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Como funciona a tocha olímpica

Apesar de o surgimento da tocha ter origem mitológica, seu funcionamento é explicado pela ciência.

Imagem da tocha olímpica
Simbolismo cultural e histórico está por trás do uso da tocha olímpica. [1]
Crédito da Imagem: Shutterstock.com
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A Tocha Olímpica, um dos principais símbolos dos jogos olímpicos, é desenvolvida a cada edição do evento com base nas características do país onde os jogos devem acontecer. Além disso, a tocha é carregada de significados que remetem à Grécia Antiga, onde as Olimpíadas tiveram sua origem.

O fogo, que é ateado na pira olímpica no palco de abertura dos jogos, é aceso 100 dias antes do começo da competição, em Olímpia, na Grécia, a partir da luz solar. Antes de embarcar para a cidade-sede, a tocha acesa passa por algumas cidades gregas e outras localidades no país que receberá os jogos.

O revezamento da tocha, que antecede a abertura dos Jogos Olímpicos, é a representação de uma lenda grega. Nessa lenda, Prometheus (um titã defensor da humanidade) teria roubado o fogo, que representa a divindade e a sabedoria dos deuses, de Zeus e entregado aos seres humanos. Além de todo o simbolismo cultural e histórico que permeia o acendimento da pira olímpica, existem algumas curiosidades sobre a tocha que podem ser explicadas pela ciência.

Leia mais: Seis fatos importantes da história das Olimpíadas

Tópicos deste artigo

Como a tocha olímpica é acesa?

Na cerimônia para acender o fogo olímpico, protagonizada por onze mulheres caracterizadas como sacerdotisas, uma pequena quantidade de grama seca é colocada em um instrumento chamado skaphia (uma espécie de espelho côncavo que agrega os raios do sol em um só ponto). De acordo com o Professor Diogo Lopes, o formato da skaphia, associado ao fato de sua superfície ser feita de metal, faz com que a temperatura em seu interior aumente, provocando uma combustão.

Foto de mulheres gregas acendendo a tocha olímpica.
O formato côncavo da skaphia concentra os raios solares em um único ponto, provocando uma combustão. [2]

Uma vez acesa, a chama da skaphia é passada para a tocha olímpica, que segue em revezamento até o local da abertura dos jogos. No entanto, não é somente a tocha que é acesa nessa cerimônia, o fogo também é transferido para uma espécie de lampião que tem combustível para durar 15 horas. São quatro os lampiões que viajam o mundo reacendendo a tocha.

Como é feito o revezamento da tocha olímpica?

Tradicionalmente os atletas e personalidades alternam-se para carregar a tocha até o acendimento da pira. Em geral, isso é feito por via terrestre, e o condutor faz o trajeto a pé, mas não é raro o fogo ser levado de carro, ônibus, bondinho e outros meios de transportes.

Em 1976, para a realização das Olimpíadas de Montreal, no Canadá, efeitos pirotécnicos foram usados para conduzir a chama. O fogo foi transformado em impulso elétrico e enviado de Atenas, via satélite, para ser reaceso no Canadá por meio de um feixe de laser.

Outra forma de transporte inusitada ocorreu nos jogos de 2000, realizados em Sidney, na Austrália. Durante o revezamento, mergulhadores carregaram a chama por debaixo d’água, no Mar de Coral, em Queensland. Para conseguir esse feito, o fogo foi preservado em uma lanterna contendo propileno, resistente à água.

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O combustível da tocha olímpica

Como no botijão com gás de cozinha, o fogo da tocha olímpica é gerado pela combustão de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), composto basicamente por propano e butano. Segundo as explicações do professor Diogo, no interior da tocha, o GLP encontra-se em estado líquido, mas há um sistema de diminuição da pressão interior que, quando acionado, causa evaporação da substância, transformando-a em gás.

O GLP evaporado é que gera combustão, mantendo a chama acesa. O cartucho com o gás é inserido na parte inferior e tem combustível para queimar durante 20 minutos apenas. Por isso, são fabricadas diversas tochas e é realizado o revezamento. Só para as Olimpíadas do Rio de Janeiro, em 2016, foram fabricadas 12 mil tochas.

A tocha olímpica não apaga?

Não há chama se não houver combustível e comburente (gás oxigênio), por isso, como qualquer outro fogo, o da tocha também tem prazo de duração. Sendo assim, é preciso repor combustível para que a chama permaneça acesa, e é isso que acontece durante o revezamento: tochas cheias de gás substituem aquelas que já queimaram por algum tempo.

Foto de uma tocha olímpica acendendo a outra.
Durante a passagem das chamas, a organização substitui tochas já queimadas por outras cheias de gás.[3] 

A necessidade de repor gás justifica ainda os quatro lampiões que acompanham a tocha. A alternância da chama com a reposição do combustível ao longo dos dias garante que o fogo que acenderá a pira olímpica seja o mesmo que foi aceso em Olímpia. Diferentemente da tocha, os cartuchos desses lampiões podem ser substituídos.

De acordo com o Professor João Roberto Mazzei, do QG do Enem, os mecanismos desenvolvidos para manter o fogo da tocha aceso são projetados para resistir a ventos de até 120 km/h e a um nível de pluviosidade moderado, ou seja, de chuva. Por isso, graças ao seu sistema de proteção, localizado acima do queimador, o fogo não se apaga com facilidade.

Veja também: Paralimpíadas —  evento esportivo, realizado a cada quatro anos, dedicado aos atletas com algum tipo de deficiência.

A fabricação da tocha olímpica

Durante muito tempo, o material para produzir a tocha era o aço, o que a tornava bastante pesada. Atualmente, a principal matéria-prima é o alumínio, que, segundo o Professor Mazzei, diminui bastante o peso da peça. Para impedir o aquecimento da estrutura, existe um isolamento térmico logo abaixo da chama piloto, evitando que o calor expanda-se.

As características da tocha dependem da comissão organizadora do evento em cada edição. Cada cidade-sede desenvolve o design da tocha com base em características regionais. 

Crédito da imagem

[1]Ververidis Vasilis/Shutterstock

[2]Ververidis Vasilis/Shutterstock

[3]Ververidis Vasilis/Shutterstock

Escritor do artigo
Escrito por: Rafael Batista Escritor oficial Brasil Escola

Gostaria de fazer a referência deste texto em um trabalho escolar ou acadêmico? Veja:

BATISTA, Rafael. "Como funciona a tocha olímpica"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/curiosidades/como-funciona-tocha-olimpica.htm. Acesso em 20 de abril de 2024.

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