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Televisão e criança: quais as implicações desta relação?

Psicologia

As alterações sociais colocam a televisão como o principal veículo de entretenimento, o que pode prejudicar o desenvolvimento da criança.
Pesquisas apontam que a criança brasileira é a que mais assiste à televisão
Pesquisas apontam que a criança brasileira é a que mais assiste à televisão
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Televisão e Infância

Não se pode separar qualquer análise da televisão do contexto social em que seu uso se insere. Além disso, devemos ter em mente a preferência de crianças pela televisão como resultado de inúmeros avanços e retrocessos na história da humanidade.

É justamente a adequação da linguagem utilizada pela televisão e pelos outros mecanismos de comunicação, cultura e entretenimento que a torna um instrumento tão eficaz na informação de crianças ao redor do mundo. Isso quer dizer que a televisão ganha força porque suas formas e conteúdos de exibição são muito parecidos com os de outros meios de comunicação: todos falam a mesma língua e dizem as mesmas coisas.

Ao longo dos anos, a televisão se tornou aparelho central de socialização de muitas crianças, ganhando um espaço antes ocupado, por exemplo, pela religião, pela escola e pela família. Isso porque, entre outras razões, a televisão utiliza-se de técnicas para informar das quais outras instituições não podem fazer uso. Entre esses mecanismos, podemos destacar o uso de imagens, que simplifica os conteúdos, sendo mais convidativos que outras formas de tentar explicar o mundo.

Como a televisão consegue atrair a atenção das crianças?

Como dissemos, entre outros mecanismos, está a coerência entre a linguagem televisiva e a de outros meios de comunicação, além da utilização da imagem e simplificações da realidade.

Além desses mecanismos, podemos destacar a característica de aproximação que a televisão compreende em relação à realidade. Como instrumento que une som e imagem, parece exibir a realidade e se torna, a partir desse mecanismo, mais próxima dos interesses de crianças que outras instituições socializadoras. Outro fator relevante é que, diferentemente do cinema, a televisão “vai” à casa das crianças, está lá. Não depende, portanto, de grandes descolamentos, esforços ou compromissos.

Por que a televisão se tornou a principal forma de entretenimento das crianças?

As alterações na configuração familiar, a saída dos pais para jornadas cada vez mais longas e exaustivas de trabalho, a dificuldade em proporcionar atividades culturais diversas e, muitas vezes, a falta de recursos para propor outras formas de entretenimento para os filhos acabam colocando a televisão como saída mais rápida para a socialização necessária. Isso quer dizer que, por motivos como esses, a televisão se torna uma espécie de babá de baixíssimo custo, já que está nas casas e não exige grandes comprometimentos na rotina dos pais, que amplificam a tarefa socializadora da televisão.

Quais são os problemas na relação criança-televisão?

São muitos os desdobramentos dos estudos na relação entre crianças e televisão. Como resultado de muitas pesquisas, descobriu-se que a criança brasileira, por exemplo, é a que mais assiste à televisão no mundo, chegando a passar mais de três horas e meia por dia diante do aparelho. Entre as consequências dessa exposição prolongada estão a aprendizagem social (que também poderia ocorrer pela observação do comportamento dos pais e de outras pessoas reais), a dessensibilização (diante, por exemplo, de cenas de violência, que podem se tornar cada vez mais admissíveis pelas crianças), o aumento do medo (causado pelas representações do mundo como lugar aterrorizante) e o abafamento da dificuldade na compreensão das contradições. Como a criança é introduzida a uma única visão dos fenômenos, ela pode deixar de questionar-se sobre a realidade à sua volta, tornando-se vulnerável a explicações inverídicas.

Como a relação entre crianças e televisão pode ser melhorada?

É muito importante que os pais acompanhem os filhos quando estes estiverem em frente à telinha
É muito importante que os pais acompanhem os filhos quando estes estiverem em frente à telinha

Em primeiro lugar, reduzir o tempo de exposição à televisão para crianças, de forma que elas sejam “obrigadas” a encontrar novas formas de entretenimento. Além disso, é importante o acompanhamento de pais e responsáveis quando as crianças estão assistindo à televisão, para tentar problematizar os estereótipos e “verdades” apresentados na tela, questionando-os sobre sua aplicação real. Nesse sentido, os pais podem questionar as crianças sobre a correspondência, ou não, entre aquilo que eles observam na televisão e fora dela. A televisão pode ser usada como motivadora de diversas discussões que, se bem aproveitadas, aproximam a família. Questionar os filhos sobre os personagens e ações da televisão e sobre a vida real, fora das telas, pode ser uma forma de tornar a relação com o aparelho diferente, sem que ele seja empecilho da imaginação, do questionamento e da curiosidade dos pequenos.

Como saber mais?

O documentário “Criança, a alma do negócio”, produzido por Estela Renner e disponível on-line, é uma importante ferramenta para conhecer as dimensões da relação entre criança e televisão, em especial a dimensão da publicidade. Além disso, o livro “O menino sem imaginação”, de Carlos Eduardo Novaes, consegue mostrar o drama da paralisia imaginativa das crianças submetidas à socialização via televisão. Esse livro é um importante veículo de conhecimento porque pode ser lido por pais, professores e pelas próprias crianças.


Juliana Spinelli Ferrari
Colaboradora Brasil Escola
Graduada em psicologia pela UNESP - Universidade Estadual Paulista
Curso de psicoterapia breve pela FUNDEB - Fundação para o Desenvolvimento de Bauru
Mestranda em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano pela USP - Universidade de São Paulo

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

FERRARI, Juliana Spinelli. "Televisão e criança: quais as implicações desta relação?"; Brasil Escola. Disponível em <http://brasilescola.uol.com.br/psicologia/televisao-diversao-preferida-entre-garotada.htm>. Acesso em 18 de outubro de 2017.

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