Golpe do 18 de Brumário foi o movimento político que marcou o fim da Revolução Francesa e a ascensão de Napoleão Bonaparte ao poder na França entre os dias 9 e 10 de novembro de 1799. Por meio desse golpe militar, Napoleão pôs fim ao governo do Diretório, que até então governava a França, e deu início a uma nova fase na história daquele país, a chamada Era Napoleônica (1799-1815). O nome corresponde à data do golpe no Calendário Revolucionário Francês, então em vigor, o dia 18 do mês de Brumário (10 de novembro no calendário tradicional).
Leia também: O que foi a Revolução Francesa?
Tópicos deste artigo
- 1 - Resumo sobre o Golpe do 18 de Brumário
- 2 - O que foi o Golpe do 18 de Brumário?
- 3 - O que significa 18 de Brumário?
- 4 - Contexto histórico do Golpe do 18 de Brumário
- 5 - Como foi o Golpe do 18 de Brumário?
- 6 - Napoleão Bonaparte e o Golpe do 18 de Brumário
- 7 - Consequências do Golpe do 18 de Brumário
- 8 - Exercícios resolvidos sobre o Golpe do 18 de Brumário
Resumo sobre o Golpe do 18 de Brumário
-
O Golpe do 18 de Brumário aconteceu em 9 e 10 de novembro de 1799 e derrubou o Diretório, encerrando a Revolução Francesa e iniciando a Era Napoleônica.
-
O termo “18 de Brumário” refere-se à data do golpe no Calendário Revolucionário Francês, então em vigor.
-
O Diretório, que era o governo francês nesse período, enfrentava forte crise: inflação, fome, corrupção, instabilidade política e derrotas militares, tornando-se incapaz de governar, o que tornava o ambiente propício para grupos que intencionavam tomar o poder.
-
Napoleão Bonaparte, recém-chegado da bem-sucedida campanha militar do Egito, era visto como herói militar e solução para a desordem.
-
O golpe envolveu três movimentos principais: controle militar de Paris por Napoleão, transferência forçada dos conselhos para Saint-Cloud e pressão e dispersão dos deputados com a ajuda das tropas do general Joachim Murat.
Não pare agora... Tem mais depois da publicidade ;) -
Após o golpe, Napoleão assumiu o cargo de primeiro-cônsul, posição central no novo regime, o Consulado, que funcionava como uma ditadura pessoal, apesar da aparência republicana.
-
O golpe marcou o início da ascensão política definitiva de Napoleão, que se tornaria cônsul vitalício (1802) e, depois, imperador dos franceses (1804).
-
A nova Constituição e o Consulado promoveram reformas administrativas e econômicas, centralizando o Estado e estabilizando o país após anos de crise.
-
Internacionalmente, o golpe abriu caminho para as Guerras Napoleônicas, que levariam a França a dominar grande parte da Europa até a queda de Napoleão em 1815.
O que foi o Golpe do 18 de Brumário?
O Golpe do 18 de Brumário, ocorrido na França entre os dias 9 e 10 de novembro de 1799, foi um golpe militar liderado por Napoleão Bonaparte e que deu fim ao governo do Diretório, que até então governava a França, e à própria Revolução Francesa, levando ao poder o general Napoleão Bonaparte e dando início a uma nova fase na história daquele país, a chamada Era Napoleônica (1799-1815).
O Diretório era a forma de governo que estava no poder na França desde 1795, marcando a terceira e última fase da Revolução Francesa. O Diretório vivia em 1799 uma crise profunda, com muito impopularidade, instabilidade política e clara incapacidade de lidar com as ameaças internas e externas ao governo da França. Foi nesse contexto que o célebre general Napoleão Bonaparte retornava da bem-sucedida campanha militar do Egito e era visto por grande parcela da população como herói e por setores influentes do governo como uma figura necessária para reorganizar o Estado e restaurar a ordem interna no país.
