A mortalidade infantil no Brasil é um indicador demográfico que expressa a quantidade de óbitos de crianças que não completaram um ano de idade a cada mil habitantes, sendo importante para a avaliação do setor de saúde e, sobretudo, das condições em que vive a população do país em um dado período. Os óbitos são causados por fatores que, na maioria das vezes, estão relacionados diretamente com as desigualdades socioeconômicas e regionais do país, incluindo falta de acesso a informações e ao saneamento básico.
Hoje, a taxa de mortalidade infantil no país é de 12,65, mas já chegou a 146,6 na década de 1940. A diminuição desse valor se deve a políticas públicas voltadas para a saúde da mulher e das gestantes, além da ampliação da vacinação para recém-nascidos e para crianças com menos de 12 meses de vida e das campanhas de aleitamento materno.
Leia também: Taxa de natalidade e taxa de mortalidade — detalhes sobre esses importantes indicadores demográficos
Tópicos deste artigo
- 1 - Resumo sobre mortalidade infantil no Brasil
- 2 - O que é mortalidade infantil?
- 3 - Causas da mortalidade infantil no Brasil
- 4 - Taxa de mortalidade infantil no Brasil
- 5 - Mortalidade infantil no Brasil ao longo dos anos
- 6 - Exercícios resolvidos sobre mortalidade infantil no Brasil
Resumo sobre mortalidade infantil no Brasil
- A mortalidade infantil no Brasil é um indicador que expressa o número de mortes de crianças que ainda não completaram um ano de idade a cada mil nascidos vivos no país.
- É causada por diferentes fatores no Brasil, como: falta de acompanhamento da gestação, ausência de acesso a informações e/ou a serviços essenciais de saúde, falta de saneamento básico e insegurança alimentar.
- As desigualdades socioeconômicas e regionais também nos auxiliam a compreender a taxa de mortalidade infantil no Brasil e como se deu a sua evolução.
- A taxa de mortalidade infantil no Brasil é de 12,65 óbitos a cada mil nascidos vivos.
- Com 23,88 mortes a cada mil nascidos vivos, o estado de Roraima apresenta maior taxa de mortalidade infantil entre as unidades federativas, enquanto Santa Catarina possui a menor, de 9,07.
- Na década de 1940, a taxa de mortalidade infantil brasileira era de 146,6 óbitos a cada mil nascimentos e foi diminuindo gradualmente.
- Melhorias nos serviços voltados para a saúde da mulher e campanhas de vacinação e de aleitamento materno estão entre as causas para a queda da mortalidade infantil no Brasil.
O que é mortalidade infantil?
A mortalidade infantil é um indicador demográfico que expressa o número de mortes de crianças pequenas, que ainda não completaram um ano de idade, a cada mil nascimentos em uma dada população. Seu cálculo é realizado da seguinte maneira:
|
Taxa de mortalidade infantil = \(\frac{\text{Número de mortes de pessoas com idade menor que 1 ano}}{\text{Número de nascidos vivos}} * 1000\) |
Esse é um indicador que auxilia na avaliação do funcionamento do setor de saúde de um país, sendo fundamental para o desenvolvimento e para a implementação de políticas públicas voltadas para o incremento da infraestrutura sanitária, de equipamentos até a qualificação de profissionais, e, sobretudo, para a melhoria da qualidade dos serviços que são oferecidos às mulheres, incluindo gestantes e puérperas (que acabaram de ter filho), e crianças com idade até 12 meses. O objetivo dessas políticas é, sobretudo, a prevenção das mortes consideradas evitáveis no primeiro ano de vida, oferecendo maior cuidado e segurança às mães e às famílias.
Dessa maneira, a taxa de mortalidade infantil é, também, um indicador da qualidade de vida em um território, refletindo as condições sanitárias em um dado momento e a sua evolução ao longo de um período maior de tempo. Por isso, países mais desenvolvidos tendem a apresentar mortalidade infantil menor do que os países menos desenvolvidos, que possuem pior desempenho nos indicadores sociais e econômicos.
