Hibridização do carbono

A hibridização do carbono demonstra como os orbitais atômicos do carbono se combinam para formar as ligações covalentes. Pode ser do tipo sp3, sp2 e sp.

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Hibridização do carbono é um fenômeno que ocorre em função da combinação dos orbitais atômicos de valência s e p deste átomo. Após essa combinação, formam-se os chamados orbitais híbridos, os quais vão envolver um orbital s do subnível 2s e até três orbitais p do subnível 2p. A hibridização é essencial para explicar as estruturas e as ligações covalentes realizadas pelo átomo de carbono.

A hibridização do carbono pode ser do tipo sp3, por meio da combinação do orbital s com os três orbitais p. Quando isso ocorre, o carbono adota geometria tetraédrica e realiza quatro ligações simples. Outro tipo de hibridização pode ser a sp2, onde são combinados um orbital s e dois orbitais p. Quando isso ocorre, o carbono adota a geometria trigonal plana e realiza uma ligação dupla e duas ligações simples. Por fim, na hibridização sp, ocorre a combinação do orbital s com um orbital p. Nesse tipo de hibridização, o carbono adota geometria linear, realizando uma ligação tripla e uma ligação simples, ou duas ligações duplas.

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Leia também: Como determinar a geometria de uma molécula

Tópicos deste artigo

Resumo sobre hibridização do carbono

  • A hibridização do carbono ocorre quando o carbono combina seus orbitais s e p de valência, formando orbitais híbridos.
  • Os orbitais híbridos justificam os parâmetros das ligações covalentes realizadas pelos átomos de carbono.
  • A hibridização sp3 ocorre quando há a combinação de um orbital s e mais três orbitais p, com o carbono adotando um arranjo tetraédrico.
  • A hibridização sp2 ocorre quando há a combinação de um orbital s e mais dois orbitais p, com o carbono adotando um arranjo trigonal plano.
  • A hibridização sp ocorre quando há a combinação de um orbital s com um orbital p, com o carbono adotando um arranjo linear.

O que é hibridização do carbono?

Representações geométricas da hibridização do carbono.
A hibridização do carbono ocorre por meio da combinação dos orbitais s e p de valência deste átomo. 

A hibridização (ou hibridação) do carbono é um fenômeno decorrente da hibridização de seus orbitais atômicos s e p de valência, formando os chamados orbitais híbridos. Os orbitais híbridos surgem após a combinação dos orbitais s e p do carbono.

O átomo de carbono possui uma distribuição eletrônica igual a 1s2 2s2 2p2, ou seja, com quatro elétrons de valência, indicando a possibilidade de formação de quatro ligações covalentes. Contudo, os elétrons contidos no orbital 2p (orbital é a região onde se localiza o elétron) são mais energéticos que os existentes no orbital 2s e, dessa forma, a utilização dos elétrons dos orbitais 2p para a formação de ligações químicas acabaria resultando em ligações distintas daquelas formadas com os elétrons do orbital 2s. Porém, não é isso que ocorre. No caso do metano, CH4, vê-se que as quatro ligações C−H são idênticas.

Por isso, utilizou-se a ideia de orbitais híbridos, teoria introduzida por Linus Pauling em 1931, para explicar a formação dos compostos de carbono. Os orbitais híbridos são uma mistura dos seus orbitais de origem, carregando consigo características destes, mas que terão a mesma energia e, assim sendo, entregarão ligações quimicamente iguais. No caso específico do carbono, veremos a hibridização (combinação) entre os orbitais dos subníveis 2s e 2p.

Hibridização sp3 do carbono

Cada subnível é formado por orbitais, onde cada orbital é capaz de alocar até dois elétrons. No caso do carbono, ao analisarmos sua camada de valência, reparamos que, em seu estado fundamental, os quatro elétrons presentes estão divididos no orbital 2s e em dois orbitais do subnível 2p.

