Século XIX

O século XIX inicia no ano de 1801 e vai até o final de 1900. Foi um período que transformou o mundo contemporâneo com profundas transformações políticas, sociais, artísticas e científicas.

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O século XIX teve início no ano de 1801 e serviu de consolidação para as transformações causadas pelo advento da Idade Contemporânea. Guerras entre impérios, o avanço do capitalismo industrial e as novas descobertas da ciência e tecnologia, incentivadas pelo positivismo e empirismo, definiram o cotidiano das populações tanto ocidentais quanto orientais, frequentemente molestadas pelas mudanças e exigências demandadas pelas potências daquele período.

Das intensas revoluções de libertação da América até o ingênuo período de Belle Époque europeia, ou mesmo das Guerras Napoleônicas à invenção do automóvel, a compreensão da história do século XIX é uma das mais significativas no que diz respeito à compreensão da contemporaneidade.

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Leia também: Era Vitoriana — o longo reinado que atravessou grande parte do século XIX

Tópicos deste artigo

Resumo do século XIX

  • O século XIX corresponde aos anos de 1801 até o final de 1900.
  • Foi marcado por acontecimentos importantes como:
    • a expansão do Império Francês, comandando por Napoleão Bonaparte;
    • o fim das guerras napoleônicas e a redefinição dos territórios geopolíticos da Europa de forma semelhante à que conhecemos atualmente;
    • a Primavera dos Povos (1848) e as revoltas pelo fim do absolutismo;
    • a unificação da Alemanha e da Itália (1871);
    • a independência do Haiti, em 1804, primeiro país latino-americano a conquistar o feito;
    • a independência do Brasil, em 1822, único país americano a se tornar uma monarquia;
    • Conferência de Berlim, final do século XIX, e a partilha da África pelas nações imperialistas, especialmente representadas pela Europa;
    • conflitos como a Guerra do Paraguai, a Guerra dos Cipaios, a Guerra do Ópio, a Guerra da Secessão e a Guerra da Crimeia.
  •  Na história do Brasil, temos:
    • a chegada da família real portuguesa (1808);
    • a independência proclamada por D. Pedro I (1822);
    • a criação da primeira Constituição (1824);
    • o longo reinado de D. Pedro II;
    • crise política e a eclosão de diversas revoltas, como a Cabanagem, a Sabinada, a Balaiada e a Revolução Farroupilha.
    • a abolição da escravidão em 1888 (o último país a abolir a escravidão);
    • a Proclamação da República (1889);
  • A filosofia e as ciências do século XIX também foram marcadas pelos seguintes acontecimentos:
    • o surgimento da sociologia como disciplina, uma resposta à reafirmação do capitalismo industrial;
    • a propagação do método positivista incentivado por Auguste Comte;
    • conquistas que mudaram a forma de compreender a vida e o mundo, como a teoria da evolução, a genética, a pasteurização, o raio-x e a tabela periódica.

Qual ano faz parte do século XIX?

O século XIX (dezenove) por constituir o décimo nono século d.C. do calendário gregoriano, inicia-se no ano de 1801 e se encerra com o término do ano de 1900, correspondendo, portanto, às seguintes datas:

  • Início do século XIX: 1 de janeiro de 1801.
  • Fim do século XIX: 31 de dezembro de 1900.

Principais acontecimentos do século XIX

O século XIX constituiu um período de profundas mudanças em todo o mundo, principalmente em decorrência do início da Idade Contemporânea, em 1789 – que, apesar de se referir a um contexto da história ocidental, influenciou na trajetória de todas as sociedades. Observe a seguir os principais acontecimentos que permearam os anos entre 1801 e 1900.

→ Política no século XIX

De todos os tópicos que veremos a partir daqui, este é potencialmente o mais complexo. De 1801 a 1900, houve incontáveis eventos políticos que a longo prazo definiram novas nações, alianças, atritos e guerras. Por isso, vamos analisar os principais eventos políticos que definiram a história de cada continente do mundo.

  • Na Europa

Pintura de c.1850 demonstra cenário urbano de Londres no século XIX.
Cenário urbano de Londres no século XIX. A Europa era o continente mais poderoso do mundo no contexto político.

No contexto político do século XIX, a Europa constituía o continente mais poderoso do mundo, mas as transformações pelas quais passou definiriam os anos seguintes da contemporaneidade. Por lá, os “anos 1800” se iniciaram com a expansão do Império Francês liderado por Napoleão Bonaparte, entre 1804 a 1815, cuja derrota levou à criação de duas instituições: a Aliança Conservadora entre Rússia, Áustria e Prússia, consolidada como reação à disseminação do Iluminismo; e o Congresso de Viena, que restaurou a monarquia francesa após a queda do imperador.