O Golpe do 18 de Brumário consistiu numa série de manobras coordenadas: controle militar de Paris, transferência das assembleias legislativas para a cidade de Saint-Cloud (fora da capital, Paris) e pressão sobre os deputados para aproveitarem a oportunidade criada pela dissolução do Diretório pelo Exército guiado por Napoleão. A operação foi bem-sucedida e permitiu que Napoleão assumisse o topo do poder no país com o cargo de primeiro-cônsul. Foi o fim de uma era no país, a da Revolução Francesa, e o início de uma nova, a da Era Napoleônica, que trazia em seu bojo uma promessa de estabilidade após uma década de instabilidades.
O que significa 18 de Brumário?
O termo “18 de Brumário” faz referência a uma data no Calendário Revolucionário Francês até então em vigor na França, ou seja: dia 18 do mês de Brumário.
O Calendário Revolucionário Francês foi um sistema criado e implementado na França em 1792 pelos revolucionários no poder para se romper simbolicamente com o calendário gregoriano (esse que usamos até hoje no Brasil e em todo o mundo) e com toda a tradição monárquica e religiosa católica da França pré-revolucionária. No calendário comum (gregoriano), o 18 de Brumário do Ano VIII equivale ao dia 9 de novembro de 1799.
No Calendário Revolucionário, o ano era dividido em 12 meses de 30 dias e 5 ou 6 dias (em anos bissextos) ao final de cada ano para festividades cívicas da República. Os nomes dos meses foram trocados para nomes inspirados nas estações do ano, como Brumário (mês das brumas, das névoas), Frimário (mês do frio), Germinal (mês da germinação das plantas) e assim por diante. Cada mês de 30 dias era organizado em três longas semanas de 10 dias (chamadas de “décadas”). O décimo dia de cada semana era o único dedicado ao descanso, o que não agradou a muitos trabalhadores, que tinham menos tempo de descanso, bem como aos religiosos, por conta da abolição do domingo.
O calendário foi imposto pelo governo revolucionário com a ideia de que seria um modelo de calendário mais moderno e racional, mas, na prática, ele era difícil de usar no dia a dia e criava confusão com os demais países, que continuavam no calendário gregoriano tradicional. Por isso, o Calendário Revolucionário foi abolido no país oficialmente em 1806, tendo sido abandonado pela maior parte da população muitos anos antes disso.
Leia também: Quais foram as causas da Revolução Francesa?
Contexto histórico do Golpe do 18 de Brumário
O contexto histórico em que o Golpe do 18 de Brumário ocorreu é do final da Revolução Francesa, período em que o governo do Diretório estava no poder desde 1795 e representava um governo marcado pela corrupção e inabilidade de lidar com os muitos problemas que o país enfrentava após uma década de inúmeros conflitos internos e externos.
O Diretório vacilava na tentativa de lidar com a grave crise econômica que assolava o país nesse período, marcada pela inflação crescente, escassez de alimentos básicos para a população e descrédito financeiro do governo. Além disso, havia conflitos políticos internos, como severas disputas entre jacobinos remanescentes do período anterior e grupos monarquistas reacionários, além de forte pressão militar externa, que, volta e meia, organizava novas coalizões de países absolutistas para tentar conter a expansão da França e de suas ideias revolucionárias.
A Constituição em vigor já havia sido várias vezes desrespeitada pelo Diretório, como no Golpe de 18 de Frutidor, em setembro de 1797, o Golpe de 22 de Floreal, em 11 de maio de 1798, e o Golpe de 30 de Prairial, em 18 de junho de 1799. Tudo isso revela instituições já muito frágeis, incapazes de manterem autoridade e consenso, abrindo espaço para a ascensão dos militares liderados por Napoleão.
