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Guerras Púnicas

As Guerras Púnicas foram o conjunto de três conflitos entre Roma e Cartago na disputa pelo controle do Mar Mediterrâneo. Os romanos conseguiram destruir Cartago.

Aníbal, comandante cartaginês, tentando atravessar os Alpes com os seus elefantes durante a Segunda Guerra Púnica.
Aníbal, comandante cartaginês, tentando atravessar os Alpes com os seus elefantes durante a Segunda Guerra Púnica.
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As Guerras Púnicas foram os três conflitos travados entre Roma e Cartago, entre os séculos III a.C. e II a.C. Foram motivadas pela disputa acerca do domínio da Sicília, mas também pela disputa de quem teria a hegemonia do domínio militar e comercial do Mar Mediterrâneo.

Esses conflitos são parte fundamental da expansão territorial romana durante sua fase republicana. Em cada um dos três conflitos, Roma derrotou Cartago, enfraquecendo progressivamente seu inimigo, até a derrota final na Terceira Guerra Púnica. A cidade de Cartago foi destruída, e Roma se estabeleceu como a potência dominante no Mediterrâneo.

Leia também: Como o Império Romano se formou?

Tópicos deste artigo

Resumo sobre as Guerras Púnicas

  • As Guerras Púnicas foram travadas entre romanos e cartaginenses entre os séculos III a.C. e II a.C.

  • Esses conflitos foram motivados pela disputa pelo controle da Sicília e do Mar Mediterrâneo.

  • A Primeira Guerra Púnica se encerrou com a rendição de Cartago após acumular várias derrotas aos romanos.

  • A Segunda Guerra Púnica ficou marcada pela ousada estratégia de Aníbal, comandante cartaginês, que decidiu atravessar os Alpes.

  • A Terceira Guerra Púnica encerrou o conflito definitivamente, após os romanos destruírem a cidade.

Antecedentes das Guerras Púnicas

As Guerras Púnicas foram três guerras travadas entre Roma e Cartago entre os séculos III a.C. e II a.C. O que estava em questão era o controle da Sicília, uma ilha ao sul da Península Itálica, além do domínio do comércio praticado no Mar Mediterrâneo. Esse foi um dos conflitos mais importantes da história romana.

No século III a.C., Roma estava em sua fase republicana e já havia se transformando em uma potência regional, dominando grande parte da Península Itálica, além de ter enorme influência no comércio marítimo praticado no Mediterrâneo. O conflito com os cartaginenses marcou um dos grandes momentos da expansão territorial romana.

Cartago, por sua vez, era uma cidade de origem fenícia e se estabeleceu em 814 a.C. como uma colônia comercial dos fenícios no norte da África. Os habitantes dessa cidade eram chamados de “punici” pelos romanos. Tornou-se uma grande potência comercial e marítima e rivalizava com a expansão dos romanos.

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Quais foram as causas das Guerras Púnicas?

As Guerras Púnicas têm como causa o choque de interesses entre romanos e cartaginenses. As duas cidades possuíam acordos que estabeleciam paz e amizade entre ambas, mas essa relação começou a ser abalada quando os interesses de expansão dos romanos se voltaram para o sul. O principal ponto de atrito foi a Sicília.

A tensão ganhou força quando os romanos chegaram às proximidades da Sicília e isso aconteceu quando se aliaram e passaram a estabelecer tropas em Régio, no começo do século III a.C. Nas proximidades de Régio estava Messina, uma cidade que se sentia ameaçada por Siracusa (outra cidade siciliana).

Messina então decidiu pedir proteção para cartaginenses e romanos. Os primeiros aceitaram proteger a cidade, caso suas tropas pudessem ser instaladas, mas foram os romanos que conseguiram costurar um acordo de aliança formal com Messina. Cartago se irritou com a atitude romana e decidiu atacar Messina. Os romanos intervieram na situação para defender Messina.

Leia também: Características da organização política da Roma republicana

Primeira Guerra Púnica (264-241 a.C.)

No primeiro conflito, os cartaginenses possuíam uma força mais estruturada, pois tinham embarcações de guerra e experiência nas batalhas marítimas, diferentemente dos romanos. Os cartaginenses aproveitaram-se dessa vantagem e, sob a liderança de Amílcar, tiveram importantes vitórias contra os romanos.

Após essas vitórias, o comando de Cartago relaxou e o desempenho militar das tropas cartaginenses caiu. Isso permitiu que os romanos pudessem recuperar suas forças no conflito. A guerra ficou entre idas e vindas com vitórias das duas partes. Em 242 a.C., os romanos conseguiram produzir uma grande frota de navios, o que permitiu que eles derrotassem os cartaginenses em Drepana.

A longa duração do conflito e o esgotamento econômico fizeram com que os cartaginenses solicitassem a paz para encerrar essa guerra. Cartago perdeu domínios, entregando suas terras na Sicília para Roma, além de dividir terras com os romanos na Península Ibérica e ver a influência romana sobre o Mar Mediterrâneo crescer. Para saber mais, clique aqui.

Segunda Guerra Púnica (218-201 a.C.)