Segundo o Banco Mundial (2024), a taxa de mortalidade infantil no mundo é de 28 óbitos para cada mil nascimentos, sendo menor em países como San Marino, Estônia, Belarus, Japão e Eslovênia. Do outro lado estão Sudão do Sul, Nigéria, Niger, Somália e Libéria, todos países do continente africano e que registram as mais elevadas taxas de mortalidade infantil do mundo, sendo a maior delas de 72 óbitos a cada mil nascimentos no território sul-sudanês.
Causas da mortalidade infantil no Brasil
A mortalidade infantil no Brasil é um problema diretamente relacionado com a infraestrutura deficitária do sistema de saúde do país, que, por sua vez, tem a ver com as desigualdades regionais que se perpetuam no território brasileiro há várias décadas.
Na maior parte dos casos, a causa dos óbitos não está necessariamente no pós-parto, mas, sim, nas etapas que antecedem o nascimento da criança. A ausência de acompanhamento da evolução da saúde da mulher e do bebê durante a gestação, o que é conhecido como pré-natal, ou mesmo a interrupção da ida às consultas estão entre os causadores da mortalidade infantil e materna no Brasil.
Um estudo|1| realizado por pesquisadores da UFPel (Universidade Federal de Pelotas) em 2024 mostrou que 20% das mulheres que iniciaram o pré-natal acabam não concluindo o acompanhamento. O abandono das consultas é maior entre mulheres com baixo grau de escolaridade e que vivem em situação de vulnerabilidade social. Dessa forma, pode-se constatar a maneira como as desigualdades socioeconômicas interferem na qualidade de vida da população, o que reflete nos indicadores sociais e demográficos do país. Além disso, o número de mulheres que concluem o pré-natal é menor na região Norte do país, e maior na região Sul.
Então, embora tenha havido avanços importantes no atendimento pré-natal, notadamente no que diz respeito ao acesso à primeira consulta, a falta de acompanhamento adequado tem por trás a desigualdade no acesso aos serviços de saúde e à informação, assim como a desigualdade de renda, o que dificulta que mais mulheres concluam os exames antes do parto. Vale destacar que esse tipo de acompanhamento avalia a saúde materna e o desenvolvimento da gestação, podendo identificar malformações, doenças e condições genéticas que demandam acompanhamento futuro.
A falta de informações adequadas aliada com serviços precários de atendimento de saúde, com infraestrutura inadequada, escassez de insumos e de medicamentos e número insuficiente de profissionais, também provoca a mortalidade infantil. Em meio a esses fatores, está a vacinação incompleta das crianças menores de um ano, o que limita a proteção contra doenças graves como hepatite, poliomielite, febre amarela, rotavírus e covid-19, que passou a fazer parte do ciclo vacinal das crianças até um ano.
Existem outros fatores que provocam a mortalidade infantil no país. Entre eles, estão:
- a falta de saneamento básico, caracterizada pelo acesso limitado ou inexistente à coleta de lixo, às redes de coleta e ao tratamento de esgoto e de distribuição de água potável e que pode provocar uma série de doenças, como diarreia, cólera, leptospirose, hepatite A e verminoses;
- a desnutrição e a insegurança alimentar que, hoje, caíram de forma significativa no Brasil, mas ainda não foram completamente erradicadas. A fome, que é a insegurança alimentar grave, afeta 3,3% das crianças brasileiras entre 0 e 4 anos de idade, de acordo com informações da PNAD Contínua|2|.
Veja também: O que é a taxa de fecundidade?
Taxa de mortalidade infantil no Brasil
A taxa de mortalidade no Brasil é de 12,62 óbitos a cada mil nascidos vivos, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Atualmente, esse indicador apresenta maior número na região Norte do país, em especial no estado de Roraima, que registra 23,88 mortes de crianças menores de um ano a cada mil nascidas vivas. As menores taxas são identificadas na região Sul do Brasil, destacando-se o estado de Santa Catarina, em que a mortalidade infantil é de 9,07.