O que se seguiu no continente, por sua vez, foi uma série de novos atritosmuitos deles ocorridos apenas no ano de 1830:

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  • diversos grupos liberais e nacionalistas franceses contestaram a restauração da monarquia, levando a um conflito que resultou na formação de um regime constitucional;
  • na Polônia, iniciou-se uma revolta contra o domínio da Rússia czarista, dando-se início a um conflito (reprimido pelos russos); e
  • na Bélgica, a independência sobre os Países Baixos foi alcançada após o fracasso holandês em conter os revoltosos.

Os anos de 1848 e 1849 foram particularmente importantes no que se refere às revoluções, que foram conduzidas dentro de dezenas de Estados europeus. Esse período, conhecido como Primavera dos Povos, foi provocado por diversas razões, como a primeira recessão industrial do mundo (1847), decorrente do aumento populacional desproporcional à produção e distribuição de alimentos pelo continente europeu, o descontentamento com os absolutismos, as questões nacionalistas, entre outros.

Além desses fatores, grande parte dos Estados era até então absolutista e excluía, com exceção da França e da Grã-Bretanha, a participação direta da burguesia na política. Como resultado, cerca de 50 mil pessoas morreram entre os protestos, tentativas de golpe ou resistência contra seus grupos de oposição, embora as revoltas em grande escala tenham resultado na extinção do absolutismo com resquícios do feudalismo, a instauração de diversas monarquias constitucionais ou repúblicas, entre outras consequências.

Na segunda metade do século, criaram-se dois Estados unificados na Europa: a Itália (1861-1871), consolidada após a vitória do rei de Piemonte-Sardenha Vítor Emanuel II (auxiliado por Giuseppe Garibaldi) sobre os demais estados da Península Itálica; e a Alemanha (1871), conduzida pelo prussiano Otto von Bismarck, que resultou na formação do II Reich liderado pelo rei Guilherme I.

  • Na América 

A complexidade do cenário geopolítico permeada no século XIX não foi, por sua vez, exclusividade do continente europeu. Desde o advento da Revolução Francesa, em 1789, muitas nações ocidentais passaram a se inspirar nos valores do Iluminismo, total ou parcialmente, para se libertarem da opressão de seus colonizadores.

Na América Latina, o primeiro país a se tornar independente foi o Haiti (1804) sua condução foi também resultado da revolta mais bem-sucedida da história dos povos africanos sobre os dominadores europeus —, seguido da libertação dos povos hispano-americanos (fundadores da Argentina, Bolívia, Colômbia, Paraguai, México, Venezuela, Chile, Equador e Peru) e dos diversos países situados na América Central (Costa Rica, Honduras, Guatemala, Nicarágua e El Salvador). No Brasil, a independência sobre Portugal foi declarada em 1822, mas ao contrário dos demais países da América Latina, que aderiram a repúblicas, o modelo de governo adotado por aqui foi a monarquia.

Na América do Norte, a Doutrina Monroe, de perfil imperialista, estipulou a soberania da América contra a influência europeia, mas ao mesmo tempo configurou o pretexto necessário para que os EUA passassem a colonizar os outros países americanos. Com a Guerra Mexicano-Estadunidense (1846-1848), mais da metade do território do México foi perdida para os EUA; entre 1861 e 1865, a Guerra da Secessão levou os estados confederados à derrota, tendo como principal consequência a abolição da escravidão no país. Até o final do século, os EUA expandiram o seu território até o Oceano Pacífico, incentivados pela doutrina do Destino Manifesto. 

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  • África, Ásia e Oceania

Os continentes da África, da Ásia e da Oceania foram igualmente afetados, de maneira negativa, pelas políticas imperialistas acordadas entre as potências europeias ao final do século XIX. A partilha da África, representada pela Conferência de Berlim (1884-1885), estipulou a possessão de todo o continente africano, ainda que em proporções desiguais, pela França, Reino Unido, Espanha, Alemanha, Bélgica, Itália e Portugal.

Dois governantes europeus dividindo uma torta em alusão à partilha da África no século XIX.
A partilha da África marcou a política imperialista do século XIX.

Na Ásia, os domínios territoriais passaram a ser exercidos principalmente por ingleses, franceses, holandeses e pelo Japão, que havia emergido como potência imperialista asiática e reivindicado seu domínio especialmente sobre a China. O Japão foi o único país asiático a se tornar imperialista.