A Segunda Guerra Púnica tem relação com a ascensão de Aníbal ao comando das tropas de Cartago, em 221 a.C. Após a derrota no primeiro conflito, Cartago se comprometeu de que não atacaria as terras romanas, tampouco os seus adversários. Se esse compromisso fosse quebrado, o conflito entre os dois povos seria reiniciado.

Em 218 a.C., Aníbal liderou um cerco à cidade de Sargento, aliada romana na Península Ibérica. A atitude enfureceu Roma, que exigiu que Cartago entregasse Aníbal para que ele fosse punido pelas autoridades romanas. Cartago negou-se a atender à exigência romana, o que deu início a um novo conflito.

Com a guerra, o comandante Aníbal decidiu colocar em prática uma das estratégias de guerra mais ousadas da história da humanidade. Ele decidiu invadir o território romano pelo norte e, para isso, precisaria cruzar a Península Ibérica, os Alpes, no norte da Península Itálica, e então se encaminhar para Roma. O que tornava o empreendimento de Aníbal gigantesco é que ele lideraria um exército enorme e que estava equipado com elefantes.

Aníbal fez a travessia, mas a duras penas, pois muitos dos animais morreram nos Alpes. Chegando à Península Itálica, ainda sofreu graves problemas para conseguir abastecer suas tropas. A resposta romana veio com uma tropa, sob liderança de Cipião Africano, que foi enviada diretamente a Cartago para atacar a cidade.

Com o contra-ataque romano, Aníbal precisou abandonar a sua estratégia e se encaminhou com urgência para defender Cartago. Os romanos atacaram uma série de aliados dos cartaginenses, o que enfraqueceu o esforço de guerra púnico. Em 201 a.C., Aníbal foi derrotado em batalha para Cipião Africano, fazendo com que Cartago amargasse uma nova derrota para os romanos.

Os cartaginenses entregaram todos os seus domínios na Hispânia para os romanos, pagaram uma indenização por 50 anos, foram obrigados a limitar o tamanho de sua frota e foram proibidos de iniciar novos conflitos armados, fosse contra os romanos, fosse contra outros povos. Para saber mais, clique aqui.

Terceira Guerra Púnica (149-146 a.C.)

Com o encerramento da dívida com os romanos, os cartaginenses entenderam que os seus acordos com os romanos não eram mais válidos e deram início a um conflito armado contra os númidas, um povo inimigo dos cartaginenses. O ataque púnico foi entendido pelos romanos como um descumprimento do acordo de paz que encerrou a Segunda Guerra Púnica.

Em 149 a.C., os romanos enviaram diplomatas para exigir uma demanda rigorosa dos cartaginenses. Os romanos queriam que os habitantes de Cartago abandonassem a cidade, mudando-se para longe do litoral. Obviamente, a exigência foi rejeitada por Cartago e isso deu início à Terceira Guerra Púnica.

O general romano Cipião Emiliano liderou um cerco de três anos sobre Cartago, resultando na invasão da cidade em 146 a.C. Cartago foi mais uma vez derrotada por Roma, o que representou a destruição da cidade. Os romanos destruíram Cartago, mataram milhares de pessoas e escravizaram outros milhares. Os territórios dominados por Cartago passaram a ser território romano. Para saber mais, clique aqui.

Consequências das Guerras Púnicas

Ao final desse conflito, Roma havia expandido consideravelmente os seus territórios, anexando a Sicília, a Hispânia e o norte da África. Os romanos passaram a dominar o Mar Mediterrâneo, estabelecendo-se como a maior potência militar e comercial que ali trafegava. Esse conflito foi uma significativa etapa na expansão territorial romana no período da república.

Por fim, os generais romanos conquistaram enorme influência após esse conflito, transformando-se em atores de destaque da política romana. No longo prazo, isso contribuiu para desestabilizar o sistema político e a própria existência da república.

Fontes

MARK, Joshua J. Punic Wars. Disponível em: https://www.worldhistory.org/Punic_Wars/

CARTWRIGHT, Mark. First Punic War. Disponível em: https://www.worldhistory.org/First_Punic_War/

CARTWRIGHT, Mark. Second Punic War. Disponível em: https://www.worldhistory.org/Second_Punic_War/

CARTWRIGHT, Mark. Third Punic War. Disponível em: https://www.worldhistory.org/Third_Punic_War/

MARK, Joshua J. Carthage. Disponível em: https://www.worldhistory.org/carthage/

CARTWRIGHT, Mark. Carthaginian Warfare. Disponível em: https://www.worldhistory.org/Carthaginian_Warfare/

CARTWRIGHT, Mark. Carthaginian Naval Warfare. Disponível em: https://www.worldhistory.org/Carthaginian_Naval_Warfare/

CARTWRIGHT, Mark. Carthaginian Army. Disponível em: https://www.worldhistory.org/Carthaginian_Army/

Escritor do artigo
Escrito por: Daniel Neves Silva Formado em História pela Universidade Estadual de Goiás (UEG) e especialista em História e Narrativas Audiovisuais pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Atua como professor de História desde 2010.

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

SILVA, Daniel Neves. "Guerras Púnicas"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/guerras/guerras-punicas.htm. Acesso em 15 de abril de 2024.

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