Constante dos gases

A constante dos gases, R, é uma constante de proporcionalidade essencial para o estudo dos gases.

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A constante dos gases é uma constante de proporcionalidade, representada comumente pela letra R, que pode ser descrita matematicamente a partir das observações experimentais do comportamento dos gases. Ela pode ser expressa em diversos valores, mas, no Sistema Internacional de Unidades, o seu valor é igual a, aproximadamente, 8,314 J·K−1·mol−1.

Leia também: O que é a constante de Avogrado?

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Tópicos deste artigo

Resumo sobre a constante dos gases

  • A constante dos gases, representada pela letra R, é uma constante de proporcionalidade.
  • Ela surge na unificação das leis utilizadas para descrição do comportamento dos gases.
  • Matematicamente, é fundamental para a resolução da equação dos gases ideais.
  • Pode ser expressa em diversos valores, mas no Sistema Internacional de Unidades, SI, seu valor é igual a 8,314 J·K−1·mol−1.

O que é a constante dos gases?

A constante dos gases é uma constante de proporcionalidade, representada pela letra R, a qual é obtida a partir das propriedades dos gases elencadas pela Lei de Boyle, Lei de Charles e pelo Princípio de Avogadro.

Segundo a Lei de Boyle, para uma quantidade fixa de gás em temperatura constante, a pressão do gás é inversamente proporcional ao volume, assim sendo, o produto P x V é constante sob essas condições.

Demonstração gráfica da Lei de Boyle.
Demonstração gráfica da Lei de Boyle.

Já a Lei de Charles é uma outra observação importante acerca do comportamento de um gás, estabelecendo que o volume de um gás varia linearmente com a temperatura se a pressão é mantida constante. Dessa forma, a expressão V/T é constante em qualquer condição.

Demonstração da Lei de Charles em esquema ilustrativo com balões.
Demonstração da Lei de Charles: um aumento da temperatura do gás, em pressão constante, faz com que o volume do gás varie na mesma proporção.

Por fim, o Princípio de Avogadro estabelece que, nas mesmas condições de temperatura e pressão, uma determinada quantidade de gás ocupará sempre o mesmo volume, independentemente da natureza química desse gás.

Demonstração do Princípio de Avogadro para os gases.
Demonstração do Princípio de Avogadro para os gases.

É a partir do Princípio de Avogadro que surge o conceito de volume molar (Vm), em que:

Vm = Volume ocupado pelo gás/nº mols do gás

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Ou seja, o volume de um gás é diretamente proporcional ao número de mols de gás ali presente: quanto maior o número de mols gasosos, maior o volume ocupado por esse gás.

Com a combinação do que foi observado pelas leis de Boyle e Charles, podemos dizer que a expressão (P x V)/T é constante, independentemente do estado em que o gás se encontra. O Princípio de Avogadro ainda coloca que o volume ocupado pelo gás é diretamente proporcional ao seu número de mols. Assim, podemos dizer que:

\(\frac{P\ \times V}{T}\propto \ n\)

Reajustando a equação, temos que:

\(P\times V \propto \times n\times T \)

Dessa forma, enxergamos que o produto P x V é diretamente proporcional ao produto n x T. Para se criar uma condição de igualdade, deve-se fazer uso de um recurso matemático, que é a inclusão de uma constante de proporcionalidade. A inclusão de uma constante de proporcionalidade fixa um valor para que haja, portanto, igualdade. Assim, temos, que:

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\(P \times V = \text{constante} \times n \times T\)

Essa constante agora pode ser denominada como constante dos gases ideais, sendo representada pela letra R. Assim, chegamos à clássica equação:

\(P \times V =n \times R \times T\)

Qual o valor da constante de R?

O valor da constante R pode ser representado com diversas unidades. Dentro do Sistema Internacional de Unidades (SI), em que a pressão é expressa em pascal, o volume em metros cúbicos, a quantidade de matéria em mols e a temperatura em kelvin, o valor de R é expresso em joules por kelvin por mol (J∙K−1∙mol−1).

Os possíveis valores para a constante R são:

  • 8,20574 ∙ 10−2 L∙atm∙ K−1∙mol−1;
  • 8,31446 ∙ 10−2 L∙bar∙ K−1∙mol−1;
  • 8,31446 L∙kPa∙ K−1∙mol−1;
  • 8,31446 J∙ K−1∙mol−1;
  • 62,364 L∙Torr∙ K−1∙mol−1;
  • 62,364 L∙mmHg∙ K−1∙mol−1.

Para que serve a constante dos gases?

A constante dos gases é universal, sendo a mesma para todos os gases. É uma constante de proporcionalidade e, assim, matematicamente permite equacionar as relações entre pressão, volume, temperatura e quantidade de matéria de um gás ideal, ou seja, a constante R permite a geração de uma equação de estado, que é uma expressão matemática que mostra como a pressão do gás se relaciona com suas demais propriedades (temperatura, quantidade de matéria e volume).

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Equação geral dos gases ideais

A equação geral dos gases ideais é expressa da seguinte forma:

Equação geral dos gases.

Um gás que obedeça a essa equação é chamado de gás ideal. Um gás real aproxima seu comportamento a de um gás ideal conforme sua pressão se aproxima de zero.