O violento processo de neocolonização exercido pelas nações imperialistas resultou em milhões de mortes de povos nativos com o passar dos anos, muitas vezes por meio de extermínios em massa, como no massacre belga do Congo, no qual cerca de 10 milhões de africanos foram assassinados, entre 1885 e 1908, por ordens do rei Leopoldo II da Bélgica. Esse foi um dos maiores genocídios de toda a história. Na Oceania, a exploração territorial foi partilhada entre o Império Britânico, França, Alemanha e Estados Unidos (este, anexando o território do Havaí a seus domínios).

→ Guerras do século XIX

Como sugerimos no tópico anterior, os eventos políticos ocorridos por todo o mundo trouxeram diversas consequências violentas, refletidas por meio de guerras. Leia a seguir as mais impactantes delas, em ordem cronológica, no cenário global:

  • Guerras Napoleônicas (1803-1815)

O brilhantismo de Napoleão Bonaparte não se ateve apenas a estratégias militares, conforme ele demonstrou com o Golpe de 18 Brumário, em 1799, aproveitando-se da fragilidade política da França pós-revolucionária. Na qualidade de imperador, passou a consolidar o Bloqueio Continental, que cercava as rotas marítimas da Europa para enfraquecer o comércio britânico, e a reivindicar territórios por todo o continente. Isso fez com que as potências rivais, entre as quais o Reino Unido, o Império Austríaco, o Império Russo, entre outros, designassem sete coalizões antifrancesas.

Pintura retratando Napoleão e seus soldados a cavalo, voltando de uma batalha no início do século XIX.
Napoleão Bonaparte retornando da cidade de Soissons após a Batalha de Laon (1814).

Após mais de uma década de guerra, a França foi derrotada e todo o mapa geopolítico da Europa foi redesenhado por meio do Congresso de Viena (1815), tendo como outras consequências cerca de 3,5 milhões de mortos, o fortalecimento dos movimentos de independência na América e a fuga da família real portuguesa para o Brasil.

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  • Guerras do Ópio (1839-1842/ 1856-1860)

As Guerras do Ópio foram travadas por interesses econômicos da Grã-Bretanha contra a China. O país asiático exportava seda, porcelana e chá para os ingleses, mas comprava muito pouco dos produtos europeus. A solução dos ingleses foi vender ópio trazido da Companhia das Índias Orientais para a população chinesa, que passava por críticos problemas de vício com a droga, mesmo com as medidas do governo asiático em proibir ou mesmo diminuir o seu tráfico.

A ação britânica passou a depreciar a economia nacional chinesa e a financiar graves casos de vício em ópio, sob o pretexto de exercerem o direito da economia liberal. Com a destruição de um lote de cerca de 20 mil caixas de ópio, por parte da China, a Grã-Bretanha declarou a Primeira Guerra do Ópio. Apesar de um período de trégua, cerca de catorze anos depois, a Segunda Guerra do Ópio ascendeu como pretexto para a Inglaterra revisar os termos do conflito anterior, sentindo-se lesada pelos acordos que ainda restringiam o comércio britânico de ópio no Oriente. Dessa vez, derrotada, a China foi obrigada a abrir mais portos para os europeus e a legalizar a droga.

A Guerra da Crimeia foi travada pela aliança criada pelo Império Turco Otomano (incluindo a França, o Reino Unido e outros) para combater o avanço expansionista do Império Russo. O pretexto para o conflito se tornou rapidamente religioso, dada a exigência do Czar Nicolau I em se tornar o protetor dos cristãos ortodoxos em território otomano. A primeira invasão russa ocorreu nos Principados do Danúbio, no atual território da Romênia, e se estendeu principalmente pela Península da Crimeia, embora tenha sido contida pelos turcos otomanos e seus aliados.

A possessão britânica sobre grande parte da Índia trouxe imenso descontentamento entre a população colonizada. Os chamados “cipaios” eram combatentes indianos a serviço da Inglaterra que acumularam anos de frustrações vindas do tratamento etnocentrista dos europeus sobre o seu povo, refletido no racismo e em baixíssimos salários.

Seu estopim ocorreu quando os cipaios receberam um lote de fuzis ingleses Enfield, cujos cartuchos eram untados com graxa de vaca (sagrada para a cultura hindu) e porco (impuro para os religiosos muçulmanos) — era necessário mordê-los para munir a arma, algo que ofendeu profundamente os combatentes hindus e muçulmanos por questões religiosas.

A guerra iniciada pelos cipaios, que também ficou conhecida como “Revolta dos Cipaios”, foi rechaçada pelos britânicos, que passaram a impor sobre o país asiático ainda mais controle e violência; por outro lado, o conflito serviu de incentivo moral para a ascensão do nacionalismo indiano e a dissolução da Companhia das Índias Orientais.

