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Einstein e a Bomba Atômica

Física

Albert Einstein foi um dos cientistas mais importantes do século XX. Suas teorias e influência política abriram o caminho para a criação de armas nucleares.
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Você sabia que Albert Einstein fez parte de uma série de eventos que levaram à criação da bomba atômica? Entenda qual foi o papel de Einstein na história da 2ª Guerra Mundial.

Para conhecer a vida, a trajetória como cientista e muito mais, acesse: Albert Einstein: biografia, produção científica e frases.

Carta de Einstein a Roosevelt

Albert Einstein tornou-se um dos físicos mais famosos de todos os tempos, em grande medida, por seus estudos na área da Física Nuclear. Por meio de sua famosa equação — E = mc² —, Einstein mostrou que massa e energia são intercaláveis, preparando o terreno para o estudo da energia nuclear e, consequentemente, da bomba atômica.

A participação de Einstein no processo de criação da bomba atômica foi um pouco além da sua teoria matemática. O físico chegou a enviar uma carta para o então presidente dos Estados Unidos da América, Franklin Delano Roosevelt, para que ele se apressasse na criação da bomba, antes que os nazistas fizessem sua própria bomba nuclear. Quem avisou Einstein dessa possibilidade, por sua vez, foi um ex-colega de trabalho, Leo Szilárd.

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De uma geladeira à bomba atômica

Em 1920, Einstein trabalhou, com o assistente de pós-graduação húngaro Leo Szilárd, no desenvolvimento de um refrigerador de alta eficiência energética. Apesar da invenção da dupla nunca ter sido lançada a público, os dois encontraram-se alguns anos mais tarde durante a criação das bombas atômicas.

Em 1933, ano em que Adolf Hitler tornou-se o chanceler da Alemanha, Szilárd descobriu a existência da reação nuclear em cadeia, um processo que, teoricamente, deveria ser capaz de liberar grandes quantidades de energias e que trazia consigo um enorme potencial de destruição. No ano de 1939, Szilárd convenceu-se de que os alemães estavam intencionados a utilizar a energia nuclear, proveniente das reações em cadeia, para fins bélicos. Leo Szilárd contatou seu ex-colega, Einstein, dizendo-lhe que alertasse o presidente Roosevelt da ameaça iminente.

O surgimento do Projeto Manhattan

Szilárd visitou Albert Einstein em sua casa, em Nova Iorque, juntamente com os físicos húngaros Edward Teller e Eugene Wigner. Nessa época, Einstein havia fugido (já havia alguns anos) do regime nazista, que havia colocado um prêmio de 5.000 dólares por sua captura, uma vez que Einstein era judeu.

Durante a sua reunião com Szilard, Teller e Wigner, Einstein assustou-se com a possibilidade de que sua famosa equação matemática (E = mc²) pudesse ser usada para produzir armamentos de destruição em massa. Por essa razão, Einstein, Wigner e Teller escreveram uma carta a Roosevelt, na qual pediam agilidade na criação de um programa nuclear, antes que a Alemanha fosse capaz de produzir suas próprias ogivas nucleares.

Em 1939, cerca de dois meses após ter recebido a carta, Roosevelt criou o Advised Comitte on Uranium (Comitê Consultivo de Urânio), o precursor do Projeto Manhattan, responsável pela criação da bomba atômica.

Veja também: Conheça mais detalhes sobre o Projeto Manhattan

O início do Comitê Consultivo de Urânio foi tímido: apenas 6.000 dólares foram investidos para a sua criação, por isso, Einstein e Szilárd continuaram escrevendo cartas para Roosevelt. Em uma dessas cartas, Szilárd chegou a ameaçar o presidente dos Estados Unidos, dizendo que publicaria um artigo com as principais descobertas sobre a energia nuclear, caso o investimento no programa não fosse ampliado.