Nesse contexto turbulento, a figura do general Napoleão aparecia como uma promessa de ordem e renovação. Ele havia conquistado enorme prestígio popular e o apoio de líderes políticos poderosos (como o diretor Emmanuel-Joseph Sieyès) após liderar campanhas militares de grande sucesso na Itália e no Egito, em que impôs derrotas decisivas à poderosa Áustria. Sua chegada como herói de guerra a Paris em outubro de 1799 provocou um impacto imediato na população de Paris e em políticos. Era o surgimento do mito do “Salvador da Pátria” que se tornou Napoleão, visto então como alguém capaz de salvar a França do caos em que ela estava afundada há anos.
O próprio Diretório procurava uma saída para a crise que ele não conseguia lidar. O diretor possivelmente mais influente, Emmanuel-Joseph Sieyès, em sua obra “Que é o Terceiro Estado?”, afirmava procurar um general popular que pudesse apoiá-lo em um golpe para reorganizar o Estado francês. Napoleão se tornou seu favorito, pois reunia todas as qualidades necessárias: era jovem, carismático e com grande habilidade e legitimidade militar.
Como foi o Golpe do 18 de Brumário?
O Golpe do 18 de Brumário ocorreu entre os dias 9 e 10 de novembro de 1799 (18 e 19 de Brumário do Ano VIII no Calendário Revolucionário) e foi executado sob a liderança de Napoleão Bonaparte e por meio da combinação de manobras militares, pressão política e alianças estratégicas.
O processo para o golpe começou quando os diretores Emmanuel-Joseph Sieyès e Roger Ducos, aliados de Napoleão, solicitaram ao Conselho dos Anciãos, a câmara alta do poder legislativo francês durante essa terceira fase da Revolução Francesa, que transferisse suas sessões para a cidade de Saint-Cloud, alegando ameaça à segurança desses conselheiros pela situação da segurança pública em Paris. O objetivo com essa manobra era afastar esses importantes e influentes líderes políticos do ambiente político tradicional e isolá-los (e controlá-los) sob “proteção” militar controlada por Napoleão. O conselho não só aprovou a medida como também concedeu a Napoleão Bonaparte o comando das tropas responsáveis por garantir essa mudança.
Na manhã do dia seguinte (o 18 de Brumário, ou 10 de novembro), Napoleão ocupou militarmente diversos pontos estratégicos de Paris, incluindo o Palácio das Tulherias, que era então sede do Poder Legislativo, onde funcionava o Conselho de Anciãos. Esse segundo movimento, marcado pela presença militar, visava intimidar possíveis opositores e demonstrar que o golpe contava com amplo apoio do Exército. Foi então que os cinco diretores renunciaram, esvaziando o Diretório e tornando-o tecnicamente incapacitado de funcionar.
Nesse momento, ocorreu o terceiro e decisivo movimento, no dia 19 de Brumário (11 de novembro), quando Napoleão compareceu diante dos conselhos do Poder Legislativo reunidos na cidade de Saint-Cloud. Ele tentou, diante dessas lideranças políticas, justificar a dissolução do Diretório e, com isso, causou uma reação hostil dos deputados, que o acusaram de golpista e tirano. Napoleão chegou a ser vaiado e quase fisicamente atacado. Nesse momento, havia o risco real do fracasso do golpe.
Foi então que Lucien Bonaparte, irmão mais novo de Napoleão e que era então presidente do Conselho dos Quinhentos, a câmara baixa do Poder Legislativo francês de então, interveio decisivamente. Lucien declarou que o Parlamento estava ameaçado por “conspiradores armados” e autorizou Napoleão a dispersar o conselho. As tropas de Napoleão, lideradas pelo general Joachim Murat, entraram então no salão e expulsaram os deputados.
Com a dispersão dos conselhos legislativos, Paris tomada pelas tropas do Exército e grandes e influentes políticos como aliados, Napoleão pôde criar então, sob um discurso de “salvação nacional”, uma comissão para redigir uma nova Constituição, que logo depois foi implementada, instituindo o Consulado, novo Poder Executivo do país, com Napoleão no topo do poder com o cargo de primeiro-cônsul, posição em que concentrava poder e, na prática, inaugurava o regime napoleônico, que comandaria o país até sua queda definitiva em 1815.