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A eleição presidencial que levou Abraham Lincoln à liderança dos Estados Unidos gerou insatisfação em grande parte dos estados ao sul do país que se negavam a abandonar a mão de obra escrava para gerar lucros em suas plantations. A proposta de industrialização do país, por parte de Lincoln, levou os representantes dos estados revoltosos a fundar uma confederação separatista, provocando uma guerra que resultou em cerca de 750 mil mortes. O resultado foi a derrota da confederação e a abolição oficial da escravidão no país, concedida em 1865.

Na segunda metade do século XIX, o Paraguai havia se tornado uma potência média do sul da América: era autossuficiente, moderno e adquiriu importantes relações diplomáticas com a França. O segundo presidente do país, Solano López, eleito em 1862, possuía ambições expansionistas para o Paraguai, principalmente na região economicamente influente da Bacia do Prata.

O atrito com os demais países pela região levou o Brasil, Argentina e Uruguai a fundarem a Tríplice Aliança, resultando em uma guerra que matou mais de 400 mil pessoas (inclusive, mais da metade da população masculina do Paraguai). Apesar da vitória brasileira no conflito, os custos com a guerra levaram D. Pedro II a solicitar caros empréstimos ao Reino Unido.

→ Economia do século XIX

Na Europa do século XIX, a economia vigente passou a ser baseada no capitalismo industrial, que já havia evidenciado algumas de suas características no século anterior, tornando o capitalismo comercial e mercantilista obsoleto. Como resultado, o ocidente europeu passou pela Segunda Revolução Industrial em meados do século, iniciada na Era Vitoriana inglesa e disseminada para outros países em processo de modernização.

O capitalismo industrial era muito mais lucrativo para as classes burguesas do que a mão de obra escrava (pois dispunha de um maior número de público consumidor, permitindo que os trabalhadores agora comprassem o que eles mesmos produziam), e por isso, a escravidão passou a ser abolida em diversos lugares do mundo. Ao mesmo tempo, expandiram-se as linhas ferroviárias pelo mundo, conectando importantes centros urbanos e facilitando o fluxo de mercadorias. 

→ Sociedade e filosofia do século XIX

A consolidação do capitalismo industrial no Ocidente gerou reações de filósofos e incentivou a criação da sociologia como disciplina que se dispôs a estudar as tensões sociais originadas do modelo econômico vigente. Filósofos e sociólogos como Émile Durkheim, Max Weber e Karl Marx se comprometeram a tais estudos, ao passo que outros pensadores se preocuparam com questões como o existencialismo (Søren Kierkegaard), o niilismo (Friedrich Nietzsche), o utilitarismo (John Stuart Mill) e o positivismo (Auguste Comte).

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A sociedade novecentista da Europa, ao final do século, também passou pelo período da Belle Époque (“Bela Época”), especialmente na França. O fenômeno consistia em uma atmosfera de otimismo, prosperidade e progresso. O motivo para tal sentimento foi a ingênua sensação de segurança advinda do término da Guerra Franco-Prussiana, encerrada em 1871, e seria dissolvida nos primeiros anos do século XX, principalmente devido à eclosão da Primeira Guerra Mundial, em 1914.

→ Cultura do século XIX

Pintura representando Frédéric Chopin tocando piano, cercado por membros da alta sociedade.
Na pintura, uma apresentação do pianista Frédéric Chopin, compositor renomado do século XIX.

A cultura emergente do século XIX pode ser atribuída a diversas sociedades do mundo, expressada por meio da música, da literatura, da pintura, entre outras. Na música, o romantismo foi o estilo mais evidente, prevalecendo ao classicismo por meio de composições que induziam a emoções e expressões pessoais, ao invés das formalidades até então convencionais à arte musical. O estilo foi demonstrado por diversos compositores renomados, como Beethoven, Chopin, Paganini, Schubert e Schumann, na Europa.

A ópera também recebeu destaque, dessa vez, a partir da segunda metade do século, popularizada principalmente na França (Bizet), na Alemanha (Wagner) e na Itália (Verdi). No Brasil, a miscigenação levou à criação de gêneros inspirados na música estrangeira: tivemos o surgimento da modinha, do maxixe e, mais tarde, do chorinho.

Capa de partitura de Chiquinha Gonzaga, grande nome da música brasileira no século XIX.
Chiquinha Gonzaga foi um grande nome da música brasileira no final do século XIX, e uma representante do choro.

