Anne Frank

Biografia

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Anneliese Marie Frank, conhecida com Anne Frank, foi uma adolescente judia que viveu em Amsterdã, na Holanda, durante o período do Holocausto. A garota ficou conhecida mundialmente após a publicação de O diário de Anne Frank, livro que narra os dois anos que ela e sua família passaram dentro de um esconderijo para tentar escapar da perseguição nazista durante a Segunda Guerra Mundial.

Anne Frank nasceu em 12 de junho de 1929, em Frankfurt, na Alemanha, e morreu aos 15 anos, em Bergen-Belsen, um campo de concentração nazista localizado na cidade de Celle, na Alemanha. Não há uma data oficial de sua morte, mas acredita-se que aconteceu em março de 1945, após ela contrair uma doença conhecida como tifo (causada por bactérias que afetam o sistema imunológico).

A família de Anne Frank

Com muita personalidade, Anne era uma jovem descobrindo-se em plena adolescência. Muito estudiosa e apaixonada por livros, tinha como sonho tornar-se uma artista e escritora famosa.

Anne sonhava em ver seus textos publicados. [1]
Anne sonhava em ver seus textos publicados. [1]

A família Frank era composta por quatro pessoas: Anne, seus pais, Otto Frank e Edith Frank, e a irmã, três anos mais velha, Margot Frank.

Família Frank: pais e irmã de Anne [2]
Família Frank: pais e irmã de Anne [2]

A adolescente judia sempre havia sido lembrada por sua forma extrovertida de viver, lado esse destacado nos primeiros trechos do seu diário. Os professores costumavam repreendê-la pelo excesso de conversa, por ser “tagarela” e curiosa. No entanto, a jovem também cativava a todos, pois gostava de agradar aos amigos.

Quando ela tinha quatro anos de idade, a família decidiu que deveria sair da Alemanha para fugir dos ataques de Adolf Hitler contra os judeus. Inicialmente, Anne, sua irmã e a mãe ficaram na casa da avó materna, em Aachen, ainda na Alemanha, enquanto o pai Otto instalou-se na Holanda para recomeçar a vida.

O pai de Anne abriu uma empresa que fornecia frutos e ingredientes para a produção de geleias e, com isso, conseguiu estabilizar-se financeiramente. O próximo passo era trazer a família para Amsterdã, onde Anne e Margot teriam acesso a uma boa educação.

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Ao mudar-se para Holanda, Anne foi matriculada na Escola Montessori, onde demonstrou, desde o início, habilidades para a escrita. Apesar do talento, Anne sentia-se inferior à irmã, de acordo com vários relatos em seu diário. Anne considerava Margot muito inteligente, reservada e mais educada.

Em 1940, a Holanda foi invadida pelos nazistas alemães comandados por Hitler, e a população judaica do país começou a ser perseguida. O regime nazista impôs restrições aos judeus, como toque de recolher ao entardecer e proibição de frequentar os mesmos locais que os demais cidadãos. Por isso, Anne e sua irmã foram obrigadas a mudarem-se para uma escola específica para judeus.

Uma outra determinação feita pelo regime nazista foi obrigar os judeus a utilizarem uma Estrela de Davi amarela em suas vestimentas para que pudessem ser identificados. Anne também teve que usar uma.

Estrela amarela utilizada para identificação dos judeus [3]
Estrela amarela utilizada para identificação dos judeus [3]

O diário de Anne Frank

Em seu aniversário de 13 anos, Anne foi surpreendida pelo pai com um caderno para anotações. O objeto tinha capa vermelha, com alguns detalhes, e agradou muito à adolescente, que fez dele seu diário.

A primeira escrita no diário foi datada em 14 de junho de 1942. Em suas primeiras páginas, ela conta sua rotina, fala sobre amizades, escola, família, a saudade da avó que faleceu durante o período, e narra também a invasão da Alemanha nos primeiros países.

No dia 20 de junho daquele mesmo ano, Anne decidiu que o diário seria uma espécie de amiga e resolveu batizá-lo de Kitty. A partir deste dia, ela passou a referir-se ao diário com carinho. Veja parte do trecho em que Anne nomeia-o:

“Por tudo isso é que escrevo um diário. É para eu fazer de conta que tenho uma grande amiga. A este diário, que vai ser minha grande amiga, vou dar o nome de Kitty.”