Napoleão Bonaparte e o Golpe do 18 de Brumário
O papel de Napoleão Bonaparte no Golpe do 18 de Brumário foi central e profundamente ligado à sua imagem então de líder militar capaz de “salvar” a França da crise em que se afundara.
O retorno de Napoleão da bem-sucedida (apesar de custosa) campanha militar no Egito em 9 de outubro de 1799 foi um evento de forte impacto emocional e político nacional, fortalecendo sua reputação no mesmo momento em que o Diretório desmoronava. Napoleão era, aos olhos de grande parte da população e de lideranças políticas influentes, o único nome capaz de restabelecer a ordem em meio ao caos revolucionário.
Apesar do importante apoio que Napoleão teve de importantes lideranças políticas como Sieyès, Ducos e seu próprio irmão Lucien, ele não foi apenas um instrumento nas mãos dos conspiradores. Pelo contrário: ele rapidamente assumiu a direção do movimento golpista, moldando o golpe de acordo com seus próprios objetivos.
Sieyès era um político experiente, influente e admirado e pretendia utilizar Napoleão para introduzir a mudança constitucional que defendia. No entanto, Napoleão logo se tornou o protagonista desse movimento e promoveu as mudanças que ele mesmo concebeu, relegando Sieyès e outros a papéis secundários no novo regime.
Napoleão exerceu os papeis estratégicos fundamentais para a conclusão do golpe: liderou o estabelecimento de um controle militar sobre Paris, exerceu pressão sobre os conselheiros legislativos e assumiu o controle da construção das instituições do novo regime.
O resultado final foi o estabelecimento de uma nova Constituição, centrada no Consulado, o novo Poder Executivo do país, com três cônsules, mas a proeminência de um primeiro-cônsul, cargo assumido por Napoleão, naturalmente. A concentração de poder e de prestígio em torno da figura de Bonaparte só cresceu nos anos seguintes, o que o levou a se tornar imperador dos franceses em 1804 e encarnar o mito do salvador da pátria para milhões de franceses de então e para a posteridade.
O 18 de Brumário foi um golpe que expressou o talento de Napoleão Bonaparte em transformar poder e prestígio militar em poder político-institucional, o que ele fez com maestria.
Leia também: Batalha de Waterloo — a derrota definitiva de Napoleão Bonaparte
Consequências do Golpe do 18 de Brumário
O Golpe do 18 Brumário marcou profundamente e de maneira duradoura não só a história da França, como de toda a Europa, porque encerrou definitivamente o período revolucionário francês, iniciado em 1789, e inaugurou o regime que levaria à formação do Império Napoleônico, que chegou a dominar direta ou indiretamente praticamente toda a Europa continental e levou esse continente a conflitos intermináveis.
A primeira consequência interna para a França do golpe foi a implantação de um novo regime de governo, centralizado em torno do Consulado, por meio da chamada Constituição do Ano VIII. Napoleão assumiu o centro do poder no novo regime, tornando-se primeiro-cônsul. A concentração de poderes nas mãos de Napoleão era imensa e, apesar do esforço de se manter as aparências de uma república, o novo regime funcionava como uma ditadura pessoal de Bonaparte.
As aparências de república constitucional foram logo deixadas pelo caminho quando Napoleão, em 1802, assumiu o título de cônsul vitalício (até então, havia um mandato de 10 anos para o cargo). Em 1804, Napoleão se fez coroar com pompa e circunstância na célebre Catedral de Notre-Dame, local de coroação dos antigos reis franceses, como imperador dos franceses, encerrando qualquer ambiguidade que ainda houvesse sobre o caráter autoritário e centralizador do novo regime.