Na literatura, os estilos mais proeminentes do século XIX, no Ocidente, foram o romantismo, o realismo e o naturalismo. O romantismo priorizava a expressão sentimental, a exaltação à natureza e o nacionalismo, abrindo espaço para autores estrangeiros como Mary Shelley, Victor Hugo, Edgar Allan Poe e os Irmãos Grimm, enquanto no Brasil, destacaram-se Gonçalves Dias, Álvares de Azevedo, Castro Alves, José de Alencar, entre outros. Vale também destacar a ascensão da ficção científica, com expoentes como Júlio Verne (“Vinte mil léguas submarinas”, “Viagem ao centro da Terra”, “Da Terra à Lua”) e H. G. Wells (“A Guerra dos Mundos”).

A pintura passou por diversas transformações no decorrer do século XIX, representada por movimentos como o neoclassicismo (que demonstrava eventos históricos), o romantismo (natureza e crítica social), o realismo (cotidiano e trabalho), o impressionismo (vida burguesa e urbana) e o pós-impressionismo (emoção por meio de cores e formas), cada um com a aplicação de suas próprias técnicas. Entre os expoentes de cada um desses gêneros, respectivamente, podemos citar Jacques-Louis David, Eugène Delacroix, Gustave Courbet, Claude Monet e Vincent van Gogh.

“A Noite Estrelada” (1889), de Vincent van Gogh, expoente pintor do século XIX.
“A Noite Estrelada” (1889), de Vincent van Gogh, expoente pintor do século XIX.

→ Ciência do século XIX

O positivismo conceituado por August Comte trouxe diversas consequências para o desenvolvimento científico do século XIX. Esse movimento intelectual buscava aplicar o empirismo em todos os campos do conhecimento, não apenas no âmbito das ciências, mas também dos estudos histórico-sociais. Apesar de incentivar o avanço científico em oposição ao dogmatismo religioso e às crenças populares, o positivismo trouxe diversas consequências negativas, como o surgimento de pseudociências como a eugenia, o determinismo e o etnocentrismo.

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Por sua vez, muitas descobertas científicas importantes para a história da humanidade, associadas ou não ao positivismo, surgiram no decorrer do século XIX.

  • Descobertas científicas do século XIX

Veja a seguir uma lista das principais descobertas científicas, os responsáveis por elas e por que elas foram importantes:

    • Espectrômetro (1859): os químicos alemães Gustav Kirchoff e Robert Bunsen inovaram a química analítica ao construírem um aparelho de análise de composições químicas por meio da emissão de luz. Com o espectrômetro, a dupla descobriu os elementos césio e rubídio.
    • Teoria da evolução (1859): Charles Darwin, naturalista britânico, revolucionou as ciências ao propor a evolução das espécies no decorrer do tempo. Isso explicaria todas as formas de vida que surgiram desde os primeiros sinais de atividade orgânica no planeta, influenciadas pelo grau de adaptabilidade proveniente da seleção natural e pela hereditariedade de cada espécie — tudo sem o conhecimento, ainda, da genética.
    • Pasteurização (1864): Louis Pasteur, químico francês, descobriu que o aquecimento metódico de líquidos ingeríveis, como o leite e a cerveja, neutralizava micro-organismos nocivos sem alterar os nutrientes ou o sabor do produto, prolongando o seu tempo de conservação. Pasteur também foi autor da vacina contra a raiva (1885) e provou que os micro-organismos nocivos à saúde provêm do próprio ambiente em que se posicionam e se manifestam, contrapondo a teoria da abiogênese (em que os seres vivos germinam da própria matéria inanimada).
    • Genética (1865): o cientista austríaco Gregor Mendel, considerado o “pai da genética”, percebeu em seus experimentos com ervilhas que diversas de suas características, como as cores e formas, eram passadas para os espécimes seguintes. Com isso, formulou os princípios da hereditariedade e da genética, abrindo espaço para a descoberta do DNA e dos cromossomos.
    • Tabela periódica (1869): o químico russo Dmitri Mendeleev distribuiu 60 elementos físico-químicos em uma única tabela que organizava os itens por períodos (as linhas), grupos (as colunas) e uma ordem crescente de peso atômico. O modelo da tabela foi amplamente aceito pelos cientistas e é utilizado universalmente até os dias de hoje.
Tabela periódica de Dmitri Mendeleev, uma descoberta do século XIX.
Tabela periódica originalmente organizada por Dmitri Mendeleev, 1869.
    • Microscópio composto aprimorado (décadas de 1870 e 1880): até o aprimoramento do microscópio pelos cientistas alemães Ernst Abbe e Carl Zeiss, o aparelho funcionava por modos mais empíricos que matematicamente precisos. O aprimoramento da dupla permitiu que a iluminação do microscópio ultrapassasse o limite da observação em lentes de 1000x com altos níveis de resolução e nitidez.
    • Corrente alternada (c.1887): o atualmente renomado físico sérvio Nikola Tesla desenvolveu uma corrente elétrica (CA) capaz de variar de direção e intensidade em períodos variáveis, diferentemente da corrente contínua (ou CC, que funcionou primeiramente em uma invenção por meio da pilha, em 1799, e passou a ser disseminada por Thomas Edison como a mais eficaz). A longo prazo, o modelo proposto e desenvolvido por Tesla se mostrou mais eficiente, já que ao contrário da corrente contínua, reduzia acentuadamente a perda de transmissão, ultrapassava os 100 km de alcance (ao contrário do máximo de 1,6 km da CC), tinha fácil adaptabilidade através de transformadores, funcionamento por meio de motores simples de indução, entre outras vantagens.
    • Raio-X (1895): o físico alemão Wilhelm Röntgen inovou a medicina ao descobrir que os tubos dos raios catódicos (válvulas a vácuo que utilizam feixes de elétrons para projetar imagens) emitiam uma radiação que atravessava materiais. Seu primeiro teste foi realizado em colaboração com a esposa, que pôs a mão entre um tubo e uma chapa fotográfica, de onde se projetou sua estrutura óssea, e com isso, a possibilidade de se enxergar o interior do corpo humano.
    • Soro antiofídico (final do século XIX): apesar de o soro antiofídico ter sido patenteado apenas na década de 1910, os seus estudos foram iniciados em 1899 e primeiramente loteados em 1901. A descoberta foi feita pelo médico e cientista brasileiro Vital Brazil, que criou um método de neutralização de toxinas causadas por serpentes venenosas a partir do próprio veneno da respectiva espécie. Suas contribuições influenciaram na criação do Instituto Butantan e do Instituto Oswaldo Cruz.