Detalhe no diário do dia 22 de dezembro de 1943 [4]
Detalhe no diário do dia 22 de dezembro de 1943 [4]

No início de julho, a garota começou a narrar o sentimento de medo que passou a sentir, ao lado de sua família, da situação de invasão dos alemães. Foi nessa época que ela relatou os planos da família para um esconderijo.

Em conversa com o pai, ele conta a ela que já estava guardando roupas, móveis e comida em outro lugar, que provavelmente seria onde eles se esconderiam por um bom tempo. Na época, os alemães já estavam invadindo e tomando os países europeus, e milhões de estrangeiros, entre eles os judeus, eram escravizados e forçados a trabalhar para os nazistas. Em consequência das condições em que viviam, sob tortura, desnutrição e maus tratos, muitos morreram nos campos de concentração.

O pai de Anne já estava passando mais tempo em casa, já que não podia mais ser diretor do comércio (outra imposição dos alemães), e, dias depois, chegou uma convocação na casa dos Frank. Inicialmente, pensaram que era para Otto, mas o chamado era para que Margot fosse levada para um campo de trabalho. A família negou-se a enviá-la, e, nesse momento, Otto e Edith decidiram que era a hora de eles se esconderem.

Contando com a ajuda de amigos nos quais tinha muita confiança, a família saiu às pressas para o esconderijo montado em cima de um armazém que era a casa comercial do pai de Anne, localizada em uma rua junto a um dos canais de Amsterdã. Na casa dos Frank, a família deixou um bilhete dando a entender que eles haviam se mudado para a Suíça, para evitar que fossem achados. Os objetos e louças também foram deixados bagunçados para que todos tivessem a impressão de que a família fugiu às pressas, assim como o gato de estimação de Anne também teve que ficar no local.

Local onde foi construído o anexo secreto em Amsterdã [5]
Local onde foi construído o anexo secreto em Amsterdã [5]

O esconderijo de Anne Frank

O anexo secreto, como ficou conhecido o esconderijo, recebeu a família de Anne no dia 6 de julho de 1942. O espaço tinha três andares, e a entrada era feita por um escritório. No primeiro andar, havia dois quartos pequenos e um banheiro. Acima, havia uma sala grande com uma menor ao lado, na qual tinha uma escada que levava ao sótão. Para tentar garantir que o lugar não fosse descoberto, uma estante foi colocada na porta do esconderijo.

Somente no dia 8, Anne voltou a escrever em seu diário, descrevendo a saída de casa, e, no dia seguinte, 9, relatou parte da fuga da família.

“Querida Kitty: Assim corremos debaixo da chuva, a mamãe, o papai e eu, cada um com uma pasta escolar e uma sacola de compras completamente cheia, sabe Deus com o quê. Os operários que iam para o trabalho nos olhavam. Bem se lia em seus rostos que tinham pena de nós por irmos tão carregados e por não nos deixarem andar nos bondes. A nossa estrela amarela no braço falava por si.”

Além da família de Anne, foram abrigados, dias depois, o casal Van Pels (Hermann e Auguste), com o filho Peter (personagem importante na história de Anne), e, alguns meses depois, Fritz Pfeffer, um dentista e amigo da família Frank, que dividiu quarto com Anne.

Na chegada da família Van Pels ao esconderijo, Anne sentiu-se empolgada, já que teria novas pessoas com quem conversar e distrair-se. A empolgação, no entanto, não durou tanto tempo, pois tiveram problemas de convivência com a senhora Auguste Van Pels.

Com a proximidade diária das famílias, Anne começou a passar mais tempo com o jovem Peter Van Pels, dois anos mais velho que ela. Ela narra em seu diário descobertas sentimentais em relação ao jovem, mas também destaca o medo de magoar a irmã Margot, pensando que ela também poderia estar interessada no rapaz.

Entrada do local onde ficava o anexo [6]
Entrada do local onde ficava o anexo [6]

Anne envolveu-se em um romance adolescente com Peter, relatando no diário o seu primeiro beijo. Para Kitty ela descreveu todos os seus sentimentos, dúvidas em relação ao amor e detalhes de como tudo aconteceu. Anne também contou que conversou sobre a relação com o pai, de quem era muito amiga e não gostava de esconder as coisas. Já com a mãe, Anne sempre teve muitos atritos, e as duas não tinham uma relação tão boa.

