupo domine demais grupos da sociedade pela coerção, mas também de maneira voluntária.

  • O imperialismo está diretamente relacionado à hegemonia, que se manifestou de diversas maneiras nesse contexto, incluindo a hegemonia militar, política, cultural e econômica.

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O que é hegemonia?

A hegemonia é um conceito da ciência e história política que procura explicar o domínio que determinado povo exerce sobre outros, seja por meios militares ou por meios culturais, religiosos, econômicos, entre outros.

Dentro do contexto das relações internacionais, o conceito de hegemonia se aplica principalmente ao cenário de um país que consegue comandar as relações internacionais de acordo com os seus interesses. Já na ciência política, sobretudo por meio de um viés marxista, o conceito de hegemonia foi desenvolvido pelo pensador italiano Antonio Gramsci, que o aplicou à análise da sociedade capitalista.

Nesse sentido, Gramsci desenvolveu o conceito de hegemonia para explicar o domínio da classe dominante sobre as classes dominadas e como esse domínio é exercido. Sendo assim, o conceito desenvolvido por Gramsci se aplicou no contexto da dominação política, cultural e econômica que as classes dominantes exercem na sociedade capitalista.

O conceito de hegemonia explica como grupos e classes subalternos defendem os interesses da classe hegemônica voluntariamente, mesmo que esses interesses se oponham aos interesses daqueles. Esse conceito demonstra que o domínio das classes dominantes é coercitivo, mas não apenas isso.

Quais são os tipos de hegemonia?

A teoria afirma que a hegemonia pode se dar em aspectos políticos, econômicos e culturais. Vejamos como funciona cada um dos tipos de hegemonia.

  • Hegemonia política: em ciência política, pode ser entendida como o controle ou o domínio que um grupo político tem sobre outros. Essa hegemonia política pode ser alcançada por meio de alianças com outros grupos políticos, mas também a partir de um crescimento orgânico ou pelo uso da força.

  • Hegemonia econômica: o controle econômico que um grupo social – uma elite econômica, por exemplo – exerce sobre o restante da sociedade, usando desse domínio para imprimir os seus interesses. Essa hegemonia também pode ser aplicada em um contexto global, denotando o domínio que um país pode exercer sobre outros países a partir do seu poderio econômico.

  • Hegemonia cultural: o domínio que determinada cultura ou ideologia pode exercer na sociedade, determinando a forma como os indivíduos se comportam, no que acreditam, etc.

Exemplos de hegemonia

A hegemonia tem lastro no mundo real e pode ser percebida de diferentes maneiras. Um exemplo bem simples é o da hegemonia cultural que os Estados Unidos e a cultura estadunidense estabeleceram no planeta. A influência cultural dos Estados Unidos justificou a transformação do inglês em um idioma padrão para comunicação internacional.

Além disso, a cultura estadunidense é exportada por todo o planeta por meio do cinema, com os filmes hollywoodianos, e por meio da música. Além disso, inúmeros fenômenos da internet reproduzem padrões culturais da sociedade norte-americana. A influência cultural é tamanha que ela influencia as festas que celebramos (como o Halloween) e aquilo que comemos (fast-food, por exemplo).

Além disso, dentro do sistema capitalista o domínio das elites econômicas sobre a população é um exemplo de hegemonia econômica. Mas além disso, nações mais ricas podem usar a sua influência e poderio econômico para controlar algum cenário de maneira a atender os seus interesses. Grandes nações, como os Estados Unidos, com frequência usam o seu poder para interferir no cenário econômico de nações menores como forma de garantir os seus interesses naquele local.

Acesse também: Cultura de massa — um dos principais exemplos de hegemonia cultural

Hegemonia para Antonio Gramsci

Na ciência política, o conceito de hegemonia está muito associado com o pensador italiano Antonio Gramsci. Gramsci foi um pensador marxista que desenvolveu essa teoria para trabalhar com a ideia da hegemonia cultural que existe dentro da sociedade capitalista, em relação ao fato de as classes dominantes propagarem sua ideologia de maneira a garantir o seu domínio e perpetuar o status quo.

Gramsci desenvolveu a ideia de que o domínio da classe dominante se dá muito além da coerção, mas se manifesta de maneira ideológica. Essa construção ideológica conquista apoiadores dentro das classes dominadas, permitindo que o controle das classes dominantes vá para além da coerção e seja consentido, uma vez que as classes dominadas são convencidas de que os valores da classe dominante são os melhores e benéficos para eles (mesmo que não o sejam).