 → Tecnologias do século XIX

Diversas invenções que impactaram diretamente em nossa história têm suas origens no século XIX. Observe a seguir as mais influentes delas, em ordem cronológica da data de invenção, seguidas de seus criadores e país de origem.

  • Pilha elétrica (1800) — Alessandro Volta, Itália.
  • Locomotiva a vapor (1814) — George Stephenson, Reino Unido.
  • Motor elétrico (1834) — Thomas Davenport, EUA.
  • Telégrafo e código Morse (1837) — Samuel Morse, EUA.
  • Daguerreótipo (1839) — Louis Daguerre, França.
  • Bicicleta com pedais (1839) — Kirkpatrick Macmillan, Reino Unido.
  • Máquina de costura (1851) — Isaac Singer, EUA.
  • Elevador moderno (1852) — Elisha Otis, EUA.
  • Telefone (c.1860) — Antonio Meucci, Itália.
  • Máquina de escrever (1861) — Francisco João de Azevedo, Brasil.
  • Metrô (1863) — Empresa Metropolitan Railway, Reino Unido.
  • Dinamite (1867) — Alfred Nobel, Suécia.
  • Plástico (1869) — John Wesley Hyatt, EUA.
  • Lâmpada incandescente (1879) — Thomas Edison, EUA.
  • Filme fotográfico de rolo (1884) — George Eastman, EUA.
  • Automóvel a gasolina (1886) — Karl Benz, Alemanha.
  • Alumínio (1886) — Charles Hall e Paul Héroult, EUA/França.
  • Radiodifusão (1893) — Roberto Landell de Moura, Brasil.
  • Cinema (1895) — Irmãos Lumière, França.
  • Dirigível (1900) — Ferdinand von Zeppelin, Alemanha.

Acontecimentos marcantes do século XIX no Brasil

Fotografia do imperador D. Pedro II sentado em uma cadeira (1870).
A presença da família real portuguesa no Brasil foi um dos marcos do século XIX. Na imagem, o imperador D. Pedro II (1870).

O século XIX no Brasil foi complexo em muitos aspectos: não é por acaso que o período seja considerado, por muitos, um dos mais difíceis de se compreender quanto à sua história, política e sociedade. Para facilitar os acontecimentos marcantes de nosso país no decorrer dos “anos 1800”, preparamos a lista cronológica a seguir:

Como resultado da expansão territorial promovida pelo imperador francês Napoleão Bonaparte sobre a Europa, o príncipe regente português D. João VI, então aliado da Inglaterra, decidiu fugir para o Brasil e elevar a cidade do Rio de Janeiro a capital do Império Português. A mudança permitiu a abertura dos portos a nações aliadas, mas a sociedade não passou por transformações estruturais.

  • Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves (1815)

Em 1815, o Brasil deixou de ser uma mera colônia portuguesa para se igualar às possessões imperiais da Coroa cujo Reino Unido foi governado por Maria I (1815-1816) e D. João VI (1816-1822).