Para poder formar as quatro ligações covalentes, o carbono promove um dos elétrons do subnível 2s para o orbital vazio no subnível 2p, atingindo o chamado estado excitado. Dessa forma, ele passa a ter o que chamamos de quatro elétrons desemparelhados no seu nível de valência. São esses elétrons desemparelhados que serão usados para a formação das ligações covalentes. Veja na imagem a seguir (as caixinhas representam os orbitais de cada subnível, os quais podem suportar até dois elétrons).

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Quadrados e setas em representação da hibridização sp3 do carbono.

Porém, os quatro elétrons desemparelhados do estado excitado apresentam energias diferentes: aqueles presentes no subnível 2p são mais energéticos do que o elétron no subnível 2s. Dessa forma, perceberíamos ligações covalentes distintas, com energia e comprimento diferentes. Mas, como se sabe, não é o que se percebe nos compostos de carbono.

Dessa forma, o carbono faz a hibridização dos quatro orbitais, formando quatro orbitais híbridos equivalentes, de mesma energia (o que chamamos na Química de “degenerados”), os quais passam a ser chamados de sp3 (lê-se s-p-três). Os orbitais híbridos sp3 formados apresentam 25% de caráter s e 75% de caráter p. Perceba que os quatro orbitais híbridos 2sp3 apresentam uma energia intermediária entre os subníveis 2s e 2p.

Espacialmente, os quatro orbitais híbridos sp3 se orientam em ângulos de 109,5° entre si, adotando, portanto, um arranjo tetraédrico. Dessa forma, esses orbitais adotam a maior distância angula possível, minimizando as repulsões eletrônicas. Isso explica o porquê do carbono que realiza quatro ligações covalentes simples ter a geometria tetraédrica.

Observe a imagem abaixo. A combinação dos orbitais s e p (diferenciados como px, py e pz) forma quatro orbitais híbridos sp3, que se orientam num arranjo tetraédrico.

Representação da hibridização sp3 do carbono num arranjo tetraédrico.
Legenda

Para a formação do metano, portanto, os elétrons de valência dos átomos de hidrogênio, combinam-se com os elétrons de valência do carbono, agora localizados nos orbitais híbridos sp3. Assim, consegue-se justificar o porquê de as quatro ligações C−H do metano serem idênticas.

Representação da hibridização sp3 do carbono na formação do metano.
Demonstração das ligações C−H do metano.

Para o etano, C2H6, a ideia é a mesma. A diferença é que uma das ligações, no caso a ligação C−C, será formada pela sobreposição dos orbitais sp3 de cada carbono.

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Representação da hibridização sp3 do carbono na formação do etano.
Demonstrativo da estrutura do etano.

Na imagem vê-se a grafia de ligação sigma (σ). No caso, todas as ligações covalentes inteiramente simples são ligações sigma.

→ Videoaula sobre hibridização sp3 do carbono

Hibridização sp2 do carbono

A hibridização sp2 ocorre quando o carbono realiza uma ligação covalente dupla. Dessa forma, o carbono continua realizando quatro ligações, porém fica ligado a apenas três átomos (a um deles, por meio de uma ligação covalente dupla).

Como são três átomos que serão ligados, então o carbono realiza a hibridização de apenas três orbitais atômicos após atingir o estado excitado: o que está presente no subnível 2s, mais dois que estão disponíveis no subnível 2p. Assim, formam-se três orbitais híbridos sp2 (que apresentam a mesma energia), restando um orbital do subnível 2p, o qual não participa.

Representação da hibridização sp2 do carbono e dos orbitais híbridos.

A fim de obterem a maior distância possível, minimizando as repulsões eletrônicas, os três orbitais híbridos sp2 adotam uma geometria trigonal plana. O orbital p remanescente, não hibridizado, fica perpendicular ao plano formado pelos orbitais híbridos. Assim, é por isso que os átomos de carbono que realizam uma ligação covalente dupla e duas ligações simples possuem geometria trigonal plana.

Observe a imagem abaixo. Os três orbitais híbridos sp2 formam um plano com distância de 120° entre si. O orbital p não hibridizado fica perpendicular a esse plano (ângulo de 90°).

Representação da hibridização sp2 do carbono numa geometria trigonal plana.