A insistência dos físicos levou à criação do Projeto Manhattan, o qual, apenas alguns meses depois, veio a produzir as primeiras bombas atômicas plenamente funcionais, lançadas no Japão, sobre as cidades de Hiroshima e Nagasaki. Por isso, pode-se dizer que Einstein ajudou a acender a centelha do Projeto Manhattan, mas sua participação resumiu-se a isso, uma vez que o físico não tinha acesso à agenda do projeto, nem a suas intenções.

Leia também: Lançamento da bomba nuclear sobre Hiroshima

Fat man era o nome da ogiva lançada sobre a cidade de Nagasaki, no Japão.
Fat man era o nome da ogiva lançada sobre a cidade de Nagasaki, no Japão.

Após o lançamento das bombas em território japonês, Einstein viu-se devastado. O físico também teve sua imagem vinculada ao acontecimento em capas de revistas e jornais, mesmo desconhecendo as intenções do governo dos Estados Unidos. Apesar disso, em entrevista a uma revista japonesa em 1952, Einstein afirmou que estava ciente do perigo que os experimentos com as reações nucleares poderiam trazer para a humanidade, mas não viu outra saída.

Veja também: Conheça quais foram os efeitos das bombas nucleares em Hiroshima e Nagasaki

As explosões das bombas atômicas causaram entre 90 mil e 166 mil mortes, em Hiroshima, e entre 60 mil e 80 mil, em Nagasaki. Muitas pessoas perderam suas vidas ao longo dos dias seguintes às explosões em razão de queimaduras e pelo envenenamento causado pela radiação.

Projeto Manhattan

O Projeto Manhattan foi um empreendimento secreto do governo dos Estados Unidos, com o apoio da Inglaterra e do Canadá. O projeto foi iniciado durante a 2ª Guerra Mundial e estendeu-se entre os anos de 1942 e 1946. Robert Oppenheimer, um físico teórico norte-americano, era o diretor de um dos principais laboratórios responsáveis pela criação das bombas Little boy e Fat man, o laboratório Los Alamos.

Durante o seu funcionamento, o laboratório Los Alamos produziu apenas dois tipos de ogivas nucleares: as bombas de implosão, como a bomba Fat man, lançada em Nagasaki, que funcionava com Plutônio-240, e a bomba de disparo, como a bomba Little boy, lançada em Hiroshima, feita com base em Urânio-235. As bombas, cada uma à sua forma, extraiam a energia da fissão nuclear de átomos pesados para produzirem uma enorme reação em cadeia, liberando entre 15 kilotons e 21 kilotons de energia, isto é, a energia equivalente à explosão de 21 toneladas de dinamite.

A bomba atômica Little boy, detonada a 600 m acima de Hiroshima, tinha o poder destrutivo de 15 mil toneladas de TNT.
A bomba atômica Little boy, detonada a 600 m acima de Hiroshima, tinha o poder destrutivo de 15 mil toneladas de TNT.

Toda essa energia, no entanto, é o equivalente à fissão de poucas gramas de matéria físsil: a bomba detonada em Hiroshima, por exemplo, converteu apenas 0,69 g (dos 6 kg de Urânio) diretamente em energia. De acordo com a fórmula da energia de repouso, desenvolvida por Albert Einstein, a energia liberada E pela fissão de uma massa m é dada por:

E — energia

m — massa

c —velocidade da luz (3,0.108 m/s).

De acordo com a fórmula acima, 1 g de material fissionado é equivalente a 9,0.1016 J, equivalentes a 25.109 kwh. Se levarmos em conta que uma residência consome cerca de 160 kwh mensais, essa quantidade de energia é o suficiente para alimentá-la pelos próximos 13 milhões de anos!

Veja também: Como funciona a fissão nuclear?

Por Me. Rafael Helerbrock

Na foto, tirada por volta de 1950, Einstein conversa com Oppenheimer, diretor do programa que daria origem à bomba atômica.
Na foto, tirada por volta de 1950, Einstein conversa com Oppenheimer, diretor do programa que daria origem à bomba atômica.

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

HELERBROCK, Rafael. "Einstein e a Bomba Atômica"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/fisica/einstein-bomba-atomica.htm. Acesso em 22 de outubro de 2019.

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