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Em 9 de janeiro de 1822, em resposta à exigência de retorno a Portugal, o príncipe regente do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, D. Pedro I, decretou sua recusa, consolidando o “Dia do Fico”. Naquele mesmo ano, Portugal passou a demandar a recolonização do Brasil, estimulando as elites a pressionarem a anulação do governo do príncipe, que como resposta, declarou a independência do país no dia 7 de setembro.

Outorgada em março de 1824, a nossa primeira Constituição decretava a formação de uma monarquia constitucional separada por quatro Poderes (Executivo, Legislativo, Judiciário e Moderado — este, representado unicamente por D. Pedro I), religião oficial católica, voto censitário e permanência da escravidão.

Os seis anos de Período Regencial no Brasil foram marcados por revoltas, conspirações e golpes. A impopularidade de D. Pedro I no país, somada à crise econômica, fizeram com que o líder abdicasse do trono e retornasse a Portugal, deixando o cargo para o filho em menoridade. A crise política incentivou a eclosão de diversas revoltas, como a Cabanagem no Pará, a Sabinada na Bahia, a Balaiada no Maranhão e a Revolução Farroupilha em Rio Grande do Sul e Santa Catarina, levando os regentes, temerosos com a oposição, a adiantar a coroação do herdeiro D. Pedro II por meio do “Golpe da Maioridade” (1840).

  • Guerra do Paraguai (1864-1870)

“Batalha do Avaí”, pintura de Pedro Américo que retrata soldados lutando na Guerra do Paraguai, no século XIX.
O Brasil venceu a Guerra do Paraguai, mas o conflito resultou em mortes, dívida e crise financeira para o país.

O Brasil governado por D. Pedro II, em aliança com a Argentina e o Uruguai, travou uma grande guerra contra o Paraguai, liderado por Solano López. Na época, o Paraguai era uma potência regional diplomaticamente alinhada à França, e seu líder possuía pretensões expansionistas sobre a Bacia do Prata e territórios brasileiros. A guerra terminou com um saldo de mais de 400 mil vidas, e apesar da vitória brasileira, o endividamento do país passou a se tornar o principal fator de crise do Período Imperial.

  • Lei Áurea (1888)

Pressionado pela Inglaterra para dissolver de vez a escravidão no país, por motivos mais econômicos que humanitários, o Brasil passou a decretar leis abolicionistas de maneira gradual a fim de não impactar negativamente os latifundiários e donos de escravos (além da lei britânica Bill Aberdeen, de 1845, que permitia a interceptação de navios tumbeiros brasileiros por parte da Marinha Britânica).

Entre os decretos brasileiros, as principais foram:

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  • a Lei Eusébio de Queirós (1850), que extinguia o tráfico de navios e entrada de novos escravos no país;
  • a Lei do Ventre Livre (1871), que decretava que os filhos de escravizados nasceriam livres a partir de então; e
  • a Lei dos Sexagenários (1885), que libertava escravizados com mais de 60 anos de idade, desde que eles fossem obrigados a trabalhar por mais três anos para “indenizar” os seus senhores.

A Lei Áurea, assinada em 1888 pela Princesa Isabel, decretou oficialmente o fim da escravidão no Brasil, apoiada por diversos descendentes de africanos como José do Patrocínio e Luís Gama. No entanto, a abolição não garantiu a inclusão dos ex-escravizados na sociedade, nem no cotidiano das grandes cidades. Na imagem abaixo, o decreto original da abolição da escravatura, assinado pela princesa Isabel, que se encontra atualmente sob guarda do Arquivo do Senado Federal de Brasília.

Foto da Lei Áurea com a assinatura da princesa Isabel, documento assinado no final do século XIX.
A Lei Áurea pôs fim à escravidão no Brasil, em 1888.

Como em um efeito dominó, a libertação dos escravizados significou imediatamente a crise definitiva do Período Imperial, suscitando um golpe de Estado organizado por oficiais de alta patente que decretaram a primeira República do país. Apesar do decreto de uma república presidencialista e a promulgação de uma nova Constituição no ano seguinte, os problemas sociais se mantiveram e se expandiram, ao passo que as elites ligadas à produção do café passaram a liderar a política brasileira.

Ao final do século XIX, o religioso Antônio Conselheiro passou a protestar pelo descaso da Igreja Católica e do governo republicano em relação à comunidade baiana de Canudos, às margens do rio Vaza-Barris. A comunidade, organizada de maneira coletiva, autossuficiente e profundamente religiosa, passou a ser vista como uma afronta ao governo brasileiro, principalmente pelo fato de Antônio assumir uma posição de recusa e rebeldia ao movimento republicano recém-adotado.