Para a formação do eteno, C2H4, os três orbitais híbridos sp2 de cada carbono formarão as duas ligações sigma C−H e a ligação sigma C−C. Os orbitais p não hibridizados, entretanto, podem também se sobrepor, formando uma ligação adicional entre os dois átomos de carbono (o que justifica a ligação covalente dupla). Essa ligação adicional, fruto da sobreposição dos elétrons contidos nos orbitais p não hibridizados, é chamada de ligação pi (π).

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Representação da hibridização sp2 do carbono na formação do eteno.
Formação das ligações no eteno.

Hibridização sp do carbono

A hibridização sp ocorre quando os átomos de carbono realizam uma ligação covalente tripla. Dessa forma, o átomo de carbono, apesar de manter a realização de quatro ligações covalentes, liga-se a apenas dois átomos distintos. Como são apenas dois átomos que irão se ligar ao carbono, apenas dois orbitais são hibridizados: o orbital s do subnível 2s e um dos orbitais p do subnível 2p. Teremos a formação de dois orbitais híbridos sp degenerados, com dois orbitais p não hibridizados.

Representação da hibridização sp do carbono e dos orbitais híbridos

Os orbitais híbridos sp formados, para apresentarem a maior distância possível, adotam uma distância angular de 180°, em um arranjo linear. É por isso que átomos de carbono que realizam uma ligação covalente tripla apresentam geometria linear.

Representação da hibridização sp do carbono e do arranjo linear.
Demonstração do arranjo linear adotado após formação dos dois orbitais híbridos sp.

Na formação do etino, C2H2, percebemos como se forma, portanto, a ligação tripla. Os dois orbitais híbridos sp de cada átomo de carbono formarão as ligações covalentes sigma C−C e C−H. Já os dois orbitais p não hibridizados de ambos os carbonos irão se sobrepor para formar duas ligações pi, ocasionando na ligação tripla.

Representação da hibridização sp do carbono na estrutura do etino.
Estrutura do etino a partir da sobreposição dos orbitais atômicos.

A hibridização sp também ocorre nos casos em que o carbono realiza duas ligações duplas (=C=), como no dióxido de carbono ou nos alcadienos acumulados. No caso do CO2, por exemplo, o carbono é o elemento central, onde ele utiliza seus dois orbitais híbridos sp para realizar uma ligação covalente sigma com cada átomo de carbono. Os dois orbitais p não hibridizados irão formar a ligação covalente pi com cada átomo de carbono.

Saiba mais: O que diz a regra do octeto?

Exercícios resolvidos sobre hibridização do carbono

Questão 1. (UFAM – PSC – 3ª Etapa/2023) Considere a fórmula estrutural do hidrocarboneto a seguir:

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Fórmula estrutural de um hidrocarboneto em exercícios sobre hibridização do carbono.

A sequência CORRETA para os estados de hibridização dos carbonos 2, 3, 5 e 6, indicados na figura, é:

  1. sp, sp3, sp2 e sp3.
  2. sp, sp2, sp3 e sp2.
  3. sp3, sp2, sp2 e sp.
  4. sp, sp2, sp2 e sp3.
  5. sp, sp3, sp3 e sp2.

Resposta: Letra A.

O carbono 2 apresenta uma ligação tripla e uma ligação simples, portanto, apresenta hibridização sp.

O carbono 3 apresenta quatro ligações simples, portanto, apresenta hibridização sp3.

O carbono 5 apresenta uma ligação dupla e duas ligações simples, portanto, apresenta hibridização sp2.

O carbono 6, como o carbono 3, apresenta quatro ligações simples, portanto, apresenta hibridização sp3.

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Questão 2. (UEA – Específico Biológicas/2023) A região amazônica é rica em biodiversidade. Uma das árvores frutíferas dessa região brasileira é o camucamuzeiro (Myrciaria dubia), cujo fruto, que pode ser chamado camu-camu, caçari ou araçá-d’água, é extremamente rico em vitamina C. A fórmula estrutural da vitamina C é:

Fórmula estrutural da vitamina C em exercícios sobre hibridização do carbono.