Somente Santa Catarina e o Rio Grande do Sul possuem taxa inferior a 10 em todo o território brasileiro. Além disso, são 11 os estados que apresentam taxa de mortalidade mais baixa do que a média nacional, ou 40,7% deles. Na tabela a seguir, confira a taxa de mortalidade infantil em todas as unidades federativas do Brasil.
|
Taxa de mortalidade infantil no Brasil por UF |
|
|
Unidade federativa |
Taxa de mortalidade infantil |
|
Acre |
16,93 |
|
Alagoas |
13,56 |
|
Amapá |
20,93 |
|
Amazonas |
17,09 |
|
Bahia |
14,81 |
|
Ceará |
11,72 |
|
Distrito Federal |
10,86 |
|
Espírito Santo |
11,59 |
|
Goiás |
12,46 |
|
Maranhão |
14,84 |
|
Mato Grosso |
14,04 |
|
Mato Grosso do Sul |
13,55 |
|
Minas Gerais |
11,27 |
|
Pará |
15,04 |
|
Paraíba |
12,96 |
|
Paraná |
10,81 |
|
Pernambuco |
13,21 |
|
Piauí |
14,95 |
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Rio de Janeiro |
13,45 |
|
Rio Grande do Norte |
11,16 |
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Rio Grande do Sul |
9,68 |
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Rondônia |
12,25 |
|
Roraima |
23,88 |
|
Santa Catarina |
9,07 |
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São Paulo |
11,36 |
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Sergipe |
18,48 |
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Tocantins |
12,7 |
Fonte: IBGE / DataSUS, 2023.
Mortalidade infantil no Brasil ao longo dos anos
A mortalidade infantil no Brasil já foi de 146,6 óbitos a cada mil nascimentos na década de 1940. Com as mudanças no padrão de vida da população brasileira, que foi se tornando cada vez mais urbana e deixando o meio rural em troca das cidades, e com as inovações implementadas no setor de saúde, ocorreu a queda desse indicador. Já nos anos 1950, ele caiu para 136,2 e, duas décadas mais tarde, ficou abaixo de 100, alcançando o número de 97,6 óbitos a cada mil nascimentos.
A queda mais significativa aconteceu entre a década de 1980 e 1990, quando a mortalidade infantil passou de 69,1 para 45,1. Esse intervalo de tempo coincide com a implementação do Programa de Assistência Integral à Saúde Mulher (PAISM), de 1983, e com a criação do Sistema Único de Saúde (SUS), em 1988. Mais adiante, novos programas de assistência à família e de cuidados para com a saúde da mulher e de crianças recém-nascidas contribuíram para a continuidade da queda da mortalidade infantil no país, chegando a 28,1 nos anos 2000 e 15 óbitos a cada mil nascimentos em 2010. Nos anos mais recente, o menor valor foi observado em 2020, que foi de 11,4.
Para além dos programas específicos de cuidado com a saúde materna e da criança, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) menciona, também, a ampliação do escopo vacinal no território brasileiro, os programas que promovem a nutrição infantil e o aleitamento materno, bem como o trabalho dos agentes comunitários de saúde, importantes na orientação inicial e no acompanhamento regular de famílias e de comunidades, como causadores da diminuição da taxa de mortalidade infantil no Brasil.
Não podemos deixar de pontuar que, entre 2020 e 2022, a pandemia de covid-19 foi responsável pelo aumento da mortalidade infantil, sendo as crianças de 0 a 1 ano um dos grupos de risco mais afetados pela doença viral que afetou todo o mundo. Então, no ano de 2022, quando foi realizado o censo demográfico mais recente, a mortalidade infantil era de 12,59, subindo para 12,63 no ano seguinte e sendo esse o dado mais atual disponibilizado pelo IBGE. No gráfico abaixo, você pode observar como se deu a evolução da mortalidade infantil no país nas últimas duas décadas.
Gráfico – Evolução da mortalidade infantil no Brasil entre 2006 e 2023
Acesse também: Envelhecimento populacional no Brasil
Exercícios resolvidos sobre mortalidade infantil no Brasil
Questão 1
(UFSCar) Observe o mapa para responder à questão.

A leitura do mapa e os conhecimentos sobre a dinâmica demográfica brasileira permitem afirmar que as taxas de mortalidade infantil:
A) são mais elevadas nas regiões mais populosas.
B) revelam as diferenças socioeconômicas entre as regiões.
