Vacinação contra varíola em Goiás no séc. XX

A chegada da primeira vacina em Goiás, no início do século XX, causou medo e receio na população.

Imprimir
A+
A-
Escutar texto
Compartilhar
Política de IA
Facebook
X
WhatsApp
Play
1x
Política de IA Conteúdo feito por humanos

A varíola, que é uma doença muito antiga e altamente contagiosa, provocou muitas mortes e deixou muitas vítimas com sequelas no Brasil. Edward Jenner, no século XVIII, foi quem descobriu a vacina contra essa doença, tornando essa descoberta uma grande vitória para a ciência. Jenner, em suas pesquisas, chegou à conclusão de que as pessoas que trabalhavam com vacas que tinham varíola não contraiam a doença tão facilmente, pois os indivíduos quando contaminados com a varíola bovina ficavam imunes à varíola humana.   

O processo de vacinação chegou ao Brasil somente no início do século XX, sendo o Rio de Janeiro uma das primeiras cidades a oferecer a vacina. Por ser uma doença muito grave, os políticos pensavam que a população brasileira receberia sem nenhuma resistência essa vacina, entretanto, como afirma o historiador Eliezer Cardoso de Oliveira, em sua tese “As representações do medo e das catástrofes em Goiás”, as pessoas não queriam ser vacinadas pelo choque que existia entre ciência e cultura popular. Pois foi o medo do desconhecido que contribuiu para o receio em receber algo completamente diferente dos costumes e hábitos de diversas populações espalhadas pelo Brasil.

Anuncie aqui

A Revolta da Vacina no Rio de Janeiro, em 1904, foi a mais conhecida resistência contra as medidas sanitaristas efetuadas pelo governo. A falta de informação sobre os efeitos da vacina e a maneira impositiva dos políticos em obrigar os cariocas a receberem a vacinação contribuiu para o medo e a resistência. Em todos os Estados brasileiros houve receio por parte da população em receber a vacina; em Goiás não foi diferente. Oliveira destaca que os principais motivos da resistência popular estavam no campo imaginário, as pessoas tinham receio em receber a vacina por causa de sua origem, acreditavam que os crianças poderiam nascer com semelhanças físicas de um bovino.

O fato do processo de vacinação ser bastante demorado e dolorido também gerou desconforto. Os pontos de vacinação eram poucos e os goianos tinham que andar uma longa distância para chegar a esses locais e, quando recebiam a aplicação, deveriam voltar quinze dias depois para que os médicos aproveitassem as pústulas, ou seja, o pus que saía do local vacinado para ser aplicado em outra pessoa, pois a quantidade de vacina era pouca e essa medida era adotada para conseguir vacinar todos. Outro motivo era que a ciência através da vacina estaria interferindo nas ordens divinas e que os homens estavam tentando modificar a história escrita por Deus. Havia uma concepção fatalista da vida e da morte e a vacina era uma tentativa de enganar a morte, driblando a vontade divina. Além disso, a vacinação contrariava as práticas médicas tradicionais, como a sangria e os vomitórios que expeliam a doença para fora e não para dentro como a vacina faz.

Portanto, a resistência da vacina foi provocada pelo choque das tradições com o novo, do choque da ciência com os costumes. O processo de vacinação mostrou-se também como o exemplo da interferência do Estado na vida das pessoas, na busca para civilizar a sociedade brasileira. Desse modo, essa revolta mostrou o descontentamento da população contra o estado e contra a tentativa dos políticos em adotar práticas que geravam desconfiança e incerteza perante aquilo que se mostrava como novo e desconhecido, a vacina.


Por Fabrício Santos
Graduado em História

Edward Jenner foi o inglês criador da vacina, no século XVIII
Edward Jenner foi o inglês criador da vacina, no século XVIII
Autor: Fabrício Barroso dos Santos
Escrito por Fabrício Barroso dos Santos Escritor oficial Brasil Escola
Deseja fazer uma citação?
SANTOS, Fabrício Barroso dos. Vacinação contra varíola em Goiás no séc. XX. Brasil Escola, 2026. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/historiab/vacinacao-contra-variola-goias-no-sec-xx.htm. Acesso em 10 de setembro de 2026.
Copiar