É por conta disso que a lei dos gases ideais é entendida como uma lei-limite, ou seja, uma lei que só funciona dentro de um determinado limite (pressão próximo a zero). Contudo, sabe-se que a equação dos gases ideais apresenta valores razoavelmente corretos para gases em pressões normais, o que nos permite utilizá-la para descrever o comportamento dos gases em condições normais.

A tabela a seguir traz os valores dos volumes ocupados por 1 mol de diferentes gases, nas condições normais de temperatura e pressão (0 °C e 1 atm), em comparação ao gás ideal hipotético.

Composição do gás

Volume ocupado

Gás ideal

22,41

Argônio

22,09

Dióxido de carbono

22,26

Nitrogênio

22,40

Oxigênio

22,40

Hidrogênio

22,43

Exercícios resolvidos sobre a constante dos gases

Questão 1. (Cesmac – Dia 2/2025.2) O gás oxigênio (O2) é utilizado em unidades de terapia intensiva (UTI). Um cilindro de 10 L é preenchido com O2 a uma pressão de 8 atm e temperatura de 27 °C.

Considerando o comportamento do oxigênio como gás ideal e R = 0,082 atm∙L∙ K−1∙mol−1, quantos mols de O2 existe no cilindro?

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  1. 1,90 mols
  2. 2,40 mols
  3. 3,25 mols
  4. 20,00 mols
  5. 36,13 mols

Resposta: Letra C.

Para determinação do número de mols, utilizaremos a expressão dos gases ideais:

PV = nRT

Em que, P = 8 atm, T = 300 K (27 °C + 273), V = 10 L e R = 0,082.

Assim:

8 ∙ 10 = n ∙ 0,082 ∙ 300

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n = 80/24,6

n  ≈ 3,25 mols

Questão 2. (Enem/2025) Apaixonada por culinária e química, uma chefe de cozinha calculou que, para promover o crescimento adequado da massa durante o cozimento de um bolo a 180 ºC (453 K) e 1,00 atm, ela precisaria utilizar uma quantidade de fermento químico suficiente para produzir um volume de gás igual a 4,00 L. Com esse objetivo, ela escolheu utilizar o bicarbonato de amônio, um composto que, sob aquecimento, degrada-se em três gases distintos, que são os responsáveis pelo crescimento da massa. A decomposição do bicarbonato de amônio ocorre conforme a equação química apresentada e, nas condições do cozimento, seu rendimento é de 80%.

NH4HCO3 (s) → NH3 (g) + CO2 (g) + H2O (g)

Considere que a mistura dos gases se comporta como gás ideal nas condições de cozimento utilizadas pela chefe.

Dados: Massa molar do NH4HCO3 = 79 g∙mol–1 e R = 0,082 atm∙L∙mol–1∙K–1.

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A massa, em grama, de bicarbonato de amônio que ela deve utilizar é mais próxima de

  1. 2,3g.
  2. 3,5 g.
  3. 5,9 g.
  4. 6,8 g.
  5. 8,9 g.

Resposta: Letra B.

Percebe-se, na equação química, que cada 1 mol de bicarbonato de amônio produz 3 mols de gases (amônia, dióxido de carbono e água). Contudo, nas condições do problema, o número de mols gasosos produzidos pode ser calculado pela equação dos gases ideais:

PV = nRT

Em que P = 1 atm; V = 4 L; T = 453 K e R = 0,082. Assim:

1 ∙ 4 = n ∙ 0,082 ∙ 453

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4 = n ∙ 37,15

n ≈ 0,108 mol de gases

Contudo, essa quantidade de mols de gases é referente a um rendimento de 80%. Portanto, a quantidade esperada de mols de gases a ser obtida é:

            80% ---------------- 0,108 mol

            100% -------------- x

80 ∙ x = 100 ∙ 0,108

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x = 0,135 mol

Agora, pela estequiometria do processo, acha-se a quantidade de bicarbonato de amônio necessária para produzir essa quantidade de gás

            1 mol de NH4HCO3 ---------------- 3 mols de gases

            x mol de NH4HCO3 ---------------- 0,135 mol de gases

3 ∙ x = 0,135

x = 0,045 mol

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A massa, portanto, de bicarbonato de amônio pode ser calculada por meio da massa molar:

n = m/MM

0,045 = m/79

m ≈ 3,5 g

Fontes

ATKINS, P.; JONES, L.; LAVERMAN, L. Príncípios de Química: Questionando a vida e o meio ambiente. 7. ed. Porto Alegre: Bookman, 2018.

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HAYNES, W. M. (ed.) CRC Handbook of Chemistry and Physics. 95a ed. CRC Press: 2014.

Equação geral dos gases em quadro-negro, com destaque para a letra R, que representa a constante dos gases.
A constante dos gases é utilizada na resolução da equação dos gases ideais.
Escritor do artigo
Escrito por: Stéfano Araújo Novais Stéfano Araújo Novais, além de pai da Celina, é também professor de Química da rede privada de ensino do Rio de Janeiro. É bacharel em Química Industrial pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e mestre em Química pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
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NOVAIS, Stéfano Araújo. "Constante dos gases"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/quimica/gases.htm. Acesso em 02 de maio de 2026.
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