O período de isolamento durou cerca de dois anos sem que as famílias saíssem às ruas, para evitar serem descobertas. Os judeus capturados pelos alemães eram enviados imediatamente aos campos de concentração. Com a situação, as famílias tinham que regrar os mantimentos e, muitas vezes, faziam jejum, optando por qual refeição seria feita no dia. Os alimentos eram levados pelos amigos de Otto. Eles mantiveram o sigilo durante todo o período.

Dentro do anexo, Anne relatou os dias em que passavam medo quando escutavam movimentações do lado de fora e até bombas lançadas na cidade pelos alemães. Também não se podia fazer barulhos, e, durante o dia, quando o armazém funcionava na parte inferior do prédio, nem mesmo as torneiras do anexo poderiam ser abertas. O rádio e os poucos amigos da família que tinham acesso ao anexo eram os únicos meios de informação do mundo externo.

A última anotação de Anne para Kitty foi feita no dia 1º de agosto de 1944. A garota narrou então a luta que tinha para expressar-se e a forma como muitas vezes sentia que não era bem entendida pelas pessoas à sua volta. Veja as últimas palavras de Anne Frank para o diário:

“...Quando me tratam dessa maneira, torno-me ainda mais impertinente, fico triste e, por fim, viro o meu coração do avesso, com o lado mau para fora, o bom para dentro, e continuo a procurar um meio para vir a ser aquela que gostaria de ser, que era capaz de ser, se... não houvesse mais ninguém no mundo. Sua Anne”

  • Descoberta do esconderijo

Cerca de 10 dias antes do esconderijo dos Frank ser encontrado, Anne havia relatado que estava cheia de esperanças e que pensava que a guerra logo acabaria, já que escutava boas notícias pelo rádio. Além disso, ela fazia muitos planos para quando pudesse ver-se livre.

No dia 4 de agosto de 1944, o anexo foi descoberto. Não se sabe ao certo se houve denúncias ou se a polícia alemã chegou ao local por coincidência. Nunca foi comprovada nenhuma das versões.

Todos foram presos e levados para o maior campo de concentração da Holanda: Westerbork. Posteriormente, foram divididos para outras regiões. Edith Frank morreu no dia 5 de janeiro de 1945, em Auschwitz, na Polônia. Anne e a irmã Margot foram enviadas para Bergen-Belsen, na Alemanha, morreram provavelmente em março de 1945, com Tifo, e foram sepultadas como anônimas em valas comuns.

Túmulo das irmãs Anne e Margot Frank [7]
Túmulo das irmãs Anne e Margot Frank [7]

Otto foi enviado a um hospital, em novembro de 1944, e permaneceu lá até janeiro de 1945, quando as tropas soviéticas venceram os nazistas e libertaram os judeus dos campos de concentração. Otto casou-se novamente anos depois e reestabeleceu a vida. Ele faleceu em 1980.

A família Van Pels também foi morta pelos alemães entre 1944 e 1945. Peter foi levado com mais de 11 mil prisioneiros de Auschwitz a Mauthausen, na Áustria, onde morreu em maio de 1945. O dentista Fritz — chamado de Dussel no livro — morreu em 1944, na Alemanha.

  • Amigos que ajudaram a família Frank

Durante o período em que a família Frank ficou no esconderijo, alguns amigos não judeus ajudaram-nos. Os principais foram:

Miep Gies (mesmo nome no livro): Era representante comercial na empresa de Otto e dispôs-se a ajudar a família. Quando houve a convocação de Margot, Miep foi quem a buscou e levou-a para o esconderijo antes da família. Levava carnes e livros para as famílias. Viu Anne com o diário um dia. Quando houve a invasão, ela e a ajudante mais nova, Bep Voskuijl, voltaram depois ao local para recolher os objetos. Miep viu o diário de Anne e guardou-o para devolvê-la. Anne não voltou, mas, anos depois, Otto ficou abrigado na casa de Miep, e ambos resolveram então ler as anotações da jovem. Miep faleceu em 2010, aos 100 anos.

Jan Gies (chamado de Henk no livro): Marido de Miep. Também a ajudou a levar Margot para o abrigo e contribuiu com o isolamento da família. Ajudou a cuidar das empresas de Otto no período em que estavam escondidos e visitava regularmente a família. Também não foi preso. Morreu em 1993.

