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Química do Viagra

Química

Ao conhecer a composição química do viagra, podemos entender como esse medicamento é capaz de tratar a disfunção erétil.
O medicamento viagra auxilia diversos homens que possuem disfunção erétil
O medicamento viagra auxilia diversos homens que possuem disfunção erétil
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Viagra é o nome dado ao primeiro medicamento que foi desenvolvido com o objetivo de auxiliar homens que apresentam um distúrbio chamado de disfunção erétil (ED) ou impotência sexual. Essa desordem, que atinge cerca de 22 a 52% da população masculina, provoca grande impacto negativo na qualidade de vida do homem.

Entende-se por disfunção erétil ou impotência sexual a dificuldade que um homem apresenta em manter o pênis ereto para realizar ou manter uma relação sexual. Esse problema pode ser desencadeado por vários fatores, destacando-se diabetes, envelhecimento, hipertensão, altos níveis de colesterol, aterosclerose, depressão, sedentarismo e a utilização de fumo e alguns tipos de medicamentos, como o propranolol e a fluoxetina. Acreditou-se por muito tempo que fatores psicológicos eram o principal causador desse transtorno, mas hoje se sabe que o maior responsável pela disfunção são os problemas vasculares.

A ereção é um processo neurovascular que ocorre graças à estimulação sexual e ao aumento da quantidade de sangue no corpo cavernoso. Essa região, composta por duas colunas longitudinais na parte dorsal, constitui a maior parte do pênis e é formada por vários espaços lacunares que se encontram interconectados e permitem o fluxo de sangue no momento da ereção. Conforme o sangue penetra no tecido do corpo cavernoso, este se expande e comprime os vasos que irrigam o pênis, retendo sangue no órgão e tornando-o ereto.

Para que a ereção ocorra, é necessária a liberação, por parte das células do organismo, de uma substância chamada monóxido de nitrogênio (NO) no interior do corpo cavernoso. A presença da substância NO promove a produção de uma enzima chamada guanilato ciclase, que induz a produção de uma substância chamada guanosina monofosfatase cíclica (Gmpc), a qual promove o relaxamento da musculatura do pênis, a irrigação de sangue e, consequentemente, a ereção. Todavia, sua presença desencadeia a produção de uma enzima que age contra ela (degradando-a) e inibe a ereção. A enzima em questão é a fosfodiesterase-5.

Assim, a enzima fosfodiesterase age contra a guanosina monofosfatase, fazendo com que ocorra uma contração da musculatura do pênis e, consequentemente, a saída do sangue do seu interior. Com isso, a ereção é interrompida.

Em homens que possuem disfunção erétil, a liberação da enzima fosfodiesterase ocorre de forma muito rápida. Por esse motivo, o homem perde a ereção mais rápido ou nem chega a tê-la. É exatamente nessa questão que o viagra atua, ou seja, ele impede que a enzima fosfodiesterase seja produzida, permitindo a ação completa e por mais tempo da guanosina monofosfatase.

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Quimicamente falando, o viagra é composto por um princípio ativo (substância que atua em uma determinada doença) denominado de Sildenafil. Essa substância apresenta em sua composição os elementos químicos carbono (C), hidrogênio (H), oxigênio (O), nitrogênio (N) e enxofre (S), que formam funções químicas como amina, éter e amida. Veja a fórmula estrutural do Sildenafil:

Fórmula estrutural do princípio ativo do Viagra
Fórmula estrutural do princípio ativo do Viagra

Além do Sildenafil, outras duas moléculas foram desenvolvidas por cientistas para o tratamento da disfunção erétil masculina, como o Cialis (cujo princípio ativo é o Tadalafil) e o Levitra (cujo princípio ativo é o verdenafil). Veja a fórmula estrutural do Tadalafil e do Verdenafil:

Fórmula estrutural do princípio ativo do Cialis
Fórmula estrutural do princípio ativo do Cialis

Fórmula estrutural do princípio ativo do Levitra
Fórmula estrutural do princípio ativo do Levitra

Analisando e comparando as fórmulas estruturais dos princípios ativos utilizados para tratar a disfunção erétil, podemos observar que eles apresentam as mesmas funções orgânicas, mas com detalhes estruturais diferentes. A ação provocada por ambos no organismo humano é similar, isto é, possuem como ação básica a inibição da produção da enzima fosfodiesterase tipo 5 (PDE5), o que mantém a ereção por mais tempo.

Veja uma relação das funções orgânicas presentes em cada um dos princípios ativos:

  • Sildenafil: amina, amida, éter e sulfurado;

  • Tadalafil: amina, amida e éter;

  • Verdanafil: amina, amida, éter e sulfurado.

As diferenças estruturais nas moléculas químicas fazem com que cada uma delas atue na inibição da enzima fosfodiesterase de forma diferente. Essa diferença está no tempo de inibição da enzima. A Sildenafil começa a agir cerca de 12 minutos após a ingestão e dura até 12 horas. A Verdanafil começa a agir cerca de 15 minutos após a ingestão e dura até 12 horas. A tadalafil age cerca de 40 minutos após a ingestão, mas seu efeito pode durar por até 36 horas.

É importante frisar que, além dos inibidores de fosfodiesterase, existem outros tratamentos para a disfunção erétil, como a autoinjeção intracavernosa com drogas vasoativas e o implante de prótese peniana. Além disso, recomenda-se que, além desses tratamentos, seja realizado acompanhamento psicológico.


Por Me. Diogo Lopes Dias e Ma. Vanessa dos Santos

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

DIAS, Diogo Lopes; SANTOS, Vanessa Sardinha dos. "Química do Viagra"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/quimica/quimica-viagra.htm. Acesso em 19 de julho de 2019.

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