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Ovos de Páscoa da família Romanov

História Geral

Os ovos de Páscoa da família Romanov, desenvolvidos pelo joalheiro Fabergé, tornaram-se símbolos de presentes luxosos da aristocracia russa do século XIX.
Um exemplar dos ovos de páscoa desenvolvidos pelo joalheiro Peter Carl Fabergé para a família Romanov*
Um exemplar dos ovos de páscoa desenvolvidos pelo joalheiro Peter Carl Fabergé para a família Romanov*
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Algumas das curiosidades mais interessantes relativas às várias dinastias europeias, ou “casas” aristocráticas, estão associadas ao modo de vida luxoso que elas mantinham e ao vínculo estreito do luxo e da riqueza com a arte. Um exemplo patente é o da Casa Romanov, a dinastia nobre que entronizou czares no Império Russo de 1613 a 1917 – ano em que foi alijada do poder com a Revolução Russa. A partir do século XIX, os Romanov contrataram os serviços do artesão e joalheiro Peter Carl Fabergé para elaborar e produzir ovos de Páscoa especiais para os membros da família.

O ornamento de ovos e a celebração da Páscoa

É sabido que, desde os primeiros momentos em que o cristianismo passou a penetrar as comunidades pagãs na Antiguidade, seus rituais de liturgia absorveram e transformaram as práticas religiosas pagãs. Uma dessas práticas era a pintura e o ornamento de ovos de variadas aves como forma de anunciação da primavera. Tal prática passou então a ser associada à data da Páscoa, que é considerada a data mais importante do cristianismo por remeter à morte e ressurreição de Jesus Cristo.

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A partir disso, a entrega de ovos de Páscoa passou a estar ajustada ao calendário litúrgico da Igreja Cristã, tanto católica quanto ortodoxa. Sendo a família Romanov, desde suas origens, intimamente ligada ao cristianismo ortodoxo, a cerimônia da entrega de ovos de páscoa ornamentados como presentes era tida como uma das mais aguardadas do ano.

Como os ovos Fabergé viraram tradição entre a dinastia Romanov?

Partindo desse contexto, em 1885, o czar russo Alexandre III teve a ideia de presentear a sua esposa, Marie Fedorovna, com um ovo de Páscoa luxuoso, isto é, um ovo que tivesse como ornamentos pedras e metais preciosos. A encomenda então foi feita ao joalheiro, à época já famoso na Rússia, Peter C. Fabergé. Fabergé era membro de uma família huguenote (calvinistas franceses) de artesãos da região de Picardia, França. Seu pai, Gustav, estabeleceu-se na Rússia, especificamente na cidade de São Petersburgo, na década de 1830.

Carl Fabergé, nascido em 1846, logo se integrou nos negócios do pai, que lhe proporcionou formar-se nos melhores centros de arte e de joalheria da Europa. A partir da década de 1880, Fabergé construiu um grande império no ramo da joalheria, conhecido até os dias de hoje como maison Fabergé (isto é, casa Fabergé). A repercussão do trabalho da maison Fabergé chegou à apreciação dos aristocratas russos. A encomenda do czar Alexandre III, mencionada no parágrafo anterior, foi o começo de uma nova fase na carreira de Fabergé, que o consagrou não apenas como joalheiro e ourives, mas como grande artista.

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À imperatriz russa, Fabergé projetou e produziu um ovo de Páscoa que era, a um só tempo, uma verdadeira obra de arte e uma verdadeira joia rara, ou melhor: um conjunto de joias, avaliadas em milhões de dólares hoje em dia. Por exemplo: uma das exigências do czar era a de que o ovo possuísse em seu interior uma “surpresa”. A surpresa que Fabergé deixou foi uma pequena estátua de uma galinha botando uma pedra de safira.

Leia também sobre: A história dos ovos de Páscoa

A partir daí, Fabergé começou a receber encomendas de ovos, inicialmente, para os outros membros da família Romanov, mas logo teve de atender uma demanda que vinha de outras casas aristocráticas, e não apenas da Rússia. A estrutura dos ovos seguia a mesma daquele feito para a imperatriz: o exterior todo forjado em algum tipo de metal, como o ouro, revestido de pedras preciosas e, por vezes, com pinturas ou fotografias dos membros familiares a serem presenteados cravejadas na também na face externa. No interior, sempre havia algum tipo de presente, também feito com adornos luxosos.

Os ovos dos Romanov tornaram-se, com o tempo, objeto de cobiça por parte de vários tipos de pessoas, desde mafiosos até colecionadores de arte. Houve até filmes que representaram a tentativa de roubo de alguns desses ovos, como o de Mimi Leder, Thick as Thieves (Jogo entre ladrões, no Brasil), protagonizado por Morgan Freeman e Antonio Banderas.

*Créditos da imagem: walter_g | Shutterstock

Por Me. Cláudio Fernandes

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

FERNANDES, Cláudio. "Ovos de Páscoa da família Romanov"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/historiag/ovos-pascoa-familia-romanov.htm. Acesso em 22 de julho de 2019.

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