As demais consequências derivam do governo de Napoleão durante a Era Napoleônica (1799-1815). Internamente, esse governo representou inicialmente um grande avanço em termos de reformas administrativas, que tiraram o país da crise econômica e administrativa, modernizando sua economia e sua estrutura governamental por meio da racionalização da administração pública.
No plano internacional, o governo de Napoleão fortaleceu a posição da França militar e politicamente na Europa, mas, no médio prazo, levou a conflitos sucessivos com os vizinhos, que terminaram por minar o poder do império francês e precipitar a queda de Bonaparte.
Exercícios resolvidos sobre o Golpe do 18 de Brumário
Questão 1
O Golpe do 18 de Brumário (1799) marcou uma importante inflexão na trajetória política da França pós-revolucionária. De acordo com a interpretação dos historiadores que estudaram o período, esse acontecimento representou:
A) A restauração plena da monarquia absolutista, com retorno imediato dos Bourbons ao poder.
B) A consolidação definitiva da democracia parlamentar francesa após a queda do Diretório.
C) O fim da Revolução Francesa como processo político e o início de um regime centralizado sob liderança de Napoleão Bonaparte.
D) A extinção do Exército francês e sua substituição por milícias locais descentralizadas.
E) A implantação de um governo jacobino radical, com retomada das políticas do Terror.
Gabarito: C.
O 18 de Brumário fecha o ciclo revolucionário e inicia o ciclo napoleônico, inaugurando um regime centrado no “mito do salvador”. Trata-se da instalação de um governo autoritário, o Consulado, que na prática funcionava como uma ditadura pessoal.
A – Incorreta. A restauração dos Bourbons só ocorreria em 1814.
B – Incorreta. O regime criado (Consulado) era autoritário e centralizado.
D – Incorreta. Napoleão reforçou o Exército, não o aboliu.
E – Incorreta. O jacobinismo já havia sido derrotado anos antes; Brumário representa seu encerramento definitivo.
Questão 2
Durante o Golpe do 18 de Brumário, Napoleão Bonaparte utilizou uma combinação de estratégias militares e políticas para assumir o poder. Entre as ações fundamentais que possibilitaram o sucesso do golpe, destaca-se:
A) a convocação espontânea dos deputados para coroá-lo imperador no Palácio das Tulherias.
B) a tomada militar de Paris, o deslocamento forçado dos Conselhos para Saint-Cloud e a intervenção decisiva de Lucien Bonaparte na dissolução do Conselho dos Quinhentos.
C) a execução de todos os diretores do regime anterior, garantindo-lhe autoridade absoluta.
D) a substituição imediata do calendário revolucionário pelo calendário gregoriano para anular vestígios da Revolução.
E) a formação de um governo interino liderado exclusivamente por Sieyès, sem participação de Napoleão.
Gabarito: B.
Napoleão ocupou militarmente Paris e transferiu os conselhos para Saint-Cloud, onde enfrentou forte reação dos deputados. A intervenção de seu irmão Lucien Bonaparte, presidente do Conselho dos Quinhentos, foi essencial para justificar o uso das tropas comandadas por Murat, dispersando os parlamentares e viabilizando o golpe.
A – Incorreta. Não houve coroação nessa fase; isso só ocorreria em 1804.
C – Incorreta. Os diretores renunciaram (dois sob pressão), mas não foram executados.
D – Incorreta. O calendário revolucionário continuou em uso até 1806.
E – Incorreta. Embora Sieyès fosse conspirador-chave, quem assumiu o poder real foi Napoleão.
Fontes:
LYONS, Martyn. Napoleon Bonaparte and the Legacy of the French Revolution. Houndmills, Basingstoke: Macmillan Press; New York: St. Martin’s Press, 1994.ISBN 0333589093.
ROBERTS, Andrew. Napoleon: A Life.New York: Viking, 2014.ISBN 9780670025329.
TULARD, Jean. Napoléon ou le mythe du sauveur. Paris: Fayard, 1977.ISBN 2213004811.