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Revolução Mexicana

Revolução Mexicana foi um movimento armado, ocorrido em 1910, a favor da realização de reformas sociais no México.

Participantes da Revolução Mexicana, de 1910, aguardando o momento de entrar em confronto com as forças do ditador Porfírio Díaz. [1]
Participantes da Revolução Mexicana, de 1910, aguardando o momento de entrar em confronto com as forças do ditador Porfírio Díaz. [1]
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A Revolução Mexicana, de 1910, foi um movimento armado que tinha como objetivo formar um governo popular e reformista para acabar com as desigualdades sociais no México. Após um longo período de ditadura comandada por Porfírio Díaz, camponeses se rebelaram e, liderados por Emiliano Zapata e Pancho Villa, derrotaram o ditador, dando início, em 1914, a um novo governo, sendo promulgada uma Constituição que garantiu direitos importantes. Com as mortes dos seus líderes, o movimento perdeu a força, mas a memória de suas lutas no começo do século passado os fez ser vistos pelos mexicanos como heróis.

Acesse também: Revolução Russa (1917) — um dos principais acontecimentos do século XX

Tópicos deste artigo

Resumo sobre Revolução Mexicana

  • A Revolução Mexicana foi um movimento armado contra a ditadura de Porfírio Díaz e a favor de um governo popular e reformista para acabar com as desigualdades sociais.

  • Os principais líderes da revolução foram: Emiliano Zapata e Pancho Villa.

  • A principal consequência da revolução foi a promulgação da Constituição mexicana de 1917.

  • Após a morte de Zapata e Villa, o movimento enfraqueceu.

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Antecedentes históricos da Revolução Mexicana

Ao longo do século XIX, a América Latina atravessou sucessivas crises sociais e econômicas que desestabilizaram a política dos seus países. O México foi uma das nações latino-americanas que passaram por essas turbulências.

A independência da Espanha, obtida em 1821, por exemplo, não foi capaz de fazer os mexicanos se tornarem totalmente livres para determinar quais rumos seguir, uma vez que governantes contrários aos anseios da maioria da população e indiferentes aos problemas sociais controlavam o país, como Agustín de Iturbide, que se autodeclarou imperador após a Guerra de Independência do México.

As injustiças sociais se tornaram parte do cotidiano dessas nações da América Latina. Isso fez com que surgissem inúmeros movimentos revolucionários liderados por camponeses, para derrubarem governantes e tomarem o poder a fim de que se fizesse as reformas sociais necessárias para o pleno desenvolvimento dos países com igualdade social.

Outro problema enfrentado pelos mexicanos foi a questão indígena. Desde a chegada dos europeus ao continente americano, as tribos indígenas foram alvos de violência, e muitas delas acabaram exterminadas. Mesmo com a independência, os indígenas não foram incluídos nas decisões políticas e sofriam com a pobreza.

Entre 1876 e 1911, Porfírio Díaz governou o México como um ditador e se mostrou insensível aos problemas enfrentados pelos mexicanos mais pobres. Seu governo foi marcado pela entrada de capitais externos para a exploração de recursos minerais e favoreceu a concentração de terras nas mãos dos latifundiários. Enquanto atendia aos interesses da elite mexicana, a maioria da população continuava pobre e analfabeta.

Saiba também: Ditaduras latino-americanas — a série de ditaduras ocorridas no século XX

Causas da Revolução Mexicana

Destaca-se que a forma autoritária com que Porfírio Díaz governava o México e o aumento da pobreza colaboraram para a organização de movimentos revolucionários para derrubá-lo da presidência. Grupos de oposição, como os maçons, líderes caudilhos e partidos políticos de esquerda, começaram a discutir meios para se chegar ao poder.

O objetivo desses grupos era a realização de reformas que amenizassem a desigualdade social que imperava na realidade mexicana. Em 1908, clubes democráticos se formaram para defender a liberdade política e as eleições diretas e livres.

O que era para ser a organização de um movimento pela defesa da liberdade se transformou em uma revolução social para combater aqueles considerados os causadores das desigualdades e dos problemas sociais no México. Alguns integrantes desse movimento começaram a se armar para chegar ao poder pela violência.

Entre as reformas sociais pedidas pelos revolucionários, a reforma agrária era a prioridade. Para eles, era preciso repartir as terras para que os pequenos agricultores vivessem delas, garantindo para si melhores condições de vida. Além disso, havia o desejo de preservação das propriedades indígenas.

Quem foram os principais líderes da Revolução Mexicana?

Emiliano Zapata representado em um selo postal.
Emiliano Zapata, uma das principais figuras da Revolução Mexicana, representado em um selo postal. [2]

→ Emiliano Zapata — um dos líderes que se destacaram na Revolução Mexicana

Zapata nasceu em San Miguel Anenecuilco, no estado mexicano de Morelos, em 8 de agosto de 1879. Desde a juventude, Zapata se mostrou contrário à ditadura de Porfírio Díaz. Naquela época, o México vivia a falta de liberdade política e a desigualdade social. Sua participação foi decisiva na vitória da revolução, mas se recusou a participar do novo governo. Emiliano Zapata foi assassinado em 10 de abril de 1919, em uma emboscada preparada pelo general Jesús Guajardo.