C) permanecem elevadas nas regiões Sul e Centro-Oeste.
D) são mais altas nas regiões mais urbanizadas.
E) são semelhantes nas regiões Nordeste e Sudeste.
Resposta:
Alternativa B.
O mapa evidencia como as desigualdades socioeconômicas e regionais afetam indicadores como o da mortalidade infantil, que se mostrou maior em estados das regiões Norte e Nordeste do que nos estados das regiões Sul e Sudeste.
Questão 2
(Instituto JK) A partir da década de 1990, observa-se uma queda consistente da taxa de mortalidade infantil no Brasil. Essa queda é resultante:
A) do processo de migração das pessoas da zona urbana para a zona rural.
B) dos altos investimentos na saúde pública que passou a atender toda a população.
C) do fato do país ter se tornado um dos maiores exportadores de alimentos do mundo, eliminando definitivamente a fome e a desnutrição no país.
D) da implantação de políticas de saneamento, programas sociais de saúde à população, como campanhas de vacinação e aleitamento materno.
Resolução:
Alternativa D.
A melhoria em políticas de saneamento e a ampliação de programas de saúde, principalmente pensando nas mulheres, nas gestantes e nas crianças menores de um ano, contribuíram para a queda contínua da mortalidade infantil no Brasil.
Notas
|1| SOUSA, Luis Eduardo de. 1 em cada 5 gestantes não conclui o pré-natal no Brasil, aponta pesquisa. Folha de S.Paulo, 14 abr. 2026. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2026/04/1-em-cada-5-gestantes-nao-conclui-o-pre-natal-no-brasil-aponta-pesquisa.shtml.
|2| REDAÇÃO. IBGE: Fome atinge 6,48 milhões de pessoas no Brasil, menor nível em 20 anos. G1, 10 out. 2025. Disponível em: https://g1.globo.com/economia/noticia/2025/10/10/ibge-fome-brasil-pesquisa-pnad-inseguranca-alimentar-alimentos-2024.ghtml.
Fontes
IBGE. Mortalidade infantil em queda. IBGE Educa, [s.d.]. Disponível em: https://educa.ibge.gov.br/criancas/brasil/2868-atualidades/23111-mortalidade-infantil-em-queda.html.
IBGE Cidades. Disponível em: https://cidades.ibge.gov.br/.
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Agente Comunitário de Saúde. Secretaria de Atenção Primária à Saúde (SAPS), Ministério da Saúde, [s.d.]. Disponível em: https://sisaps.saude.gov.br/sistemas/gerenciaaps/docs/modulo-de-solicitacoes/profissionais/8acs/.
OLIVEIRA, R. A. F. de; FERNANDES, C. E. R.; SILVA, F. M. da; FEITOSA, G. M. N.; BAUMAN, C. D. Perfil da mortalidade infantil por causas evitáveis segundo região do Brasil. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, [S. l.], v. 6, n. 7, p. 2896–2907, 2024. Disponível em: https://bjihs.emnuvens.com.br/bjihs/article/view/2737.
REDAÇÃO. Desnutrição provoca a maior hospitalização de bebês dos últimos 14 anos no Brasil, diz Fiocruz. Jornal Nacional, 25 out. 2022. Disponível em: https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2022/10/25/desnutricao-provoca-a-maior-hospitalizacao-de-bebes-dos-ultimos-14-anos-no-brasil-diz-fiocruz.ghtml.
REDAÇÃO. Saiba o que é o teste genético pré-natal e qual a sua importância. Einstein Hospital Israelita, 03 set. 2025. Disponível em: https://www.einstein.br/n/vida-saudavel/teste-genetico-pre-natal.
WOHLENBERG, E. D.; GOMES, B. B.; MACHADO, C. F.; CASA, E. B. M.; BOCCHESE, E. V.; MELO, L. H. I. de; AMORIM, P. M. de; BATALHA, G. Principais causas de mortalidade infantil no Brasil: uma análise do âmbito regional ao nacional. Brazilian Journal of Health Review, [S. l.], v. 8, n. 1, p. e77031, 2025. Disponível em: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BJHR/article/view/77031.
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