Os tipos de hibridização dos orbitais do átomo de carbono indicado na fórmula estrutural da vitamina C pela seta vermelha 1 e pela seta vermelha 2 são, respectivamente:

  1. sp e sp2.
  2. sp3 e sp.
  3. sp2 e sp.
  4. sp3 e sp2.
  5. sp2 e sp3.

Resposta: Letra D.

O carbono indicado pela seta 1 realiza apenas ligações simples, dessa forma, apresenta hibridização sp3. O carbono indicado pela seta 2 realiza uma ligação dupla e duas ligações simples, dessa forma, apresenta hibridização sp2.

Fontes

BRUICE, P. Y. Organic Chemistry. 8. ed. Upper Saddle River, Nova Jersey: Pearson Education Inc., 2015.

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SOLOMONS, T. W. G.; FRYHLE, C. B.; SNYDER, S. A. Química Orgânica: volume 1. 12. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2018.

Escritor do artigo
Escrito por: Stéfano Araújo Novais Stéfano Araújo Novais, além de pai da Celina, é também professor de Química da rede privada de ensino do Rio de Janeiro. É bacharel em Química Industrial pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e mestre em Química pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Deseja fazer uma citação?
NOVAIS, Stéfano Araújo. "Hibridização do carbono"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/quimica/hibridizacao-carbono.htm. Acesso em 22 de julho de 2026.
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Videoaulas


Título "Hibridização sp² do carbono" escrito em fundo laranja com professor ao lado.
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Título "Hibridização sp do carbono" escrito em fundo laranja ao lado do professor.
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Palavra "Hibridização" escrita em fundo laranja ao lado da imagem do professor fazendo sinal de positivo
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Professor ao lado do texto"Hibridização Sp".
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"Hibridização sp³ do carbono" escrito sobre fundo laranja ao lado da imagem do professor
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"Classificação do Elemento Carbono" escrito sobre fundo vermelho ao lado da imagem do professor
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Lista de exercícios


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Exercício 1

O número de ligações químicas que um átomo é capaz de realizar está relacionado com o número de orbitais atômicos incompletos que ele apresenta em sua camada de valência. Assim sendo, qual das relações propostas a seguir não está de acordo com essa teoria?

a) Cloro, capaz de realizar uma ligação química.

b) Hidrogênio, capaz de realizar uma ligação química.

c) Carbono, capaz de realizar duas ligações químicas.

d) Nitrogênio, capaz de realizar três ligações químicas.

e) Oxigênio, capaz de realizar duas ligações químicas.

Exercício 2

Dada a fórmula estrutural abaixo:

Qual dos elementos químicos presentes nessa estrutura sofre o fenômeno denominado de hibridização?

a) Hidrogênio

b) Carbono

c) Oxigênio

d) Nitrogênio

e) Flúor

Exercício 3

Para a realização de quatro ligações químicas, os átomos do elemento químico carbono devem sofrer um fenômeno em que os elétrons de sua camada de valência sofrem uma excitação energética. Assim, um elétron que estava emparelhado (no subnível 2s) é deslocado para o orbital 2p vazio. Por fim, os orbitais são unidos. Esse fenômeno é denominado:

a) Eletrólise

b) Salto quântico

c) Redução

d) Hibridização

e) Oxidação

Exercício 4

O elemento químico carbono possui número atômico 6, assim, a sua distribuição eletrônica é 1s2 2s2 2p2. Como cada orbital comporta no máximo 2 elétrons, e os subníveis s e p apresentam, respectivamente, 1 e 3 orbitais na camada de valência, haverá 2 elétrons no subnível 2s e dois orbitais p ocupados com 1 elétron.

Ao receber energia do meio externo, um elétron do subnível 2s é deslocado para o orbital vazio do subnível 2p. Em seguida, esses orbitais são unidos.

A respeito da união desses orbitais, a hibridização é

a) sp2

b) sp

c) s-sp2

d) s-sp3

e) sp3

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