→ Pancho Villa — outro importante líder da Revolução Mexicana

Pancho Villa nasceu em San Juan del Río, no estado mexicano de Durango, em 5 de junho de 1878. Seu nome de batismo era José Doroteo Arango Arámbula. Quando começou a Revolução Mexicana, Villa fazia parte do exército mexicano e apoiou Francisco Madeiro na luta contra a ditadura de Porfírio Díaz. Participou do grupo armado de oposição ao governo Huerta. Tal qual Zapata, Pancho Villa foi assassinado em uma emboscada, no dia 23 de julho de 1923.

O que foi a Revolução Mexicana?

Em 1911, as ruas mexicanas foram tomadas por trabalhadores em greve, e, na zona rural, os camponeses demonstraram suas insatisfações com a situação vivida. Enfraquecido por esses movimentos, o ditador Porfírio Díaz renunciou à presidência e se exilou em Paris. Francisco Madero foi escolhido para assumir o poder no lugar de Díaz com a promessa de fazer as reformas sociais tão pedidas pelos revolucionários, entre eles Emiliano Zapata.

Madero começou seu governo, mas não cumpriu a promessa de fazer a reforma agrária e perdeu apoio entre seus antigos aliados. O enfraquecimento do seu governo colaborou para o golpe de Estado liderado pelo general Victoriano Huerta. O militar assassinou Madero e seu vice, assumindo o governo mexicano em 1913. Ao se tornar presidente, Huerta também foi alvo de tentativas de golpe de Estado, principalmente por estar com os conservadores.

Zapata organizou o movimento revolucionário que atacou o governo de Huerta. Em 1914, ele e Pancho Villa conseguiram derrotar Huerta e elegeram Caranza como novo presidente do México. Três anos depois, uma nova Constituição foi promulgada. Zapata foi assassinado em 1919, e Pancho Villa foi morto em 1923. Desse modo, o desaparecimento dos principais líderes da revolução significou o fim do movimento e a tomada do poder pela burguesia mexicana.

Leia também: Revolução Cubana — outra revolução que derrubou um regime ditador

Consequências da Revolução Mexicana

A principal consequência da Revolução Mexicana foi a promulgação da Constituição, que garantiu:

  • poder ao Estado para expropriar terras para fins de reforma agrária;

  • separação entre estado e Igreja;

  • reconhecimento das terras indígenas;

  • salário mínimo e jornada de trabalho de oito horas aos trabalhadores.

Revolução Mexicana e o zapatismo

Emiliano Zapata se tornou a principal figura da Revolução Mexicana. Ele defendeu a reforma agrária, mas lhe faltava ambição política. Em 1914, logo após a queda de Huerta, Zapata foi convidado para assumir o governo mexicano, mas ele recusou o pedido. Seus ideais estão presentes no México por meio de grupos que defendem a igualdade e reformas no sistema mexicano que promovam isso.

Em 1994, por exemplo, um movimento foi inspirado nos ideais zapatistas na busca por transformações sociais que fossem ao encontro da população empobrecida, havendo formação do Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN) e a organização de uma grande marcha em 1997, violentamente reprimida pelo governo.

Videoaula sobre Revolução Mexicana e política do Big Stick

Exercícios resolvidos sobre Revolução Mexicana

Questão 1

(Fuvest) A Revolução Mexicana de 1910, do ponto de vista social, caracterizou-se:

A) pela intensa participação camponesa.

B) pela aliança entre operários e camponeses.

C) pela liderança de grupos socialistas.

D) pelo apoio da Igreja aos sublevados.

E) pela forte presença de combatentes estrangeiros.

Resolução:

Alternativa A

Os camponeses participaram da Revolução Mexicana e defenderam a reforma agrária como principal medida do governo em 1914 para que as terras não ficassem mais nas mãos dos latifundiários.

Questão 2

“O descontentamento com a desigualdade social crescia em todos os setores populares (...) Uma situação francamente revolucionária só se criou quando a este descontentamento generalizado somaram-se dois fatos novos. Primeiro, uma grave dissensão no patriciado político motivada pelo continuísmo de Porfíro Días (...) Segundo e principalmente, o surgimento de duas lideranças camponesas autênticas: a de Emiliano Zapata (...) e a de Francisco Villa (…).”

(Darcy Ribeiro, As Américas e a Civilização)

O texto refere-se à:

A) Revolução Sandinista.

B) Revolução Cubana.

C) Guerra do Pacífico.

D) Guerra do Chaco.

E) Revolução Mexicana.

Resolução:

Alternativa E

A Revolução Mexicana teve como principal causa as desigualdades sociais, que empobreceram a maioria da população do México no começo do século XX.

Crédito de imagem

[1] Commons (reprodução)

[2] spatuletail / Shutterstock

 

Por Carlos César Higa
Professor de História

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

HIGA, Carlos César. "Revolução Mexicana"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/historiag/revolucao-mexina.htm. Acesso em 21 de maio de 2022.

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