Como resultado, o exército foi enviado a Canudos para conter a revolta, sofrendo uma humilhante derrota em luta contra os populares. A comunidade baiana sucumbiu apenas na quarta expedição militar, após meses de combate contra cerca de 8 mil soldados republicanos e bombardeios massivos de artilharia.

Saiba mais: Século XVIII — tudo o que aconteceu no chamado “século das revoluções”

Curiosidades sobre o século XIX

  • Muitos brasileiros foram pioneiros nas invenções do século XIX, apesar de enfrentarem problemas com patenteamento: a máquina e escrever e a radiodifusão são alguns exemplos.
  • Apesar de o italiano Meucci ter inventado o telefone por volta de 1860, foi o norte-americano Alexander Graham Bell quem patenteou o aparelho, em 1876.
  • A teoria de Charles Darwin em relação à evolução foi publicada em 1859, mesmo sem a descoberta da genética, que surgiria naquele mesmo ano.
  • A tabela periódica original possuía 60 elementos, ao contrário dos 118 atuais.
  • A Belle Époque foi um período de ingênua crença na paz e progresso duradouros, que se disseminou pela França e Europa ao final do século XIX. Até então, a humanidade não havia presenciado uma guerra mundial, que eclodiria em 1914 e na qual a França foi uma das nações mais prejudicadas.
  • As incontáveis obras de ficção científica que se propagaram no decorrer do século XX se devem principalmente à influência dos autores do século XIX, especialmente Júlio Verne e H. G. Wells.
  • A edição mais popular de “A Guerra dos Mundos”, de H. G. Wells, lançada em 1906, foi ilustrada pelo brasileiro Henrique Alvim Corrêa. Para Wells, as ilustrações do brasileiro captaram perfeitamente a essência da obra, atingindo o nível de obscuridade desejado para a atmosfera da trama.
Ilustração dos monstros da obra “A Guerra dos Mundos”, literatura do final do século XIX.
Uma das ilustrações do brasileiro Henrique Alvim Corrêa para a obra “A Guerra dos Mundos”.
  • Muitas vezes se assimila erroneamente que D. João VI fugiu de Portugal já na qualidade de rei. A rainha era Maria I, sua mãe incapacitada de exercer o cargo, e João era o príncipe regente.
  • O Poder Moderador, criado por meio da Constituição de 1824, era um cargo exercido exclusivamente por D. Pedro I e possuía mais autoridade que os demais Poderes.
  • O fim da escravidão não foi decretado primeiramente por motivos humanitários, mas econômicos: o capitalismo era muito mais lucrativo para as elites do que a manutenção da mão de obra escrava.
  • Ao contrário do que convencionalmente se pensa, o século XIX se inicia em 1801 e se encerra com o término de 1900. A regra, é claro, vale para a contagem de todos os séculos.
  • A História como disciplina só surgiu na segunda metade do século XIX, apesar de ser fundamentada sobre os preceitos do positivismo. Um de seus fundadores, o alemão Leopold von Ranke, defendia uma história universal, factual e unicamente baseada em documentos oficiais.

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Fontes

CHALINE, Eric. As piores invenções da história e os culpados por elas. Rio de Janeiro: Sextante, 2015.

CHANTERANNE, David; PAPOT, Emmanuelle. Napoleão: sua vida, suas batalhas, seu império. Londres: Carlton Books, 2010.

COSTA, Emília V. da. Da monarquia à república: momentos decisivos. São Paulo: UNESP, 1999.

GOMES, Laurentino. 1822. Sextante: Rio de Janeiro, 2010.

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HOBSBAWM, Eric. A era das revoluções: 1789-1848. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra, 2012.

HOBSBAWM, Eric. A era do capital: 1848-1875. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra, 2012.

HOBSBAWM, Eric. A era dos impérios: 1875-1914. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra, 2012.

LIMA, Luiz O. de. A Guerra do Paraguai. São Paulo: Editora Planeta, 2016.

O LIVRO DA ARTE. Rio de Janeiro: Globo Livros, 2020.

O LIVRO DA MÚSICA CLÁSSICA. Rio de Janeiro: Globo Livros, 2019.

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Escritor do artigo
Escrito por: Cassio Remus de Paula Cássio é doutor em História pela UFPR, mestre e bacharel em História pela UEPG. Atua como professor de História, Filosofia e Sociologia.
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PAULA, Cassio Remus de. "Século XIX"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/historiag/seculo-xix.htm. Acesso em 13 de março de 2026.
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