Victor Kugler (chamado de Kraler no livro): Trabalhava com Otto e ajudou-o a organizar o esconderijo. Era um dos responsáveis por cuidar das famílias escondidas e nem a esposa sabia do segredo. Foi preso na descoberta do abrigo e depois conseguiu escapar. Morreu em 1981.

Johannes Kleiman (chamado de Koophuis no livro): Deu a Otto a ideia da família esconder-se no armazém. Também comandou as empresas de Otto durante o período em que judeus não podiam ter negócios. Ele e a esposa levaram presentes e mantimentos para a família, inclusive roupas para as meninas. Também foi preso, mas liberado por estar doente. Dizem que adoeceu pela tensão no período que ele cuidava da família. Morreu em 1959.

Bep Voskuijl (Elli): Era a ajudante mais nova da família, com 23 anos. Foi a última a saber dos que estavam escondidos. Ela trabalhava no armazém com o seu pai, Johan. Quando recebeu a confiança, passou a levar mantimentos e até a matricular-se em cursos para receber materiais e ceder às meninas. Era muito querida por Anne e chegou a dormir uma noite no anexo a pedido da garota. Conseguiu fugir na época da invasão e não foi presa. Morreu em 1983.

Johan Voskuijl (chamado de Vossen no livro): Era pai de Bep, funcionário do armazém, e só ficou sabendo do esconderijo depois. Tinha muita habilidade em carpintaria e presenteava a família Frank com alguns objetos. Ajudou muito a todos até descobrir um câncer no estômago. Ele morreu em 1945.

As versões do diário de Anne Frank

Após a invasão policial, o anexo foi destruído, mas Miep, que era uma das amigas da família, encontrou o diário, entregando-o, anos depois, a Otto Frank. O pai de Anne foi o responsável pela publicação das anotações da filha.

O primeiro livro foi publicado em 1947 e tornou-se uma das obras mais lidas do mundo, sendo traduzida para dezenas de idiomas.

Existem quatro versões do diário.

Primeira versão: manuscrito original, sem cortes.

Segunda versão: revisada pela própria Anne, que escutou um dia no rádio que as cartas, diários e anotações históricas poderiam ser publicadas quando a guerra acabasse. Por isso, a jovem decidiu reescrever o diário usando nomes falsos: a família Frank é chamada de Robin, e os Van Pels eram chamados de Van Daan.

Terceira versão: editada por Otto Frank, em 1947, na qual omitiu detalhes considerados desnecessários, como as reflexões da garota sobre sexualidade e as brigas com a mãe.

Quarta versão: organizada pela escritora Mirjam Pressler, e lançada em 1995, na qual resgata os trechos excluídos pelo pai em 1947.

Homenagens a Anne Frank

Atualmente, o local onde Anne e sua família esconderam-se transformou-se em um dos pontos turísticos mais visitados de Amsterdã. O imóvel foi restaurado para manter-se a aparência próxima à original.

A Casa de Anne Frank, em Amsterdã, está localizada na rua Prinsengraght, 263, mesmo local onde ficava o anexo secreto. O diário original de Anne também está exposto no local.

Exposição no museu de cera Madame Tussaauds [8]
Exposição no museu de cera Madame Tussaauds [8]

O Museu Madame Tussauds, em Londres, maior museu de cera do mundo e famoso por possuir esculturas de diversas personalidades históricas e atuais, possui um espaço para homenagear Anne Frank. Já na Alemanha, onde a jovem nasceu, o Museu Judaico de Frankfurt reúne objetos da família.

Observação: Todas as citações de O diário de Anne Frank neste artigo foram feitas com referência à publicação no livro pela Editora Pé da Letra, traduzido para o português, de novembro de 2019.

Crédito das imagens

[1] Collectie Anne Frank Stichting Amsterdam

[2] Reprodução do Site Anne Frank

[3] Chameleons Eye/Shutterstock

[4] Reprodução do Site Anne Frank

[5] Ivica Drusany / Shutterstock

[6] chrisdorney / Shutterstock

[7] Ronald Wilfred Jansen / Shutterstock

[8] Anton_Ivanov / Shutterstock

 

Por Giullya Franco
Jornalista

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FRANCO, Giullya. "Anne Frank"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/biografia/anne-frank.htm. Acesso em 14 de julho de 2020.