O teórico formulou que o domínio das classes dominantes não acontece unicamente apenas pela coerção, e nem pode ser realizado dessa forma, devendo ser manifestado também pela aliança das classes dominantes com grupos da sociedade que se aliam voluntariamente a elas para reproduzir a conjuntura da sociedade capitalista.

Esse consentimento é obtido porque a classe dominante tem o monopólio da ideologia, difundindo-a pela sociedade e manipulando a opinião das massas. As classes dominadas então são convencidas a aderir voluntariamente à ideologia das classes dominantes; mas para que isso aconteça, as classes dominantes utilizam meios como a mídia, a moral religiosa, as instituições educacionais, a cultura de massa, entre outros.

Hegemonia e Karl Marx

O conceito de hegemonia foi desenvolvido por Gramsci no século XX, portanto, é um conceito posterior a Karl Marx, pensador alemão que faleceu em 1883. Assim, o conceito de hegemonia surgiu posteriormente ao pensador alemão que deu nome à teoria marxista. De qualquer forma, Marx realizou uma análise do desenvolvimento do capitalismo e da forma como esse sistema funcionava e como controlava o proletariado.

Assim, embora não seja mencionado diretamente, Karl Marx realiza análises que podem ser relacionadas ao conceito gramsciano de hegemonia, uma vez que o controle que a burguesia exerce na sociedade capitalista se associa diretamente à hegemonia definida por Gramsci. A burguesia explora o proletariado, mas impõe sua ideologia e garante o apoio dessa mesma classe, garantindo a perpetuação dessa situação. Para saber mais sobre Karl Marx e sobre suas teorias, clique aqui.

Quais são os impactos causados pela hegemonia?

A perpetuação do cenário da hegemonia estabelece alguns desafios e impacta a sociedade de diversas maneiras. Do ponto de vista dos indivíduos, a hegemonia dificulta o desenvolvimento crítico, uma vez que atua para manipular os indivíduos a aceitar uma ideologia que não é interessante a eles, mas a um diminuto grupo que está no poder.

Além disso, pensando no ponto de vista econômico, a hegemonia perpetua a desigualdade social, uma vez que indivíduos que são prejudicados no capitalismo se manterão em um cenário desfavorável, pois o interesse das classes dominantes é a manutenção do status quo. Além disso, a hegemonia do ponto de vista econômico impede o desenvolvimento econômico de nações mais pobres, relegando populações à pobreza.

A hegemonia ainda afeta a diversidade cultural, uma vez que enfraquece culturas tradicionais e fortalece a cultura hegemônica que é difundida pela mídia. O desaparecimento de culturas e de sua diversidade resulta em um processo de uniformização cultural.

Relação entre a hegemonia e o imperialismo

O imperialismo é entendido como o processo de expansão econômica, cultural ou territorial que um país pode exercer sobre outros. O termo é frequentemente associado com o neocolonialismo que se iniciou no século XIX, resultando na expansão europeia sobre o continente africano e asiático. Tendo isso em vista, o imperialismo se relaciona diretamente com o conceito de hegemonia, uma vez que é o caminho que as grandes nações usaram e usam para impor o domínio sobre o planeta ou sobre determinado local.

Portanto, o imperialismo europeu que resultou na colonização da África e Ásia estabeleceu a hegemonia europeia sobre os povos desses continentes. Essa hegemonia se manifestou de diversas maneiras, incluindo a hegemonia militar, política, cultural e econômica. As interferências estadunidenses em diversos países ao longo da história também são manifestações imperialistas e uma tentativa de impor sua hegemonia globalmente. Para saber mais sobre o imperialismo, clique aqui.

Fontes

ALVES, Ana Rodrigues Cavalcanti. O conceito de hegemonia: de Gramsci a Laclau e Mouffe. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ln/a/mQtGPDfjR85HxSSLtmgCzbM/?format=pdf&lang=pt.

KOHAN, Néstor. Gramsci e Marx: hegemonia e poder na teoria marxista. Disponível em: https://e-revista.unioeste.br/index.php/temposhistoricos/article/download/1223/1010.

OLIVEIRA JÚNIOR, Geraldo Coelho de. O conceito de hegemonia em Gramsci: possibilidades de compreensão a partir da educação. Disponível em: https://revistas.marilia.unesp.br/index.php/orgdemo/article/view/9737.

Escritor do artigo
Escrito por: Daniel Neves Silva Formado em História pela Universidade Estadual de Goiás (UEG) e especialista em História e Narrativas Audiovisuais pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Atua como professor de História desde 2010.

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

SILVA, Daniel Neves. "Hegemonia"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/politica/hegemonia.htm. Acesso em 17 de junho de 2024.

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